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Capítulo 3 de 17

Deus — parte 3 de 17

Sangue na cruz · Osvaldo Polidoro

Paulinho fora enterrado, por sua mãe, e com isso fizera ela o sepultamento de algum resquício de crença em Deus, que porventura ainda restasse em sua estrutura concepcional. Mudara para outro local e entregara-se à cata de outro marido, no que fora bem sucedida. Olhar para trás, pelo prisma das recordações, era relembrar e reviver dores e revoltas. Por isso, bem se aconselhara, propondo-se a jamais crer em Deus. E assim partiu, no rumo dos dias que lhe restavam, muitos dias, bastante pródigos, fartos em cometimentos de toda ordem, porém cheios de alegrias terrenais. Mais cinco filhos tivera, todos instruídos, a seguir, em sua maneira de ver; e como ao pai importava muito o seu negócio em madeira, em comum ficou assente que boa religião era a maior soma de rendimentos. Fazer fortuna e aumentá-la, eis o culto daquela família. Entretanto, diga-se, não foram jamais desumanos; pelo menos, jamais negaram dádivas aos que lhes pediam e de fato careciam. Apenas, para cobrir gastos dessa ordem, procuravam subtrair a outros, em forma de comércio. Quando alguém falava em Deus, emitiam conceitos que variavam com o grau de amizade e liberdade possíveis ou não. A uns atendiam, dizendo que cada qual pode ter a sua crença, ou nenhuma crença, sem afetar o modo de vida, a decência nos tratos e deveres. A outros, onde a liberdade podia ser algum tanto extensa, ousavam afirmar que os mancos necessitam de muletas e os tolos de superstições. Todavia, como os preconceitos e conceitos humanos jamais detiveram a marcha do tempo e o andamento das contingências da Vida, da Vida Maior, eis que atingem os marcos finais e dobram nas comissuras do ciclo, entregando os corpos à terra e os espíritos à eternidade da vida e aos trâmites da Lei. Ao menos disto deviam todos lembrar – que morrem os sábios e os ignaros, os ricos e os pobres, os sãos e os doentes, os simples e os orgulhosos, etc. E que podem ter seguimento, alternativas as mais complexas, conseqüências as mais inesperadas e fatais. Em virtude das falhas dessa ordem, nossos e vossos ambientes, aqui os inferiores, apresentam legiões de elementos incrédulos; descrêem de Deus e da continuidade da vida, mesmo tendo a Deus por FUNDAMENTO e à vida por herança eterna. Nada há que discutir por isso, porquanto meras discussões nunca poderiam resolver tais problemas. De todos os argumentos até ao presente utilizados, nenhum outro fez tanto, como aquele que se constitui das soberanas lições da vida! É a vida comum quem mais ensina e melhor, porque no seu âmbito é que realizamos tudo, embora custe mais ou menos dificuldades e dores. Ao cabo de mil e uma contingências, aqueles mesmos que se abandonaram aos desmandos, e por isso toparam dores agudas pela frente das vidas, eles mesmos teimam em fazer elogios rasgados à dor... Só venceram, e só assim poderiam vencer, burilando no íntimo os fundamentais poderes latentes que se resumem nos recursos do Amor, da Sabedoria, da Vontade e do Trabalho. Quem poderia fracassar, uma vez recorrendo a esse quadrúnviro, à base de ação ininterrupta? Os tormentos fazem rebeldes e blasfemos; o Amor e a Sabedoria fazem santos! Os que se erguem à custa de sofrimentos são aqueles que necessitam perder no domínio do livre arbítrio; os que se valem do Amor e da Sabedoria são aqueles que se aumentam nesse direito relativo, mas fundamental. É hora, portanto, de se dar cabo de ladainhas ronceiras, e de se honrar ao que por si mesmo é honra! Marcha, entretanto, a coluna cor de chumbo através do mundo e dos tempos; um dia, mais tarde ou mais cedo, todo filho arredio terá que se converter em filho pródigo. Ninguém poderia vencer, em se tratando