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Capítulo 12 de 20
24 – Cristianismo em Espiritismo
Cristianismo e Espiritismo · Léon Denis
O autor católico põe em voga a discussão sobre o que considera como as sagradas escrituras, para o que convidamos o leitor que ainda tiver dúvidas sobre a posição do Espiritismo nessa questão a folhear nosso opúsculo “A VERDADE SOBRE A BÍBLIA...”. Prossigamos... Deus No espiritismo, o papel de Deus é secundário. Reduz-se a um mero guarda de trânsito para o vai-e-vem dos espíritos, que estão “mergulhados no fluido divino”. Para quem nega o panteísmo, AK e sua turma escorrega bastante: Espíritos “se acham mergulhados no fluido divino” (A genese, p.56) O espirita Rangel Veloso, em seu livro “Pseudos Sábios ou Falsos Profetas”, Ed. 1947, pág. 34, assim se expressa ao declarar ter ouvido em centro espírita a concepção panteísta de Deus: “Deus é uma folha de papel, rasgadinha em milhões, bilhões e não sei quantas mais divisões. Lançados esses pedacinhos de papel no Universo, cada pedacinho de papel representa um homem e um ser existente, e todos reunidos, formando o todo, é deus”.
Este não é o Deus que nós Cristãos conhecemos ao longo de toda a história da humanidade. Não é o mesmo Deus que nos revelou através de Moisés e que disse: “Eu sou o que sou”. (Ex 3,14). Alguém dizer ter ouvido falar... Com todo respeito, pularemos a questão. Mas aos que tiverem bastante tempos disponível, segue o restante do apanhado. A santíssima Trindade: "É constrangedor o silêncio de AK a respeito da Santíssima Trindade. Fala de Jesus, embora negando sua natureza divina, e esquece o que Ele disse a respeito do "Pai, do Filho e do Espírito Santo’. Em alguns trechos, parece confundir o próprio Espírito Santo com Deus-pai.
Jesus: "Esse Jesus de Nazaré, sem dinheiro nem armas, conquistou milhões de pessoas num número muito maior que Alexandre, César, Maomé e Napoleão; sem o conhecimento e a pesquisa científica Ele despejou mais luz sobre assuntos materiais e espirituais do que todos os filósofos e cientistas reunidos; sem a eloqüência aprendida nos bancos escolares, Ele pronunciou palavras de vida como nunca antes, nem depois, foram ditas e provocou resultados que o orador e o poeta não conseguem alcançar; sem Ter escrito uma única linha, Ele pôs em ação mais canetas, e forneceu temas para mais sermões, discursos, livros profundos, obras de arte e música de louvor do que todo o continente de grandes homens da Antigüidade e da atualidade" – historiador Philip Schaff. Esse mesmo Jesus não é visto como Deus no Espiritismo, é apenas mais um "espírito evoluído que continua em evolução". Cristo é enfático ao se revelar como Deus e assim proceder. Eis um dos motivos de sua crucificação. "Mas todo aquele que me negar diante dos outros, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus."
(Mt 10,33). A Redenção: "É pelo sangue de Jesus Cristo que temos a redenção, a remissão dos pecados, segundo a riqueza de sua graça que ele derramou profundamente sobre nós", explicava São Paulo aos Efésios (1,7). Nossa redenção pela Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus é outra verdade fundamental da Fé Cristã. Nisso consiste propriamente a "boa nova" ou o "Evangelho". Mas nem esta verdade tão central entra no credo espírita de AK. Segundo ele cada um deve ser seu próprio redentor através do sistema de "reencarnações". Leão Denis o enuncia cruamente quando escreve: "Não, a missão de Cristo não era resgatar com o seu sangue os crimes da humanidade. O sangue, mesmo de um Deus, não seria capaz de resgatar ninguém. Cada qual deve resgatar-se a si mesmo, resgatar-se da ignorância e do mal. É o que os espíritos, aos milhares, afirmam em todos os pontos do mundo." (Cristianismo e espiritismo, p. 88).
