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Capítulo 16 de 17

Deus — parte 16 de 17

Sangue na cruz · Osvaldo Polidoro

O primeiro serviço a fazer, conforme ordem de Abel, fora apressar o reencontro entre Débora e Sabino. Fizeram-se protestos de amizade, de tolerância e harmonia, mas nós sabíamos que futuramente haveria novas dissensões, pois eles vinham de longa esteira atritiva, e caracteres não se modificam assim facilmente. O segundo serviço foi lidar junto de Castro e de Nina, com vistas ao renascimento de ambos. Sabino, eu, Glicério, Nina e Castro estávamos para voltar ao plantel carnal. Alguns já estão respirando aí, através da fatiota carnal. Eu estou de malas prontas; só me resta o término desta narrativa e pequeninos retoques de somenos importância. Tudo estava, à hora marcada, pronto para o contato entre o rapazinho e o seu velho e querido amigo. Abel, que estava sendo aguardado, chegou em companhia de alguns amigos, criaturas de alta envergadura hierárquica e administrativa, elementos altamente simpáticos, homens e mulheres cuja personalidade atraía, infundia indefinível prazer. Abel estava contente, deslumbrante, fulgurante; um conjunto de altos seres provoca o aumento geral das auras, torna-os a todos intensamente brilhantes, mesmo que façam questão em contrário. – Todos estes – informou-nos o grande mentor – foram companheiros de Paulo, observaram suas determinações, praticaram Cristianismo sadio, não fizeram traficâncias com a idolatria reinante nem se mancomunaram com o farisaísmo vicioso, com aqueles que, mais tarde, fizeram resultar o advento da corrupção, liquidando a Revelação e infundindo o clero formal e idólatra, pagão e explorador, politiqueiro e sanguinário. Barnabé, um dos presentes, assentiu, com sua palavra forte: – Sim, Paulo compreendeu de uma vez por todas a significação do Batismo de Espírito, a liquidação dos cleros e a liberdade interpretativa no âmbito da Lei de Deus. Sua lucidez abarcou a integralidade, concebeu a Lei e a Revelação como sendo a base inamovível do edifício cristão, da Igreja Viva. Não temos dúvida alguma em afirmar a sua proeminência nos serviços da Igreja nascente; pelo contrário, tendo completa noção da insuficiência de alguns Apóstolos, podemos afirmar, sem de leve pretender ferir melindres, que sem o concurso do vaso escolhido pelo Divino Mestre, dificilmente conseguiriam os pósteros elementos informativos de melhor quilate, enquanto no momento estava a Igreja desprovida de quem fosse capaz de servir mais, pelo fato de possuir elevados dotes de cultura e preciosas faculdades mediúnicas... As palavras do insigne personagem findaram na chegada repentina de elevado número de altos seres, entre eles Paulo, que se apresentou com a característica do tempo. Baixo, um tanto ventrudo, pernas meio tortas, barba farta e muito preta, olhar penetrante ao extremo, tudo de envolta brilhante, coruscante, como se fosse prodigiosa fonte de luz em meio a fontes menos potentes. Escusado é dizer da alegria reinante, da brilhantura ambiente. Depois de algumas apresentações, e de muitas perguntas recalcadas, Barnabé convidou-o a dizer algumas palavras, havendo ele dito: – Primeiramente tragam o companheiro encarnado, pois a ele é que devemos, hoje, as obrigações estimulantes. Abel, eu e outros cinco, fomos buscar o rapazinho. Pelas condições, estava fácil de se o retirar e trasladar. Mera questão de envolver e transportar. – Ei-lo! – disse Abel ao introduzi-lo no vasto salão. O rapazinho estava deslumbrado, não sabia onde, como e nem para quê. Mas estava fortificado, vivaz, ansioso de explicações. Foi Paulo que lhe falou, pousando-lhe a direita sobre o ombro esquerdo: – Irmão..., grande amigo e fiel servidor de Jesus. Encerrado no vaso carnal, limitado que estás, não podes compreender a total significação desta reunião, nem tampouco poderás compreender a significação que irá ter no futuro, quando sérios trabalhos