de batalhar contra os Foros Divinos. Mas... Eis aqui o prejuízo – muito tempo perdido! Muita dor sofrida inutilmente! Queremos fazer aqui uma afirmação, e afirmação que se contrapõe também ao ramerrão multimilenar do pieguismo dolorista. Na dor ativa alcança-se todo o aproveitamento de que é capaz, ao passo que na dor passiva se perde tudo ou quase tudo, sem contar que se aumentam os débitos, quando a criatura descamba para os rincões tenebrosos da rebeldia e da blasfêmia. Dor passiva é aquela que tem como causa determinante o erro; dor ativa é aquela que verte de trabalhos dignificantes, de missão a desempenhar ou de provas necessárias. As virtudes sadias valem como remédios sadios, quando postas em função ativa; mas o sofrimento, como originário de erros acumulados, pode muito bem converter-se em propulsor de terríveis acréscimos dolorosos, porque motivam cruentas revoltas. Glicério, uma vez lançado no espaço pela catapulta do desencarne, tendo aumentados os sofrimentos, e vindo das plagas mentais da incredulidade e da rebeldia, em maior rebelde se convertera. Caminhando rente ao chão a princípio, dera-se a blasfemar por cantorias. Cantava blasfêmias, xingava, desafiava a Deus. Chagoso, purulento, caía e levantava, mas sempre ostentando a sua rebeldia, sempre musicando as suas ultrajantes expressões. Era um, dos incontáveis que se julgam abandonados e traídos pela Soberana Vontade, por não se capacitarem das leis de causa e efeito, por se não enfronharem nos meandros das leis fundamentais, entre as quais se conta aquela que determina a evolução lenta e o pleno respeito ao direito de livre arbítrio relativo. Verdadeiramente, reside aqui a grande falha – todo aquele que olvida seus deveres para com a lei de relativo livre arbítrio, terá que se defrontar, hora mais, hora menos, com as sérias conseqüências que daí se originam. Ninguém vive a esmo e recebe o Céu à custa de milagres, mistérios ou arengas jaculatórias; o fim glorioso está vinculado ao exercício íntimo, ao esforço intransferível. Glicério, no entanto, filho intelectual que era de um credo desprovido de senso analítico, jamais concebera a idéia de autofazimento, jamais julgara a importância do despertar interno. Acreditava na graça, no favor do Céu, no milagre. E ao julgar-se preterido, voltou as costas à graça, ao Céu e ao milagre, mergulhando em cheio nos reinados onde pontificam as trevas, o ódio e demais aversões à Lei. Minha função, como simples observador, e registrador, não me facilitava ingerir em suas validades optáveis; nada tinha com a diretriz mental-acional a que se quisesse ele entregar. E foi assim que, oculto nas gamas etéreas algum tanto superiores, vi-o agir, na carne e fora dela, contra as mais felizes colimações. Vendo-o descer tanto, e tão velozmente, indagava-me até onde chegaria. Mas, como tinha por função observar e registrar, e não pré-julgar a Lei, continuei a postos sem o menor abalo, sem a mais leve idéia de observação. Não estava, também, como hoje estou, a par dos elos históricos que a ele me uniam e relacionavam, de certo modo; eu agia como funcionário da Lei, nada mais. Certo dia, porque nada há sem causa determinante e sem objetivo, avistou-se comigo alto mentor, ou emissário de plano superior, cientificando-me: – Lira, é chegada a hora de novos rumos. Glicério não aprende à custa de seus próprios recursos; nunca poderia resgatar suas faltas e trilhar caminhos de elevada finalidade, entregue ao padrão concepcional que observa. Temos que intervir e fá-lo-emos dentro de algumas horas. Esteja preparado, que ordens virão, cumprindo-lhe atuar com precisão, uma vez que é trabalhador consciente e tem parte no seu farnel histórico. Até breve. O alto mentor partiu e eu fiquei entregue a múltiplas cogitações. Todavia, era