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Capítulo 8 de 19

Iii. Milagres — parte 6 de 7

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 6

Aquele mesmo príncipe da Igreja está agora conosco nestes reinos. Ele é meu bom amigo. Muitas são as ocasiões em que discutimos este mesmo assunto. Ele me perguntou, 'O que estava fazendo enquanto eu estava executando todos esses ritos para você?' E lhe respondi da mesma maneira que expus aqui para você. Ele se divertiu muito — e não poderia ser de outra forma. Ele pensava, disse, que estava me prestando um grande serviço com todo o poder da intercessão da Igreja. Ele sentia isso honestamente, porque cou genuinamente aito com a minha partida da terra. Como pode ver claramente agora, teria sido de grande benefício a mim se as palavras do serviço possuíssem alguma aplicação prática no propósito real em questão, e se essas palavras tivessem sido ditas no momento de meu transcurso, e não dias depois. Há outra oração em particular que também fazem para o 'repouso de minha alma'. Faz parte do serviço habitual, mas é, acho, a mais aterrorizante de todas as orações. Aqui lhe mostro, para que possa julgar por si mesmo. Notará que a pessoa que faz esta oração está pleiteando para ele uma vez mais, enquanto deveria estar rezando para o 'falecido': Livre-me, ó Deus, da morte perpétua naquele dia terrível, quando serão movidos os céus e a terra: quando Tu vieres julgar o mundo através do fogo. Eu tremo de medo e arrepio, esperando o dia da prestação de contas e da ira que está por vir, quando serão movidos os céus e a terra. Aquele dia, o dia da ira, de calamidade, de miséria, que grandioso dia de amargo, quando Tu vieres para julgar o mundo através do fogo. Há muita razão para se acreditar que qualquer um tremeria de medo, e se arrepiaria, diante de uma proposição tão terricante. Realmente, aqui há uma arma feita de palavras alarmantes, com seu o bem aado, para amedrontar gente honesta, e enchê-los de depressão e desespero. Como os antigos clérigos se encantavam em enfatizar o m do mundo! O m do mundo terreno era o 'último dia'. Aí então Deus julgaria todos os homens; uma separação entre ovelhas e cabritos. O céu ou o inferno, para toda a eternidade, esse era o destino de toda a humanidade — e é, claro. O dia da ira, da calamidade, da miséria - e o resto do catálogo terrível de todos os horrores. Aqui temos novamente a ira de Deus trazida à vida do homem, a mesma ideia pagã que foi passada através dos tempos, transferida de uma pluralidade de deuses ao Deus Único. Poderia haver calúnia mais infame ao Pai do universo, em quem a ira é uma impossibilidade absoluta, completa e fantástica? O mundo seria julgado pelo fogo, de acordo com a invenção iluminada desta oração escolhida. Por que através de fogo? Concebivelmente, esses clérigos consideraram o fogo como um elemento misterioso, no qual eles tentaram descobrir a 'mão de Deus', um Deus purgador, puricador, e aniquilador irresistível. Certo é que o fogo pode inigir as dores e as torturas mais cruciantes. E consoante com as concepções ultrajantes dos clérigos sobre o Pai, eles deveriam predizer que Ele vai inigir, no 'último dia', em julgamento de todos os homens que tiverem 'pecados', a mais devastadora de todas as formas de punição — queimar no fogo, de uma forma ou outra, um fogo que queima, mas não consome suas vítimas. Que oração agradável é essa, que se coloca nas bocas das pessoas que estão lamentando o transcurso de um ser amado. Que conforto tem para lhes trazer; que serviço inestimável deve prestar a ele ou a ela que passou aos reinos espirituais... Quando penso nos vários detalhes de meu próprio transcurso, e recordo minhas experiências ao testemunhar a chegada de tanta, tanta gente a estas terras, quase me sinto subjugado pela divergência enorme entre os ensinos de uma Igreja que prepara orações como esta e a real verdade da vida espiritual. Se quer saber, meu amigo, nós condenamos completamente efusões malévolas e danosas como esta, ainda mais porque são empregadas em certas ocasiões, isto é, nos serviços de enterro, quando não podem fazer nada de bom por um lado, e causam muito dano no outro. Nenhuma alma recebe nem uma só faísca de benefício derivada de tais orações ultrajantes. Elas podem causar medo e dor innitos às pessoas sensíveis que estão chorando. Um momento atrás eu mencionei um enterro cristão. Uma das condições necessárias para tal enterro é que aconteça dentro de 'chão consagrado'. Isto signica que o terreno deveria ser 'abençoado', teologicamente falando, por um ministro da Igreja antes que o enterro acontecesse. Há uma oração, usada para isso, que claramente reete as noções brutas com que a Ortodoxia envolve as funções, propósitos, e organizações do mundo espiritual. Sugere até mesmo, pelo pedido especíco