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Capítulo 2 de 19

Vol 6 - Mais Luz

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 6

Escrito por Robert Hugh Benson através de Anthony Borgia Publicado pela primeira vez em 1947, Inglaterra Índice I - Prefácio ------------------------------222 II - Ortodoxia ---------------------------222 III - Milagres -----------------------------226 IV - Milagres discutidos -----------------229 V - Os enterros --------------------------233 VI - O credo ------------------------------239 VII - O credo, continuando --------------245 VIII - O credo, concluindo ----------------249 IX - Uma pessoa comum ----------------253 I. PREFÁCIO Em um volume anterior, "Fatos", o comunicador espiritual deixou entrever algo de sua 'teologia revisada'. Neste volume, o seu mais recente manuscrito, volta ao tema teológico com referência particular aos credos e a certos milagres como os narrados no Novo Testamento. Como padre na vida terrena, ele experimentou os dois tipos de Ortodoxia, 'uma bastante livre e fácil, outra rigorosa e rígida'; a primeira permitindo julgamentos particulares sobre a maioria dos assuntos religiosos, a segunda permitindo falar apenas a voz da autoridade. ‘Peço desculpas pela repetição, apesar de que a repetição parece inevitável, mas minha amizade com o comunicador deste livro começou em 1909, cinco anos antes de sua passagem ao mundo espiritual. Ao voltar a falar, ele trouxe consigo em muitas ocasiões uma hoste de amigos comuns, cuja teologia da maioria deles fora, como a dele própria, revisada drasticamente. Uma vez mais, foi meu privilégio agir como o seu amanuense na terra, e registrar o detalhes adicionais da sua 'teologia revisada'. Anthony Borgia Outros Livros: A Vida nos Mundos Invisíveis, Fatos, Céu e Terra, Mais sobre a vida no Mundo Invisível, Aqui e Além Daqui. _ II. ORTODOXIA Vários meus amigos da terra ainda estão um pouco confusos pelos pontos de vista que expressei sobre o assunto Ortodoxia; com isto, claro, quero dizer Ortodoxia Cristã. Conhecendo um ou dois detalhes de minha vida terrena, meus amigos perguntam, com efeito: a Ortodoxia pode ser tão totalmente inútil como z entender em meus escritos anteriores? Eles acham difícil, para se falar pouco, livrarem-se completamente de todas essas ideias antigas que centenas e centenas de anos sob a consideração supersticiosa de Ortodoxia tradicional tornaram tão familiares, ideias que se tornaram parte da vida natural e normal das pessoas da terra. A religião Cristã foi classicada em credos, dogmas e doutrinas por meio dos quais todos os homens podem encontrar o verdadeiro modo de viver na terra, e a garantia de que, se seguirem apenas os ensinos da Igreja, a eles será providenciado um adequado 'depois daqui' no mundo espiritual, apesar de não se referirem a este destino em tais termos, pois chamam de 'céu'. Meus amigos caram um pouco confusos, também, com a minha atitude em geral para com a Igreja (de qualquer denominação), lembrando que, conforme minha própria declaração, fui padre quando vivi na terra há não muitos anos atrás. Já descrevi alguns dos detalhes da minha saída da escuridão mental de minhas convicções religiosas que aconteceu depois de minha chegada no mundo espiritual - em uma palavra, como consegui me livrar de todas as minhas ideias ortodoxas com tanta rapidez, de forma que não repisarei nenhum caminho antigo novamente. Posso, porém, dar-lhe alguns poucos fatos adicionais de natureza pessoal que vão, penso eu, ajudar a esclarecer a situação. Para começar, então, experimentei os dois tipos de Ortodoxia quando estava encarnado. Fui padre das duas denominações — sucessivamente, não preciso repetir! Na primeira tive minha educação e nela fui ordenado padre. Depois de alguns anos, senti-me insatisfeito com tudo. Para começar, então, experimentei os dois tipos de Ortodoxia quando estava encarnado. Fui padre das duas denominações — sucessivamente, não preciso repetir! Na primeira tive minha educação e nela fui ordenado padre. Depois de alguns anos, senti-me insatisfeito com tudo. Em muitas ocasiões fui chamado para decidir muitas questões religiosas somente pelos meus próprios poderes de pensamento e pela minha razão. Tive que usar meus próprios raciocínios em assuntos a respeito dos quais eu achava que a Igreja da qual eu era membro já deveria ter feito suas próprias declarações e pronunciamentos. Era Autoridade que eu sentia que estava faltando; Autoridade em perguntas vitais e problemas relativos à alma e à vida que vem em seguida desta vida.