já de meus domínios mentais confiar absolutamente no Supremo Poder, como princípio passivo a observar; o princípio ativo, ou referente aos meus deveres de trabalho, de ação realizadora, esse, na hora exata e necessária tudo faria para resolvê-lo convincentemente. Eu não acreditava apenas em Deus; eu Nele confiava, para todos os efeitos, quer como Causa Primária, quer como Força Contingente ou mecânica que se movimenta através de Sua Manifestação ou Emanação. Por que, para os meus gastos pessoais, Deus é ao mesmo tempo Causa e Efeito, sendo que é neutro como Causa e ingerente como Efeito; isto é, no plano da chamada Criação Deus age através de leis comuns, determinando funções, liberdades relativas e responsabilidades às suas partículas tornadas semilivres. Assim, de qualquer modo tudo se resume em Deus, quer seja como Causa Primária, quer seja como Emanação Manifesta, quer seja como Poder Contingente. Prevalece a tríade básica – Emanador, Emanação e Lei, que significam Origem, Manifestação e Direção. Essa concepção, que é védica por excelência, é aquela que me agrada totalmente, por ser monista. Sendo a mais velha, ou a primeira conhecida e reconhecida, datando de mais de setenta mil anos, é ainda aquela que me faz compreender melhor a Deus, sentir melhor a mim próprio e respeitar profundamente os direitos alheios. É a consciência da UNIDADE PERFEITA, como a pregou Crisna, e como a recomendou, de ser a súmula do conhecimento espiritual. De fato, concebendo a Emanação e a Lei como simples manifestações de Deus, ou Essência Primeira, a tudo se tributa sumo respeito, sem deixar de considerar os valores hierárquicos, as gradações evolutivas, os diferentes graus de mérito. Assim pensava e assim penso; assim agia e assim ajo. Sinto-me feliz por isso, porque me considero o que sou e como sou, conseguindo focalizar muito bem o grande problema – para que sou! Sinto em mim a Origem Divina; prezo em mim os direitos sagrados de individualidade e responsabilidade; e através de ações harmônicas construo minha personalidade, conforme o Divino Modelo apresentado, que é o Cristo Planetário. Embora sendo parte, respiro as glórias do TODO! Embora sendo infinitesimal, vazo os poderes superiores através de minhas ações! Embora a imperfeição que ainda comporto, por involução, antevejo a plenitude final e sustento em mim os laços vívidos que a ela me unem e tangem fortemente! Por tudo isso, sentia-me e sinto-me bom irmão e feliz funcionário.

Tudo quanto devia dar-se, a respeito de Glicério, era truncar aquela descida infernal e forçá-lo a erguer conduta. Com o aviso daquele alto servidor, compenetrei-me de que devia ter pouco ou muito com sua vida e seus acontecimentos comprometedores. Aguardei, entretanto, que os fatos me pusessem a par dos futuros deveres, pela compenetração dos antigos débitos. E o dia chegou, quando visitado por aquele alto mentor. – Lira – disse-me ele – você, para servir melhor, agora que chegou a hora propícia, deve entrar no conhecimento de tudo quanto se deu. Venha comigo, vamos até o local devido, onde faremos a devida sondagem. Vendo, ou revendo o que fez, poderá compreender melhor o que deve dar de si, a bem do seu infeliz observado. – Onde o lugar? – indaguei. – Na crosta terrícola. Na Palestina. – Em que lugar? – Na Judéia. Entre aqueles vales, cômoros e ravinas, agiu você... Mas, vamos deixar as coisas neste pé, que a visão lhe dirá como agiu, e de si compreenderá como deve agora reagir, a fim de auxiliar alguém... Ele fez reticencioso silêncio, e eu achei que devia calar. Penetrava integralmente os meus pensamentos, e, se quisesse, a tudo responderia. Não o fazia por intenção justa, e eu por respeito à sua muita superioridade calava, aguardando o resultado final. – Vamos indo – disse, envolvendo-me naquela poderosa avalanche de poder que lhe caracterizava a personalidade. Ele mesmo disse, apontando, segundos depois: – Eis aí a paisagem toda. Entretanto, faz quase dois mil anos que vocês por aí andaram, fazendo o devido e o não devido. – É uma bela região! – considerei, observando o conjunto. Melancólico, objetou: – O grande mal parte sempre dos homens... A terra é sempre passiva, pode ser habitada ou não, cultivada ou não; mas o homem a tudo pode dar mau uso. E foi o que se passou. Cobriram-se de tremendas culpas... – Então, mestre, devo ter-me recuperado bastante, pois não me sinto culpado. Moveu a cabeça em sentido compreensivo, admitindo: – Sim, não há dúvida; mas ele fez outras coisas. – E sou responsável? – No que lhe toca, apenas. Mas, deixemos o caso entregue a si próprio. Conforme o visto, tomará conhecimento e fará o melhor. Sou apenas enviado como orientador, não como juiz. – Muito bem. Como devo agir? – Venha... Envolto naquela poderosa autoridade, teria mesmo que ir, quisesse ou não. Mas era um gozo atendê-lo. E lá me vi, num cômoro de morro, entre oliveiras e figueiras, tendo pela frente formoso vale, onde se descortinavam plantações de variada ordem e coloração, tudo muito bem repartido, distribuído e tratado. – Sente-se nessa pedra – ordenou-me. – Pronto. – Encoste a cabeça nesse tronco de oliveira e faça por nada ver. Fiz consoante a ordem. Ele, colocando as suas mãos sobre a minha cabeça, impôs-me um sono gostoso, ameno, sedativo. Era um deleite, como se estivesse navegando pelos ares, entre nuvens, borboletas e cintilantes estrelas. Depois, senti que me perdia, que sumia de mim mesmo, como se me tornasse nada... Ao vir-me a consciência, estava noutros tempos, metido em diferente personalidade, trabalhando para o governo, cobrando impostos... Era um funcionário cruel, mais ladrão do que mesmo funcionário... Observava as plantações, se haviam misturado os cereais, conforme proibiam as leis, pelos exageros governamentais. E multava, mandando arrancá-las todas, salvo quando me davam moedas de prata, ou presentes bons. Aqueles sitiantes eram homens broncos, ignorantes, temerosos, tudo fazendo a fim de não se envolverem com as autoridades. E disso abusávamos, eu e os demais cobradores de impostos e dízimos. Havia um sitiante, sobre um cômoro de morro, homem de certa idade, com quem havia eu altercado. Sempre que calhava de passar por ali, fazia o possível para lhe arrancar alguma dádiva, alegando erros que nem sempre podiam ser levados em conta. O rude e rústico homem, de tez bronzeada pelo sol, de mão calejada em extremo, ouvia minhas sentenças, fazia minha vontade, mas remoia no íntimo alguma idéia sinistra, algum projeto macabro. Entretanto, amparado na função, mais do que na lei, eu continuava exorbitando, exagerando, chegando a ponto de lhe tirar o próprio sustento. E foi quando, numa tarde neblinosa, consumando os atos terríveis impostos pela crueza de meus instintos, fiz-lhe proposta desonesta a respeito de certa filha viúva, e tive a cabeça decepada... Ao volver a mim, da nova fase de visão, estava suarento, deitado no chão, todo revolto. Havia-me debatido, sem dúvida, para estar daquele jeito. Abrindo os olhos, e procurando recuperar a memória, e desejando harmonizar os pensamentos, dei com o belo vulto pela frente. Ele agora estava radiante, metido entre nuvem colorida, cintilante, e me sorria com profunda benevolência, como a participar de minha dor. – Venha a mim, Lira. Tudo isso você já resgatou, de certo modo. Ir a ele era mergulhar naquela aura de luz; e fi-lo com toda a pressa imaginável e possível. Ele me envolveu, num amplexo fraterno, protetor, e eu senti que ondas de luz e virtude me invadiam, transformando-me, restaurando-me. – Se já resgatei, em