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Capítulo 1 de 18
Parte 1 de 17
Comunicações Mediúnicas Entre Vivos · Ernesto Bozzano
Ernesto Bozzano
Comunicações mediúnicas entre vivos
Tradutor Herculano Pires
Título Original em Italiano Ernesto Bozzano - Da Mente a Mente Delle comunicazioni medianiche tra viventi Casa Editrice Luce e Ombra, Roma Roma (1924)
Conteúdo resumido
Nesta obra Bozzano faz a análise de uma classe de fenômenos mediúnicos curiosa e pouco explorada: a possibilidade de comunicação entre os espíritos encarnados, ou “os vivos” como nos denominamos em nosso plano material. Através da investigação científica, o autor apresenta e esclarece as seguintes questões: Os vivos podem comunicar-se pelos médiuns? Então é possível a uma pessoa viva desdobrar-se em duas partes: corpo de um lado e espírito de outro? Mas se aceitarmos isso não estaremos retrocedendo às superstições de um passado morto, que o desenvolvimento das Ciências superou há muito? Demonstra o autor que é necessário investigar as reais possibilidades e os limites em que se pode desenvolver a ação telepático-mediúnica entre pessoas vivas, auxiliando, desta forma, a demonstração da autenticidade espírita das comunicações análogas com as entidades de mortos.
Sumário Um estudo de Psicologia integral ............................................... 4 Introdução .................................................................................... 8 1ª Categoria – Mensagens experimentais no mesmo aposento ................................................................................. 10 2ª Categoria – Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância ................................................................................. 25 Subgrupo A - Mensagens inconscientemente transmitidas ao médium por pessoas imersas no sono ................. 27 Subgrupo B - Mensagens transmitidas inconscientemente ao médium por pessoas em estado de vigília .......... 44
Subgrupo C - Mensagens obtidas por vontade expressa do médium ............................................................... 55 Subgrupo D - Mensagens transmitidas por vontade expressa de pessoa distante ............................................... 96 Subgrupo E - Casos de transição no momento da morte ou na agonia .......................................................... 102 Subgrupo F - Mensagens transmitidas com auxílio de entidade espiritual ............................................ 109 Conclusões ................................................................................ 159
Um estudo de Psicologia integral Os estudos da Psicologia introspectiva do passado limitavamse ao campo subjetivo. Os estudos da Psicologia experimental moderna perderam-se no campo sensorial. O desenvolvimento da Psicologia profunda abriu a possibilidade de uma síntese, que a atual Parapsicologia tenta realizar. Mas essa síntese já existe e seu ponto modal é o médium ou sujeito paranormal, em cujo psiquismo se fundem as manifestações anímicas e espirituais. É o que o eminente pesquisador italiano professor Ernesto Bozzano demonstra neste volume, dando uma resposta antecipada e definitiva a todas as questões de tipo bizantino hoje levantadas nesse terreno. * * * À maneira do que se fez no século passado e nos princípios do atual, investigadores sistemáticos ou sectários, uns e outros apegados de forma anticientífica a preconceitos culturais ou religiosos, procuram sustentar a natureza puramente anímica dos fenômenos paranormais. Chegam a elaborar hipóteses de tipo teatral, como a de Tyrell sobre as aparições ou a de Sudre sobre as variações de personalidade do sensitivo, com a desesperada finalidade de afastar do campo das pesquisas a evidência da natureza psicológica dos fenômenos.
