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Capítulo 16 de 19
Vii. O Credo, Continuando — parte 4 de 4
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 6
A santidade terrena, como a Igreja avalia, é uma qualidade duvidosa ao extremo, já que se cobra com tanta ênfase que seja um membro exemplar da Igreja, tanto dos ministros ou dos leigos. Obediência às leis da Igreja e aos 'mandamentos' dela não tem nenhum valor espiritual quando vier a grande cobrança. Enquanto a Igreja eleva seu santo ao céu mais alto, ele pode, na verdade, estar doente em algum lugar bem abaixo. O calendário dos santos, como tantas outras coisas que compõem a soma total da Ortodoxia, tornou-se, como se diz, um hábito. As orações que são endereçadas aos assim chamados santos estão no mesmo nível de todas as outras orações. Quantos dos éis sabem alguma coisa sobre o santo a quem estão oferecendo as suas orações? Deixe que tomem o calendário eclesiástico em suas mãos. Começando no primeiro dia do ano, deixe que passem pelos trezentos e sessenta e cinco dias, prestando atenção ao santo de cada dia, e que escrevam tudo aquilo que conhecem sobre cada um deles. O resultado, penso, surpreenderia tanto a eles mesmos quanto a qualquer pessoa. Eu caria muito surpreso se soubessem um único fato sobre qualquer um deles. Isso vem da minha experiência como padre na terra. Os santos nada mais são que uma superstição arraigada. Se um estudioso lesse sobre eles, particularmente sobre esses que foram canonizados nos primeiros dias, seria pego de surpresa quanto à credulidade fantástica que aparece por todos os lados. 'Santos do céu' é um termo geralmente usado entre as pessoas da igreja que acham que esses mesmos santos são seus poderosos defensores. O que há de verdade sobre eles? Há pouco: que os santos, longe de estarem todos congregados no 'céu', espalham-se por toda a extensão e amplitude de todo o mundo espiritual. Não há nenhum 'batalhão de santos', pois os santos fabricados pela Igreja não são todos da mesma excelência espiritual. De fato, disseram-me que, em muitas, nos primeiros tempos, o 'santo' logo santicado tinha mais necessidade das orações da Igreja que a Igreja das dele. Frequentemente achava-se em profundas diculdades, mas a Igreja infalivelmente dizia que estava no céu! O el, então, pode entrar em comunhão com os 'santos', mas os 'santos' não podem entrar em comunhão com os éis. Talvez seja assim, pois se uma comunhão ativa e literal fosse estabelecida entre os 'santos' e a suposta Igreja deles na terra, poder-se-ia ouvir algumas notícias desagradáveis, alguns fatos perturbadores, e receberiam um choque bem-merecido à sua presunção e à satisfação espiritual. A Igreja que faz os santos fechou a porta a toda revelação para si mesma através do simples fato de proclamar que toda a revelação cessou na época apostólica e que, com efeito, Deus não teria mais nada que acrescentar ao que já supostamente Ele teria dito na Bíblia, e que se alguém pudesse voltar 'do túmulo' para falar com as pessoas na terra, então essa visita não desejada não seria nada mais que um diabo disfarçado de anjo de luz que está vagando pelo mundo atrás da destruição de almas. O termo comunhão, da forma que é usado pela Igreja, é tão vago quanto se pretendeu que fosse. No sentido poético, alguém pode comungar com a natureza andando nos deliciosos campos verdes, entre as ores e pássaros, não pensando em nada em particular por ali. Isso é uma comunhão do tipo negativo, mas tem tanto propósito e efeito quanto a 'comunhão dos santos'. Na realidade, uma pessoa pode car mais impressionada pelas belezas dos ambientes bucólicos, pelo charme das ores e da canção dos pássaros, cando completamente elevada, calma e inspirada, trazida para mais perto do Pai no jardim da natureza, muito mais que os que estão em alguma igreja fria, deserta, rezando a um santo de quem não se sabe nada mais que o seu nome. Coisas como a litania dos santos monotonamente recitada em procissão, com suas repetições tediosas, são tão inecazes quanto todos os outros métodos de rezar da Igreja. Os verdadeiros santos não aparecem em uma lista ou calendário qualquer publicado pela Igreja. Há algumas exceções notáveis, mas isto pode ser dito deles: que o tempo de canonização não foi contemporâneo com sua chegada a um estado espiritual elevado. Esta, em muitos exemplos, veio muito tempo depois da canonização. A palavra 'santo' não se usa no mundo espiritual. Não somos classicados em tais categorias de distinção espiritual. Cada um de nós vive no reino para o qual fomos providos, e isso é o m da conversa. Em alguma ocasião no futuro, progrediremos e avançaremos em nosso estado; passaremos a outro reino mais alto, e assim continuaremos. Mas por mais alto que subamos espiritualmente, nunca nos tornaremos santos, não seremos marcados por um nome como