Esta Igreja não apresentava nenhuma voz com autoridade, não podia apresentar nada melhor nem nada mais seguro que as opiniões dos clérigos em geral. Eventualmente eu me voltava àquela organização religiosa que não só clamava ser ela mesma a voz da autoridade, como também falava com voz certa e segura – assim eu imaginava - e, além disso, declarava que tal voz era infalível naquilo que ensinavam. Nesta Igreja não havia nenhuma necessidade de se pensar nas pessoas. O pensamento já havia sido corretamente feito por outros, apropriadamente equipados para o trabalho, de forma que tudo o que se requeria dos 'éis' era que seguissem os ensinos da Igreja e obedecessem às suas leis. Nesta segunda denominação eu fui 'recebido', e como ela não reconhecia – e não reconhece - a validade das ordens clericais da Igreja da qual eu há pouco havia me apartado, fui reordenado padre. Tornei-me membro deste corpo até que passei ao mundo espiritual na minha dissolução. Assim veja, tive um pouco de experiência da Ortodoxia dos dois tipos, uma bastante livre e acessível, a outra rigorosa e rígida. A primeira permitindo um julgamento particular sobre todos os assuntos religiosos, a segunda só permitindo que fale a voz da autoridade. Mas suponha, diria um de meus amigos, que sejam varridas todas as formas estabelecidas da religião que está sob o título de Ortodoxia, e à qual faço objeções, o que se poria em seu lugar? Seguramente deve haver alguma espécie de código moral. A Cristandade suportou o teste do tempo, e a alma anseia naturalmente por algum tipo de expressão religiosa, até mesmo se for da descrição mais simples, como as ofertadas pelas religiões Cristãs tão espalhadas pela terra aos seus numerosos membros. As pessoas sempre buscaram alguma forma de adoração pública, entretanto, na verdade, as suas congregações parecem estar encolhendo, mas isso é só porque lhes falta um certo vigor, talvez temporariamente, e porque as pessoas estão mentalmente cansadas depois de terem atravessado a batalha terrível como a que terra sofreu. Assim, novamente, o que se poria no lugar da Ortodoxia Cristã? A resposta é simples, meu bom amigo. Apenas isto: a Verdade. Consideremos a posição dos assuntos da forma como eles estão na terra neste momento do tempo terrestre. Por assuntos quero dizer principalmente 'assuntos religiosos'; coisas que concernem à verdadeira substância que a religião deveria ser na terra, mas que, enfaticamente, não é. Sob o ponto de vista de cada indivíduo que vive vários anos da sua vida na terra e então 'morre' e parte para algum destino misterioso e terrível em algum mundo invisível — para o céu ou para o inferno — do ponto de vista desta pessoa, a situação de agora é a mesma de como era há centenas anos atrás. Os ensinos tradicionais da Ortodoxia cuidaram disso. A maioria das pessoas na terra tem pensado sobre 'a morte e o depois da vida' nas mesmas linhas como pensavam há dois mil anos atrás, e vem sentindo o mesmo sobre isto, também. O sentimento, na maioria dos casos, é medo; medo da morte em si, medo do desconhecido e, como diriam alguns, medo do futuro desconhecido. Antes de seguirmos adiante, eu gostaria de fazer uma observação. Durante o curso destes escritos posso achar necessário repetir alguma declaração que já z a vocês em minhas discussões anteriores. Eu o faço tão somente com o objetivo de me fazer o mais claro possível. Se meus bons amigos forem pacientes comigo, eu, de minha parte, prometo fazer estas reiterações bem breves! Eu poderia, claro, fazer aos meus leitores a referência destes escritos anteriores através de seus títulos, mas acho que isso seria mais tedioso e irritante que a repetição de algum fato ou uma característica em particular. Retomando. Observou-se que algumas palavras, reputadas como ditas por Jesus e escritas nos Evangelhos, provocaram o efeito de mudar todo o curso da história. As palavras às quais me rero são as que ele dirigiu, de acordo com o texto transcrito, a um dos seus discípulos, que são: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei minha igreja; e os portões do inferno não prevalecerão contra”. A Igreja da qual eu era membro na hora de minha dissolução reivindica este texto em particular como sendo praticamente a fundação sobre a qual repousa toda a estrutura da Igreja. Que Jesus jamais deu voz a tal expressão surpreendente é uma questão conhecida e comum a milhões de nós daqui destes reinos do mundo espiritual. Quando eu estava na terra, estas mesmas palavras me davam um sentimento da maior segurança possível, pois percebia, assim achava, o verdadeiro fundamento para as reivindicações extravagantes expostas pela Igreja. A declaração, como aparece nas cópias impressas do Novo Testamento, nada mais é que uma interpolação deliberada, uma manipulação