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Capítulo 14 de 19

Vii. O Credo, Continuando — parte 2 de 4

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 6

Como essa mesma alma simples pregaria o evangelho aos moradores das regiões trevosas daqui? Se, por casualidade, ele por si mesmo penetrasse nestas regiões, com apenas o seu conhecimento elementar do evangelho e seu coração sério, sofreria já nos primeiros minutos de sua incursão uma experiência tal que, provavelmente, nunca mais esqueceria. Mal teria tempo até mesmo de tomar o fôlego inicial para começar a oração dele. No seu estado de despreparo, sofreria mais do que teria acreditado ser possível. E sobre Jesus? Como quer que o pobre pastor pudesse estar, poderia alegar que com Jesus foi completamente diferente. Com Jesus não foi completamente diferente. Jesus não se permitiria arriscar-se nessas regiões depois de algumas horas, literalmente, do seu transcurso a estes planos. Ele teria estado sem condições de fazê-lo, mesmo que fosse permitido, pois ninguém se arrisca na escuridão sem estar equipado adequadamente. Durante o transcurso de minhas peregrinações na companhia de meus amigos Edwin e Ruth, nos primeiros dias de minha residência por aqui, viajamos ao limiar dos reinos escuros. Nós já tínhamos penetrado a névoa quando fomos abordados por alguém cuja tarefa era vigiar bem de perto aqueles como eu e Ruth, pois não deveríamos andar para muito longe pelos locais e pelas angústias. Porém, este amigo vigilante logo reconheceu Edwin como sendo homem experiente, percebeu que estávamos em mãos seguras. Se estivéssemos sem a escolta de Edwin — ou de alguém igualmente experiente — deveríamos retroceder, inevitavelmente. Mas naquela ocasião não fomos longe demais. Eram ainda os primeiros dias. Depois, zemos uma profunda entrada bem para dentro dos reinos de pura treva. Ruth e eu éramos completamente ignorantes do que iríamos encontrar, e dos muitos perigos dali. Mas não Edwin, ele estava completamente familiarizado com as regiões e as suas condições. Os movimentos posteriores à morte de Jesus não foram em nenhum ponto diferentes daqueles de qualquer outra pessoa cujo primeiro destino fosse, depois da sua dissolução, os reinos de luz. Quer dizer, imediatamente depois da sua transição, ele foi conduzido a um lugar de repouso que já estava preparado para a sua recepção, e lá ele foi tratado el e cuidadosamente. Porque precisou de tal cuidado e atenção não requer nenhuma explicação. A própria forma de sua dissolução foi bastante para autorizar que ele tivesse repouso imediato e energização. E foi assim. Mas ele requereu consideravelmente menos ajuda que muitos outros indivíduos antes jamais precisaram. Muita gente sofre períodos longos de doença e de sofrimento profundo antes de passar para cá. Além de estarem sicamente em condição muito debilitada, fazem seu corpo espiritual reagir, e assim precisam revigorar espiritualmente. O processo inteiro, em tais casos, pode ocupar muito tempo, medido em dias terrestres. Mas quando o corpo físico é, ao contrário, saudável, embora a transição tenha sido violenta, com ou sem aviso de sua iminência, o período de repouso pode ser reduzido em muito. Jesus deixou a terra no início da sua vida, embora a sua transição fosse provocada pelos meios mais terríveis. É a circunstância posterior que, se não houvesse outras exigências, o fez ser levado para longe do plano terrestre com extrema pressa. A própria ideia de que, imediatamente à sua partida da terra, Jesus 'desceu aos infernos' é uma