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Capítulo 7 de 18

Parte 7 de 17

Comunicações Mediúnicas Entre Vivos · Ernesto Bozzano

comunicações mediúnicas entre vivos, em que o agente colhe segredos pessoais de sensitivos distantes, mergulhados no sono, devendo esperar para o fazermos quando houver melhores elementos de discussão, sejam a favor ou contra. Limito-me, portanto, a recordar que a objeção formulada pelos opositores à hipótese espírita consiste em observar que, se o médium é capaz de extrair informações reservadas na subconsciência de determinadas pessoas distantes, imersas no sono, tal fato infirma as provas de identificação espírita fundadas em informes pessoais ignorados dos médiuns e dos presentes, que fornecem os supostos mortos comunicantes, levando-se em conta que se poderia sustentar sempre, a tal propósito, que o médium retire todos os informes das subconsciências das pessoas vivas que tenham conhecido os mortos. Viu-se, na introdução ao presente subgrupo, que a objeção não resiste a outras importantes circunstâncias de fato e, acima de tudo, viu-se também que ela não fica de pé diante da necessidade da “relação psíquica”, que serve para condicionar e, portanto, para limitar os poderes da subconsciência.

Dentro em pouco veremos como tal hipótese se esboroa diante da análise comparada dos fatos. Caso 11 – Também a célebre escritora inglesa Florence Marryat, que era dotada de notabilíssimas faculdades mediúnicas, especialmente de psicografia e tiptologia, fez numerosas experiências com pessoas distantes. Transcrevo uma dessas experiências, que se encontra em seu livro There is no death (pág. 41). Escreve ela: “Tais comunicações mediúnicas com espíritos de vivos são, indubitavelmente, das mais curiosas que já obtive. Em várias circunstâncias quando, sobre um dado acontecimento, eu não chegava a conhecer a verdade diretamente das pessoas interessadas em ocultá-la, eu me sentava diante da “mesinha mediúnica”, em hora que sabia acharem-se adormecidas as pessoas, e concentrava o pensamento sobre elas, convidando-as a me virem revelar, sinceramente, a verdade, pela tiptologia, o que quase nunca deixava de se

realizar. De modo que, quando tais pessoas viam que eu estava plenamente informada do que elas me haviam escondido, ficavam pasmadas e por certo não imaginavam qual tivesse sido a minha fonte de informações. Observo que o poder de comunicar-se com os espíritos dos vivos não é comum a todos os médiuns, mas eu sempre o possuí, e posso consegui-lo, tanto com pessoas adormecidas como em estado de vigília, conquanto neste último caso a experiência seja mais difícil. Um senhor do meu conhecimento certa vez me desafiou a tentar com ele. Oculto-lhe o nome, porque a tentativa o tornou risível. Esperei que ele fosse convidado para um jantar de gala e então, cerca de nove horas da noite, sentei-me à mesinha e, pensando intensamente nele, chamei-o resolutamente. Ele hesitou um pouco em vir e, quando chegou, estava de muito mau humor. Apanhei papel e lápis e, ditados por ele, escrevi os nomes de todos os convidados presentes no banquete, de todos os pratos servidos e depois, comovida pelas suas ardentes súplicas, deixei que se fosse. – A senhora está me levando ao ridículo. Todos se riem de mim! – Por que?

O que o senhor está fazendo? – Estou caído em profundo sono em cima da toalha da mesa. No dia seguinte, confuso e humilhado, foi ele procurar-me e perguntou: – Foi a senhora que ontem à noite atuou sobre mim? Eu me achava num jantar em casa do Sr. Watts Philips e, terminada a refeição, caí inesperadamente em profundo sono, com a cabeça entre as mãos. Os convidados tentaram acordar-me, sem o conseguir. Estou certo de que a senhora preparou-me uma grande peça. – Não quero ocultar – respondi – que ontem resolvi aceitar o seu desafio, impondo-lhe que fizesse o que lhe parecia impossível forçá-lo a fazer. Gostou da sopa branca? E o peixe, estava bom? Que me diz do pão doce?

