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Capítulo 17 de 18
Parte 17 de 17
Comunicações Mediúnicas Entre Vivos · Ernesto Bozzano
vezes proporções de diálogos e, quando assumem tal caráter, isto significa que já não se trata de um fenômeno de transmissão telepático-mediúnica do pensamento, mas sim de uma conversação verdadeira e própria entre duas personalidades espirituais subconscientes, a menos que se trate de mensagem de vivo transmitida com o auxílio de uma entidade espiritual. De qualquer modo, o significado dos casos pertencentes ao subgrupo em apreço não deixa, por sua vez, de confirmar a hipótese espírita, porque, se a vontade consciente de um espírito de vivo pode agir a distância sobre a mão de um médium psicógrafo de modo a ditar o seu próprio pensamento, nada impede que a vontade consciente de um espírito de morto consiga agir de maneira semelhante.
Do mesmo modo, se, com base nas comunicações mediúnicas entre vivos, em que é possível certificar-se da autenticidade do fenômeno, interrogando as pessoas colocadas nos dois extremos do fio, fica positivamente demonstrado que a mensagem mediúnica provinha de um espírito de vivo afastado, que se dizia presente no momento, então quando no outro extremo do fio se encontre uma entidade mediúnica que afirme ser um espírito de morto e o prove fornecendo dados ignorados dos presentes, torna-se teoricamente legítimo inferir daí que, no outro extremo do fio, deve achar-se efetivamente a entidade do morto que se afirma presente. Em outras palavras, para ambas as categorias indicadas deve-se excluir a hipótese das “personificações subconscientes” da qual tanto se tem abusado atualmente. Nada, portanto, de personificações efêmeras de ordem onírico-sonambúlica em relação com as comunicações entre vivos e, em conseqüência disto, nada de semelhança com respeito às comunicações com a entidade do morto, que fornecem a prova precisa de identificação pessoal.
No quinto subgrupo foram considerados os casos, por sua vez muito raros, em que a pessoa que se comunica mediunicamente morreu naquele momento ou se encontra moribunda. Esses casos representam a via de transição entre os fenômenos anímicos e espíritas, e isto porque, tratando-se de vivos no leito de morte, fica claro que a telepatia entre vivos por manifestação mediúnica
aparece em semelhante circunstância como o último grau de uma longa escala de manifestações anímicas pela qual se chega ao limiar da grande fronteira, além da qual não pode haver senão manifestações telepáticas de mortos, demonstrando-se mais uma vez que não há solução de continuidade entre as modalidades pelas quais se dão as comunicações mediúnicas entre vivos e as dos mortos. Em outras palavras, mais uma vez somos levados a reconhecer que o Animismo prova o Espiritismo. Finalmente, no sexto subgrupo, no qual são examinadas as mensagens mediúnicas entre vivos, transmitidas com o auxílio de uma entidade espiritual, entra-se de velas soltas no grande oceano das manifestações transcendentais e pode-se demonstrar, a propósito, que a existência de semelhantes formas de comunicações mediúnicas entre vivos não pode ser contestada, porque se conhece uma longa série de experiências que não podem ser explicadas, absolutamente, nem pela telepatia nem pela clarividência telepática.
Baseados no complexo inteiro das manifestações analisadas, observo que as comunicações mediúnicas entre vivos constitui uma das questões mais interessantes e sugestivas que surgem no campo das pesquisas metapsíquicas, porque por ele é possível chegar-se à certeza científica sobre o fato muito importante da possibilidade do eu integral subconsciente ou, em outros termos, para o espírito humano, de entrar em relação com outros espíritos de vivos, seja mediúnica seja telepaticamente, ora separando-se temporariamente de seu próprio corpo somático (bilocação), ora comunicando-se ou conversando telepaticamente a distância, depois de ser estabelecida a “relação psíquica”. Todas essas circunstâncias concorrem para fornecer as provas da independência que existe entre o espírito humano e o organismo corpóreo. E, em conseqüência disto, a demonstração de que o espírito humano pode passar sem o organismo corpóreo nas suas relações espirituais com outras pessoas desencarnadas, depois da crise da morte. Além disto, pela lei da analogia, servem para desembaraçar o caminho de qualquer obstáculo teórico em relação à possibilidade de comunicar-se mediunicamente com espíritos de
mortos, pois que, uma vez conseguida a certeza científica da realidade das comunicações mediúnicas entre vivos, então as comunicações análogas com entidade de mortos tornam-se o complemento natural das primeiras, salvo sempre a cláusula de que o morto comunicante demonstre a sua identidade pessoal, fornecendo a seu próprio respeito informes suficientes, do mesmo modo que os espíritos dos vivos os fornecem. Seja dito tudo isto em tese geral, mas, para conferir toda eficácia às conclusões expostas é necessário investigar posteriormente a questão dos limites em que se pode desenvolver a ação telepático-mediúnica entre pessoas vivas, a fim de determiná-los, eliminando qualquer perplexidade que porventura se possa suscitar a propósito da autenticidade espírita das comunicações análogas com as entidades de mortos. (*) (*) Nota da Editora: As comunicações mediúnicas de pessoas vivas foram objeto de longa e minuciosa pesquisa de Allan Kardec na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em Paris. Sócios efetivos ou correspondentes da Sociedade se inscreviam para experiências nesse sentido.
Kardec os evocava, às vezes a grandes distâncias, sob controle de entidades espirituais que dirigiam os trabalhos mediúnicos. Os boletins da Sociedade, publicados na Revista Espírita, são preciosos informativos desse procedimento. As comunicações obtidas foram publicadas na íntegra, pois sempre eram psicografadas, na seção Palestras Familiares de Além-túmulo, da mesma revista. Foram essas as primeiras pesquisas e as primeiras demonstrações históricas da independência do espírito em relação ao corpo. Toda a coleção da Revista Espírita, referente à fase dirigida por Kardec, num total da doze volumes, foi publicada pela Edicel na coleção das Obras Completas de Allan Kardec. Essas pesquisas, cuja natureza científica se evidencia nas publicações referidas, feitas pela Revista, receberam a sanção posterior de outros investigadores, como se vê neste livro. Bozzano foi um dos que mais compreenderam a importância científica e procuraram aprofundar a sua significação no campo do conhecimento.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.