parte, para que ver isso, que é tão horrível? Sereno, qual se fosse a eternidade a sorrir, esclareceu: – Para auxiliar aquele que ainda não conseguiu resgatar-se... E que fez o indevido à custa de sua revoltante conduta... Forçado por sua maldade. – Glicério?!... – Sim, Glicério. – Então, por isso fui ordenado a vigiá-lo, por tanto tempo? – Pelo menos, Lira, está no conhecimento do que tem ele feito. – Mas... E as vidas intermediárias? Como teremos vivido, posteriormente? A derrocada em que se meteu, agora, cabe-me também? Se nada fiz, como sabe, foi para cumprir ordens... Não devia interferir, apenas observar. E foi o que fiz, embora penalizado, por ver o esboroamento em que caía e recaía, até chegar onde chegou... Está quase de todo infernizado!... Pobre Glicério!... – Vai reerguê-lo, vai fazer a parte que lhe toca, apenas. Vamos embora, que outras vidas, neste lugar realizadas, pouco ou nada valeram ou fizeram, como obra de resgate. – Posteriormente? Aqui tornei a viver? – Sim, ambos aqui tornaram a renascer. Mas, como disse, nada fizeram de aproveitável, nesse campo de atividades e deveres. – Sinto-me preso ao local... É tão belo e evocativo!... Jesus por aqui andou, antes ou depois? – Depois. Vocês O viram, mas não O serviram... Perderam muito com isso. – Que lástima! Eu gostaria de rever essa vida, meu bondoso mestre. É gloriosa toda a visão onde Jesus aparece, por ser a síntese de todas as verdades sublimes. Eu rogo, senhor, que me permita ver... Afagado pela sua aura divinizada em alta escala, e pensando em Jesus, minha intimidade psíquica crescera, aumentara, fazendo-me vibrar intensamente. Eu fremia, lagrimava de contentamento, sem saber por quê. Meu rogo vinha dos fundos de minha individualidade, como se fosse um reclamo da centelha divina, da partícula brilhante que nos é alicerce sagrado. – Sim, vai rever. Tem direito, fez por isso. Ouvida a sua palavra, atirei-me ao solo, pronto a cair em transe. – Não, aqui não. Vamos para lugar mais próprio. – Onde? Transportou-me a lugar ermo, onde a quietude parecia engolfar a Terra e o espaço, onde qualquer estranha vibração fazia sentir diferentes radiações, invisíveis acordes ou inaudíveis cânticos. – Esta glória, mestre, vem de si ou é do local? – indaguei. O alto mentor estava concentrado, silencioso, profundamente silencioso. Pareceu-me estar longe, distante, vagando por entre recordações milenares, captando ondulações ocultas, ouvindo as vozes dos tempos. Fiz silêncio, também, procurando auscultar o máximo a mim possível. Vi-o, então, aumentar de brilho, de fulgor divinal. Ao chegar num tom dourado no exterior, rente a si era tal o brilho que não o podia olhar à vontade. Sua claridade opalina, de tão brilhante enceguecia-me, e de tão forte, em sentido de autoridade, fazia-me baixar a cabeça. Dentro em pouco, murmurou ele: – Graças! Graças, Senhor!... Olhei-o, então, não de frente, temendo o seu luzir intenso. Ele estava ofuscado, mais visível. Eu nada lhe disse, pois sabia que em tempo me faria ver o necessário. – Neste local, Lira, saiu Izabel a receber Maria, quando a Mãe do Divino Modelo quis visitá-la, para ver de perto o acontecimento que enchia de sublime alegria a sua velhice. Aqui, tangida por elevado mensageiro, Izabel proclamou a imortal saudação. Aqui, neste pedacinho de chão, Maria sentiu que as gerações a chamariam bem-aventurada... Observa, Lira, como vem da terra música divinal... Lembrei-me do relato bíblico e, curvando-me, osculei o solo histórico. O alto mentor curvou-se, também, havendo posto suas níveas mãos sobre a minha cabeça. Entreguei-me à sua vontade e adormeci, perdendo a consciência primeiro, vindo a recuperá-la depois, mas como um ser diferente, como outro homem.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.