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Capítulo 5 de 20
10 – Cristianismo em Espiritismo
Cristianismo e Espiritismo · Léon Denis
sua vida e de sua proposta doutrinária é fundamentado nos textos bíblicos, por terceiros. Desde já surge uma indagação pertinente: aqueles que constroem uma doutrina originária de uma ideia de outro autor são fieis àquele? O Cristianismo, tal qual se convencionou dizer, é fiel às propostas do Cristo, já que não foi o próprio Mestre quem a configurou nos moldes admitidos hoje? Tecnicamente falando, para alguém regimentar uma doutrina alheia, com bastante eficácia, são requeridos critérios como profunda intimidade entre ambos, razoável igualdade intelectual para que a mensagem bem compreendida e disseminada, além de lisura para com o autor e para com a proposta. E sendo essa doutrina de caráter religioso, o compromisso é mais forte, pois se as doutrinas científicas se fundamentam exclusivamente no aparato técnico, a religião é sempre enrustida do componente emotivo. Desta feita, é imperioso perscrutarmos quem formatou o Cristianismo?
11 – Louis Neilmoris
Construção do Cristianismo
Convencionou-se dizer que Cristianismo seja uma religião, monoteísta (crença num único Deus), centrada na vida e ensinamentos de Jesus Cristo, tais como foram apresentados no Novo Testamento da Bíblia. Os seus adeptos são chamados cristãos. O CATECISMO CATÓLICO, instituído pelo Sumo Pontífice João Paulo II, em 2005, assim define: C.95 CRISTIANISMO religião do Verbo encarnado e não “religião do livro” §108 Todavia, a fé cristã não é uma “religião do Livro”. O Cristianismo é a religião da “Palavra” de Deus, “não de uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo”. Para que as Escrituras não permaneçam letra morta, é preciso que Cristo, Palavra eterna de Deus vivo, pelo Espírito Santo nos “abra o espírito à compreensão das Escrituras”. Aliás, os créditos de sua formatação são atribuídos à Igreja Católica Apostólica Romana, que se considera legitima continuadora e herdeira do ministério do Cristo na Terra.
Na concepção dos católicos, o Messias fundou sua religião (o Catolicismo) e instituiu sua igreja ao ordenar o apóstolo Pedro como o primeiro papa, pela interpretação sobre o texto seguinte: “Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. Jesus (Mateus, 16:18 e 19) Pedro, o líder dos apóstolos, comandou a resistência cristã póscrucificação de Jesus. Entretanto, é certo que a espantosa propagação dessa doutrina se deu por intermédio da campanha missionária efetuada por Paulo de Tarso, o Apóstolo dos gentios (estrangeiros, os não judeus), que viajou evangelizando e fundando comunidades cristãs pela Grécia, Ásia e pelo vasto território do Império Romano.
A História do Cristianismo convencional — do modelo que hoje se diz que seja a doutrina do Cristo — se confunde com a História de Igreja, justamente por esta se gabar ter sido iniciada em Cristo e sustentada pelos seus
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.