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Capítulo 6 de 20
12 – Cristianismo em Espiritismo
Cristianismo e Espiritismo · Léon Denis
primeiros seguidores. Para ela, a Igreja, quando o Imperador Constantino se converteu à fé em Cristo e institucionalizou a religião, veio apenas somar, ampliar a base já formatada. Essa é a versão imposta a ferro e a fogo pelo Vaticano ao senso comum ocidental, e com certa facilidade, já o Papa detinha todo o poder político, social e educacional sobre os fieis. Os oposicionistas — ditos hereges — eram silenciados pela fogueira santa da Inquisição. No entanto, hoje podemos facilmente apurar como foi deturpado o registro histórico da evolução do Cristianismo. Vemos o quanto o Catolicismo se diferenciou dos cristãos primitivos — então intitulados “Irmãos do Caminho”; que o nascimento da Igreja Católica se deu quando os romanos se apoderaram da crença daqueles judeus convertidos em Cristo, e não na continuação da cultura dos Apóstolos; que os católicos são sim a continuação da tradição romana, e, por isso mesmo, pactuantes com os três séculos de nefasta perseguição contra os cristãos primitivos.
Enfatizamos: As raízes católicas não estão nos judeus cristãos arrebanhados pelos romanos, mas nos romanos que arrebanharam os judeus cristãos. Os pretextos dessa anistia e convergência religiosa rodam outras praças que não a do idealismo espiritual. A prova está no modo como os gentios formataram os fundamentos da fé católica: os irmãos do caminho tinham uma abordagem de agregação, de solidariedade entre todos os povos; os romanos seguiam as tradições exclusivistas (“quem não é por nós é contra nós”). Aqui está Emmanuel a nos corroborar: A princípio, as autoridades do Império não ligaram maior importância à doutrina nascente, mas os Apóstolos ensinavam que, por Jesus Cristo, não mais poderia haver diferença entre os livres e os escravos, entre patrícios e plebeus, porque todos eram irmãos, filhos do mesmo Deus. O patriciado não podia ver com bons olhos semelhantes doutrinas. Os cristãos foram acusados de feiticeiros e heréticos, iniciando-se o martirológio com os primeiros editos de proscrição.
O Estado não permitia outras associações independentes, além daquelas consideradas como cooperativas funerárias e, aproveitando essa exceção, os seguidores do Crucificado começaram os famosos movimentos das catacumbas. A CAMINHO DA LUZ, Emmanuel, por Francisco Cândido Xavier – Cap. XIV “Os primeiros cristãos”. Aliás, o termo católico, vertido do grego kathólikos para o latim catholicus, significa universal. Porém, originalmente não no sentido de globalização, de união de povos e nações, mas pelo espírito dominador da época, de querer sobrepor ao mundo a sua ordem. Tanto que a marca da campanha expansionista da Igreja é a espada, enquanto que a máxima do Cristo é a da caridade para com os todos, inclusive para com os inimigos. Em confirmação disso, veja-se o episódio das Cruzadas. Conforme nos diz a História clássica, a institucionalização da Igreja e os alicerces da teologia católica começaram a ser estabelecidos no ano de 325, a partir do Concílio Ecumênico de Niceia. Mas atenção ao adjetivo empregado
13 – Louis Neilmoris aqui: ecumênico diz respeito ao âmbito geral, união de crenças. Bom, então a Igreja de Roma lançou a campanha de congregação de todas as correntes religiosas? Sim, é verdade que lançou. E isto seria demasiado meritório para ela se, não havendo absoluta harmonia de opiniões, ela respeitasse a liberdade de cada qual seguir seu caminho. Todavia, não foi isso o que aconteceu. Aos contrários, perseguição fatal; aos simpatizantes, concordata política e até sincretismo (mistura de cultos). Os bispos de Roma, abusando do fácil entendimento com as autoridades políticas do Estado, impunham suas inovações arbitrárias, contrariando as sublimes finalidades do ensinamento d’Aquele que preconizara a humildade e o amor como os grandes caminhos da redenção. É assim que aparecem novos dogmas, novas modalidades doutrinárias, o culto dos ídolos nas igrejas, as espetaculosas festas do culto externo, copiados quase todos os costumes da Roma anticristã. A CAMINHO DA LUZ, Emmanuel, por Francisco Cândido Xavier – Cap. XVI “A igreja de Roma”.
Ainda o Espírito Emmanuel nos conta dos esforços da espiritualidade em tentar aproveitar o ensejo de Roma na renovação da Humanidade: Debalde tentaram as forças espirituais o aproveitamento dos romanos na direção suprema do mundo. Todos os recursos possíveis foram prodigalizados inutilmente à cidade imperial. A canalização de consideráveis riquezas materiais, possibilitando a consolidação de um Estado único no planeta, não fora esquecida, ao lado de todas as providências que se faziam necessárias, do ponto de vista moral. Em vão, transplantara-se para Roma a extraordinária sabedoria ateniense e a colaboração de todas as experiências dos povos conquistados. Os Espíritos encarnados não conseguiram a eliminação dos laços odiosos da vaidade e da ambição, sentindo-se traídos em suas energias mais profundas, contraindo débitos penosos, perante os tribunais da Justiça Divina. A CAMINHO DA LUZ, Emmanuel, por Francisco Cândido Xavier – Cap. XV “Penosos compromissos romanos”. Como se vê, os resultados não foram satisfatórios. Roma não fez jus à oportunidade e acabou falindo diante de Jesus — a quem transformou em um mito. Então, a questão que se apresenta agora é: que formato é esse do que se diz por aí ser o Cristianismo? Veremos isso adiante.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.