Bozzano refutou, com lógica insuperável, em vários trabalhos, mas particularmente neste volume e em seu monumental Animismo ou Espiritismo? (resultado de quarenta anos de observações e estudos) essas hipóteses inviáveis. Charles Richet, no fim da vida, reconheceu que as monografias de Bozzano erram de clareza meridiana, afirmando que elas “contrastam com as teorias que atravancam as Ciências”. Richet, prêmio Nobel de Fisiologia em 1913, faleceu em 1935. Com a sua morte a Metapsíquica foi praticamente posta de lado pelos cientistas. Mas cinco anos depois já os profs. William McDougal e Joseph Banks Rhine davam impulso à Parapsicologia, demonstrando que a clarividência (1940) estava
provada em rigorosas pesquisas de laboratório. Grande número de parapsicólogos, hoje, com Rhine à frente, sustentam a tese de Bozzano de que esses fenômenos provam a existência no homem de algo que não se reduz ao físico. As teorias sensoriais foram novamente golpeadas pela evidência da percepção extrasensorial. Apesar disso, o velho Sudre voltou à liça para sustentar a sua posição superada e parapsicólogos como Robert Amadou, Robert Tocquet e alguns clérigos desprovidos de senso crítico empenharam-se numa campanha mundial de difamação de pesquisadores e médiuns do passado, julgando o que não viram. Neste volume, Bozzano apresenta um dos seus estudos mais lúcidos e mais pertinentes (na atualidade) sobre a natureza dos chamados fenômenos psi. Tratando das comunicações mediúnicas entre vivos, demonstra que o psiquismo independente da criatura humana é o mesmo e age da mesma maneira nos fenômenos anímicos (ou mentais, como são hoje classificados) e nos fenômenos espíritas. Vai além, demonstrando que a simples admissão do extra-sensorial prova que o psiquismo humano não pode ser reduzido às funções orgânicas.
Se podemos ter percepções e comunicar-nos sem o intermediário habitual dos sentidos físicos é porque não somos somente materiais. Mas não é apenas a conclusão lógica que pesa na balança. Bozzano, cujo espírito científico é inegável e dos mais penetrantes, não se contentaria somente com deduções e induções. Por isso nos mostra o argumento irrefutável dos fatos, em que sempre se apoiou. Não se trata, pois, de um simples debate em torno de hipóteses a favor e contra. O que temos neste livro é uma exposição de fatos, e o que somente os cegos não vêem, de fatos que se repetem incessantemente por toda parte e em todos os tempos. Assim, o lançamento da primeira tradução deste livro em português é uma contribuição valiosa e necessária ao desenvolvimento atual dos estudos da fenomenologia paranormal, particularmente no Brasil, que vem sofrendo o impacto de campanhas sistemáticas e interesseiras de
desmoralização desse importante campo da investigação científica. Muitas inteligências capazes ainda se acomodam no pressuposto ingênuo de que este é um problema de interpretação. Mas a realidade é bem outra. As interpretações constituem apenas a fumaça de camuflagem lançada pelos que não querem aceitar a evidência dos fatos, seja por uma questão de atitude (o que é anticientífico) ou de posição dogmática, materialista ou religiosa (o que é hoje culturalmente inaceitável). O problema que este livro coloca é de Ciência e por isso mesmo os dados que apresenta são objetivos. Já é tempo de se compreender que a prevenção mental é tão danosa para o avanço do conhecimento quanto o foi no passado a prevenção emocional do fideísmo religioso. Querer saber se somos mais do que simples organismos materiais não é menos científico, nem menos digno ou menos inteligente do que procurar saber se somos apenas organismos materiais. E por que motivo devemos encarar objetivamente os fenômenos materiais e negar o direito de isenção ao estudo dos fenômenos psicológicos (no mais alto sentido da expressão)?
Que direito tem o cientista de afirmar a inexistência de fenômenos que tantos outros cientistas pesquisaram e cuja realidade sustentaram, enquanto eles, os negadores, se limitam a opiniões e argumentos? A Psicologia integral que a Parapsicologia atual procura atingir é uma exigência do desenvolvimento científico dos nossos dias. Essa Psicologia integral é necessária para o verdadeiro conhecimento do homem, e mais do que isso, para a compreensão da própria natureza cósmica, da qual o homem é parte integrante. Tolos não são os que sustentam o que viram, mas os que negam o que não viram. Mais tolos ainda quando teimam em não ver para não terem de refundir a precariedade de seus conhecimentos. Este livro é, sobretudo, um exemplo: o grande exemplo de um positivista que, à maneira de Lombroso, do próprio Richet e atualmente de Rhine, Soal, Price e Pratt, foi capaz de reexaminar os seus conceitos apriorísticos e reajustar a sua posição científica à realidade dos fatos. São Paulo, janeiro de 1968.