Ele ficou perturbado ao ouvir-me enumerar os pratos servidos no jantar, e o seu espanto subiu ao máximo quando lhe mostrei a folha de papel escrita com o que me ditou. Devo declarar que não tenho o costume de proceder assim com os vivos, mas sou uma pessoa terrível quando me desafiam a fazer alguma coisa.” Casos 12 a 19 – Limito-me a expor uma série de episódios, os mais interessantes desses subgrupos, não só pelo valor intrínseco, mas ainda porque são narrados pelo célebre escritor e jornalista inglês William Stead. Como se sabe, possuía ele, em grau notabilíssimo, a faculdade mediúnica da escrita automática (psicografia), pela qual lhe foi ditado o livrinho de ouro de revelações transcendentais intitulado Letters from Julia. Além disso, conseguia sistematicamente entrar em relações mediúnicas e conversar, livremente, com pessoas vivas que se achavam a distância, obtendo muitas vezes confissões e informações que as mesmas pessoas nunca lhe teriam confiado, em condições normais.

Ele nunca havia pensado na possibilidade de conversas supranormais de tal natureza e foi a personalidade mediúnica de Júlia que lhe sugeriu essa idéia, a título de experiência. Numa famosa conferência realizada na sede da The London Spiritualist Aliance, em 1893, conta ele, nas seguintes palavras, o seu começo nessa espécie de experiências: “Certo dia Júlia escreveu: “Por que te surpreendes que eu possa servir-me da tua mão para escrever à minha amiga? Qualquer um pode fazê-lo” e eu lhe perguntei: “Que queres dizer com este qualquer um?”, ao que ela respondeu: “Qualquer um, isto é, qualquer pessoa pode escrever com a tua mão”. Perguntei ainda: “Queres dizer qualquer pessoa viva?” e ela replicou “Qualquer amigo teu pode escrever com a tua mão”, ao que observei: “Queres dizer que se eu puser a minha mão à disposição de qualquer amigo distante poderá ele servir-se dela do mesmo modo que tu o fazes?” e ela respondeu: “Sim, experimenta e verás”. Ora, parecia-me

difícil a tarefa, mas resolvi fazer a tentativa e os seus resultados foram imediatos e assombrosos. Pus minha mão ao dispor de amigos que residiam a diversas distâncias e notei que quase todos eles se achavam em condições de se comunicarem, embora variasse muito a capacidade de manifestação. Alguns escreviam logo correntemente, com as suas próprias características de estilo, de forma, de caligrafia, desde as primeiras palavras, e prosseguiam desembaraçadamente como se estivessem escrevendo uma carta normal. Confiavam-me os seus pensamentos, informavam-me que tinham intenção de virem consultar-me ou diziam como haviam passado o dia, mas em tais conversações, já por si mesmas tão assombrosas, o que mais me surpreendia era a inconcebível franqueza de alguns amigos meus dos quais eu conhecia a sensibilidade, a moderação e a reserva de que eram dotados. Eu estava bem certo de que nunca me teriam confiado certos segredos ou certas dificuldades financeiras e, entretanto, me declaravam, com toda a sinceridade, que se achavam em aperturas econômicas ou me confessavam, sem disfarces ou reservas, outras coisas íntimas, de várias naturezas.

Tal circunstância me parecia tão séria, do ponto de vista da convivência social, que um dia pedi explicações a Júlia, nos seguintes termos: “Os resultados que estou obtendo no meu novo campo de investigações estão me preocupando seriamente, pois me parece que não haveria mais segredos neste mundo se os outros procedessem como eu”, ao que ela respondeu: “Oh, não! Estás exagerando”, pelo que objetei: “Então como se explica que, por meio de minha mão, um amigo me revela segredos que pelas vias normais nunca confessaria?” Deu-me ela uma explicação que não desejo citar como definitiva, mas simplesmente como uma explicação de Júlia escrita por minha mão e que certamente não era produto do meu subconsciente, porque eu nunca havia pensado naquilo. Disse ela: “Vossa personalidade real, ou espiritual, não confiará nunca a ninguém, por via mediúnica, coisas que

