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Capítulo 11 de 19
Vi. O Credo — parte 2 de 3
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 6
Esses que acham causa para discordar de meus escritos talvez se apressem em concluir que defendo ou favoreço uma descrença em Deus, ou que dou pouca importância à crença no Pai. Apresso-me em armar enfaticamente que não é assim. Os fatos simplesmente são estes: A Ortodoxia condena à perdição o homem que professa a sua descrença no Pai. O mundo espiritual, a terra da Verdade, não faz tal coisa. A Igreja divide o mundo espiritual em duas regiões: céu, onde tudo é luminoso e belo, e inferno, onde tudo é escuro e terrível. A menos que um homem seja 'salvo', ele irá para inferno. O Céu está reservado para o Cristão, e o Cristão, claro, acredita em Deus. A conclusão é óbvia, teologicamente falando. Falando-se espiritualmente, a conclusão é toda injusta, porque toda a convicção é falsa, do começo ao m. Todo homem é o seu próprio salvador. A salvação vem apenas através de esforço pessoal. Estou usando a palavra salvação não em seu sentido teológico, mas no sentido de que uma pessoa deve esculpir o seu próprio destino espiritual, apesar de que estará sempre sob cuidado e orientação de seres espirituais mais sábios. Quando um ateu chega ao mundo espiritual, ca chocado, mas o choque dele não é, sob muitos aspectos e em muitas ocasiões, nada pior, nem menos frequente que o experimentado por muitos clérigos, pois, do ponto de vista espiritual, não acreditar em nenhum Deus não é pior que acreditar no Deus estranho da Ortodoxia. Quando o ateu se vê nestes planos, também descobre que cometeu um erro tremendo e vital. A existência do Pai não precisa de nenhuma prova nestes reinos. O fato é evidente por todos os lados, em uma imensa variedade de modos. O ateu não precisa ser convencido. Nenhum argumento prolongado ou profundo, nenhum aprofundamento hermenêutico é necessário. Ele se convence, e frequentemente em espaço muito curto de tempo, que lá não só existe um Deus, mas que aquele mesmo Deus é o Pai de todos nós. A mente do ateu não é marcada com um monte de convicções complexas, portanto ele alcança uma verdadeira estimativa do Pai com maior facilidade. O não-crente dirá que não acredita na existência de Deus porque não teve nenhuma prova de da Sua existência. Dada esta prova, ela falará convincentemente e o convencerá. Ele percebe. Não por nosso esforço, mas pelo exercício de sua inteligência livre do acúmulo de falsas concepções religiosas. Logo em seguida também vê seu engano, e se arrepende profundamente. Percebe o quanto perdeu enquanto esteve na sua viagem terrestre. Mas, não obstante, grande é a felicidade dele, pois encontrar ao Pai é encontrar a si mesmo. O seu prazer por sua vida nova aumenta. É, sob todos os aspectos, o começo de uma vida nova a ele. O mesmo acontece com o não-crente. O que acontece ao clérigo, especialmente o de visão pronunciadamente estreita? Tão forte é sua 'crença' em Deus do seu próprio jeito, ou da Igreja particular dele, que frequentemente faz sua chegada a estes planos cheio de conança religiosa. Ele não só se sente seguro em virtude da sua chamada religiosidade, mas também pela proteção que acha que suas convicções lhe garantirão. Os ensinos de Ortodoxia enchem sua mente. Ele está preparado para o seu 'julgamento', e preparado, também, se necessário, para buscar clemência de acordo com as condições da sua religião. A concepção de Deus que Ortodoxia fabricou é a única concepção que ele traz. As noções dele de céu são as habituais, nebulosas, vagas e indenidas. Ele está preparado para algo; sabe um pouco disso. Muito frequentemente testemunhamos arrogância espiritual em tais casos. Em muitas ocasiões, o clérigo exige, como seu direito, que tudo aquilo em que acreditou e ensinou ao seu rebanho extraviado deva ser cumprido. Ele armará corajosamente que sempre cumpriu seu dever pela Igreja; que adorou Deus da maneira exposta no missal; que ensinou a Bíblia como estava escrito nessa mesma Bíblia que assim zesse; que sempre apoiou os direitos e as dignidades da igreja; que guardou o sagrado e santo Sábado, e, sob todos os aspectos, onde era humanamente possível, fez tudo aquilo poderia ter sido razoavelmente cobrado dele. Mas, acima de tudo, conou no perdão misericordioso de Deus, e onde tudo o mais pudesse ser negligenciado ou posto de lado, que pelo menos pudesse reivindicar, como seu privilégio, ser um Cristão. Este não é um caso hipotético que estou colocando a você, mas um fato que bem frequentemente aparece durante nossos trabalhos aqui. Eu não 'eliminei a reverência', usando uma antiga expressão. Agora os clericais devem tremer com as suas velhas e estranhas convicções. Essas noções talvez estiveram com eles durante a maior parte da sua vida terrestre, fazem parte deles. O choque deles é o maior de todos, então, quando