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Capítulo 15 de 19
Vii. O Credo, Continuando — parte 3 de 4
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 6
Depois que Jesus subiu aos céus, o credo declara que 'De novo há de vir em glória, para julgar os vivos e os mortos'. Meus amigos estão familiarizados com o que já disse sobre doutrina falaciosa. Ao mesmo tempo, eu desejaria que não houvesse nenhum engano sobre isto. Eu lhes falei que, em momento algum, o Pai julga qualquer homem. Ele nunca fez isso e nunca fará. O que é da mesma importância: Ele não baniu nem jamais banirá essa determinação de qualquer pessoa. Não se deve esquecer que, aos olhos da Ortodoxia, Jesus é Deus. Da forma que determina o credo, é Jesus, como Deus, que julgará todos os homens. Deixe-me colocar-lhe o assunto deste modo. Se esta doutrina for verdade, então não há nada mais a ser dito. Se isto não é verdade — e não é verdade — qual é, pondo a questão em palavras claras, qual é a opinião do mundo espiritual sobre isto, e ainda mais, qual é a opinião do próprio Jesus? Realmente, muitos de meus amigos da terra poderiam car tentados a perguntar: ' Onde está Jesus? Você e outros já O viram? Ou ele só ca nesses reinos elevados em que se supõe que ele habite?' Respondendo à última pergunta primeiro: não há ninguém nestes reinos que não tenha visto o próprio Jesus. Ele é uma visita constante, e foi meu privilégio, como também o de muitos outros, ter falado com ele. E por que não, rezar? Não há nenhuma cancela ou barreira, nenhum obstáculo de qualquer tipo, para alguém dos reinos elevados visitar qualquer reino mais baixo se assim quiser. Visitantes dos reinos mais altos são sempre vistos para lá e para cá, nas suas jornadas entre as próprias esferas, estas e outras esferas. Eles têm trabalho a fazer que os levam a visitar pessoalmente. Tais seres sabem o prazer innito que nos dão pela sua presença, e não nos negam esse prazer somente porque alguém — qualquer um — pensa que não podem ou não devem vir de seus céus elevados até um reino mais baixo. Não estamos sujeitos a opiniões terrestres em tais assuntos; reconhecemos as realidades — realidades do mundo espiritual. Com a proeminência universal do próprio nome de Jesus, não é notável que devêssemos buscar a oportunidade de vê-lo e de falar com ele? Que sentimentos você supõe que as pessoas têm quando, ao conhecerem Jesus deste modo natural, se recordam daquilo que a sua Igreja lhes ensinou sobre ele enquanto estavam encarnados, isto é, que este mesmo homem ilustre e de alma suave seria o juiz deles? Talvez alguns de nós recordemos que a Igreja teve a audácia de pôr na boca de Jesus as palavras com que ele condenaria os seres humanos ao inferno, “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.” (NT: Mt 25,41). Essas palavras serão achadas na Bíblia para qualquer um ver e ler. A Igreja fundamenta a autoridade de tais ensinos nessa mesma Bíblia, verdadeiramente acredita que Jesus, como Deus, pronunciará aquela maldição viciosa e diabólica ao homem pecador. Recordar essas palavras na presença de Jesus, que não pôde achá-las em seu coração para condenar o pior transgressor, é uma revelação por si mesma. A pessoa só teria que estar na presença dele apenas por um momento para saber que uma imputação como essa é um erro de interpretação dos mais chocantes e infames, uma mentira tão apavorante que qualquer um se sentiria envergonhado só de ter acreditado nisso por uma fração de segundo. Jesus não ca sutilmente afetado por esta imposição assustadora? Realmente ca. Mas ele, pessoalmente, não ca só triste, mas profunda e justicavelmente colérico porque, depois do trabalho dele na terra, depois de seus esforços para revelar a verdade sobre a vida espiritual e de como o homem pode ganhar para si na terra as glórias dos reinos de luz, ele veio a ser, depois do seu transcurso na terra, elevado a Deus e proclamado o grande e terrível Juiz de todo o gênero humano. Que recompensa perfeita ao gênero humano pelos imensos serviços que ele executou quando estava na terra. Isso é um dos maiores crimes da Ortodoxia — e ela tem mais a seu descrédito. Jesus ensinou a verdade enquanto esteve encarnado. Veio como um homem simples com qualidades superlativas; suas faculdades mediúnicas foram treinadas ao mais alto grau de perfeição, e ele as usou durante o seu curto prazo de vida na terra sempre a serviço do homem. Nunca, em qualquer ocasião, ele condenou uma única alma viva por suas transgressões espirituais. Não condenou pessoas; ele as ajudou, sempre as ajudou. Em sua própria natureza, teria recuado diante do simples pensamento de ter que pronunciar um julgamento, eterno ou não, de qualquer pessoa. Além disso, sabia que o próprio Pai não julga nenhum homem, nem permitiria que outro o zesse. Isso é o que Jesus ensinou quando estava no mundo. Então, diante de qualquer referência que se pode encontrar na Bíblia que fale nestes termos, isto é, o Pai julgando qualquer homem, ou sobre sua danação eterna, não somente trate com suspeita, mas deixe de lado como inútil, uma mentira, uma interpolação malévola dos escribas sem escrúpulos da Igreja.
