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Capítulo 13 de 18

Parte 13 de 17

Comunicações Mediúnicas Entre Vivos · Ernesto Bozzano

Antes de deixar Walchwil para ir a Lugano, havíamos encarregado “Rupont” de transmitir ao casal C. F. algumas palavras em latim (com o fim de enviar um comunicado imprevisível para eles), porém ignorando o êxito da experiência. No dia 11 de setembro, na hora em que o referido casal devia realizar a sua sessão em Nancy, “Rupont” se manifestou e ditou-lhes, pelo “cartão alfabético”, as seguintes palavras: “Amanhã recebereis a prova escrita de que eu transmiti a vossa mensagem, mas eles não entenderam nada e não me deixaram terminar”. Com efeito, a 14 de setembro recebíamos um cartão postal da Sra. C. F., no qual informava-nos de que “Rupont” lhes havia transmitido, a nosso pedido, umas palavras incompreensíveis. Outra noite, na casa do casal M. N., nos transmitiu esse princípio de frase: “Os usos e costumes de antigamente serão um dia...”. Nesse ponto, parou e disse: “A continuação, quinta-feira. Boa noite”. E assim terminou a sessão, antes da hora habitual.

Na quinta-feira seguinte, na sessão em casa da Sra. M. T., com grande surpresa dos assistentes, que nada sabiam a respeito, uma personalidade mediúnica se manifestou para ditar estas palavras, que aparentemente não tinham sentido algum... “a verdade da nova religião por vós preconizada”. Era a continuação da frase de “Rupont”, começada em outro local e entre outros assistentes. Eu então juntei as duas partes da frase, fazendo notar seu sentido e o assombro de todos se converteu em grande admiração.” Tal é o interessante relato do Cel. Collet. Se se consideram em conjunto os vários episódios que nele se contêm, parece-me difícil evitar a conclusão de que a melhor explicação dos ditos episódios é a de reconhecer sua origem genuinamente espírita, pois neles se notam circunstâncias de fatos inexplicáveis com a comunicação mediúnica entre diversos grupos de experimentadores.

Assim é, por exemplo, quando o espírito mensageiro “Rupont”, encarregado de transmitir a Nancy uma dada resposta, volta dizendo que não havia podido transmitir a resposta, porque o casal M. N. havia terminado a sessão. Como explicá-lo pela comunicação mediúnica entre vivos? Uma mensagem telepática, pura e simples, segue fatalmente o caminho que, física ou psiquicamente deve seguir, e nunca pode voltar atrás para dizer: “Aviso-os de que não encontrei a pessoa à qual devia transmitir o vosso pensamento”. Um ato assim não pode ser realizado senão por uma autêntica personalidade espiritual. De tal ponto de vista, mostra-se igualmente interessante a transmissão fragmentária de uma frase a dois círculos diversos e a um tempo diferente, indício da presença, nas sessões, de uma vontade extrínseca, que pensa sempre em novos métodos experimentais, a fim de melhor convencer os assistentes acerca de sua própria existência independente.

Também é interessante a predição do dia do regresso dos Collet a Nancy, realizada por sugestão de “Rupont”, que exorbita dos limites assinalados nas comunicações mediúnicas entre vivos, tendendo a confirmar ulteriormente a hipótese da presença real, nas sessões, de uma entidade espiritual independente. Caso 31 – Tiro-o dos Annales des Sciences Psychiques (1914, págs. 1/11), que é relatado pelo Dr. Gustave Geley, exdiretor do Instituto Metapsíquico Internacional, com sede em Paris. Trata-se de um longo e interessantíssimo relato, de um gênero de experiências conhecidas pelo nome de “correspondência cruzada” 7 (no último incidente do caso anterior encontra-se um exemplo desta espécie de experiência). Ocupa ele 22 colunas da referida revista, portanto terei de limitar-me a narrar alguns episódios, fazendo-os seguir dos comentários do Dr. Geley, que assim escreve: “Devo o conhecimento dos fatos que vou narrar a uma pessoa muito conhecida no campo das pesquisas psíquicas: a Sra. De W.; tais fatos se deram sem ser provocados, de modo absolutamente espontâneo e inesperado. A principal protagonista deles é a Sra. De W., que é uma espírita

