Voltar ao livro A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 6

Capítulo 6 de 19

Iii. Milagres — parte 4 de 7

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 6

A fé que dá esperança a uma pessoa ou é promissora, essa deve ser inspirada. Por exemplo: se seu próprio médico terrestre é um homem são, e suas experiências passadas da habilidade dele e a prática provaram-lhe o seu valor, você deposita natural e corretamente uma fé extrema em qualquer tratamento que ele possa prescrever-lhe para sua necessidade. Se ele, por casualidade, não conseguir aliviar sua dor, qualquer que seja ela, você provavelmente ainda manterá sua conança nele, e considerará o fracasso talvez como temporário, devido à obstinação de sua reclamação. Já que a recomendação pessoal o levou em primeiro lugar a ele, sua fé subsequente nele é baseada na evidência, e a sua evidência também. Sua fé é algo que está muito vivo e agudo dentro de você, se posso me expressar assim. Podem achar difícil de descrever o sentimento em tantas palavras, mas a sensação de conança está lá, sem dúvida. Assim permanecerá, até que uma sucessão de fracassos no alívio da dor venha a intervir e banir esses sentimentos de sua mente. O doutor lhe falará que sua atitude otimista e conante nas habilidades dele como médico e no tratamento que está lhe fazendo ajudarão enormemente na cura, se é que é humanamente e cienticamente possível efetuar uma cura. Mas essa atitude, por si só, não traria nenhum resultado. Na sequência, então, a fé é melhor descrita como um estado de mente esperançoso, otimista, até mesmo alegre, e não uma convicção cega. Esses dentro do clero que praticam a cura pela fé ou cura espiritual na terra são, na maioria, totalmente ignorantes dos meios pelos quais os sucessos são alcançados. Eles não reivindicam milagres, mas dizem que Deus, pelo Espírito Santo e pela própria imposição das mãos deles, tem, pela graça Dele, trazido cura, ou alívio, para a pessoa doente. Tal cura ou alívio, armam, só foi outorgado em virtude da fé da pessoa interessada. Presume-se, naturalmente, que o próprio clérigo tenha alguma descrição da fé no que ele está fazendo, caso contrário ele seria partícipe do que simplesmente seja um escárnio. Sua sinceridade de propósito e desejo sério para prestar serviço aos membros da raça humana é o motivo louvável por trás de tais indivíduos, mas estes bons companheiros não sabem o que está acontecendo, nem como conseguem qualquer resultado que podem obter. Há gente na terra que está em comunicação íntima e em cooperação conosco daqui, e que pelo exercício dos seus poderes psíquicos podem curar o doente. Estão fazendo o trabalho exatamente como fez Jesus quando estava na terra, pelos mesmos meios, e pelo mesmo poder. Eles são médiuns pelos quais pode ser trazido o poder do mundo espiritual para impor sobre o doente. A Fé não pode produzir uma cura. Pode ajudar, e ajuda amplamente, mas por si mesma é impotente à cura. Enquanto o ministro da cura pela fé na igreja dele reivindica a fé como o instrumento do seu trabalho curativo, na realidade ele o faz somente em virtude do fato de empregar faculdades psíquicas das quais ele é totalmente ignorante. Que ele seja inconsciente de tais poderes dá na mesma. O poder espiritual está trabalhando, e ele é o agente terrestre inconsciente disto. Pode chamar da forma que quiser, mas não faz diferença à verdade neste caso. Qual é a posição na terra hoje em dia sobre a cura dos doentes por ação espiritual? Além desses que são