considera dever conservar secretas e, se algumas vezes confia incidentes mais ou menos íntimos, faz isto em plena consciência. A diferença é que a vossa personalidade real, ou espiritual, pensa e julga, com relação ao valor intrínseco de um fato, de modo muito diferente de vossa personalidade normal.” Perguntei: “Que queres dizer com a expressão “personalidade real, ou espiritual?” Respondeu: “Vossa personalidade real, ou espiritual, o que chamais o vosso eu, inspeciona tanto a vossa mente consciente quanto a subconsciente, empregando a seu gosto uma e outra. Vossa mente consciente serve-se das faculdades sensoriais para se comunicar com os seus semelhantes quando estes se acham ao alcance das mesmas faculdades, que, portanto, são muito rudimentares em sua potencialidade. Não se dá o mesmo com as faculdades sensoriais da mente subconsciente, que são já um instrumento de comunicação muito mais sutil, refinado e eficaz, porquanto permanecem sempre como instrumento a serviço de vossa personalidade espiritual, que quando deseja comunicar-se com alguma pessoa a distância, serve-se da mente subconsciente.

Esta, porém, não se dá à tarefa absurda de revelar a outrem o que realmente deve ser mantido em segredo, tanto como não o faria, normalmente, pela conversação. Em suma, vossa personalidade real, ou espiritual, é senhora absoluta de seus instrumentos de comunicação.” Perguntei-lhe ainda: “Como tais comunicações são produzidas?” e assim ela respondeu: “Como? Os espíritos do universo inteiro acham-se em contato entre si, de modo que podeis falar com a personalidade espiritual de qualquer pessoa no mundo, sem limite algum de distância, com a condição única de tê-la conhecido pessoalmente. Se podeis falar com uma pessoa que encontrardes na rua, pelo fato de lá a conhecerdes, podereis, pela mesma razão, conversar com ela em qualquer parte do mundo em que ela se achar, convidando-a a escrever pela vossa mão.” Pode o caso ser devido à minha mediunidade imperfeitamente desenvolvida, mas o fato é que não consigo

entrar em relações mediúnicas com todos os meus amigos e encontro grande diferença no valor intrínseco de suas comunicações. Assim, por exemplo, há alguns que me dão informações pessoais tão extraordinariamente exatas que, em cem afirmativas, só encontro uma única inexata. Há outros, ao contrário, que se manifestam com as suas características pessoais e firmam as mensagens com o seu nome e, todavia, transmitem informações completamente falsas. De qualquer modo, a maioria deles demonstra a máxima exatidão ao transmitir as suas notícias. Em se tratando de notícias, nota-se um fato curioso: se eu peço a um amigo de Glasgow notícias de sua defluxão facial, responde-me ele com escrupulosa exatidão, ou que está piorando, ou que os tumores estão abertos, e que seu rosto está coberto com um cataplasma, e subscreve as mensagens com a sua própria assinatura. E quando me encontro com tal amigo em carne e osso e lhe mostro a sua escrita, ele absolutamente não se recorda de ter conversado comigo.

Pedi a Júlia esclarecimentos nesse sentido, formulando nos seguintes termos a minha pergunta: “Como se explica que, quando pergunto ao meu amigo sobre a sua doença facial, ele responde dando informação exata a respeito do seu estado e, contudo, não se lembra de ter-se comunicado comigo? Se a nossa personalidade espiritual não transmitisse nunca informações em plena consciência de o fazer, como se explica que os amigos me fornecem informações que ignoram ter fornecido?” Respondeu-me ela: “Quando vos dirigis mediunicamente a um vosso amigo, a sua personalidade espiritual responde, empregando as faculdades mentais subconscientes e não as faculdades conscientes ou cerebrais e, naturalmente, não toma o cuidado de comunicar à mente consciente ou cerebral, que deu essa informação servindo-se, para isso, das faculdades mentais subconscientes porque, absolutamente, não é necessário fazê-lo. Se achasse útil, então o amigo se recordaria.” (Light), 1893, págs. 134-143).