convicta, conquanto as suas convicções não tenham a mínima influência sobre o seu espírito crítico. Sua atual contribuição ao estudo da “correspondência cruzada” merece a gratidão de todos os investigadores das pesquisas psíquicas, qualquer que possa ser a opinião deles a respeito da gênese desse fenômeno. A Sra. De W. não possui faculdades mediúnicas e vale-se de duas sensitivas, cujos nomes não são citados por motivo de uma consideração especial e somente são designadas pelas iniciais, de Sra. T. e Srta. R. Na ocasião das experiências em causa, a Sra. T. achava-se em Paris, onde reside também a Sra. De W., ao passo que a Srta. R. estava em férias à beira-mar, em Wimereux. Ambas são médiuns escreventes e a Sra. T. é também vidente, de modo que a ouviremos descrever, com exatidão, cenas que, no momento, vê se desenvolverem a distância. Durante as sessões, percebe ela as personalidades mediúnicas sob a forma de “núcleos luminosos”.

Participam das sessões apenas três entidades: a principal, que inicia e dirige os trabalhos, chama-se “Rodolfo” e diz que é ajudado por um outro espírito chamado “Carlos”, que desenvolve uma ação muda, e finalmente outra personalidade espiritual que só se manifestou uma vez e que se chama “Emília”. É a Sra. De W. quem redige os relatos dos fatos, no fim de cada sessão, e o faz de modo preciso e completo. Eis o primeiro exemplo de “correspondência cruzada” obtido espontaneamente, isto é, sem que ninguém o tivesse desejado ou nele houvesse pensado. É a Sra. De W. quem narra: – Ao principiar a sessão, às escuras, de 22 de agosto, a Sra. T. apanha papel e lápis e logo observa: “Parece-me que algum espírito já se apoderou do lápis, pois sinto a mão como que morta”, respondendo eu: “Tanto melhor. Então me abstenho de acender a luz.” Passada meia hora, ilumino a sala e percebo, traçadas numa folha de papel, algumas linhas escritas, mas ao lê-las, verifico que se trata de duas frases

tão incoerentes que, se não tivesse lido, no fim delas, um aviso para guardá-las cuidadosamente, eu as teria rasgado, sem mais exame. No dia seguinte, recebi de Wimereux a seguinte carta, na manhã de um sábado: “Apenas duas palavras para acompanhar a comunicação da noite de ontem. Sinto-me muito cansada, porque não dormi a noite inteira. É a primeira vez, desde que me acho em férias, que me acontece semelhante fato e pergunto a mim mesma se a causa não seria uma experiência tentada por “Rodolfo”. Observo, porém, que no começo da sessão, tinha uma forte dor de cabeça que já no fim desapareceu; todavia, hoje de manhã sinto-me esgotada.” Eis a comunicação de “Rodolfo”, dirigida, como sempre, à Sra. De W.: – “Eis-me aqui, minha amiga.

Esta noite proponho-me a ir e vir de um grupo ao outro, por meio dos filamentos fluídicos que teci, de maneira que escreverei a minha mensagem ora com a mão da médium R. e ora com a mão da médium T., subtraindo fluido da primeira para adicionar à segunda, a fim de chegar a escrever com a mão desta última. Estou muito satisfeito com o bom êxito de nossas experiências e devo participar-vos que aqui se encontram condições bem favoráveis para tentá-las. A senhorita R. vive em um ambiente completamente... (Aqui a mão se detém e eu espero muito tempo. Depois “Rodolfo” recomeça). ... próprios deveres quotidianos e dificuldades a vencer. Se assim não fosse, eu não teria tentado estas experiências. “Carlos” ajuda-me. Seu fluido tão doce e tão calmo... (Aqui se dá nova interrupção, que também dura muito tempo, e depois “Rodolfo” recomeça). ... que poderiam perturbá-la. Por esta noite basta, senhorita R., e, portanto, me proponho a restabelecer a corrente. Boa noite aos amigos dos dois grupos. Rodolfo.”