responsáveis por isto e que estão ativamente engajados nisto, e essa gente feliz que conhece os grandes benefícios disto ou desfruta deles, a cura pela ação espiritual é desacreditada, escarnecida com ares de superioridade, ridicularizada, e geralmente diminuída. Há exceções, naturalmente, para essa declaração generalizada, mas é uma estimativa justa da situação. Ainda mais, esses que estão executando estes atos indubitáveis de cura — indubitáveis por parte desses que foram curados das suas doenças e por todos os demais que estão em associação íntima conosco do mundo espiritual — os médiuns curadores, estão fazendo precisamente o que o próprio Jesus fez. As testemunhas das curas de hoje em dia estão vivendo entre vocês na terra, prontos a atestar a verdade das suas curas e das minhas próprias palavras aqui. A Ortodoxia aceitaria alguma atestação como esta? Ela se preocuparia até mesmo em considerar o assunto? Aqui está uma evidência do trabalho espiritual para os clérigos testarem, levarem a cabo a injunção bíblica Provai os espíritos. Eles zeram isso? Há só uma resposta — para vergonha eterna deles, eles não zeram isso. Preferem ignorar todo o assunto e as verdades ainda maiores que estão por trás destes trabalhos esplêndidos de cura; preferem concentrar os seus pensamentos e energias ao orarem dos seus púlpitos sobre os 'milagres' de Jesus. Entendendo completamente errado, e interpretando também errado as Escrituras em que leram as realizações de cura de Jesus, desacreditam por completo do esquema inteiro e das providências do mundo espiritual; espalham pela terra inteira que o homem, em todos os tempos e em todas as épocas, terá à mão a ajuda do mundo espiritual nos seus males de corpo e alma, numa distribuição privilegiada, atenuada, pelos quase três anos do tempo terrestre de duração — os três anos, de acordo com a Bíblia, durante os quais Jesus executou os seus 'milagres'. Durante o curto espaço de três anos — querem que acreditem nisso — o próprio Deus veio à terra como Jesus. Ele veio a uma parte obscura da terra, entregou seus ensinamentos, a maioria não registrados, curou doentes, e assim partiu da terra para voltar aos reinos do céu. E isso foi perto de dois mil anos atrás. Não houve nenhum doente depois daquele tempo? O que dizer de hoje, quando há tantos corpos mutilados e doentes na sua terra? Considerando imparcialmente, não é maior a necessidade agora de Jesus e seus poderes, neste momento presente? Então, por que o privilégio extraordinário concedido a uma área pequena de um país oriental, há tantos anos atrás? É inútil dizer, 'é a vontade de Deus'. A Ortodoxia não sabe nada da vontade Deus. É fútil dizer que você não precisa sondar as razões para estas coisas, mas tenha-as como são. A Providência Divina, declararão os clérigos, não viu necessidade de enviar um tanto de alívio para a terra por outro como Jesus. Foi o bastante. A terra está forrada de pecado; é por causa disto que Deus enviou todo o sofrimento que a humanidade sofreu recentemente, como julgamento de sua maldade. Essa é a voz magníca da Ortodoxia. Infelizmente para o mundo da terra, a Ortodoxia está dois mil anos atrasada. Habitou em seu pequeno mundo teológico estreito e restrito de credos, dogmas e doutrinas, cegamente conduzindo os cegos cada vez mais e mais fundo no pântano de ignorância espiritual. Os teólogos têm transmutado Jesus em um realizador de 'milagres'. Pela sua total falta de compreensão a respeito das suas faculdades e poderes, declararam ser ele Deus.