completa, e danosa. E essa não é a única interpolação. Há muitas outras de caráter semelhante, inseridas com intenções semelhantes, isto é, sustentar um sistema de autoridade religiosa. As escrituras não sofreram apenas interpolações, mas também, o que é igualmente ruim, coisas não foram registradas ou foram apagadas deliberadamente. Com o apagar cuidadoso e o interpolar cuidadoso, efetivamente foram suprimidas certas verdades reais. Qual foi o propósito real e completo da vida de Jesus de Nazaré na terra? As Igrejas em torno da terra praticamente concordam com a resposta delas a esta pergunta, e que seria: Que Deus enviou Seu lho unigênito para resgatar o mundo de seus pecados e, pela sua morte e ressurreição, ele demonstrou a sua vitória sobre a sepultura. A queda de Adão e Eva manchou com o pecado original todo o gênero humano, e nada satisfaria a ira de Deus, a não ser que o Seu 'lho único' se oferecesse em sacrifício e morresse numa morte vergonhosa. Isso, em poucas palavras, é o resumo da fé Cristã. É por ser esta declaração uma apavorante mentira — de fato, não contém nenhuma uma sílaba de verdade em si — que eu me sinto tão seguro no assunto dos ensinos Cristãos Ortodoxos. O fato de eu ter sustentado tais ensinos quando estava encarnado intensica minha atitude presente. O que eu ensinei na terra, tanto como pastor como conselheiro espiritual, ensinei porque acreditava que era a verdade. Agora sei que não era e não é a verdade. Pode-se contestar que deve haver milhões que são, ou foram, semelhantemente iguais a mim. É isso mesmo; há milhões mais como eu. Mas foi minha grande sorte, por uma concatenação um tanto longa de circunstâncias, ter tido a oportunidade de fazer visitas de retorno à terra, falando por um velho amigo, e recontar algumas de minhas experiências, e assim tentar estancar a disseminação das mentiras religiosas pelas quais fui responsável quando estava na terra. Lembre-se de que tive grande público, tanto como pastor como escritor, e desta forma atingi as orelhas e os olhos de grande número de pessoas. Eu não reivindico nenhum privilégio no que estou fazendo agora. Houve muitos outros antes de mim; haverá muitos outros depois de mim. Reterei meu anonimato. É o que digo que importa, e não quem sou nem quem era.

Faz quase dois mil anos que aquele que é chamado de 'o Fundador da Cristandade' mostrou seu caminho na terra. E isto está perfeitamente claro: nunca foi sua intenção fundar uma Igreja na terra – nem em lugar algum. Realmente, ele não estava nem um pouco interessado em nenhuma religião nova. Ele se preocupou com a verdade. Ele veio não para demonstrar a 'vitória' sobre a morte. A Morte não é um oponente nem um inimigo; é um processo natural, a ação de uma lei natural que tem funcionado assim por eons de tempo antes da chegada de Jesus. Ele não tinha nenhuma necessidade de 'combater' a morte. Não se pode combatêla no sentido de superar alguma inuência maligna. Certo é que alguns casos de dissolução por doença podem ser adiados pelo exercício da mente. Uma mente alegre pode produzir maravilhas no caso de algumas doenças e assim pode ajudar na recuperação onde, ao contrário, um temperamento doentio, pessimista, impediria o trabalho das forças naturais para curar o corpo físico. Em todo caso, é apenas um adiamento da dissolução, pois a dissolução pode vir mais cedo ou mais tarde. Então, Jesus não poderia fazer, não faria, e não fez, uma declaração de que tinha alcançado 'vitória' alguma através de sua transição. O que ele provou realmente, sem qualquer vestígio de dúvida, foi o fato da sobrevivência humana depois da morte do corpo físico, e provou isto pelo mesmo modo que milhares de outras pessoas zeram desde antes daquele tempo – ele voltou à terra e falou aos seus amigos, mostrou-se, mostrou que estava vivo, e que a morte só acontecia ao corpo físico. O aconteceu com os ensinamentos que Jesus trouxe aos conns mais remotos da terra onde viveu? A Ortodoxia destruiu a verdade. O Novo Testamento, onde se alega haver alguns dos atos e declarações de Jesus, sofreu toda a sorte de interpolações, omissões, apagando-se trechos, fazendo-se más traduções, declarações e interpretações erradas. Até mesmo a forma que os livros têm hoje em dia representa apenas um lamentável fragmento de tudo aquilo que Jesus disse e fez. Como está agora, o Novo Testamento é um dos livros mais perigosos já que, por estar incompleto, pode com facilidade ser lido erradamente. Quantas religiões Cristãs existem na terra hoje em dia? Há centenas, literalmente, e a maioria delas é baseada em grandes variações nas interpretações bíblicas de um texto ou outro. Cada um destes corpos religiosos tem graus variados de conito ou discordância com os outros; cada um reivindica ser o certo, e pelo menos um reivindica