Detenho-me aqui com as citações da interessante conferência de William Stead, citações estas que me parecem necessárias para maior esclarecimento dos fatos que me disponho a citar. * * * Começo por um breve incidente obtido por William Stead no começo das suas novas experiências. O distante paciente escolhido foi uma distinta escritora que colabora na Review of Reviews e que em pouco tempo se tornou um dos melhores “correspondentes espirituais” de Stead. Ela correspondia imediatamente aos convites espirituais deste último, em qualquer lugar em que se achasse, iniciando conversações interessantíssimas, porque exuberantes em provas de identificação pessoal. Extraio o presente incidente do vol. IX, pág. 53, dos Proceedings of the S. P. R. O relato é escrito por William Stead, o qual se expressa nestes termos: “Como permanecesse eu um tanto incrédulo, comecei a fazer experiências pensando numa moça de Londres, que escolhi porque existiam entre mim e ela laços de simpatia recíproca, e a prova produziu maravilhosos resultados. Minha amiga não encontrava dificuldade alguma em servirse da minha mão para dar as suas notícias, expressando-se com o seu humor do momento.

Uma vez, enquanto a minha amiga, que aqui chamarei de Srta. Summers, estava ditando uma mensagem, eu a interrompi bruscamente, perguntando-lhe: “É você mesma que está escrevendo com a minha mão, ou sou eu que estou conversando com a minha subconsciência?” Minha mão escreveu: “Provar-lhe-ei que sou eu realmente quem está escrevendo. Neste momento estou sentada diante da mesa e tenho nas mãos um objeto que amanhã levarei ao seu escritório. Será um pequeno presente que você terá de aceitar de mim. É a imagem de um velho cardo.” Interrompi: “Como é mesmo? Um velho cardo?” – “Sim, exatamente um velho cardo. Representa uma grata recordação de minha vida e é por isso mesmo que tenho muito carinho por ele.

Amanhã eu o levarei à sua casa e lhe explicarei tudo melhor, de viva voz. Tenho a pretensão de pensar que o aceitará.” No dia seguinte, minha amiga veio ao meu escritório e eu lhe perguntei logo se me havia trazido um pequeno presente. Respondeu que não, que havia pensado em trazer, mas havia acabado por deixá-lo em casa. Perguntei-lhe em que consistia e ela respondeu que se tratava de um presente tão absurdo que não desejava nomeá-lo. Eu insisti e finalmente ela explicou que se tratava de um pedaço de sabão! Fiquei profundamente decepcionado com o aparente insucesso e lho confessei. Ela, porém, replicou com surpresa: “É deveras extraordinário! Tudo sucedeu como está escrito nesta folha de papel e trata-se mesmo de um cardo, e mais, de um cardo velho, que está impresso, porém, num pedaço de papel. Amanhã o trarei. O cardo representa algo importante nas recordações de minha vida.” E então narrou o incidente pessoal relativo ao cardo. No dia seguinte levou-me o pedaço de sabão sobre o qual se distinguia, efetivamente impressa, a imagem de um velho cardo.”

(O prof. Myers confirma o episódio nos seguintes termos: “Foi-me narrado o incidente pessoal ligado à imagem do velho cardo, cuja significação completa estava na imagem sobre o pedaço de sabão. A Srta. Summers havia pensado em levá-lo ao Sr. Stead antes que a mão deste último houvesse escrito o informe e, provavelmente, pensou o mesmo no momento preciso em que Stead escrevia.”) No caso exposto, o incidente da identificação pessoal destinado a provar a Stead que não se tratava de uma mistificação da subconsciência dele, e sim de uma conversa real com a personalidade espiritual da Srta. Summers, alcançou bem a sua finalidade, visto que o presente prometido a título de prova em tal sentido consistia numa coisa de natureza tão excepcional, que não pode ser explicada pela hipótese das coincidências fortuitas. É, de fato, claro, que uma imagem de “cardo velho” não é objeto que se costuma dar de presente.