temos que lhes explicar suavemente que suas visões têm que sofrer uma reconstrução completa. A sua fé na luz de verdade espiritual é fantasiosa; não tem nenhuma substância. Assistem às suas convicções arraigadas caindo uma após a outra, conforme vão conhecendo a verdade pela primeira vez. Descobrem logo que o Deus terrível da sua Igreja é uma caricatura terrível. Descobrem ser pura cção o 'Perdão' misericordioso. A meticulosidade com que executaram os serviços das suas Igreja, logo percebem que foi de pouca valia. O único crédito que podem perceber posteriormente é pelo que 'cumpriram sua obrigação' como homens honestos. Onde estava tão orgulhoso e conante, começa a sentir menos orgulho e menos conança. Mas nós nos esforçamos para lhe dar conança, de outro tipo e melhor. Podemos assegurar que tudo está bem longe de estar perdido. Ele se inclina a pensar que está, mas nossos esforços constantes trarão alguma paz a sua mente preocupada e, assim, nalmente, ele será o homem mais feliz que se poderia querer ver. Como recompensa bastante agradável pelos nossos esforços, teremos outro bom amigo e colega para se unir a nós no trabalho. Eles sabem bem o que se passou com eles. As suas próprias experiências os deixam em boa qualicação. Desfrutam serem membros de nossa grande organização de 'pós-clérigos', entre os quais enumeramos os ministros de qualquer denominação religiosa sob o sol, e de qualquer grau eclesiástico, do mais alto ao mais baixo. Nossa sociedade alcança algo que não pode ser feito na terra, entre os ministros de qualquer religião — alcança a unidade completa. A segunda parte do primeiro parágrafo do credo dos Apóstolos é abstrusa (NT: sem nexo nem ordem). Arma uma convicção em Deus como o criador do céu e da terra. Assim declara o mais simples dos credos. Outra versão é: o criador de todas as coisas visíveis e invisíveis. O assunto todo sobre criação, como o termo é usado pelos teólogos, não é meramente difícil. Essa é uma palavra moderada para expressar isto. É incompreensível. Vamos olhar o assunto sob o ponto de vista da pura investigação. Os credos declaram a convicção de que Deus criou a terra. A Ciência armou que a terra, de alguma forma se deslocou para longe de outro e desconhecido corpo maior. O que se diz daquele outro corpo do qual o mundo se separou? Pareceria às mentes comuns uma sugestão levando a outra, por assim dizer, mas nunca chega à fonte.
A Igreja ensina que o universo foi criado pelo Pai por um esforço de vontade. A Igreja está, possivelmente então, declarando algo que não pode saber, porque milhões de nós não sabemos nem mesmo nestes planos. A resposta para muitos problemas desta natureza permanece desconhecida e sem possibilidade de ser encontrada na terra. Essas respostas serão achadas no mundo espiritual. Mas não quer dizer que estão abertas e acessíveis a todos que buscam. É concebível, poderiam sugerir, que eu pudesse consultar um dos grandes setores de aprendizado e lá, através de achados em pesquisa diligentes, obtivesse a solução para o problema da criação do universo e de tudo que está vivo. Em muitos exemplos isso seria perfeitamente verdade, mas para fazer isso, devo ter um pouco de conhecimento do assunto primeiro, ou então poderia tecer-lhe considerações em assuntos sobre os quais não tenho nem a mais remota ideia se a declaração feita é correta ou incorreta, sábia ou tola. Forçosamente devo saber sobre o que estou falando antes de passar adiante minha informação com alguma esperança de obter a sua compreensão. Eu mesmo devo entendê-la. Mas nem toda informação é deixada assim, aberta a nós, nos setores de aprendizado. Grandes partes sobre alguns assuntos cam visivelmente perdidos. Entre esses, enumeremos como 'contendo segredos' os que não são para os homens saberem ainda. A criação do universo, ou como ele começou a existir, é um deles. Toda a vida se inclui naquela categoria. O mais que podemos fazer é, entretanto, irmos fazendo nossas próprias observações, e tirarmos as conclusões que julgarmos boas. Temos liberdade de pensar e discutir, para nossa alegria. Contanto que nossas teorias não colidam com alguma lei natural, caremos bastante seguros. A segunda parte do primeiro parágrafo do credo é uma declaração fácil de se fazer, e assumindo que o Pai criou o mundo, Ele também criou o 'céu' ou todas as coisas invisíveis. Mas qual é a evidência real que as Igrejas têm de que o mundo invisível existe? Literalmente, elas não têm nenhuma. Geralmente, os teólogos e os clérigos recorrerão à Bíblia e lhe dirão que toda a informação sobre os assuntos espirituais, como foi revelado por Deus, está contida entre as capas daquele livro. Tal declaração contém dois erros principais. O livro não contém toda a informação sobre os assuntos espirituais, e o que contém não foi revelado por Deus. Aquele livro tem centenas de anos. A Igreja não tem algo — qualquer coisa — mais