suposição que é logo refutada ao se ter um conhecimento completo dos fatos. É contra todas as regras e ordens de procedimento do mundo espiritual que qualquer alma, imediatamente à sua transição, deva se desviar de seu próprio caminho para visitar os reinos de trevas. Uma pergunta adicional surge. Que meta Jesus poderia atingir se lhe tivesse sido permitido fazer o que o credo alega que fez? Jesus, com todo seu amplo conhecimento espiritual, seguramente sabia bem mais do que conheceria se embarcasse em tal expedição. Esse foi o primeiro pensamento. Não haveria nenhum galardão individual de trabalho nos reinos trevosos para que Jesus tivesse que se sacricar ainda mais. Em uma palavra, não havia condições de se fazer diferente do que ele fez. Com a melhor vontade do mundo, ele não poderia fazer nada porque não estava em estado de realizar nada. Ele mal poderia ter sido coerente. Como, então, poderia ter 'pregado o evangelho', se tivesse sido contemplado com mais esse outro trabalho? Não; Jesus, no transcurso dele ao mundo espiritual, cou perfeitamente feliz de se entregar nas mãos de amigos que estavam lá expressamente para ajudá-lo, e que souberam exatamente o que fazer, como fazer, e quando fazer. Que voltou ao plano terrestre, logo depois de sua transição, pôde visitar os seus amigos, e isso conta eloquentemente da ecácia do seu repouso e de seu tratamento. Sua esplêndida saúde física contribuiu em grande parte para que tal retorno fosse tão rápido. De acordo com o credo, depois que ele tivesse feito a suposta descida ao inferno, Jesus 'subiu dos mortos'. Na realidade, esta é a ressurreição na qual toda a Igreja deposita imensa importância. Na terra ensinam que Jesus estava entre os 'mortos' durante parte dos três dias e no terceiro dia 'ressuscitou dos mortos'. Realmente, aqui há um problema para os teólogos resolverem, e eles se estenderam nobremente com suas palavras ao fazê-lo. Eles 'ressuscitaram-no' na ocasião. Não sabendo absolutamente nada sobre as condições de 'depois da morte', e acreditando que Jesus seria uma exceção a todas as regras e que não era sujeito a nenhuma lei natural, pois já o tinham divinizado, os fabricantes do credo elaboraram uma declaração irracional onde nem eles puderam se entender, e então tentaram explicá-la. Aquela explicação, citando-a novamente, é 'apenas uma troca de ignorância por outro tipo de ignorância'. Há outro ditado que poderia ser adequadnamente aplicado aqui — e, em muitas ocasiões, mais com relação a este assunto: 'que teia enroscada tecemos, quado primeiro tapeamos'. A Ortodoxia tem enganado o mundo terreno por gerações. Tem enganado os milhões de moradores terrestres dizendo que possui autoridade espiritual determinada por Deus, que é depositária de toda a verdade espiritual no que concerne ao homem na terra e à vida dele no mundo espiritual. Enganou o mundo terreno com uma brava exibição de conhecimento e aprendizado. Seus partidários principais, os clérigos, exibem a sua ignorância sob uma capa de erudição. Mas o conhecimento e o aprendizado da Ortodoxia, como está expresso em seus muitos enigmas doutrinários e dogmáticos, e a erudição de seus clérigos, revelada nas múltiplas 'interpretações' desses mesmos enigmas teológicos, é apenas a ignorância mais miserável quando é vista sob a luz poderosa e penetrante da verdade espiritual. Esta luz revela a Ortodoxia como sendo nada mais que algo muito inferior; as suas doutrinas como nada mais que trivialidades; os dogmas como o pensamento curto e sem imaginação de mentes também sem imaginação.