J. Herculano Pires
Introdução Designa-se por fenômenos mediúnicos um conjunto de manifestações, tanto físicas como inteligentes, que se produzem com o auxílio de forças ou faculdades subtraídas temporariamente de um médium – algumas vezes também, em pequena escala, dos assistentes –, por vontade que independe do médium e dos assistentes. Tal vontade pode ser a de um morto ou a de um vivo. Quando a vontade de um vivo é que se apresenta, só o pode fazer através dos mesmos processos espirituais exercidos por um morto: faculdades subconscientes e supranormais para um vivo, conscientes e normais para um morto. Resulta daí que as duas classes de manifestações são idênticas por natureza, com a distinção puramente formal de que quando se verificam por obra de um vivo, tomam o nome de fenômenos anímicos e quando por obra de um morto, denominam-se fenômenos espíritas. É claro, pois, que as duas classes de manifestações são uma o complemento necessário da outra, e isto de tal sorte, que o Espiritismo ficaria sem base se não existisse o Animismo. As manifestações anímicas de ordem inteligente raramente se verificam sob forma mediúnica, pois, via de regra, exercitam-se em forma direta e, segundo os casos, tomam o nome de manifestações telepáticas, de fenômenos de bilocação, de
clarividência no passado, no presente e no futuro. De qualquer modo não me ocuparei de tais modalidades de manifestações anímicas, limitando-me a analisar, comparar e classificar os casos de comunicações entre vivos, por via mediúnica. De tais manifestações especiais já se ocuparam diversos eminentes cultores das pesquisas metapsíquicas, e Alexandre Aksakof tratou muito amplamente do assunto na sua obra Animismo e Espiritismo; todavia, os meus antecessores não tiveram a intenção de tratar dos fatos de modo particular, e não os classificaram, o que me proponho fazer no presente trabalho, limitando-me à especialização de poucos exemplos típicos para
cada categoria, pois que a messe dos casos escolhidos é exuberante. Advirto, também, que a classificação dos casos em exame apresenta a dificuldade de neles se encontrarem, muitas vezes, incidentes de diversas categorias, por isso me cinjo ao critério de classificá-los levando em consideração a característica mais relevante de cada um. A importância teórica da presente monografia parece evidente e consiste em que os casos de comunicações mediúnicas entre vivos, realizando-se pelos mesmos processos pelos quais se produzem as comunicações mediúnicas com os mortos, oferecem a possibilidade de melhor se penetrar na gênese destes últimos, lançando-se nova luz sobre as causas dos erros, das interferências, das mistificações que neles se encontram.
1ª Categoria Mensagens experimentais no mesmo aposento Os exemplos compreendidos na presente categoria só representam um grupo de episódios pertencentes à classe dos fenômenos de transmissão e leitura do pensamento, mas lembremos que aqui são relatados naquilo em que diferem dos episódios comuns pela circunstância de a transferência e a leitura do pensamento se realizarem mediunicamente, ou seja, com auxílio da escrita automática, dos movimentos de uma mesa ou ainda de pancadas na madeira de algum móvel, e assim por diante. Para este grupo de fatos o caso clássico por excelência é ainda o do Rev. Newnham, publicado originalmente no vol. III dos Proceedings of the Society for Psychical Research (págs. 3- 23), posteriormente narrado por Myers em sua mais importante obra.2 Sendo ele mais amplamente citado em várias outras obras metapsíquicas, abstenho-me de repeti-lo aqui, limitando-me a recordar que o Rev. Newnham fazia experiências com a própria esposa, sentado na mesma sala, a oito pés de distância da mesma, de costas voltadas um para o outro.