ser a verdadeira Igreja da qual todos os outros estabelecimentos principais se separaram ou de onde tiveram sua origem. Apesar de que estes diversos e variados corpos possam discordar entre eles, todos têm uma característica em comum — um erro monumental. O erro, falando-se em termos gerais, consiste em considerar a religião Cristã e tudo o que lhe é relativo como sendo o padrão, até mesmo o ápice, de todo o pensamento religioso do universo. A religião Cristã, então, ca acima de todas as outras formas de pensamento espiritual e ideias, e estende-se até mesmo ao 'céu', que seria essencialmente Cristão. As demais serão, sem dúvida, observadas adequadamente o bastante na 'próxima vida', mas os Cristãos sempre estão e estarão em primeiro lugar no esquema divino das coisas. Isso não é nenhum exagero, já que tais ideias têm estado na terra por quase dois milênios e foram intensicadas com a passagem do tempo. Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei minha Igreja. Uma Igreja certamente foi construída. E como o Cristianismo se mostrou a si mesmo durante sua passagem pelos anos? Mal o bastante. Pense nas massas de extraordinários dogmas e doutrinas que foram inventados, os credos incompreensíveis que foram formados, os ritos estranhos e cerimônias que foram introduzidas nas religiões da terra. Pense também na presunção, a presunção total, dos líderes de seitas religiosas e denominações que ngem conhecer tanto os propósitos de Deus, os Seus desejos, as Suas vontades, as Suas intenções, as Suas razões, e que apresentaram ao mundo um terrível, desumano e animalesco espetáculo do Deus de sua fabricação e formação. Recorde, também, como eles instilaram medo nos corações de tantos incontáveis milhões de boa e estimada gente durante as idades passadas, o medo em suas vidas espirituais, com ameaças de castigo medonho de um Deus colérico, de queimar perpetuamente nos fogos do inferno eterno para o 'impenitentes'. Lembre-se, também, dos massacres e das chacinas que aconteceram em outros tempos em nome do Cristianismo. Considere a intolerância do poder religioso, de como uma facção se vingaria de outra assim que viesse a ter poder, cada uma produzindo seus 'mártires' pela 'fé'. As páginas do livro da história da religião Cristã estão manchadas de sangue, e o texto conta ações terríveis e horrendas feitas em nome de seu fundador, e não só de seu fundador, mas até mesmo em nome do próprio Deus. A religião ortodoxa de um tipo ou outro é uma grande massa de complexidades e de arapucas espirituais, e o estado de bem-estar de alguém no mundo espiritual é alcançado dependendo das trivialidades articiais mais absurdas que dão a entender terem sido fundadas nos ensinos de Jesus. — 'Mas o que é isso tudo?', ouço alguns amigos dizerem; seguramente você está pondo um tanto de paixão sobre muito pouco. Anal de contas, está falando sobre histórias antigas, e agora não temos mais nada com aquele tipo de coisa na terra. Não temos mais perseguições religiosas. As pessoas podem escolher a sua própria religião e adorar a Deus de seu próprio modo. Esta é a era da liberdade religiosa. Isso é perfeitamente verdade. É história o que estou recontando a você, e também é história bem insalubre. É igualmente verdade que não se fazem mais mártires religiosos nestes tempos; mártires, quero dizer, no sentido de darem as suas vidas terrestres. Mas deve-se lembrar de que a imensa multidão das pessoas que sofreram sob o malho da Ortodoxia nas idades passadas ainda está viva e residente no mundo espiritual. Estão agora perfeitamente felizes, claro, mas são testemunhas vivas da natureza perniciosa de todo o sistema e de seus ensinos falaciosos. Pode não haver nenhuma perseguição em campos religiosos, mas a cegueira espiritual ainda aige a humanidade na terra. O número dos que estão melhor informados e mais iluminados em tais assuntos é innitésimo em comparação com os que ainda são ignorantes das verdades espirituais ao serem contrapostos aos ensinos espúrios das Igrejas. Eles representam apenas uma gota num oceano vasto de ignorância espiritual. Eu realmente não agi com paixão, mas muitos de nós nestes reinos somos sutilmente sensíveis ao estado infeliz no qual tanta gente chega a estes planos com a sua dissolução, uma infelicidade que frequentemente é causada pela forma com que foram ensinados por suas igrejas enquanto eram encarnados. Como sabe, parte de meu trabalho consiste, com outros, em ajudar as pessoas quando fazem sua chegada aos planos espirituais, de forma que meus companheiros e eu não só falamos por experiência, mas também com sentimentos de exasperação pela maré de gente que ainda ui a estas terras trazendo com eles toda a ignorância Ortodoxa e a falta de conhecimento espiritual que adquiriram durante a passagem terrestre.