se fôssemos de espiritualidade superior. Nós nos apresentaremos perante todos os homens pelo que somos, não importa o reino que habitemos. O único sinal distintivo, se puder denominar assim, é o reino no qual vivemos. Insígnia pessoal do estado espiritual, como os membros sinceros da Igreja imaginam que os santos têm, não se acha por aqui. Qualquer recompensa que possamos ganhar são recompensas pessoais. Não nos podem admitir numa companhia não existente de santos. O último parágrafo do credo dos Apóstolos especica uma crença no 'perdão de pecados; a ressurreição do corpo; e vida eterna'. Sobre o perdão de pecados as Igrejas não estão de acordo, uma situação que não lhe traz surpresa, porque elas não concordam em muitas coisas. A Igreja da qual eu era padre na hora de minha dissolução ensina que Jesus deixou o poder de perdoar pecados aos pastores da Igreja dele, e aduz que a Bíblia prova isto. Essa declaração contém duas falsidades: Jesus não deu tal poder a qualquer pessoa. Como poderia? Impossibilidade absoluta. (Meus amigos vão se lembrar que já falei um pouco neste assunto). A segunda mentira está implícita nas palavras a Igreja dele. Jesus não teve nenhuma Igreja; não fundou nenhuma Igreja, e não estava interessado em fundar qualquer Igreja. As palavras que são citadas a respeito disso nunca foram ditas por Jesus em hora nenhuma, pois Jesus falava a verdade. É inconcebível que tenha emitido o mais leve pensamento sobre esse assunto. Jesus não poderia perdoar os pecados de alguém, exceto quando perdoaria, e perdoou, algum dano pessoal feito a ele, o que poderia acontecer durante o relacionamento terrestre comum. O perdão eclesiástico de pecados é uma pura cção teológica. As 'absolvições' que são proferidas publicamente nas Igrejas são sem sentido e um desperdício de tempo que poderia ser melhor empregado pronunciando-se orações verdadeiras. Discuti com você a palavra ressurreição aplicada a Jesus, mas aqui neste parágrafo do credo aplica-se a vocês, meus amigos, como até mesmo se aplicou uma vez a mim. De alguma maneira, não pareço ter tido qualquer ressurreição, o que pode parecer bastante desleixo da parte de um ou outro. Mas não reclamo. Estou muito contente como estou, uma felicidade que começou quando cheguei a estes planos; uma felicidade que continua a aumentar, e aumentará ainda mais, pois parece não haver nenhum limite à nossa felicidade.
De acordo com os ensinos Ortodoxos, a ressurreição do corpo signica que vocês se levantarão novamente com os mesmos corpos no Dia do Julgamento. A Igreja que apresenta esta explicação também ensina que todos os homens serão julgados duas vezes, isto é, na morte e também ao último dia. Você sabe agora exatamente o que esperar! Eu lhes mostrei como, em fato literal, uma ressurreição não acontece, de forma que o resto da oração é nulo. Fica sem sentido se é usado o mesmo corpo ou outro corpo já que não há nenhuma ressurreição. Uma vez mais temos nosso velho amigo Dia do Julgamento. Parece ser um tipo estranho de judicatura que inclui em suas providências que seremos julgados duas vezes pela mesma conta, e a pessoa não tem como saber como isto ocorre. Nenhum de nós é perfeito; temos todos, em algum momento, um deslize pequeno no caminho da retidão espiritual. Nossos pecados devem ser 'atirados duas vezes contra nós', então? Seremos julgados duas vezes pela mesma indiscrição espiritual? Isso não sugere uma ordem realmente sã das coisas, nem justa. Ou o julgamento nal no último dia — ou quando acontecer — é para esses que têm 'pecado' desde que o julgamento foi pronunciado à sua dissolução? Pela estimativa simples do número colossal das pessoas que viveram desde o 'alvorecer do tempo', o tribunal divino terá uma tarefa gigantesca diante dele que, presumivelmente, perdurará por um número incontável de anos, se cada uma de todas as almas tenha seu caso compreensivelmente negociado e com justiça plena outorgada a ele. Não dêem nenhuma atenção, meus amigos, a estes presságios horríveis da Igreja. Vocês não serão submetidos a qualquer julgamento tenebroso em hora alguma, nem no dia de seu transcurso nem em qualquer data futura. Vocês serão seus próprios assessores espirituais. O assunto todo ca completamente em suas próprias mãos. Investigarão seus motivos na vida terrestre, seus pensamentos e ações. Depois de sua dissolução, encontrar-seão naquele lugar do mundo espiritual com que estiverem em sintonia positiva com seus ambientes. Não preocupem com as ameaças da Igreja em nome de Deus. A Igreja não tem nenhum mandato, nenhum direito ou autoridade para falar em Seu nome. Então, a este respeito, como em um monte de outros, ela é uma impostora bruta, uma usurpadora de autoridade e poder divinos. Não aborreçam suas mentes com as ameaças da Igreja, vãs e orgulhosas, de desastre espiritual só porque não aceitam com