Tais interpolações, se a Bíblia for lida cuidadosamente, devem se revelar pelo que são. No mundo espiritual, sempre que a ocasião surgiu, Jesus se afastou totalmente e com o maior vigor de tais expressões— e sem dúvida essas ocasiões continuarão surgindo até que a terra se torne mais esclarecida sobre as verdades espirituais. É natural que, quando estamos conversando com Jesus, estas perguntas se apresentem, especialmente entre nós que fomos ministros das Igrejas várias. Jesus tem paciência innita, já que deve vir respondendo à mesma pergunta há muito tempo. Ele sempre trata cada novo interrogador como se fosse o primeiro a fazer tal pergunta. É de se espantar que estremeçamos quando ponderamos sobre o que dissemos e zemos na terra em nome de Jesus? Usamos o nome dele bem livremente durante o curso de nossas explanações eclesiásticas, até que chegou a ter um valor quase talismânico em nossas mentes. Nós o usamos ao término de muitas das orações da Igreja, incorporando-o em orações que, quando criticamente examinadas, percebe-se que não há nenhum signicado nelas. Tais terminações fazem parte do nal costumeiro da maioria das orações dos funcionários da Igreja, e normalmente levaram nelas, às mentes de tanta gente, as qualidades ctícias associadas com a maioria das práticas e expressões supersticiosas. Que Jesus tenha sido elevado a Deus é uma ofensa profunda a ele. A doutrina de sua paridade com o Pai é aceita e mantida universalmente e é rara a pessoa que venha a estes reinos que não tenha acreditado na doutrina ou sabido sobre ela. Todos nós descobrimos nosso engano quando anal chegamos aqui, e nossos pensamentos vão a ele, que foi tão mal entendido e que cou embaraçado pela reverência, adoração e a atribuição de deidade que lhe foi imposta. O mundo ainda não pode entender — pelo menos em partes dele — que o Grande Espírito do universo inteiro, de todo mundo, visto e não visto, o grande emanador e sustentador de toda a vida, é Um e indivisível. Ele é conhecido entre nós aqui como o Pai de Todos. Ele não tem nenhum lho que seja Seu 'lho unigênito', título pelo qual os credos da Igreja nomearam Jesus. Somos todos lhos e lhas do Pai. Desta forma, a religião Cristã inteira espera de Jesus imensamente mais do que é capaz de dar, ou estaria disposto a isso. Os 'éis', de qualquer denominação, por um lado rezam a ele como o Pai e, por outro, esperam receber seu julgamento. Rezar a uma pessoa como sendo Deus é colocar aquela pessoa em uma posição embaraçosa, para expressar isto de forma suave. Esperar o julgamento desta pessoa é atribuir-lhe poderes que nem por um momento ele pôde aspirar, se é que tenha aspirado a isso, e sugerir a execução de um trabalho que lhe seria desagradável no mais alto grau. Essa é a posição que foi imposta a Jesus pela Ortodoxia Cristã. Sobre o 'poder salvador' de Jesus, as efusões mais elementares e cruas, tanto no púlpito quanto no livro de orações, como também daquele indivíduo heterodoxo, o 'promotor de campanha para despertar a fé religiosa', ensinaram as pessoas a acreditarem que eles apenas têm que se lançar diante de Jesus para serem 'salvos' para sempre dos tormentos do inferno. A Igreja tem muito a responder pelo que fez, mas nunca foi tanto quanto nesta doutrina espúria da deidade de Jesus. Pois nessa doutrina toda a importância do trabalho de Jesus na terra foi distorcida ou obscurecida. Sua verdadeira avaliação foi alterada desta forma para fazer com que tivesse uma aplicação enormemente restringida, já que, sendo Jesus verdadeiramente Deus, e