25 – Louis Neilmoris Daí esta doutrina de AK: "Toda falta cometida, todo mal realizado é uma dívida contraída que deverá ser paga; se não for em uma existência, sê-lo-á na seguinte ou seguintes." (O céu e o inferno, 88). O Perdão: Dentro desta ótica, não há espaço no Espiritismo para o perdão. Pasmem, o perdão seria uma injustiça, pois quebraria a frieza do "olho por olho, dente por dente" que é a Lei do Karma. A lei do Karma é fatal: é ela que "explica" as injustiças e desigualdades deste mundo. Se bem que ela é também quem ajuda a mantê-la. A Índia, o país reencarcionista, com seus mais de 700 milhões, bem demonstra tal fatalidade, com uma sociedade dividida em castas. Não é a toa que a mensagem Cristã das Irmãs da Caridade e dos Jesuítas causou tanto impacto em um ambiente desde, de povo conformado com a lei do "karma", de "se expiar" para a vida posterior. O deus no Espiritismo é um fiscal, observando a "divida contraída que deverá ser paga". Ora, tudo recebemos da graça de Deus. Não temos como restitui-lo totalmente.
É por isto que ele abre espaço para o perdão, pois quer "que todos se salvem". A Confissão: A não há o devido espaço para o perdão, também não poderia haver para o seu respectivo Sacramento. No entanto: "Jesus disse-lhes de novo: "A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio". Após essas palavras, soprou sobre eles e disse: "Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados serão perdoados. A quem não perdoardes os pecados não serão perdoados". (Jo 20,21-23). Ignoram a história da mulher adúltera, onde Jesus diz: Erguendo-se, disse para a mulher: "mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?" Ela respondeu: "Ninguém, Senhor". Jesus lhe disse: "Nem eu te condeno. Vai, e de agora em diante não peques mais". (Jo 8,10-11). Jesus perdoou com o simples arrependimento. Arrependimento que, sendo sincero, apaga a falta e abre o Cristão para uma nova vida: "não peques mais". Em nenhum momento, Cristo impõe mais condições, do tipo vamos "renegociar a sua dívida".
O Batismo: Jesus mandou aos apóstolos ir pelo mundo inteiro, ensinar a todos tudo quanto ele lhes ordenara, batizando a todos "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19- 20), esclarecendo: "Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será condenado" (Mc 16,16). No Brasil, os espíritas, fiéis à doutrina codificada por AK, já não batizam nem fazem batizar seus filhos. Nem teria sentido. Pois é pelas reencarnações que os homens devem alcançar a perfeição. Os Sacramentos: Além dos já citados ( Batismo e Confissão) o Espiritismo nega todos os outros Sacramentos: Crisma, Eucaristia, Ordem e Unção dos Enfermos, só aceitando mesmo o Matrimônio. Consideram os Sacramentos como "meros ritos, formas, liturgia", ignorando que eles são graças derramadas por Deus sobre os homens, justamente porque não somos nada sem a graça divina. Sem esta, não há "religare" com Deus, pois não temos força em nós mesmos para chegarmos a tanto.
A Igreja: Jesus disse a Pedro: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus e o que ligares na terra será ligado nos céus e o que desligares na terra será desligado nos céus". (Mt 16,18-19). Mas os espíritas não dão nenhuma importância nem a Pedro e seus sucessores, nem à Igreja que Jesus dizia "sua" , nem ao poder das chaves que o Senhor Jesus entregou ao chefe do colégio apostólico. Jesus declarou aos apóstolos: "Quem vos ouve a mim ouve, quem vos despreza a mim despreza, e quem me despreza, despreza aquele que me enviou" (Lc 10,16). Para os espíritas tudo isso já está superado. Pois eles vão receber as orientações dos espíritos que baixam em seus centros.
No livro "Depois da Morte" (p.80), profetiza Leão Denis: "Chegará a ocasião em que o Catolicismo, seus dogmas e práticas não serão mais do que vagas reminiscências quase apagadas da memória dos homens, como o são para nós os paganismos romanos e escandinavos". Enfim, a influência maçônica de ódio à Igreja ("a Infame", segundo Voltaire) se faz presente no Espiritismo. Nada estranho: León Hippolyte Denizart Rivail foi maçon do grau 33 junto à Grande Loja escocesa Maçônica de Paris.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.