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Capítulo 4 de 19

Iii. Milagres — parte 2 de 7

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 6

Que direito tinha eu, assim pensei frequentemente, de proclamar a lei de Deus sobre isso ou aquilo; para fazer com que a entrada nestes ou outros reinos do mundo espiritual fosse possível somente com a submissão diante de alguns 'mandamentos' da Igreja? Pelo que z, só posso reivindicar cegueira espiritual, e apressar-me em falar a verdade como a conheço agora. Durante esses dias na terra, nunca sonhei que um simples texto daquele mesmo livro no qual tantos depositam total conança, literalmente dava a pista para toda a vida na terra sobre como se preocupar com a vida nestes planos. Tudo o que o homem semeia na terra, colherá no mundo espiritual. Essa é a declaração plena do texto. Essa é a lei. A grande, inescapável, inevitável, infalível lei de causa e efeito. É minuciosamente exata e perfeita em sua execução. É incorruptível; não há nenhum suborno que a toque; nenhum privilégio pode valer uma reivindicação contra ela. Opera semelhantemente em todos os homens, sem olhar a idade ou sexo, não vê posição social; nem ocupação. Tanto 'rei' ou 'cidadão', clérigo ou leigo, rico ou pobre, todos são semelhantes perante a lei suprema de causa e efeito, e ela age exatamente da mesma maneira com cada indivíduo. Não há nenhuma divergência, nem variação. É constante e invariável, precisa e exata. Não pode ser falsicada; não pode ser evitada pelos supostos atos de outra pessoa de qualquer estado espiritual. É constante e inexível. Não permite o exercício de nenhuma clemência. É apenas rígida. Realmente, é a própria justiça. Não precisa de nenhuma administração. Administra-se, verdadeiramente, absolutamente, e irrevogavelmente por si mesma. O todo está compreendido naquele texto breve: Aquilo que o homem semeia, isso mesmo colherá. Em muitas, muitas ocasiões, eu ouvi essas palavras, mas nunca percebi o verdadeiro signicado — exatamente como neste minuto passei a você. Alguma lei poderia ser mais perfeita? Seguramente não, pois nela repousa a certeza da progressão espiritual para todo o gênero humano. Não há nenhuma conversa por aqui sobre o Julgamento e o Dia do Julgamento, nenhuma palavra por aqui sobre a danação eterna. Nenhuma palavra de um Deus vingador que inige castigos terríveis a um homem porque este pecou contra Ele. É apenas uma declaração clara do fato. ]Por pior que possa ser a colheita que cada indivíduo colha como consequência da vida que teve na terra, ele terá toda a eternidade diante dele para semear bem e colher a mais rica das colheitas ricas. Pode levar tempo e um grande esforço; pode valer ao indivíduo muita angústia mental; pode haver um remorso opressivo; mas a alma terá, e tem, toda ajuda e oportunidade para recuperar qualquer terreno perdido e, desta forma, subir às maiores alturas em avanço espiritual. Jamais um esforço é perdido. Nenhuma trivialidade de doutrinas estranhas nem 'mandamentos' de igrejas vão se intrometer para impor condições frívolas aos nossos esforços de progresso. Somos nós os donos de nossa própria alma, livres pelo direito imutável de ajudar-nos a nós mesmos a sairmos do pântano espiritual no qual nosso modo de ser na terra nos atirou; todos temos os recursos ilimitáveis do mundo espiritual para nos ajudar a nosso menor apelo. Não requer nenhum ritual elaborado nem cerimonial, apenas nossos próprios esforços concentrados e determinados a recuperar nosso terreno perdido. O progresso é livre e aberto a todas as almas que estiveram, estão ou estarão nascendo na terra. Nenhuma Igreja ou outra organização pode nem mesmo interferir, ou impedir, ou obstruir, a ação daquela lei. Nenhum mandato foi expedido a qualquer Igreja ou outra instituição religiosa pelo qual se pode julgar os meios exclusivos de obter a entrada a estes ou qualquer outro reino do mundo espiritual. Somente o homem decide que parte ou região do mundo espiritual será o seu destino inicial quando deixar o plano da terra com a sua dissolução. Seu modo de vida na terra decide isso, mas o seu modo de vida não inclui a obediência a algumas leis puramente eclesiásticas impostas por autoridades eclesiásticas a todos os adeptos daquele tipo em particular de 'fé' religiosa. Frequência forçada a certos serviços da igreja baseada na dor da danação se faltarem é um exemplo brilhante de presunção espiritual total. Como lei espiritual é total e completamente inecaz, mas não é menos danosa já que inspira medo na mente de muitos indivíduos inofensivos, e é totalmente oposta à verdade da vida e das leis do mundo espiritual. Na realidade, a Igreja presume-se julgadora da condição espiritual do homem por leis de sua própria fabricação, e