Escrevia ele as perguntas que desejava transmitir mentalmente à sensitiva e esta apoiava a mão sobre a prancheta e as respondia imediatamente, antes mesmo que o experimentador tivesse tempo de escrevê-las. As respostas eram sempre correspondentes às perguntas e se referiam, na maior parte dos casos, a coisas ou assuntos desconhecidos dela, mas conhecidos do experimentador, salvo uma vez em que a resposta se referiu a uma informação ignorada também pelo experimentador, mas, em tal caso, era conhecida de outra pessoa presente, a qual escrevera a pergunta e fizera o Rev. Newnham lê-la. Um ensino importante a extrair-se das experiências em questão consiste na circunstância de que, quando o experimentador se mostrava muito exigente, insistindo em perguntas demasiadamente complexas para a capacidade de percepção subconsciente da sensitiva, as respostas recebidas,
conquanto em perfeito acordo com as perguntas, eram inventadas do princípio ao fim. Assim, por exemplo, tendo o Rev. Newnham, que pertencia à Maçonaria, pedido à sensitiva para transcrever-lhe a prece maçônica em uso para a promoção ao grau de Mestre, a prancheta escreveu instantaneamente, com vertiginosa rapidez, longa prece em tal sentido na qual havia reminiscências maçônicas, mas que, no todo, era uma invenção fantástica. Ora, tais espécies de mistificação em experiências de transmissão do pensamento, por algum processo mediúnico, são muito interessantes, devido a uma analogia que apresentam com as correspondentes interferências mistificadoras, que freqüentemente se obtêm nas comunicações mediúnicas genuinamente espíritas. Dir-se-ia que as excessivas insistências de parte do indagador, tendo por efeito determinar nas personalidades mediúnicas uma tensão excessiva da vontade, com relativa dispersão do fluido mediúnico e consecutivo enfraquecimento do “controle psíquico”, abrem caminho ao extrato onírico subconsciente, o qual, emergindo, continua a seu modo a comunicação em curso, determinando uma ação de sonho.
De outro ponto de vista, dever-se-ia dizer que, do mesmo modo, a emergência de mistificações do inconsciente, nas experiências de transmissão e leitura do pensamento, nada retira do valor teórico dos escritos genuinamente espíritas. E, de qualquer modo, convém notar que as mistificações espíritas encontram análogo fato nas mistificações anímicas, o que se traduz em um primeiro ensinamento instrutivo retirado da análise comparada dos fatos, de que nos utilizaremos no devido tempo. Como complemento do assunto, convém observar que há exemplos de mistificação espírita que, conquanto explicáveis pela hipótese da emergência do “extrato onírico subconsciente”, contudo poderiam ter, na realidade, uma origem diversa, observação esta que encontra uma curiosa ilustração no seguinte trecho de um diálogo mediúnico que extraio das conhecidíssimas experiências do Prof. Ochorowicz, com a médium Srta. Tomczyk.
O Prof. Ochorowicz se dirigiu à personalidade mediúnica, perguntando-lhe: P. – Existias antes do nascimento da “Grande Stásia” 3 (isto é, da médium)? R. – Sim, mas não me deves fazer semelhantes perguntas se não quiseres que eu te responda com mentiras. Gostaria de revelar-te tudo, mas não é permitido fazê-lo. P. – Por que? R. – Não me perguntes. Provavelmente porque, se nós revelássemos tudo, provocaríamos no mundo uma revolução social demasiadamente violenta. (Annales des Sciences Psychiques, 1909, pág. 201). Como se vê do diálogo acima, a personalidade mediúnica declara, explicitamente, que se se quiser saber demais ela se livrará logo de apuros com mentiras, resposta curiosa e desconcertante, apesar da notória correção da personalidade em questão, a qual adverte o interrogador do que o espera se ele não desistir dos seus propósitos excessivamente inquisitoriais.