Na ressurreição de Jesus foi colocada uma primeira importância. A Igreja ensina que, depois que Jesus sofreu a dissolução, 'elevou seu corpo novamente à vida no terceiro dia' — ele elevou o corpo dele, note. Novamente temos a atribuição a Jesus de poderes que ele não tinha. Se Jesus se elevasse dos (assim denominados) mortos em virtude de poderes transcendentes que, presumivelmente, nenhum outro indivíduo possui, então de que serviria o momento daquela ressurreição? Como pode afetar de alguma forma a toda família de seres humanos na terra, os que estão viajando para a sua última transição? Obviamente, não pode afetá-los. A verdade é que a morte do corpo físico de Jesus estava de perfeito acordo com a lei natural, e em nenhum único detalhe foi uma variante de sua operação ou entrou em conito com ela, nem houve qualquer modicação ou desqualicação daquela lei. São estes fatores que fazem a reaparição subsequente de Jesus na terra ter tal importância primordial e ser de sério valor para todos os homens. Jesus se manifestou aos amigos dele, mostrando que tinha sobrevivido à morte do corpo físico. Voltou à terra para provar a verdade de suas muitas palavras sobre o assunto, pronunciadas junto a eles antes de que passasse ao mundo espiritual. Que valor teria qualquer demonstração para o mundo inteiro se Jesus fosse o próprio Deus? A resposta simplesmente é nenhum. O Pai não se preocupou em mostrar quão poderoso é o poder Dele. No seu retorno à terra, Jesus disse efetivamente: 'labutei para lhes contar que a "morte" não é o m. Na verdade, é apenas o começo da vida real. Vocês me viram "morrer". Estou aqui, voltando daquele lugar misterioso que chamam "além da sepultura". Aqui vim para lhes provar pela minha própria pessoa e pelo peso da evidência de minha própria experiência, que nunca estive "morto". Estou vivo; sempre estive vivo desde aquele momento em Belém'. Esse foi o verdadeiro propósito do retorno de Jesus aos seus amigos na terra — exatamente como milhares de pessoas voltaram semelhantemente aos seus amigos, e com o mesmo propósito. A ressurreição de Jesus não foi nenhum 'milagre'. Não houve nenhuma ressurreição. Como poderia haver? Não há nenhum processo psíquico que poderia ser designado. De onde Jesus subiu? E para onde? O processo real de transição no caso de Jesus não foi diferente em nenhum detalhe dos de todos os outros seres humanos. É precisamente o mesmo a todos, sem exceção. Lembre-se de como comparei seu sono de cada noite com a morte do corpo físico, de serem semelhantes sob todos os aspectos, exceto um. Ao despertar em sua cama pela manhã, o corpo espiritual volta ao seu envoltório terrestre. Em sua dissolução, o mesmo corpo espiritual se desune, para não mais se reunir ao veículo físico descartado. Você descreveria o levantar de sua cama sucessivamente a cada manhã de sua vida terrestre como sua ressurreição? Não, se você for normalmente constituído. Se você for para o lado das tendências poéticas, poderia ser tentado a tais 'vôos de fantasia'. E vôos de fantasia descrevem adequadamente o uso da palavra ressurreição com relação ao retorno espiritual de Jesus. Como este fato simples, facilmente explicado, o retorno dele junto a seus amigos foi mal interpretado, mal entendido, visto de forma errada; distorcido para uma forma que nunca se pretendeu — uma grande exibição do Divino Poder. A Igreja ensina que Jesus se levantou. Como poderia fazer isso? De 'morto' ele se elevou à vida, presumivelmente da mesma maneira como, quando estava na terra, supunham erradamente que ele ressuscitava as pessoas mortas. A verdade simples é que não há nada para 'ressuscitar'. A vida é contínua. A morte que intervém é só a morte do corpo físico. Não há nenhuma quebra de continuidade na vida. A pessoa pode cair num sono suave, mas o despertar é, sob todos os aspectos, semelhante ao seu despertar do sono na terra. Essa é uma ação cotidiana comum que todas as pessoas fazem e que não há nenhuma ocasião para sinalizá-la por um nome exclusivo ou título, sugestivo do que não é. É apenas um despertar de sono, quando sono aconteceu. Não há nenhuma ressurreição sobre isto. Depois da denominada ressurreição, Jesus então, nas condições do credo, ascendeu ao Céu e sentou-se à direita de