Você bem pode imaginar a nossa alegria, realmente júbilo sincero, quando encontramos alguma alma que tenha conhecimento do mundo espiritual, de suas verdades e leis, e que tenha praticado a comunicação com outros destes reinos. Nunca o nosso trabalho ca tão fácil e tão feliz como em tal ocasião. Mais importante de tudo, nunca uma transição é tão agradável para o principal personagem que quando todas estas condições prevalecem. Realmente, há muito pouco para fazermos de forma ativa em tais casos. Meramente nos alegramos com nosso novo amigo. Tais exemplos são quase um feriado para nós! Mas o quadro tem o lado inverso, e desagradável. Falamos de liberdade religiosa apenas um momento atrás. Onde está, literalmente, aquela liberdade? A um homem, você diria, é permitido adorar onde, quando e de que maneira lhe agrada. Isto também signica que ele tem a liberdade de absorver em sua mente todas as caricaturas e distorções da verdade e todas as doutrinas enganadoras de múltiplas denominações religiosas diferentes, como amplamente são vistas em torno do mundo. Ele também tem a liberdade de encontrar a verdade, mas, ai, raramente ou nunca vai encontrá-la nos mesmos lugares em que ela deveria ser pregada e ensinada — as Igrejas. (Vou, claro, apressar-me em excluir esses clérigos corajosos que, possuindo o conhecimento dela, não têm nenhum medo de contar a verdade sobre o mundo espiritual de seus púlpitos. Infelizmente tais homens são poucos, mas qualquer congregação de pessoas deveria se considerar triplamente abençoada por ter um ministro tão iluminado que lhes fale das verdades espirituais). Por dois milênios o mundo Cristão tem vivido em cegueira espiritual. Novamente ouço-os dizerem que, talvez, estou exagerando muito as coisas. Não estou, mas eu lhes pediria que vissem a situação do nosso ponto de vista. Coloquem-se em nossa posição de residentes do mundo espiritual, e verão que não estou exagerando, mas apenas suavizando. Vocês que ainda estão encarnados não vêem os resultados da ignorância espiritual e da falta de conhecimento sobre as condições de vida daqui, consequências que estão perto de acontecerem a todas as almas depois que deixarem o plano terreno para residirem permanentemente no mundo espiritual. A letargia espiritual parece envolver tanta gente na terra; eles se agrupam para a 'reverência' de acordo com o livro de oração, recitando credos que não têm nenhum sentido, e que seriam, em todo caso, inúteis, pois credos teológicos não têm nenhum valor espiritual; recitam orações que têm pouco sentido e efeito menos ainda; colocando sua 'fé' em cento e uma convicções estranhas; felizes em basearem sua segurança espiritual futura nas práticas supersticiosas das mais triviais; desejando testemunhar e ser participantes de elaboradas exibições ritualistas, cuja simbologia e propósito têm quase nenhum valor para o bem-estar espiritual de uma pessoa. Essa gente foi recheada durante anos com ideias grotescas, algumas vezes ideias monstruosas, sobre os atributos do Pai do Universo. Deus, para eles, é um Ser a ser temido, amado e adorado — foi desta forma que foram ensinados pelas 'autoridades' cegas; um Ser a quem, numa última esperança, pode-se pleitear a clemência para os 'pecados' cometidos enquanto estavam na terra. Esta gente teve isto estrondeando nos seus ouvidos — e nos ouvidos de seus pais antes deles — que o homem é um 'pecador miserável'. Não está em quase todas as orações dos seus livros impressos uma humilhante armação dessas? Um Deus de ira. Enquanto perspectivas extremamente vagas, tênues, insubstanciais são oferecidas a esses que aplacam o Deus caprichoso da Igreja, os teólogos não parecem ter qualquer dúvida do que acontecerá se um homem se comportar mal na terra. As recompensas parecem poucas e incertas, mas os castigos são muitos e certeiros. Assim o gênero humano, se pensar em tudo isso, não só passará sua vida