se te apresentarão, justificando o motivo da própria investidura carnal. Entretanto, irás ter completa lembrança deste conclave amigo, servindo-te como chamamento celestial, constituindo feliz estímulo. É o primeiro de uma longa esteira fenomênica, para efeito de alevantadas esperanças e firmes proposições de trabalho. Cessou um instante a palavra ao mesmo tempo meiga e enérgica, olhou ao redor, reclamando atenção para o detalhe, explicando: – Não basta o caráter sincero da ação humana. Eu, para citar um paralelo, fui sincero mosaista, absolutamente sincero, a ponto de me fazer fidagal inimigo do Cristo! Afirmo que, perseguindo os Apóstolos tinha em mira o Mestre, aquela figura humana cuja característica havia infundido sujeição a muitos judeus. Eu queria liquidar o Cristo na pessoa dos Seus amigos e discípulos, dissipar a mística levantada no âmago daquelas almas simples, para mim ignaras ao extremo, por aquele homem paupérrimo, revolucionário e conhecedor das artes ocultistas, artes que os Essênios sabiam cultivar, mas que as autoridades levitas não permitiam fossem expostas ou tornadas públicas. Repassou os penetrantes olhos pela vasta assembléia, prosseguindo: – Só mesmo aquele encontro!... Bendita Estrada de Damasco!... Imortal marca, que nenhuma força humana jamais poderia vencer, que nenhum fanatismo sectário poderia sobrepujar, que reino algum da Terra poderia revidar!... Encarou o rapazinho e com suavidade lhe disse: – Teu íntimo é cristão, bem o sei. Mas, vem de Jesus a ordem e confundem-me as graças do Divino Mestre. Para mim, querido amigo, foi terrível a felicidade que se levantou na mal propositada viagem. Para ti, entretanto, armado de outras validades espirituais, equipado de outras ornamentações cármicas, não se faz necessário o aguilhão das trevas, da fome e da sede... O Cristo entrou em mim seguindo as brechas da amargura, porque meu caráter sectário pairava acima da melhor verdade... Um dos presentes, de mim desconhecido, perguntou-lhe: – Perdoe-me a interrupção, bondoso servo do Senhor, pois devora-me o desejo de lhe fazer a seguinte pergunta: por que não admitiu Jesus como sendo o Cristo, aguardado há mais de três mil anos? Ou não Lhe soube da existência? De fato, querido irmão, os documentos evangélicos não falam de si coisa alguma, sem ser a começar do grande encontro da Estrada de Damasco. Paulo fez-se triste, abanou a cabeça negativamente e falou: – Não foi assim. Eu tive conhecimento de tudo, mas a meu modo; quero dizer a modo mosaísta-farisaico. Também eu aguardava o Cristo, também eu esperava que a Sua introdução fosse levada a termo pela volta de Elias. Mas, deveis saber pelos relatos históricos, milhares de homens passaram, no curso das gerações, pretendendo ser o Cristo aguardado. Foram homens de todas as marcas e matizes, cultos e incultos, sinceros e insinceros, mas sempre portadores de algumas faculdades ou dons espirituais, por cujas obras se impunham. Ninguém mais confiava integralmente, fosse em quem fosse a se apresentar como sendo o Cristo esperado. A desconfiança rondava todos os espíritos, muito mais aos elementos da nata social, a casta levítico-farisaica. E Jesus encontrou, à frente de Seus deveres messiânicos, esse ambiente adverso, cheio de prevenções e falsidades. Como sempre acontece ao se tratar de Jesus, a seleta assembléia ouvia a Paulo com a máxima atenção. Depois de envolver a simpática auréola, constituída de valorosos espíritos, com o seu penetrante olhar, deu seguimento ao relato: – Fui ao encontro de João Batista e o inquiri a respeito de suas pregações. Os escritos que deixei, tratando desses acontecimentos, não fazem parte do Novo Testamento, desapareceram... Não quero julgar a quem quer, a Lei fá-lo-á. Todavia, faço questão de afirmar-vos isto – eu de tudo dei conta por escrito! – Muito interessante! – exclamou alguém, a que não vi. Paulo seguiu-se, sob intensa expectação: – João Batista disse-me