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Capítulo 19 de 20
36 – Cristianismo em Espiritismo
Cristianismo e Espiritismo · Léon Denis
Kardecismo
Ah, mas haverá muitos que condenarão o uso que fizemos nesta singela obra pelo termo kardecismo. Eis outro caloroso debate. Não são poucos os que consideram impróprio essa referência, embora dicionários e enciclopédias tragam esse vocábulo, além de outro relativo: kardecista — para designar aquele que é adepto da doutrina de Allan Kardec. Por exemplo, o Dicionário Houaiss assim redige: Kardecismo substantivo masculino Rubrica: religião. doutrina reencarnacionista formulada por Allan Kardec (pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail, escritor francês, 1804-1869), que pretende explicar, segundo uma perspectiva cristã, o movimento cíclico pelo qual um espírito retorna à existência material após a morte do antigo corpo em que habitava, o período intermediário em que se mantém desencarnado, e a evolução ou regressão de caráter moral e intelectual que experimenta na continuidade deste processo, — Mas a doutrina não é de Kardec, é dos Espíritos! — bradam por aí. Quanta insensatez! É certo que a fonte originária do Espiritismo é a espiritualidade — obedecendo a uma programação milenar, inclusive —, mas os créditos de sua formatação são do mestre de Lião.
Além do mais, a iniciativa científica foi particularmente dele, do professor Rivail, e somente depois que as pesquisas já estavam em bom andamento é que ele recebeu a indicação da honrosa missão a que se comprometera a desempenhar — seguramente já no planejamento reencarnatório. Portanto, a origem da ciência espírita está na decisão voluntária do codificador francês em estudar os fenômenos que invadiram o mundo naquele Século XIX. Fosse Kardec um médium e seus escritos tivessem sido psicografados por ele, diríamos que a codificação seria obra dos Espíritos. Mas não foi o que aconteceu, e o codificador nem mediunidade tinha — aliás, aqui está outra polêmica, pois é muito comum dizer-se que todos são médiuns. A redação das obras básicas foi um trabalho de Allan Kardec. Nelas,
37 – Louis Neilmoris raras são as transcrições exatas do que os mentores espirituais disseram. E mesmo assim, nos parágrafos textuais, há o esforço do pedagogo em ordená-las com precisão. As respostas contidas em “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”, por exemplo, não foram todas ditadas interinamente e copiadas literalmente. Para uma mesma questão, Kardec costumava consultar a opinião de diversos Espíritos e por vários intermediários. Para compor sua resposta, muitas vezes ele se valou de um parágrafo ditado por certa entidade e junta a outro parágrafo, frase ou expressão colhido junto a outro mentor espiritual. Isto é o que se diz de codificar. Por isso ele é reputado codificador. Então, intitular o Espiritismo de Kardecismo pode não ser exato, pelo critério de equivalência, mas não chega a ser um absurdo. Todavia, o adjetivo kardecista costuma ser empregado junto com o próprio nome da doutrina, para enfatizar a sua procedência. Assim, diz “Espiritismo kardecista” a fim de, por exemplo, distinguir a Doutrina Espírita de outras filosofias similares — como os cultos afros. Isto porque no Brasil o sincretismo religioso ainda é muito trivial. Iguala-se normalmente todo aquele que pratica a mediunidade ao espírita. Não raro se ouve dizer por aí “espírita umbandista”. Além do que, devido as normais dissidências — justificáveis ou não —, já existem algumas variantes da Doutrina Espírita, infelizmente.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.