Ora, as duas frases interrompidas, recebidas no grupo de Paris pela Sra. T., eram estas: “... diferente do seu. Toda preocupação é deixada de parte e ela não é mais afligida pelo pensamento penoso dos... ... isola a nossa preparação fluídica contra as correntes perniciosas, ...” Nota-se, portanto, que, intercalando essas duas frases nos pontos em que se deram as interrupções na mensagem escrita pela senhorita R. em Wimereux, obtemos a seguinte mensagem completa: “A senhorita R. vive em um ambiente completamente diferente do seu. Toda preocupação é deixada de parte e ela não é mais afligida pelo pensamento penoso dos próprios deveres quotidianos e dificuldades a vencer. Se assim não fosse, eu não teria tentado estas experiências. “Carlos” ajuda-me. Seu fluido tão doce e tão calmo isola a nossa preparação fluídica contra as correntes perniciosas, que poderiam perturbá-la.” Tais são os fatos.

Acrescento que no começo da sessão do dia 22 de agosto, a Sra. T. me havia dito: “A Srta. R. está me escrevendo, mas deve estar sofrendo dor de cabeça, porque leva constantemente a mão esquerda à testa e tem os cabelos soltos.”, o que me foi inteiramente confirmado posteriormente. Eis um segundo exemplo deste gênero: – Na sessão de 16 de setembro, a médium Sra. T. assinala um ir e vir de dois “núcleos luminosos”, que representam os espíritos, e sente que se preparam para fazê-la escrever. E, de fato, escreve ela as seguintes frases destituídas de sentido aparente: ... prudentes como um convento de jovens educandos... (longa interrupção). ... seus grandes olhos tão doces estão habituados a ver passar... (nova interrupção).

... a moderna cortesã, cujos olhos... (outra interrupção, e nada mais). Encerramos a sessão, pouco satisfeitos com seu resultado, porque o significado do que fora escrito era indecifrável; mas no dia seguinte recebemos de Wimereux algumas grandes folhas cobertas de escrita mediúnica da Srta. R., escrita à mesma hora em que a Srta. T. escrevia as frases também interrompidas. Tais folhas continham uma espécie de apólogo ditado mediunicamente por “Rodolfo”, no qual a significação dos períodos ficava suspensa em três pontos. Intercalando as interrupções às três frases incoerentes, obteve-se a seguinte narração: As cervas do bosque “Atravessando as densas moitas dos nossos parques, nunca vos encontrastes com as cervas que ali habitam por entre as densas folhagens, ora prudentes, como um convento de jovens estudantes bem comportadas, ora tímidas, medrosas, fugindo aos saltos, em bandos compactos, porém mais graciosas, mais sedutoras do que nunca? Nunca vos perguntastes em que pensam essas belas criaturas e qual é o destino que as espera?

Longe de mim a idéia de traçar-lhes o horóscopo, do qual não saberiam elas o que fazer, mas me parece que a sua mentalidade deve ser muito diversa da que anima as cervas selvagens das matas. Seus grandes olhos tão doces estão habituados a ver passar estranhos carros que voam sem cavalos e, dentro dos carros ou pelas veredas dos bosques, estão acostumadas a divisar mulheres de grandes olhos semelhantes aos seus, mulheres delicadas, lânguidas, elegantes. Quem nos poderia dizer se a moderna cortesã, cujos olhos parecem desmesuradamente grandes pela obra genial de um pincel, não seria uma cerva da mata que já não se recorda do passado?” “Cara amiga, tive alguma dificuldade em levar a cabo esta minha experiência porque a Srta. R. a buscava compreender, porém creio que o consegui. Rodolfo.” Relato ainda outro exemplo:

No dia 5 de setembro, antes de se apagarem as luzes, a Sra. T. e eu pegamos juntas o lápis, como nos havia sido indicado fazer, de modo que a mão esquerda da Sra. T. se sobrepôs à minha direita, que escreveu a seguinte frase: “Designa, em uma folha de papel, com uma só palavra, o tema que deseje que eu vá imediatamente desenvolver com a Srta. R.” em Wimereux. Tiro uma folha do caderno que se acha em minha frente, reflito um instante e depois escrevo a palavra “sonho”. Nesse ínterim a Sra. T. havia saído da sala e ficara fora todo o tempo que eu levara a pensar no tema a escolher. Quando voltou, eu já havia fechado no cofre a folha de papel em que escrevera a palavra “sonho”, folha que ninguém mais viu até chegar de Wimereux a carta correspondente. Reentrando, nota a Sra. T. que desaparecera um dos “núcleos luminosos”. No dia seguinte, chega de Wimereux um grande envelope contendo algumas folhas, com a seguinte comunicação: “Tenha paciência, Srta. R. Era preciso que eu arranjasse todas as coisas para a nova experiência. Espere um pouco.

Neste momento estou muito ocupado. Não me faça perguntas. Quando estiver pronto, partirei.” Depois de algumas garatujas do lápis, a comunicação continua). “Cara amiga, não te direi com que sonham as meninas, pois isto não poderia interessar-te muito, tanto mais que já o disse De Musset em forma um tanto leviana, como era usual na literatura de seu tempo. Dir-te-ei antes que, por volta da meia-noite, quando adormeces, o espírito levanta vôo para regiões mais ou menos encantadas, segundo os casos. Um de nós te estende a mão para ajudar-te a transpor a fronteira fluídica que separa o estado consciente do estado de sonho e empregamos o nosso melhor esforço a fim de auxiliar-te a transpor rapidamente a região de nevoeiro que não te poderia proporcionar prazer. Em outros termos, conduzimoste a nós, às regiões encantadas, cuja lembrança se apaga

logo de tua memória. Não te deves, porém, queixar da lacuna que fica, pois que, para recordar os sonhos de tal natureza é necessário uma têmpera muito mais impressionável do que a tua. Se conservasses a recordação das belezas entrevistas em nossa morada, a existência terrena se tornaria repulsiva a ti. Quando algumas vezes te levantas pela manhã, triste e desanimada, é porque, no fundo de tua consciência, persiste uma lembrança inconsciente de um país encantado, que, com as sombras da noite, desaparece de ti. Cara amiga, não te parece que “Rodolfo” se torna um literato de fundo terrestre, embora trate de assunto astral? Sou eu mesmo quem dita as reflexões expostas, porque “Carlos” neste momento não está aqui em Wimereux e sim junto de ti, em Paris. Tudo isto eu escrevi para limitar-me ao tema que me propuseste. Até outra vez. Rodolfo.” Ao relato dos fatos, o Dr. Geley faz considerações muito interessantes, das quais extraio o trecho seguinte: “O que se depreende destas experiências? Um fato primordial, cujas conseqüências filosóficas são discutíveis, mas que se impõe à atenção.

O fato é o seguinte: Nas “correspondências cruzadas” tudo concorre para presumir que uma inteligência autônoma, independente do médium e dos assistentes, tenha tomado a iniciativa das experiências no sentido de prepará-las, dirigi-las e levá-las a bom termo. Toda vez que se refletir convenientemente sobre as experiências em exame reconhecer-se-á que tais conclusões se impõem irresistivelmente. Poder-se-ia talvez manter conclusões ilusórias? Não! De qualquer modo reconheço que não poderia excluir, sem reservas, a hipótese telepática e isto pela boa razão de não conhecermos, ou melhor, de não podermos estabelecer limites à telepatia. De qualquer modo, na circunstância do caso exposto, tal hipótese acha-se à frente de dificuldades insuperáveis.