importantes coisas, porque me falara dos Essênios, e com especial atenção dos Nazireus, a sublime escola dos votados ao Senhor, cuja escolha recaía sobre os que nasciam sob avisos, sonhos ou visões ou criaturas portadoras de dons espirituais. Disse-me de tudo quanto havia feito, de como fora preparado em aprendizados e desenvolvimentos espirituais, consoante as tradições da velha Escola de Profetas. Anunciava o Cristo por ordem dos anjos! E afirmou que só a morte o faria calar! Como nada mais fizesse, que não fosse o batismo de água e a anunciação da vinda do Messias, tudo ficou em expectativa. Nada havia por fazer, senão aguardar o resultado dos fatos. É verdade que a sua palavra era plenamente consciente, e que suas vestes eram como as do Profeta Elias; mas ninguém ignorava os seus parentes, embora também ninguém ignorasse o que diziam do seu nascimento. Tudo podia ser obra de esperteza, tudo podia ser produto de alguma proposição menos digna de respeito, partida de elementos desonestos. – E os grandes fenômenos obrados pelo Cristo? – perguntou-lhe um outro. Ainda meneando a cabeça, respondeu-lhe Paulo: – Israel esteve sempre cheio de criaturas capazes disso. Apesar do zelo mantido pelo clero levita, muitos indivíduos, até gente da melhor posição social mantinha relações com os Cenáculos Essênios, aprendendo a fazer uso de faculdades expostas à custa de exercícios. Para nós, especialmente para mim, o Cristo devia testemunhar-se pela libertação de Israel e pela ressurreição. A interpretação levítica era essa, ninguém pensava de outro modo, e, podeis estar certos, Jesus deu-nos muito o que pensar, antes de ser dada a ordem de prisão, para cuja efetivação concorreu o ato de Judas, ato que não é bem aquele de que tratam os documentos evangélicos. Judas não pretendeu trair Jesus, mas sim afastá-Lo, para tomar o domínio do povo e agir no sentido de uma revolta, e revolta que tinha por viso libertar o povo de Israel do jugo romano. O reino deste mundo traiu Judas. Ninguém deveria esquecer a tremenda lição! Paulo estava bastante agitado, denotava grande consternação. E prosseguiu: – Jesus apareceu depois de João Batista semear todo o Israel com a sua palavra flamejante. O batismo de água, como gesto místico, encantava os cérebros menos sobrecarregados de prevenções. Soubemos, pois nossos homens seguiam as passadas do Precursor, da indicação sobre ser Jesus o Cristo esperado. Como se sabia da retirada de Jesus, do círculo familiar, para um dos Cenáculos de Profetas, foi com bastante displicência que soubemos de Seu retorno, envergando as características físicas e vestimentais dos que se votavam a tais serviços. Não se poderia admitir, em Jesus, a função divina do Cristo, do Libertador, porque o Libertador aguardado era de outro quilate, não de bens imortais e sim de poderes temporais. Demais, Jesus increpava os ricos e poderosos, numa demonstração cabal de Sua divina função, mas também de cabal indisposição com as autoridades em geral. – Como julgou a ressurreição? – perguntou-lhe o mesmo de antes. Sempre contrito, Paulo avançou: – Não quis ver a crucificação, por várias razões. Mandamos observar os acontecimentos. Ficamos sabendo como se portou, com imensa superioridade, com assombrosa altivez de espírito. Muitos ficaram atônitos, grande número, a seguir, foi ter com os Seus discípulos, a fim de trilhar o Seu Caminho... Mas, afirmo que a ressurreição, como a ouvimos relatar, não nos convenceu. Sinceramente, amigos, o fato não chegou a nós com foros de irretorquível realidade. Muitas explicações em contrário poderiam ser dadas. E quem nada tinha visto, podia muito bem não acreditar nos ecos do retorno. Falecida a consistência da ressurreição, falecia a última partícula de esperança, caía por terra todo o agravo que nos varria a alma, toda a tremenda expectação que nos consumia o espírito. O mesmo de antes, aventara, aproveitando breve lapso: – Então, querido amigo, só