credulidade suas reivindicações tolas. Não escutem suas distorções chocantes sobre a natureza do Pai de todos nós. Lá não existe um Deus como aquele Deus que a Ortodoxia tem 'revelado' para o mundo inteiro. Não há nenhuma semelhança entre o Deus da ortodoxia e o Pai do universo. Estão léguas longe um do outro. O Pai é o maior e o mais verdadeiro amigo do homem, não o juiz terrível dele. Não é um Deus misericordioso, porque não tem nenhuma clemência para dar. Clemência só existe entre os homens na terra. Ele não tem nenhuma justiça para dar. Isso é só entre os homens. Não tem nenhum perdão para dar, pois isso, também, é só entre um homem e outro. Ele não tem nenhum grande e torturante inferno amejante no qual lançar as pobres almas pelos pequenos pecados que cometeram. Essa é uma horrível invenção da Igreja. Ele não formulou nenhuma regra insignicante ou ordens cuja transgressão trará inevitavelmente Sua ira sobre vocês. São as invenções da Ortodoxia e seus doutores instruídos. Ele não tem nenhuma ira, jamais. Isso é invenção dos mesmos clérigos estúpidos. O que, então, naturalmente perguntarão, tem Deus para dar? Isto, meus amigos, tem Ele para dar: Seu afeto eterno por vocês, o qual é expresso na Sua divina vontade de que atinjam a maior felicidade do mundo inteiro. Ele deseja que vocês possam ser plenos de felicidade durante sua jornada terrestre. Mas Ele sabe que nem sempre nem em todos os casos isso é possível. Assim, lá existe um mundo espiritual gigantesco que apresenta todas as possibilidades e provê todas as oportunidades de alcançar a felicidade suprema e duradoura. Esta promessa soberba está aberta a toda alma, sem exceção, nascida na terra. Não há nenhum homem na terra que pode alterar essa providência superlativa e orgulhosa, seja por direito canônico, seja através de édito eclesiástico, ou seja através de maldições ponticais; nem pelo rezar mil credos, pelas opiniões de todos os doutores da Igreja, passados e presentes, ou por fulminantes advertências de púlpito em qualquer grau de veemência. As leis do mundo espiritual são supremas, bem acima das triviais pequenas 'ordens' de qualquer estabelecimento eclesiástico arrogante. Não há lugar para os regulamentos mesquinhos, irritantes que tão constantemente incomodaram os membros da maioria das denominações religiosas. Eliminem o medo de suas mentes, meus amigos. Lembrem-se sempre — jamais parem de se lembrar — de que entrar no mundo espiritual não é condicionado por nenhuma espécie de fé. Só é condicionada pela operação de um processo natural. Esse processo é universalmente conhecido como morte. Mas essa morte só é do corpo físico; não afeta e não pode afetar ou inuenciar o dom da vida, como é chamado às vezes, das pessoas reais que vocês são. Vocês, meus queridos amigos, vivem sem parar. Lembrem-se sempre de outra verdade sublime e eterna: que todos os reinos espirituais estão abertos a toda a raça humana, e que fé ou credos religiosos não podem dar nenhum palpite no assunto. O mundo espiritual é imensuravelmente maior que todas as religiões e todos os credos juntos. Tenha em mente que o direito de entrada a quaisquer dos reinos espirituais é seu, até mesmo até aos muito mais elevados, contanto que obtenha esse direito, que ninguém pode lhe negar, por sua vida na terra e por sua vida aqui no mundo espiritual depois que deixe seu corpo físico para sempre. Não há nenhuma sociedade ou denominação religiosa que possa lhe garantir, por seus Sacerdócios ou pela obediência a suas doutrinas e 'ordens', que você irá diretamente ao céu quando 'morrer'. O que é muito importante, não pode garantir que irá para o inferno por toda a eternidade porque desobedeceu as ordens dessa mesma sociedade. Em uma palavra, a Igreja não tem nenhuma autoridade no mundo espiritual por tudo aquilo que perpetra em nome do Pai. As Igrejas através dos tempos sempre amedrontaram os seus crentes com o diabo selvagem do inferno, a danação e o Dia do Julgamento. Nós, que voltamos destes lindos reinos para lhes contar algo sobre nossa vida e nossas terras, somos frequentemente chamados de emissários do diabo. O que as Igrejas fariam sem o seu grande amigo diabo é duro saber. O homem não precisa de nenhuma inspiração do diabo não existente para suas más ações. Ele é perfeitamente capaz, quando a ocasião surge, de fazer tudo o que quer sem o auxílio de um 'Príncipe do Mal'. O homem mau tem os amigos maus nas mais baixas regiões do mundo espiritual, os quais estão sempre prontos a ajudar. Depende do homem na terra de quem serão as vozes que ouvirá — se desses reinos de escuridão, ou dos reinos de luz. Quando o homem puricar os seus pensamentos e ações na terra, observaremos uma grande queda no número dos que passam a essas regiões tenebrosas — e todo o mundo espiritual se alegrará.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.