com Deus todas as coisas são possíveis, dessa forma o que ele fez na terra deve ser considerado somente como uma exibição do que o Pai pode fazer. Em vez disso, Jesus veio demonstrar o que o homem pode fazer com a ajuda divina. Se a missão de Jesus na terra for justamente compreendida, trará imediatamente em si mesma uma nova avaliação, e bem elevada. Mas uma das primeiras coisas que devem ser feitas para se chegar àquela compreensão é eliminar a falácia sobre Jesus ser o juiz de todo o gênero humano, como os credos especicamente declaram que é. Jesus é amigo de todos os homens, não o juiz deles. Jesus não é, e nunca foi, o indivíduo delicado que frequentemente sugerem tanto em quadros quanto em prosa — e em muitos dos hinos da Igreja. Sua força de caráter e os seus atributos físicos sempre foram mais elevados. A história das suas habilidades e poderes mediúnicos, e o exercício deles, é uma prova disso. Mas ser o 'grande juiz' terrível de toda a Humanidade — nunca! O parágrafo do credo que diz creio na Comunhão de Santos, numa primeira visão, pareceria oferecer as maiores esperanças de conter alguma substância. Sugerem muito, mas são, anal, palavras bem vazias, pois a 'comunhão' consiste somente em honrar elmente os santos como 'gloricados membros da Igreja', oferecendo-lhes orações, e pelos santos que rezam pelo el em troca. É tudo extremamente negativo. Usando palavras atuais, esta comunhão em particular está aberta ao 'tráfego' de uma só mão. O crente está em comunicação com os santos, mas estes não parecem estar em comunhão com ele. Seria positivamente terrível se um dos santos realmente zesse sua presença ser sentida e conhecida, fazendo desta forma a comunhão ser recíproca e concreta. Quem são os santos a quem a Igreja demonstra tanta devoção? Eles são 'gloricados membros da Igreja', de acordo com a denição ocial. A Igreja presume saber acima de toda e qualquer dúvida sobre o estado espiritual da pessoa a quem eleva à santidade, já que a Igreja, que canoniza, clama infalibilidade em suas determinações e em sua liderança na terra. Essa é uma grande e poderosa –se assim posso dizer- bazóa. Onde está a verdade? Simplesmente não há nenhum indivíduo na terra que pode dizer do estado espiritual de qualquer pessoa que esteja morando no mundo espiritual, a menos que esse indivíduo seja informado especicamente sobre o assunto diretamente destes planos. Isso nunca aconteceu no curso de qualquer procedimento de canonização, nem é provável que aconteça. A estimativa da santidade do candidato à canonização é pura adivinhação, pura suposição e pura presunção. Depois de provar, para a satisfação das autoridades eclesiásticas, que o candidato teve uma 'vida de santo' na terra, exige-se a prova da ocorrência de 'milagres' que lhe possam ser inquestionavelmente atribuídos durante sua ausência, depois da sua partida da terra. Como não há essa coisa de milagres na terra — nem no céu — o que acontece, então, com essas qualicações principais? O acontecimento de milagres nem sempre foi requerido. Os 'Mártires' pela fé foram promovidos espiritualmente pela Igreja na terra a seu tempo. Que desempenho cego que é essa coisa toda, pois na verdade a Igreja não pode ter nem a menor noção sobre em que parte do mundo espiritual o seu candidato a santo está vivendo. A Igreja assegura que estar no 'céu' é suciente. O Céu é um todo único; entretanto pode haver porções dele mais seletas e exclusivas que outras, contudo, basicamente, é um todo único.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.