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Capítulo 4 de 20
8 – Cristianismo em Espiritismo
Cristianismo e Espiritismo · Léon Denis
religiosa, especialmente pelo critério da origem e formatação doutrinária, que trataremos no próximo capítulo. Mas antes, para fins sistemáticos, vejamos o que nos diz dois dos principais dicionários brasileiros sobre Cristianismo:
HOUAISS ELETRÔNICO, versão monousuário 3.0, junho de 2009: Cristianismo: substantivo masculino 1. Rubrica: teologia. religião da fé em Jesus Cristo, de sua ética e sua promessa de redenção 2. Rubrica: teologia. a doutrina cristã, revelada nos Evangelhos 3. Derivação: por metonímia. o conjunto das religiões ditas cristãs e institucionalizadas (o catolicismo, as igrejas ortodoxas, as centenas de confissões do protestantismo) 4. Derivação: por metonímia. cada uma dessas religiões ou o corpo de ensinamentos de cada uma. DICIONÁRIO AURÉLIO ELETRÔNICO 7.0: Cristianismo: s.m. Religião cristã. &151; O cristianismo, nascido na Judeia e primeiro difundido no Oriente próximo, foi pregado no mundo mediterrâneo pelos Apóstolos, logo após a morte de Jesus. São Pedro foi o primeiro bispo de Roma, mas o verdadeiro fundador da Igreja Cristã foi São Paulo, que divulgou ativamente as novas doutrinas na Ásia Menor, na Grécia e na Itália. Depois de ter sido perseguido, o cristianismo tornou-se religião do Estado sob Constantino I (edito de Milão, 313).
Na Idade Média, expandiu-se por grande número de países; mas, desde 1054, um cisma separou a Igreja bizantina e a Igreja latina. Houve também heresias, como o foram o arianismo e o iconoclasmo. No séc. XVI, o protestantismo separou-se da Igreja romana, que se esforçou, no séc. XVII, por assegurar as bases de uma reforma católica. A partir do séc. XVIII, o cristianismo teve que lutar contra a ascensão do racionalismo, elemento essencial da descristianização do mundo contemporâneo. Entretanto, o cristianismo, graças às missões, espalhou-se por todas as partes do mundo no séc. XIX, e é hoje a religião que conta com maior número de fiéis.
9 – Louis Neilmoris
Origem e formatação da doutrina
Normalmente, o radical ao qual o sufixo ismo é ajuntado traz o nome do seu idealizador. Por exemplo, o Darwinismo é a doutrina (ismo) baseada na tese do inglês Charles Darwin (1809-1882) — neste caso, diz respeito à tese da evolução das espécies. Outro exemplo é o Mesmerismo, o sistema proposto por Franz Anto Mesmer (1734-1815), o médico alemão pioneiro no estudo da energia magnética das almas (base para o passe espírita). E por que não citar o Kardecismo? De outra forma, o radical pode trazer um termo que ilustre a ideia centra da doutrina proposta. Este é o caso do Comunismo de Karl Marx (1818- 1883) e Friedrich Engels (1820-1895), cujo objeto primordial dessa filosofia é a vida comum, no sentido da distribuição e utilização de bens e recursos. Também é o exemplo do sistema teórico criado pelo francês Augusto Comte (1798-1857), o Positivismo, visando ordenar as ciências humanas exclusivamente nas experimentações positivas (reais, concretas, captada pelos sentidos físicos), contra tudo que é espiritualista. O Cristianismo se enquadra no primeiro modelo: traz na sua base linguística a referência do personagem — Jesus Cristo — idealizador da teoria doutrinária.
Entretanto, precisamos considerar o critério da origem e formatação da doutrina, ou seja, de onde partiu a ideia, ou ideias, e as circunstâncias de sua regulamentação; quem determinou seus conceitos, sobre que argumentações e suas consequências. Nem todas as doutrinas foram formatadas pelo autor da teoria central sobre a qual se desenvolveu o sistema. Sócrates, por exemplo, inaugurou um novo modelo de filosofia — enquanto os filósofos pré-socráticos estudavam a origem e configuração do Universo, ele propôs o foro íntimo, conhecer a si mesmo para só depois partir ao exterior —, mas foi seu discípulo Platão que registrou suas ideias. Semelhante maneira, Jesus nada deixou escrito. Tudo o que sabemos de
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.