na terra com medo da morte em si, mas também do que lhe acontecerá depois que a morte vier anal. Qual é a perspectiva principal de acordo com a palavra da autoridade teológica? Julgamento — com nenhuma chance de recuperar o plano espiritual perdido. Julgamento — sem apelo. Porém, há alguma expectativa desta justiça ser temperada com mansidão, de forma que a única esperança real naquele 'dia nal' — estes são os termos obnóxios, enfames, empregados pelos teólogos estúpidos — é clemência. Que concepções primitivas, selvagens! Dois mil anos de Ortodoxia Cristã não podem ensinar nada melhor, nada mais próximo à verdade, que isso. Os professores religiosos, acreditando rmemente em todas essas tolices tão danosas e ensinando-as arrogantemente aos 'éis', são diretamente responsáveis por permitirem miríades destas suas pessoas iludidas não só passarem ao mundo espiritual na profunda ignorância do verdadeiro estado de coisas nestes planos, mas também por terem sido enganados por uma trama de ensinos errôneos que têm que ser corrigidos antes que os recém-chegados possam continuar suas vidas, a sua herança indubitável, nestas terras inigualáveis. Lembre-se que lhe contei sobre os medos terríveis que subjugam tantas almas na sua chegada até aqui, medos de suas próprias vidas. Não há nenhum medo a ser experimentado na terra que seja remotamente parecido com aqueles. Muita gente tem pavor da dissolução; temem que o próprio processo real possa ser doloroso. Eles poderiam chegar até aqui com esses medos bem diminuídos com a descoberta de que não é doloroso, embora possa haver alguma condição anterior de angústia física, e que pode doer, tudo de acordo com a causa da transição. Mas a própria transição em si é indolor. Depois que passam por esta que parece uma provação, e percebem que estão e sentem-se muito vivos, então vem o pensamento esmagador do que lhes foi ensinado na terra que deve ser esperado — o julgamento. (Se vão sofrer aquele julgamento e quando, ou se em alguma data futura, não sabem, claro que não, mas a própria incerteza aumenta seus temores) Isso é, de longe, pior que todos os presumidos terrores da morte, pois aqui, aparentemente, alcançaram a última barreira de tudo, talvez a própria vida. Eles se sentem bem rmemente presos em uma armadilha da qual não há nenhuma possibilidade de fuga. Enfrentando o que sempre acreditaram ser desesperadamente inevitável, passam mal com este medo tão opressivo que chegam a paralisar a sua capacidade de pensar. Novamente eu diria: não imagine que estou exagerando o estado de coisas porque lhe asseguro que não estou. Nós, que estamos ativamente engajados em ajudar as pessoas em tais momentos de angústia terrível, seguramente somos os melhores juízes disso, e há muitos, muitos de meus colegas e companheiros que vão endossar e conrmar enfaticamente o que eu estou lhes contando. Medo, meus bons amigos, é o que domina as vidas da maioria das pessoas que economizam o minuto que leva para pensar no seu possível ou provável estado de sua existência no mundo espiritual, e este medo vai com eles quando vêm morar aqui, durante todo o tempo. Por que as pessoas teriam este medo? De onde é derivado? A resposta é clara: só os anos e anos de ensinos Ortodoxos é que são os responsáveis. Vocês acham, então, que falamos com muito sentimento, e talvez um tanto acaloradamente às vezes, quando damos continuamente testemunhos dos resultados perniciosos destes longos erros de erros religiosos. As Igrejas na maioria estão em uma condição de escuridão espiritual, não a escuridão de mal deliberado, mas a escuridão da ignorância, e cam contentes por permanecerem assim, e mantém a sua 'fé' com eles. Somos nós no mundo espiritual que temos que reticar todos seus erros monstruosos, e remover o temor injusticável que implantaram nas mentes de tantos milhões da terra.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.