que faz, que a Ortodoxia sabe como pelo menos alguns de nós passamos nossas vidas nestas terras. Aqui está a primeira parte de uma oração usada para 'abençoar' uma sepultura: Ó Deus, em Cuja clemência as almas dos que tem fé encontram descanso, digne-Se em abençoar esta sepultura, e dispense Teu anjo santo para vigiá-la... Que recompensa divina é essa, um 'anjo' santo passar todo o seu tempo pela eternidade vigiando uma sepultura! Poderia se perguntar mais uma coisa, contra o quê o anjo vai vigiar a sepultura? Novamente perceberá a maior importância que é dada ao corpo físico depois que toda vida tenha saído dele, quando está literalmente morto. Como tal, não tem nenhuma consequência ou signicação. A pessoa real que uma vez o possuiu se foi. Como é assim, torna-se perfeitamente inútil. Nada pode ser feito com ele, exceto dispô-lo de alguma forma, nalmente. Tem até menos valor que um artigo de vestuário refugado que uma vez cobriu seu corpo físico. Não tem nenhum valor espiritual; não é 'sagrado' nem 'santo'. O seu dono anterior abandonou-o para todo o sempre pela ação de uma lei natural. A seu devido tempo, tornar-se-á uma massa desfeita, mal-cheirosa e em estado de putrefação. É diante disto que um 'anjo' santo, um morador destes planos, deve montar guarda! Eu pediria sua indulgência por apresentar este assunto em condições desagradáveis como estas, mas estou colocando a verdade diante de você, do modo mais franco possível. Talvez alguém me pergunte: 'Por que você está usando tantas palavras, e também tanto tempo e energia, no que é, anal de contas, um assunto de muito pouca conta? Serviços de enterro têm acontecido por séculos. Em outras palavras, que importa? Há coisas bem mais importantes! Mas, meu querido amigo, importa, e importa muito realmente. Havendo coisas mais importantes, o que poderia ser de maior importância que sua chegada, e a chegada de milhões de outras pessoas, ao mundo espiritual? á lhe falei sobre este assunto antes, mas você não contestará, tenho certeza, se eu lhe recordar o fato que uma parte considerável de meu trabalho no mundo espiritual consiste, com outros, em ajudar as pessoas que são recémchegadas recentemente nestes reinos. Falo com você, então, com experiência pessoal, experiência adquirida, para ser até mesmo mais preciso, ao testemunhar os que chegam aqui em estado de desesperada confusão, em enorme quantidade.

Eles não sabem de nada do que lhes aconteceu, ou mesmo sabendo ou adivinhando o que já aconteceu, cam em uma condição de paralisia por causa do medo daquilo do que vai acontecer em seguida. A eles foi ensinado pelos seus preceptores religiosos na terra tudo sobre os supostos horrores do Julgamento ou do Dia do Julgamento. O pouco que acreditam é que uma provação assustadora, de um tipo não especicado e de resultado desconhecido, deverá acontecer, mais cedo ou mais tarde. É nosso trabalho acalmar esta gente infeliz e atormentada pelos seus medos, e tentar trazer paz e tranquilidade às suas mentes torturadas. Temos que negar, como a pior de todas as falsicações, as coisas más que foram atribuídas ao Pai do universo; entre as principais, temos que negar que jamais qualquer homem já foi, ou está sendo ou será julgado pelo Pai, e armar com toda a ênfase possível que Ele não baniu este poder ou direito de assim fazer com qualquer pessoa. Temos que contar a esta gente que, por causa de sua vida na terra, obtiveram para si alguma região ou lugar de domicílio no mundo espiritual, no qual eles encontrarão, a princípio, a si mesmos, e lá se encontrarão porque é a região com a qual estão em sintonia perfeita. Nós temos que lhes falar que nenhuma pessoa é obrigada permanecer onde está, mas que, trabalhando, pode progredir em sua condição para frente e para o alto, não havendo nenhum limite conhecido para onde se pode subir espiritualmente, se ele escolher e se determinar a fazer. Avanço espiritual é para todos, igual e semelhantemente; não há coisas como privilégios ou favoritismos, nenhuma corrupção de autoridade e ganhar vantagem sobre o próximo. A progressão espiritual vem por mérito, e só através do mérito. Não há nenhum adiantamento privilegiado. Em resumo, entre muitas outras coisas, isso é o que nós temos que falar aos nossos amigos angustiados por terem sido abominavelmente enganados pela Ortodoxia na terra. Temos que gastar nossas energias consertando os ensinos espúrios da Igreja, se é que tais desvios brutais da verdade podem ser dignicados pelo nome de ensinos. Nós temos que endireitar os erros da Igreja. Em vez de enviar seus “éis” ao mundo espiritual adequadamente equipados e fortalecidos com conhecimento correto, com fatos, com farta informação sobre as condições de vida nestes planos, eles chegam num estado lamentável de completa ignorância. Não pense que estou exagerando