Convém observar, a propósito, que as duas médiuns nunca haviam feito experiências juntas e que as relações existentes entre elas, puramente de conhecimento, não implicavam uma simpatia particular entre si, o que, de resto, não basta para excluir-se a hipótese telepática. Mas eis o que torna o caso mais grave: esta hipótese, na aparência tão simples, impõe, ao contrário, excessivas complicações ao nosso caso. Procuremos, portanto, analisar praticamente, de que modo se deveria ter desenvolvido uma ação telepática nas circunstâncias em exame. Como se sabe, a telepatia implica a existência de duas pessoas em ação: uma ativa, outra passiva; uma transmissora, ou melhor, emanadora, se nos permitirem este neologismo, outra receptora. De que forma, então, se realizaram tais atribuições nas experiências de Wimereux?

Nos casos das “correspondências cruzadas” ou simultâneas, parece logicamente impossível atribuir-se o papel de agente ativo a uma ou outra das médiuns, visto que ambas ignoravam a idéia, a natureza, o conteúdo das mensagens que escreviam e que ambas eram incapazes de compreender, isoladamente, o sentido e o fim de tais mensagens. Na realidade, ambas se portavam literalmente como duas máquinas postas em ação por uma direção única e por uma inteligência independente. Note-se também que, no nosso caso, não se pode falar de puros impulsos telepáticos, porque o fenômeno implica, ao contrário, uma iniciativa deliberadamente ativa. A quem pertencia essa iniciativa? Talvez à “segunda personalidade” da Sra. T. ou talvez à Srta. R? O quesito fica literalmente insolúvel, porque é mal proposto.

É verdade que se poderia ampliar o quesito, pressupondo que a parte ativa não fosse confiada nem a uma nem a outra das médiuns, mas sim à Sra. De W., que teria representado o papel de “Rodolfo”, mas, também neste caso, achamo-nos diante de dificuldades insuperáveis e, antes de tudo, porque com tal solução não se explicariam os fenômenos de clarividência da Sra. T., os quais deveríamos passar em silêncio, quando mais não fosse,

porque a Sra. De W. não é médium e não se saberia como faria para “Desdobrar-se” e, ao mesmo tempo, permanecer em estado de vigília. Tomemos o caso da mensagem sobre o tema “sonho” e analisemos o que deveria ter acontecido com a admissão da hipótese. Antes de tudo, a “personalidade subconsciente” da Sra. De W., sob o disfarce de “Rodolfo”, aparece e pede à sua “personalidade consciente” para designar-lhe um tema a ser desenvolvido; à Srta. R. e à “personalidade consciente” designa o tema “sonho” e logo depois a “personalidade subconsciente” da Sra. De W. transporta-se a Wimereux e dita o referido tema à Srta. R. Segue-se daí que a Sra. De W., mesmo mantendo-se sempre em estado de completa vigília, seria a inspiradora involuntária do desenvolvimento do tema, de modo que teria agido conscientemente em Paris e inconscientemente em Wimereux, ao mesmo tempo. Tudo isto é literalmente inverossímil. Esta é uma pequena amostra das dificuldades a superar a fim de apegar-se à hipótese telepática para explicação do caso em exame. Se quiséssemos sustentar, a qualquer custo, a hipótese, então nos encontraríamos envolvidos em muitas outras hipóteses insolúveis.

Assim, por exemplo, poder-se-ia sustentar que as personalidades mediúnicas em ação fossem “criações psíquicas coletivas”, devido à colaboração inconsciente das três pessoas que faziam as experiências. Com isto chegar-seia talvez a explicar as complexas e variadas repercussões telepáticas que se notam no caso em apreço, pois que desta vez as personalidades agentes ficariam independentes e autônomas, embora a independência e a autonomia fossem efêmeras como a sua existência, que teria apenas a duração da experiência. Infelizmente, porém, para esta extraordinária hipótese, choca-se ela, por sua vez, contra objeções insuperáveis. Antes de tudo, porque não existe nem mesmo sombra de uma prova da possibilidade de se criarem personalidades efêmeras de tal natureza, e depois porque a mesma hipótese é pelo menos tão revolucionária e contrária

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