Observo, além disso, que no incidente em apreço, como em outros, sucedidos com a mesma sensitiva, esta parece ter entrado em relação mediúnica com Stead durante o estado de vigília, o que não significa, porém, que o incidente se tenha desenvolvido precisamente assim, antes de tudo, porque em nenhuma das experiências em exame houve testemunhas que pudessem certificar-se de que a sensitiva não tivesse cochilado e, depois, porque, mesmo que tais testemunhas existissem, não teriam grande valor teórico, visto que uma pessoa pode muito bem passar para um estado de sonambulismo em vigília sem que os presentes o percebam. O principal ensino teórico a extrair-se do caso exposto, ou, melhor, a confirmação ulterior de um ensino teórico já extraído dos casos precedentes e que será mais do que nunca confirmado nos que seguem, consiste no fato notório e indubitável de, nas comunicações mediúnicas entre vivos, tratar-se de verdadeiras e próprias conversas entre duas personalidades espirituais subconscientes, conversas transmitidas à personalidade consciente do médium por meio da escrita automática.

E, pelo contrário, verifica-se não poder tratar-se de faculdades telepático-clarividentes dos médiuns, que iriam colher segredos sepultados nos recessos das subconsciências alheias, selecionando-as no meio de um montão inextrincável de recordações ali existentes em estado latente. Nada mais insustentável do que esta última versão, pois que tudo concorre para sustentar que os médiuns não compreendem nada e nada escolhem, mas simplesmente conversam com a personalidade subconsciente ou espiritual dos vivos distantes, do mesmo modo que conversariam normalmente com os próprios vivos, salvo a diferença de se mostrarem as personalidades espirituais dos vivos, quando conversam mediunicamente, muito menos reticentes do que as personalidades normais dos mesmos quando conversam de viva voz. E isto pela razão de que, quando os vivos de encontram em condições transitórias de espíritos desencarnados, não atribuem importância a certas conveniências sociais a que os espíritos encarnados dão demasiada importância.

Deve-se ter bem firme na mente o ensino teórico supracitado, pois é fato positivamente verificado que, nas manifestações mediúnicas de vivos, trata-se de uma conversa entre duas personalidades espirituais subconscientes. Segue-se daí que as mesmas manifestações se transformam em provas decisivas de identificação pessoal dos vivos comunicantes, provas que, por sua vez, confirmam também, respectivamente, as manifestações análogas pelas quais se obtêm provas de identificação pessoal dos mortos. Supondo-se, entretanto, como o fantasiam os opositores da hipótese espírita, que, nas comunicações mediúnicas entre vivos, os médiuns extraem das subconsciências destes as notícias que fornecem sobre a sua vida particular, deveriam ser interpretadas, de modo análogo, as provas em favor da identidade dos mortos, considerando-as um noticiário de fatos privados, surrupiados pelos médiuns às subconsciências dos vivos que conheceram o morto que se diz presente, tal coisa tornaria mais difícil a demonstração rigorosamente científica das provas de identificação espírita. Note-se que digo “mais difícil” somente e não teoricamente impossível, como pretendem alguns opositores.

E digo assim porque tal demonstração se apóia solidamente em algumas modalidades de manifestação mais do que suficientes para distinguir as comunicações dos vivos daquelas dos mortos, como o demonstraremos nas conclusões. De qualquer maneira, repito que a hipótese de uma clarividência telepática especial, que possa selecionar à distância em alguma subconsciência alheia as notícias necessárias aos médiuns com a insulsa finalidade de se mistificar a si mesmo e aos outros, é puramente fantástica e cientificamente insustentável, por isso que destituída de qualquer fundamento na prática, sem contar que, se se quisessem explicar, com essa hipótese, os casos de identificação pessoal dos mortos, dever-seia pressupor que os médiuns conseguem selecionar nas subconsciências alheias coisinhas insignificantes, ocorridas, algumas vezes, mais de um século antes, sucedidas, não com a própria pessoa examinada pelo médium e sim com outras pessoas dele conhecidas. E isto mesmo quando o vivo em exame já esqueceu completamente e há muitos anos as ninharias em

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