moderna? Não tem. Tem algum meio de obter mais informação? Não tem. Embora haja meios e oportunidades de comunicação entre o 'mundo invisível' e o mundo terreno, a Igreja ocialmente recebeu ou aceitou qualquer comunicação de nós destes planos? Não o fez. Uma denominação religiosa não se interessa nem ao menos com o que possa praticar e orar qualquer um de seus membros. Para a Igreja o mundo espiritual deve ser, para todos os efeitos e propósitos, um mundo morto. Pelo menos, é um mundo dos mortos! Lembre-se do antigo ditado 'os homens mortos não contam histórias'. Os assim chamados homens mortos não podem contar nada à Igreja porque ela não acredita que podemos falar. Recusa-se a aceitar qualquer conhecimento sobre o assunto. As Igrejas vão complacentemente aceitar as poucas, extraordinariamente poucas, palavras que reputam Jesus ter dito sobre o 'depois da vida', sem reter a menor suspeita do porque tão pouco foi dito sobre um assunto de vital importância a todos os homens. A verdade não é que Jesus disse tão pouco, mas que muito foi expurgado da Bíblia deliberadamente, quando a adulteraram. Nem uma fração do que Jesus falou sobre o assunto da vida no mundo espiritual foi permitido que permanecesse na Bíblia. O resultado é que a Igreja foi atingida com seu próprio dardo. As informações originais contidas na Bíblia foram retiradas, a Igreja não possui mais nenhuma, e não tem nenhuma fonte de onde se poderia obter qualquer informação perdida. Em resumo, a Igreja não pode provar nada e, por conseguinte, atrasa-se em adivinhações — a maioria do tipo mais bruto. A Igreja está pesarosa e lugubremente séculos atrasada, usando-se uma frase conhecida. Poder-se-ia contestar que as verdades espirituais não podem car obsoletas. Não, claro, não podem, mas verdade espiritual é justamente o que as Igrejas não têm. Eles têm um substituto peculiar, que não apresenta nenhuma semelhança ao original, nem em forma nem em conteúdo. A Igreja não tem nenhum fato, mas cona em convicções como as contidas nos credos. A convicção de que o Pai criou todas as coisas visíveis e invisíveis ca logo aberta à objeção, e objeção muito séria. Primeiro, de coisas visíveis. O que se diz das coisas horrorosas e lugares horrorosos na terra? O que se diz desses borrões na face da terra, por exemplo, as choupanas conhecidas como favela? Elas são feitas pelo Pai? Ainda assim o credo diz todas as coisas visíveis. A resposta é óbvia, como indubitavelmente muitos replicarão imediatamente. Tais desgraças são obra do homem, e apenas do homem. Precisamente. Isso é por que o credo diz que o Pai é o fabricante de todas as coisas visíveis. Na realidade, é apenas outro exemplo dos caminhos tortuosos da Ortodoxia, isto é, declaram uma coisa, mas signicando ao mesmo tempo algo diametralmente oposto. Lembre-se da observação que z uma vez sobre aquela sentença em particular da oração ao Pai Nosso, 'não nos deixe cair em tentação'. A Igreja (observei então) coloca que ninguém em sã consciência acreditaria que Deus pudesse conduzir qualquer pessoa em tentação. Então por que declara uma coisa signicando precisamente o oposto? Trabalhos sociais e outros acabariam no caos se tais métodos fossem adotados em seus relacionamentos terrestres comuns. O trabalho manual do homem está esparramado por toda a superfície da terra, e é obviamente do desígnio e de origem humana, e igualmente obvio não foi Deus quem fez. O que dizer, então, de todas as coisas invisíveis? Aqui, dirão, estou pisando em solo no qual a Igreja não anda. O que dizer da criação no mundo espiritual? Nisto posso lhes passar de minhas experiências, mas como também são experiências de milhões e milhões de outros daqui, então perceberá que estou apenas declarando fatos. São fatos, e não apenas convicções. Pois você pode raciocinar que um imenso número de pessoas na terra pode acreditar em uma coisa ou outra, mas ainda continua sendo só uma convicção, porque a mera força dos números que apóiam uma convicção não metamorfoseia uma convicção em um fato. Considere o assunto deste modo. Enquanto estou de pé, digamos, olhando para a paisagem gloriosa de uma das janelas superiores de minha casa, vejo ao redor de mim outras casas e jardins; ao longe há a cidade com seus edifícios soberbos. De onde veio tudo isto? Estas são as coisas invisíveis do credo — invisíveis para você na terra, mas não para nós aqui. Elas são o trabalho manual do homem. Minha própria casa foi construída pela ajuda dedicada de vários amigos. Não foi criada pelo Pai 'num piscar de olhos', pelo esforço da vontade Dele. Por que o Pai faria aquilo que um homem, ou vários homens juntos, podem fazer perfeitamente bem? Fazendo o que zeram, essa boa gente ganhou uma recompensa esplêndida pelo serviço espiritual, entretanto, claro, não era essa a sua meta. A gente esquece tais coisas por aqui.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.