Nestas bases, quiseram converter os 'pagãos' e os 'selvagens' para longe dos seus falsos deuses. Os mesmos pagãos e selvagens estavam prontos para divinizar qualquer um que pudesse exibir poderes superiores, e a adorá-lo como deus deles. Isso é precisamente o que Ortodoxia tem feito. Falhando sombriamente em perceber e reconhecer os verdadeiros poderes de Jesus, e como e de onde derivaram, como ele os usou, e por que ele os usou, os teólogos emularam o pagão a quem consideram selvagem por causa de suas próprias divinizações, e divinizaram Jesus. Eles o elevaram ao plano de Mente Divina, e obscureceram completamente essas faculdades mediúnicas muito naturais que ele exercitou para benefício dos membros da raça humana. Eles zeram dele o artista dos atos mais impossíveis, e o possuidor de atributos impossíveis. Concordaram de forma geral com uma narrativa que contém talvez apenas meia dúzia de palavras relativas a algum ato de Jesus, mas recusam-se a aceitar o testemunho de pessoas vivas na terra onde plenas e completas evidências estão ali, para a atenção deles. É o mesmo poder do mundo espiritual que está trabalhando na terra neste momento do seu tempo, e curando os doentes. A estreiteza, presunção e estupidez da Ortodoxia são um insulto eterno ao Pai do Universo. Os clérigos tentaram cercar o Pai dentro dos conns restritos das suas próprias mentes insignicantes e pequenas. Tentaram reduzir a sabedoria Dele às dimensões frágeis das suas próprias inteligências sombrias. Esse é o porquê de no mundo espiritual haver tantos clérigos e teólogos, grandes e pequenos, que foram compelidos pela força da verdade a mudarem tão radicalmente as suas visões, as quais agora não trazem nenhuma semelhança com as visões que defenderam quando encarnados. Esse é o porquê de minhas visões terem mudado semelhantemente! V. OS ENTERROS Durante alguns escritos anteriores, discuti com você certos aspectos dos métodos habituais de dispor o corpo físico depois sua 'morte'. Brevemente, eu lhe falei de como são ruins todos os cerimoniais religiosos e as decorações tristes que normalmente acompanham todo o procedimento do enterro; são semelhantemente ruins para o indivíduo que passou para estes planos, e ruins para esses que caram para trás na terra. A tristeza ocasionada pela saída da terra de um amigo ou parente querido existe na proporção em que existem as ligações pelos afetos humanos que surgiram. Isso é apenas natural, da forma como são as coisas no momento. A ignorância ou a falta de conhecimento das verdades espirituais e das condições de vida no mundo espiritual servem para intensicar aquela tristeza. Esta ignorância não é só da parte do indivíduo; as Igrejas da maioria das denominações compartilham-na. É para eles, como supostos mentores espirituais, que o dedo deve ser apontado por acrescentarem o fardo de tristeza que a perda traz com ela. Para se perceber esta ignorância do conhecimento espiritual em seu pior grau é apenas necessário se examinar a ordem dos serviços de enterro da Igreja. Realmente, aqui é que se exibe a ignorância numa descrição monumental. As assim chamadas orações das quais estes enterros são totalmente compostos revelam exatamente o quanto as Igrejas estão longe de tocarem as realidades espirituais. Em vez de as orações serem uma fonte rica de conforto ao que choram, e o que ainda é mais importante, de ajuda prática e sã para a pessoa que 'morreu', elas são, tanto a anterior quanto a posterior, totalmente sem valor. Vamos examinar juntos algumas das orações, e verá a força das minhas palavras. Um grande número das orações são simplesmente citações bíblicas, com generosas extrações dos Salmos. Aqui devo enfatizar que tanto os que lamentam como os 'falecidos' necessitam de ajuda prática. O que chora precisa de conforto à sua aição; a pessoa que deixou a terra há pouco durante todo o tempo precisa de ajuda do tipo material. Ele pode estar em diculdades de tipos e graus vários. Pode precisar muito de ajuda puramente espiritual; pode querer somente ajuda na etapa de descobrir o que aconteceu com ele, onde ele está, o que deve fazer, como fazer, e uma lista de assuntos semelhantes. Enquanto nós, que somos residentes aqui, fazemos tudo que podemos neste lado, uma atração direta pela oração da parte do ministro em exercício somará ao poder que nos é dado para dispor ajuda a outros. Mas devem ser orações do tipo certo. Citações longas de algum salmo ou outro, bonito como podem ser em seu conteúdo, e no seu idioma, são completamente inecazes se essas citações não trouxerem nenhum acréscimo naquilo que é necessidade urgente, isto é, ajuda direta e orientação. Aqui está outra circunstância muito importante para a qual as Igrejas, na ignorância delas, não mostram nenhuma disposição. Os enterros realizados normalmente nos climas mais temperados acontecem alguns dias depois do momento da passagem. O 'morto', na realidade, passou e se foi. Mas é justamente no momento da transição que a ajuda pode ser de grande valor. Eu reconheço que não seria possível em todos os casos prover que isto aconteça, já que as circunstâncias de transição variam tanto, mas onde a dissolução estiver a ponto de acontecer, com sucientes advertências de sua iminência, esse é o momento de se enviar orações sérias por ajuda. Assim, você verá claramente que os trabalhos da Igreja na hora do enterro, da forma como se apresentam, tanto no tempo que levam quanto no conteúdo espiritual, são principalmente muito tardios para serem de qualquer valor espiritual prático à pessoa querida. Se lembrar, então, destas poucas observações que discutimos nos trabalhos dos enterros, verá claramente quão distante está a Ortodoxia de qualquer conhecimento sobre as verdades espirituais. Deveria mencionar que sob a designação de trabalhos de enterro incluo tudo aquilo que acontece, tanto na Igreja quanto no local do enterro. Quantas, de todas as orações, são compreendidas pelos que estão orando, ou deveriam estar? Palavras calcadas em frases estranhas que parecem não ter qualquer aplicação, direta ou indireta, para o assunto em questão, exceto uma – garantidamente fazem as coisas bem piores aos que choram, pelos sentimentos sombrios e desesperados que carregam em si. Para que uma prece tenha valia, tem que haver força e direcionamento por trás dela. Um murmurar desinteressado e o resmungar de alguma fórmula de reza é totalmente inútil na terra, também não tem qualquer proveito nos céus. Além disso, quando as palavras não carregam em si nenhum signicado àquele que as recita indiferente a elas, já temos aí um caso ruim de completa desesperança.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.