Deus Pai Todo-poderoso. A Igreja explica esta frase do credo dizendo que Jesus subiu, corpo e alma, ao céu. Mas de nenhuma forma esclarece de qual corpo falam. Se é do corpo espiritual, então por que declarar o que é palpavelmente óbvio, pois o corpo espiritual não pode se separar da alma? Se é do corpo físico que pretendem falar, então esta frase se torna tolice ainda maior. Qualquer que seja a expressão usada, pretende-se indicar que Jesus subiu ao céu. Como a Igreja explica que Jesus 'sentou-se à mão direita de Deus?' Deste modo: que Jesus, sendo também Deus, subiu ao lugar mais alto no céu. Então se apressam a fazer este acréscimo verdadeiramente brilhante e iluminado: a Igreja usa as palavras 'à mão direita de Deus' não porque signique que Deus tem mãos, já que Ele é um espírito! Um espírito não tem mãos! Seguramente a Ortodoxia se supera neste exemplo da profundidade de seu conhecimento. Deus não tem nenhuma mão porque Ele é um espírito. Portanto, nenhum espírito tem mãos. De que tipo a Igreja acha que somos? Se não tivermos mãos, poderemos ter pés, possivelmente? Por que esta preferência seletiva em favor do resto do corpo à custa das mãos? As mãos são membros indispensáveis. A pessoa pode fazer muito mais, falando comparativamente, na ausência dos pés que na ausência de mãos. Se não temos mão, e o resto do corpo? Não parece haver nenhuma razão racional pela qual deveriam as mãos ser vitimadas desta forma, se eu puder me expressar assim. Logicamente, se não temos nenhuma mão, então também não temos nenhum outro membro? Assim, o que nos resta? Ficamos reduzidos a nada. Um corpo tem que ter suas partes ou então não é um corpo; só um mero navio velho. Talvez a Igreja imagine que sejamos apenas calções de banho com uma cabeça sobreposta. Que monstros devemos ser... A aparência externa que apresentamos a todas as pessoas deve ser bastante repulsiva. Mas não posso ver nenhuma outra conclusão a ser tirada a não ser que, se não temos nenhuma mão, então falam bem pouco sobre não termos qualquer outro membro. Para uma vida de completa e absoluta inatividade, como pedem na oração por 'descanso' eterno, mãos seriam redundantes. É difícil pensar que essas mãos maravilhosas de Jesus, essas mãos que zeram tanto bem às almas sofredoras na terra com suas curas, já não devam fazer parte da mesma grande alma. Claro, meus amigos, tudo isso é muito infantil para se pôr em palavras. Vamos voltar ao senso e à sanidade.

Nós, sob todos os aspectos, temos nossos complementos de membros. Não somos monstruosidades nestes reinos do mundo espiritual. Cada um tem seu respectivo trabalho para fazer; usamos nossas mãos e membros da mesma maneira que vocês o fazem na terra, e para os mesmos propósitos. Sem mãos, como eu poderia abrir uma porta, por exemplo, ou poderia mudar as coisas de minha casa, ou executar as centenas de ações que são do 'trabalho do dia a dia'? Jesus é como o resto de nós a este respeito. Sugerir que ele não tenha nenhuma mão seria insultante se não fosse pelo o fato de uma convicção dessas ser mera infantilidade. Mas revela a condição de ignorância abismal na qual a Igreja está mergulhada, a Igreja que reivindica para si mesma ser guia espiritual, que reivindica ser depositária de toda a verdade espiritual. Uma das denominações, a mesma que é responsável pela 'explicação' das mãos perdidas de Jesus, reivindica ser infalível. A pessoa pode julgar prontamente a qualidade de sua infalibilidade pela amostra que lhe dei há pouco. Ela infalivelmente ensina que um espírito não pode ter mãos! Deixe que a Igreja tente explicar uma frase como essa — se é que pode. Seguramente não pode — sem que tropece em uma confusão de palavras que no m não signicam nada e não deixam o inquiridor mais sábio. Meus amigos não desejarão saber por que é que nós no mundo espiritual pensamos tão pobremente das Igrejas e de seus ensinos. Se, por casualidade, qualquer ministro da Igreja nos visse com as características que a Igreja ternamente ensina serem nossas, ou caria amedrontado além de sua imaginação, ou se revoltaria pelo espetáculo e logo depois nos julgaria diabólicos, já que não temos membros, somos monstros disformes. VIII. O CREDO, CONCLUINDO

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