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Capítulo 7 de 20
14 – Cristianismo em Espiritismo
Cristianismo e Espiritismo · Léon Denis
Os Irmãos do Caminho
Temporariamente creditando à Igreja romana os créditos sobre a religião cristã, averiguemos agora como foi a formatação do Cristianismo, de acordo com o ensino clássico. Tudo se iniciou como uma seita dentro do Judaísmo — a religião do povo judeu, pioneira do monoteísmo. Por assim dizer, por ter nascido em Israel, Jesus era seguidor do Judaísmo. Reformando esta, estabeleceu uma nova doutrina — o Evangelho, ou seja, a Boa Nova. Seus seguidores inicialmente eram os seus conterrâneos e, a princípio, a ideia não era a de ruptura com o templo judaico, mas o de reforma. Era expresso que a pregação partiria dentro de casa (Israel) e em seguida os gentios (estrangeiros). Os romanos dominavam a Palestina — bem como todo o Velho Mundo — e tinham uma cultura nos moldes gregos: politeístas e mais mitológicas do que mesmo religiosa. O César era um tanto tolerante neste quesito, de modo a conceder o culto judaico, até enquanto não conturbasse os domínios romanos.
Ocorreu que, após o martírio do Calvário, o movimento cristão passou a se expandir vertiginosamente, causando espanto e alimento certo temor a Roma de uma grande revolta social, já que a fé em Jesus ultrapassara as fronteiras geográficas. Aquele cristianismo primitivo não era mais restrito a um povo ou nação, mas a uma nova ordem comportamental, que havia sido abraçada por gente de tudo quanto é reino, classe e grau cultural. Os Apóstolos e demais discípulos de Jesus mantinham uma base comunitária em Jerusalém e de lá coordenavam as campanhas missionárias. Esse recinto era conhecido como Casa do Caminho e seus partícipes eram denominados irmãos do caminho — chavões que atualmente os espíritas têm tomado emprestado. O apelido cristão surgiu em Antioquia (atual Antakya, na Turquia). Foi lá onde o apóstolo Paulo pregou seu primeiro sermão depois do episódio à estrada de Damasco. E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e
15 – Louis Neilmoris em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos. Atos dos Apóstolos, 11:26 No romance PAULO E ESTÊVÃO, ditado a Chico Xavier por Emmanuel, temos uma magistral amostra de como era aquela Casa. As primeiras organizações de assistência ergueram-se com o esforço dos apóstolos, ao influxo amoroso das lições do Mestre. Era por esse motivo que a residência de Pedro, doação de vários amigos do “Caminho”, regurgitava de enfermos e desvalidos sem esperança. Eram velhos a exibirem úlceras asquerosas, procedentes de Cesareia; loucos que chegavam das regiões mais longínquas, conduzidos por parentes ansiosos de alívio; crianças paralíticas, da Idumeia, nos braços maternais, todos atraídos pela fama do profeta nazareno, que ressuscitava os próprios mortos e sabia restituir tranquilidade aos corações mais infortunados do mundo. Natural era que nem todos se curassem, o que obrigava o velho pescador a agasalhar consigo todos os necessitados, com carinho de um pai.
PAULO E ESTÊVÃO (Emmanuel) Francisco Cândido Xavier - Cap. 3 “Em Jerusalém” Votos de pobreza (simplicidade), partilha de bens (materiais e mão de obra), humildade e caridade eram as palavras de ordem daquela verdadeira igreja crista. Aproveitamos para lembrar que igreja aqui significa assembleia, grupo, comunidade de pessoas simpáticas à causa do Cristo. Pedro exercia sua autoridade de chefe dos apóstolos em acordo com os desígnios do Mestre galileu: procurando ser aquele que mais serviu. Em nenhum momento construiu para si um acento melhor que o dos outros — em contraste com o modus operandi dos papas católicos. Não sendo perfeitos, também esses bandeirantes cristãos sofriam a influência do meio — por exemplo, do Judaísmo — e vez em quando tendiam para o exemplo dos religiosos tradicionais. Diz-nos Emmanuel quanto a isso: É então que Jesus resolve chamar o espírito luminoso e enérgico de Paulo de Tarso ao exercício do seu ministério. Essa deliberação foi um acontecimento dos mais significativos na história do Cristianismo. As ações e as epístolas de Paulo tornam-se poderoso elemento de universalização da nova doutrina.
De cidade em cidade, de igreja em igreja, o convertido de Damasco, com o seu enorme prestígio, fala do Mestre, inflamando os corações. A princípio, estabelece-se entre ele e os demais Apóstolos uma penosa situação de incompreensibilidade, mas sua influência providencial teve por fim evitar uma aristocracia injustificável dentro da comunidade cristã, nos seus tempos inesquecíveis de simplicidade e pureza. A CAMINHO DA LUZ, Emmanuel, por Francisco Cândido Xavier – Cap. XIV “A Missão de Paulo”. A primeira grande ruptura com os costumes judaicos ficou caracterizada na deliberação sobre a controvérsia da circuncisão, em Jerusalém, por volta do ano 50 depois de Cristo. Aquele concílio estabeleceu que tal prática — exigência inalterável dentro da doutrina judaica — não era dogma cristão. O segundo e definitivo passo para a independência do Cristianismo em relação ao Judaísmo foi no ano 66, quando a comunidade cristã exila-se na Transjordânia (atual Jordânia), enquanto a Cidade Santa dos judeus era arrasada.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.