restava o fenômeno da Estrada de Damasco? Fazendo sinal de profunda ponderabilidade, Paulo emendou: – Depois da crucificação era difícil saber do paradeiro dos mais íntimos amigos do Senhor, pois temiam, e com razão, as represálias oficiais. O Sinédrio não tinha mais do que temer e duvidar, exigindo das autoridades toda a vigilância e todo o rigor das reprimendas. A regra era liquidar com as idéias, mesmo que fosse, para tanto, necessário liquidar com os homens seus portadores e profitentes. Todavia, um dos nossos, espia de confiança, disse-nos bastante, e com sobras de pormenores, sobre as ocorrências do Pentecoste. Mas, enceguecidos agora pelo ódio religioso, quem iria admitir o fenômeno como sendo a consumação da função messiânica de Jesus? Que poderia advir daquilo? A libertação de Israel, por acaso? Não é verdade, amigos, que as coisas da Revelação só chegam a sublimar os espíritos mais afeitos às grandes necessidades do espírito? Até o dia presente, como tratam a Revelação, já não digo os materialistas, mas os próprios religiosos dogmáticos? Não dizem ser coisa do diabo, e de espertezas inqualificáveis, blasfemando assim contra uma verdade que, nada mais, nada menos, mereceria todo o respeito da investigação científica e todo o carinho da observação religiosa? Barnabé entremeou: – Entretanto, à luz do Consolador fizemo-nos dignos obreiros de Jesus Cristo. Entrevendo o Céu através dos Mensageiros do Senhor, entregamos nossas vidas ao serviço da evangelização universal. O Pentecoste, ou Batismo de Espírito, foi o derrame de coragem com que nos brindou o Divino Mestre. Paulo fez sinal de assentimento, balbuciando: – Enchemos aquelas terras, e as terras gentias, da palavra de Jesus, não com o valor apenas de palavras verdadeiras, mas ungidas com o testemunho da Revelação. Se não fomos Apóstolos acompanhantes de Jesus, fomos cimentadores do Seu consolador Batismo, da graça esclarecedora, sinal da Igreja Viva entre os verdadeiros crentes. Verdadeiramente, relembrando aqueles trabalhosos dias, temos que rememorar e engrandecer as dádivas recebidas, pois os nossos passos foram sempre assinalados com as bênçãos do mediunismo intensivo. O plano espiritual espocava, as línguas diversas infundiam temor, a palavra dos mentores incutia fé e soerguia os ânimos combalidos. Curas davam-se a todo momento, criaturas possessas de espíritos viam-se libertas... A esta altura, estremeceu Paulo, exclamando: – Jesus! Senhor Jesus! Minha vontade não mais me pertence. Quero servir-Te, quero estar, como Tu estás, a serviço da Lei, a serviço de Deus. Dá-nos, Senhor, felizes oportunidades. Dadas as nossas certezas, a consciência da Verdade que Tu representas, só nos resta ter vontade e querer trabalhar. Nós queremos, Senhor, realizar a Tua Vontade, porque sabemos ser ela a mesma Soberana Vontade! Paulo tinha as faces irrigadas, seus olhos de águia cintilavam de modo estranho. Barnabé avançou: – Ninguém deu, amigo Paulo, melhor testemunho do que você, a respeito da obra messiânica de Jesus Cristo. A Lei e a Revelação estão expressas, em seus escritos, de forma lapidar, como constituintes do verdadeiro programa religioso. Paulo voltou à fala, depois de encarar os presentes, como se lhes devesse todas as explicações: – Quando me refiz do tremendo acontecimento da Estrada de Damasco, fui à cata de informes. Embora meu nome causasse espécie entre os Discípulos do Senhor, a palavra de Ananias abriu-me todas as portas... A esta altura, talvez atraído pelas vibrações intensíssimas, apresentou-se uma luz brilhantíssima, que a seguir se fez ver como glorioso espírito. Não era preciso saber quem seria, pois a ele dirigiu-se Paulo, e tão profundas foram as tocantes manifestações de amizade e sublimado amor, que a resplandecência atingiu ao máximo. O ambiente fremia, sob a luz que a todos envolvia e prendia, como se invisíveis liames fizessem de todos os presentes uma só unidade, um só pensamento