sobre o estado mental das pessoas assim que chegam, porque não estou. Por mais brava a ação da qual um homem ou uma mulher possa ser capaz de enfrentar na terra, ele ou ela são colocados frente a frente com essa realidade terrível (assim ambos acreditam que seja) e isso é o bastante para fazer tremer o coração mais duro. Estes, claro, são medos mentais, e o maior de todos — o medo do desconhecido. Até que possamos esclarecêlos, esse medo está presente. Esse é o porquê, meus queridos amigos, de desqualicarmos qualquer coisa que a Igreja ensina e que esteja em contradição e oposição direta à verdade, como a conhecemos por aqui. Pelo menos entre estas falsidades devem ser incluídas as invenções viciosas que estão contidas nos serviços de enterro como eu exempliquei. Está em oposição direta à expansão do universo que as mentes humanas devam ser desencaminhadas e enganadas por mentiras monstruosas como essas que estão contidas, implicitamente, nas orações que citei. A Igreja fracassa diante do homem nos últimos momentos da vida dele na terra, da mesma maneira que fracassou muito e frequentemente antes da vida dele terminar. Ela fracassa até mesmo depois que ele partiu da terra, porque não sabe rezar por ele depois que ele partiu. É incapaz, por sua ignorância colossal, de ofertar uma sílaba de ajuda também para as pessoas supostamente mortas, as quais estão, na realidade, muito vivas no mundo espiritual, nem para esses que cam na terra lamentando. A Igreja tem uma concepção tão grandiosa de nossas vidas e das condições de vida nestes planos que verdadeiramente acredita que 'santos anjos' são designados pelo Pai para vigiar sepulturas onde há as montanhas de pecados. A Igreja concentra uma imensa energia em um cadáver inútil, coloca-o em um caixão, reza sobre ele, coloca velas acesas ao seu redor, até mesmo abençoa-o, enquanto a alma daquela pessoa que se foi ca chamando em vão pela Igreja, apelando por uma ajuda real de que tanto necessita. Mas a Igreja está, enquanto isso, bem longe também e preocupada com seus ritos e cerimônias de enterro, centrando toda sua atenção no corpo morto. A Ortodoxia vive uma vida nebulosa na especulação sobre possibilidades e probabilidades espirituais — e a maioria deles, na verdade, estão bem longe. Nós no mundo espiritual vivemos uma vida de realidade e verdade absolutas. Essas, então, são as minhas razões — respondendo àquela pergunta anterior — para dedicar tantas palavras a este assunto em particular dos serviços nos enterros, pois é o evento culminante de uma vida terrestre; uma ocasião em que a Igreja, se estivesse com a verdade, poderia trazer tanta ajuda efetiva à humanidade. Muito bem, ouço contestações; você não fez críticas francas a este serviço da Igreja; você, na realidade, demoliu-o como sendo inútil. Qual oração poria em seu lugar? Você foi destrutivo. Agora seja construtivo. Precisamente. Deixe-me ser assim, de todo jeito. Mas em tudo que faço, não é minha intenção detalhar uma forma nova para o serviço de enterro. Vou me aventurar em apresentar uma sugestão ou duas, até que grandes esclarecimentos venham sobre a terra realmente, é tudo o que posso fazer. Aprecie o fato de que, para um serviço de enterro ser como deveria ser, isso é, baseado na luz das verdades espirituais, as pessoas na terra deveriam ter o conhecimento dessas verdades espirituais. A verdade afastará o que é falso. Nenhuma pessoa ou organização com o conhecimento das verdades do mundo espiritual, das condições de vida daqui, poderia dar sanção plena à forma dos serviços de enterro como são executados no momento na terra por denominações religiosas várias. As poucas sugestões que lhe faço vêm do ponto de vista de que a base de qualquer reforma no serviço dos enterros deve ser as verdades espirituais. Além disso, eu não daria uma fórmula qualquer de orações, mas somente esboçaria uma base onde construir. O que tenho que dizer pode ser considerado como sendo de tempo curto, mas posso assegurar a meus amigos que se alguma reforma dessa ordem nos enterros for adotada, como lhes proporei, fará uma enorme diferença à pessoa interessada, e uma diferença equivalente aqui para nós, cujas vidas no mundo espiritual estão bem ligadas com a angústia de tantos recém-chegados aqui. Isto é o que vou sugerir — e explico que esta proposição de reforma vem de um grande grupo de pessoas no mundo espiritual que estavam, ou estão, ativamente interessados nisto. Em primeiro lugar, pode-se dar uma ajuda muito valiosa a alguém quando do momento de partida do plano terreno. Esse é o momento em que o poder dos altos planos é realmente necessário. Com este grande acréscimo de força que vem assim, oportunamente, podemos fazer maravilhas com a alma que está entrando para o outro mundo.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.