o faz em nome de Deus, reivindicando que aquelas tais leis são leis de Deus. O que a Igreja sabe das leis de Deus? Ou, colocando-se tudo de outra forma: o que a Igreja — qualquer Igreja — sabe das leis do mundo espiritual, as leis naturais que governam estes planos e governam nossas vidas aqui? Por exemplo, o que conhece a Igreja da lei natural de causa e efeito, já que esta é uma das leis do Pai? A resposta é que a Igreja não sabe nada: adivinha uma grande parte — e erradamente, e presume saber muito. E a Igreja assumiu para si mesma o cuidado das almas dos homens na terra. Quanta irracionalidade nos negócios relativos a assuntos que são tão vitais, tão urgentes, de importância suprema. Bem, estes são apenas alguns poucos pensamentos que passaram pela minha mente de vez em quando, desde a minha vinda para habitar nestes planos. Alguns pensamentos desses ocorrem a muitos do clero quando vêm morar aqui. Esta foi uma longa divagação, mas estou persuadido de que não terei desagradado por interromper o que estava dizendo ao deixar estes pensamentos para a sua meditação. Como padre que cumpriu um credo rigidamente tacanho e convidou outros se unirem a ele, como fui obrigado a fazer, descobri, quando entrei nestes belos reinos do mundo espiritual, que não era a inuência da 'fé' religiosa que tinha me trazido até aqui, nem qualquer ligação com as leis eclesiásticas ou 'comandos', mas algo muito mais profundo, e mais saudável e seguro — de fato, a única coisa segura, isto é, o tipo de vida que eu tinha levado enquanto encarnado. Agora vamos retomar. Os denominados milagres de Jesus, tentei explicar-lhe, não foram na verdade nenhum milagre, mas somente o exercício de suas faculdades mediúnicas superlativas. Tais faculdades podem ser vistas na terra neste mesmo momento. Mas há esta diferença: Jesus passou longos anos treinando e desenvolvendo essas faculdades, e combinou em um só indivíduo todos os dons psíquicos que é possível possuir, e eles foram desenvolvidos ao grau mais alto possível. Assim, ele é sem igual entre os homens. Mas ele não era, e não é, Deus. Potencialmente, todo ser humano nascido na terra poderia fazer precisamente o que o Jesus fez. Isso é uma declaração que quero enfatizar. O fato de que ninguém o fez de modo algum contradiz aquela verdade. É falha do próprio homem não utilizar as suas potencialidades. Certamente seria uma tremenda investida em sua paciência, e tempo, e resistência, para atingir somente metade da habilidade mediúnica que Jesus pôde adquirir, fora o seu desenvolvimento espiritual.

No mundo da música na terra vocês têm seus grandes virtuoses instrumentais. Os seus nomes são conhecidos. Por que o reino das faculdades mediúnicas também não teria seu virtuose? O próprio Jesus foi um. Ele se dedicou — exatamente como os instrumentalistas famosos o fazem — a anos e anos de estudo. Ele aperfeiçoou sua técnica — para continuar usando o idioma musical, já que os casos são precisamente paralelos tanto no tipo quanto nas condições — e quando nalmente surgiu diante do público ao qual veio servir, seu desempenho era tão sem defeito quanto era espiritual e humanamente possível ser. Pelo menos um violinista famoso foi acusado de ter ligação com o 'demônio' por causa da sua prestidigitação surpreendente no instrumento. Era manifestadamente impossível, assim exclamavam alguns dos seus entusiasmados fãs, que um homem, sem ajuda do 'demônio', pudesse executar tais efeitos da destreza manual em qualquer instrumento. Eles não caram muito longe de chamarem de 'milagre'. Neste caso era só Satanás trabalhando. Com Jesus foi ligeiramente diferente. Os seus supremos dons foram chamados de 'milagres' por um lado, e atribuídos a Satanás no outro! A teoria satânica é risível hoje em dia, mas a teoria do 'milagre' ainda persiste. Para qualquer pessoa colocar Jesus no mais alto grau de perfeição das suas capacidades mediúnicas requereria a existência de circunstâncias materiais, antigamente, difíceis de conseguir. As condições de vida, em geral, foram bem alteradas na terra, mas isso não signica que nenhuma mediunidade possa ser, ou devesse ser, desenvolvida. Não há uma injunção bíblica que diz Provai os espíritos? Que deve haver espíritos é óbvio, ou então as palavras não signicariam nada. Assumindo que há 'coisas' como espíritos, e muitas pessoas nos consideram como pouca coisa a mais que 'coisas' — então como devem ser testados? Se eles podem ser testados, então a conclusão natural é que eles têm que se fazer conhecidos para encarnar o homem de uma forma ou outra. Como? Pelos 'milagres' ou outro acontecimento 'supranatural' incomum? Dicilmente; pois não parecem ser bastantes para prover campo suciente para investigação, além de alguns exemplos extremamente