Tal resposta explicaria muitas coisas e resolveria muitos casos desconcertantes do mediunismo teórico, conquanto tivesse de ser explicada por seu turno, visto que não se poderia compreender a necessidade de recorrer a mentiras, quando em tais circunstâncias bastaria responder do modo pelo qual o fez a “Pequena Stásia”, isto é, observando que não era permitido responder a perguntas indiscretas. Ao mesmo tempo, a expressão da personalidade mediúnica de que “não era permitido fazê-lo” implicaria na existência de entidades espirituais superiores, reguladoras dos destinos humanos, a cujos decretos se conformariam os espíritos de grau inferior, ainda capazes de comunicar-se mediunicamente com os vivos. Quantos mistérios a resolver! Entre tais mistérios destaco o seguinte: Se há entidades espirituais superiores que proíbem os espíritos comunicantes de revelar certos segredos do Além, para os quais a humanidade não está preparada, fica então subentendido que as mesmas entidades permitem aos espíritos em questão suprir com mentiras a
curiosidade dos vivos e, assim sendo, ter-se-á de inferir que, em certas contingências, também as mentiras seriam justificáveis no sentido talvez de que elas se tornem propícias à evolução ordenada e regular das disciplinas metapsíquicas, porquanto talvez sirvam para exercer influência moderadora e benéfica sobre a sua difusão entre os povos, influência que não seria conseguida de outro modo, assim como a evolução biológicopsíquica da espécie só se consegue com a intervenção do fator mal em perpétuo contraste com o fator bem. Se assim for, dever-se-ia dizer que, para as operações evolutivas da nova Ciência da alma, as mentiras proferidas em circunstâncias especiais pelas entidades espirituais inferiores também teriam a sua razão de ser, por isso que desorientariam os experimentadores demasiadamente crédulos, obrigando-os a meditar e aprofundar ulteriormente o tema, determinando tréguas providenciais no progresso das pesquisas metapsíquicas, impedindo as intempestivas convicções com base na fé cega, isto com toda a vantagem para os métodos de indagação científica.
E, acima de tudo, evitando o perigo de “uma revolução social demasiadamente violenta”, que infalivelmente ocorreria se a nova orientação do pensamento ético-religioso tivesse de imporse a massas sem preparo, com perniciosa rapidez. Bem hajam, pois, as mistificações espíritas que servem de freios moderadores ao curso rápido e imprudente a que com facilidade se abandonariam alguns esquadrões extremamente impulsivos do novo exército do ideal. Seja como for, o fato é que as mistificações e as mentiras da natureza indicada se verificam freqüentemente nas manifestações mediúnicas e, assim sendo, nada impede a que se lhe atribua a gênese indicada, isto é, de uma parte, a emergência freqüente do “extrato-onírico subconsciente” nos sensitivos; de outra parte, a mistificação do Além, às vezes determinada expressamente por personalidades mediúnicas, com o escopo de disciplina espiritual e para salvaguarda da evolução espiritual humana, que deve ser ordenada a fim de evitar o perigo de uma reforma muito precipitada de instituições religiosas milenárias, reforma essa que deve se efetuar de modo bem lento, prudente, conciliador, e
a fim de se poder preparar, simultaneamente, o novo Templo de Deus. E, assim sendo, não será inútil tomar-se boa nota também desse segundo ensinamento, extraído da análise comparada dos fenômenos anímicos e espíritas. * * * Nas considerações expostas encontram-se os ensinos teóricos essenciais que se podem extrair das manifestações aqui contempladas, de modo que me limitarei, a seguir, a dar poucos exemplos desse gênero, a puro título ilustrativo. Caso 1 – Colho o seguinte episódio do livro da Sra. Hester Travers-Smith, Voices from the Void (pág. 48). A referida senhora é dotada de faculdades mediúnicas incomuns, e o Prof. W. F. Barret fez com ela uma longa série de experiências, conseguindo ótimos casos de identificação espírita. Escreve a Sra. Travers-Smith: “Outro episódio, análogo ao citado, aconteceu certa noite em que se achava presente o Sr. Y., autor dramático.
Eu e a Srta. C. trabalhávamos como médiuns e o “espírito-guia” descreveu um velho castelo que o Sr. Y. havia adquirido pouco antes, informando que aquele local era assombrado e que a assombração se prendia a uma antiqüíssima história romântica, história essa que ele se pôs a narrar. Como a comunicação se tornasse muito longa, eu disse ao Sr. Y.: “Não lhe parece melhor interromper estas fantasias sem fundamento? Isto não lhe pode interessar”. Respondeu-me ele: “Ao contrário, interessa-me muitíssimo, pois que está sendo ditado o enredo de um novo drama”. Declaro que nem eu nem a Srta. C. conhecíamos coisa alguma a respeito do drama que estava sendo escrito pelo Sr. Y.” A propósito do incidente exposto, observo, por amor à verdade, que o “espírito-guia” da médium afirma que tais formas de leitura do pensamento da subconsciência alheia, como também outros episódios de comunicações mediúnicas entre
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.