e uma só vontade. Definir tal estado seria impossível. Digo, apenas, que o Grande Mestre enviara Suas bênçãos, e que a lembrança do grande acontecimento há de perdurar e frutificar, até o dia em que tenha de olvidá-la, quando tiver que mergulhar de novo na vestimenta carnal. Trocadas breves palavras, ainda em meio a vibrantes fulgurações, Paulo continuou: – Certifiquei-me, então, da finalidade da vinda de Jesus à Terra. E, como não poderia deixar de ser, encarei frontalmente os fatores Lei e Revelação. A Lei como alicerce moral e a Revelação como fonte de consolo e de esclarecimentos. Toda a minha obra, como podeis observar, resume o culto da Lei e da Revelação. Se nalguns pontos, do que medra escrito pelo mundo, há divergência, eu confesso que não é de minha responsabilidade. Viver a Lei e cultivar a Revelação, para liquidar com os formalismos humanos, para livrar a humanidade dos fetichismos de qualquer ordem e espécie, essa a regra de conduta que emana do Evangelho do Cristo. E, como sabeis, essa mesma é a síntese da obra de Kardec, do missionário indicado a ser o mais direto servidor da restauração do Cristianismo. Então, pois, repostas as coisas no lugar, e com sobejos informes, além de ser, por natureza, absolutamente franca a possibilidade progressiva. Paulo fizera silêncio, encarara o rapazinho com elevado sentimento, exclamando: – Meu grande amigo e companheiro de serviços! Vamos no rumo de teu novo fardo carnal, do instrumento através do qual poderás lidar, aumentando conhecimentos e prodigalizando benfeitorias. Lembra-te, porém, que é do Cristo a iniciativa. Eu e os demais companheiros, apenas servimos, como tens servido e irás servir. De nossa parte, oferecemos tudo quanto nossos corações podem ofertar... Enquanto a luminosa caravana iniciava deslocamento, eclodiu frenética salva de palmas, não mais se ouvindo as palavras do Apóstolo dos Gentios. Havia olhos lacrimejantes, e muita glória espiritual no ambiente, quando a partida se fez. Ao atingir a beira do leito, ali estava o guarda. Paulo disse-lhe palavras de incentivo e ungidas de muito carinho. Depois, colocando a mão direita sobre a cabeça do rapazinho, fê-lo deitar ao lado do corpo, dizendo-lhe: – Lembra-te sempre dos amigos destas plagas! O rapazinho acordou, acendeu a luz, levantou-se. Estava maravilhado, irradiava conforme a sua coloração específica, que era azulino-dourado. Quando sua mãe chegou, meio assustada, perguntando-lhe o que havia acontecido, disse-lhe ele: – Terei sonhado? Não pode ser, pois tudo foi tão vivo e potente! Mamãe, eu tenho certeza que o Apóstolo Paulo aqui esteve, neste instante!... A mãe, sorrindo, comentou: – E que tem isso, meu filho? Deus, que é o TODO, não é Onipresente? Não te espantes, portanto, com a presença de Paulo. Procura, antes, conhecer os porquês de sua visita. Naturalmente, como deves entender, há motivo justificando a presença de Paulo aqui, assim como há razão fundamental na Onipresença de Deus. A grande questão é saber o que é, como é e para o que é, compreendes? O mocinho respondeu-lhe: – Seja como queira Deus, não acha? A genitora observou: – Simplesmente, não. A parte de Deus é fundamental, prende-se ao determinismo, nunca falha. Temos que prestar muita atenção é na parte que nos toca... Somos falíveis, podemos deixar muito a desejar. Não entendes assim? Encolhendo os ombros, murmurou o filho: – Seja como Deus quiser... Eu quero assim... Minha vontade é servir, embora nada saiba, por ora. Dê-me Ele o serviço, que com muito gosto o executarei. A mãe pô-lo no leito, beijou-o e se foi, pensando maravilhosamente. Nós, uma vez terminada a função, fomos no rumo de nossas moradas e lugares de trabalho. As despedidas foram profundamente sentidas, não há dúvida, pois companhias assim raramente chega-se a ter, tão pronunciadas na história do mundo, tão elevadas na escala dos valores despertos.

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