fracos que alegam ter acontecido dentro da Igreja. Anal de contas, o 'milagre' do século vinte está em plano não substancial e é tão raro (assim levam você a acreditar) que realmente não há nenhum caso para investigar. O quê, então? A única resposta, e a resposta certa, como muita gente provou conclusivamente inúmeras vezes, é a comunicação entre o mundo espiritual e o mundo da terra. Isso é feito através do uso das faculdades mediúnicas, o mesmo tipo de faculdades que o próprio Jesus usou, o mesmo tipo de faculdades cujos exercícios feitos por ele foram denominados de 'milagres'. Jesus foi o grande exemplo. Ele mostrou como o homem poder viver na terra, como o homem deveria viver durante a jornada da encarnação dele. Ele também mostrou como o homem deveria ter consciência das suas plenas potencialidades, e não restringir as suas percepções terrestres só aos seus cinco sentidos. Ele demonstrou claramente como estão próximos os nossos dois mundos; que o véu entre eles é, na verdade, tênue, e que não só é possível, mas certo que o homem na terra deva estar completamente atento a ambos os mundos: à terra na qual está temporariamente habitando e ao mundo espiritual que será o seu último destino; e que, estando atento a ambos, pode fazer da sua vida um equilíbrio cuidadoso de um e de outro. Jesus viveu na terra como um ser humano natural, comendo e dormindo, e caminhando nos campos onde habitava. Mas enquanto vivia dia após dia, suas faculdades mediúnicas sempre estavam no auge da perfeição, prontas a serem exercitadas em numerosas ocasiões que se apresentaram no meio das pessoas. Ele executou ações que possivelmente as pessoas simples não podiam explicar. Pareciam milagrosas a alguns; a outros era obviamente 'o demônio'. Pelo menos os doentes e os sofredores podiam dizer efetivamente e em boa verdade: se é o diabo ou não... estou curado! Diabo estranho esse, para se dizer pouco, que passou pela terra fazendo o bem! IV. MILAGRES DISCUTIDOS De todos os assim chamados milagres de Jesus, nenhum é mais espetacular e sensacional que o de 'ressuscitar um morto!' Aqui, pensava-se, temos prova o bastante, se provas estão querendo, de que Jesus era Deus, pois ninguém a não ser Deus poderia executar um ato tão estupendo. Antes que sigamos adiante, seria bom se, entre nós, chegássemos a algumas conclusões sobre o signicado preciso da palavra ‘morto.’ A própria palavra carrega uma variedade de signicados que são o resultado de uma variedade de teorias. Deixe-me mostrar-lhe alguns desses signicados. Na denição rígida do dicionário, 'morto' signica 'parou de viver', ou 'aquele que não tem mais vida'. Aplicando-se ao corpo físico depois da dissolução, é uma declaração bastante precisa. Mas algumas pessoas pensarão em termos que estendem além disso. Os 'mortos', armarão, não são corpos físicos dos quais a vida partiu. Eles são uma classe de seres, seres humanos presumivelmente, e estão situados em alguma localidade desconhecida e invisível da qual não emergem para voltar de onde partiram — alguns diriam que é porque não podem — e carão calados para sempre, por causa de suas condições e de seu destino. Se têm 'vida' ou não, ou se estão dormindo apenas, não se sabe, pelas mesmas razões. Em alguns casos, os 'mortos' são distinguidos pelo título de 'santas almas'. Almas certamente são, mas 'santas' — certamente não. A propósito, santo não é uma palavra que está sempre sendo usada nestes reinos. Isto tem um sabor muito forte de piedoso doentio e de santarrão. Sugere distinções invejáveis que são repugnadas profundamente. Ambas as palavras, 'santo' e 'virtuoso', são jargão religioso rememorativo e, como tal, não está em uso por aqui. Voltemos à nossa discussão do 'morto'. Há outras escolas de pensamento que consideram que os 'mortos' podem ser encontrados em adros e cemitérios, ou embaixo dos pisos de igrejas e catedrais que são usados para aquele mesmo propósito. Em casos extremos, acreditam literalmente que os corpos se levantarão das suas sepulturas na ressurreição geral, seja lá o que possa ser isso. Pois a desintegração corporal que aconteceu, indubitavelmente sob a provisão adequada, foi feita pela Providência — ou o que possa querer dizer essa palavra. Indo mais além ainda, alguém armaria que qualquer coisa que os 'mortos' possam ser, ou onde quer que possam estar, não podem estar como nós na terra. Nós, que estamos na terra, estamos vivos, e como a terra é o hábitat natural de seres humanos, tudo é, desta forma, normal, e é como deveria ser. A terra é o padrão de lugares vivos, não de algumas especulativas regiões invisíveis, do qual seu 'céu' pode ser o apropriado lugar para anjos habitarem, e seu 'inferno' para os diabos.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.