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Capítulo 13 de 19

Vii. O Credo, Continuando — parte 1 de 4

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 6

Depois do parágrafo de abertura do credo dos Apóstolos que lhe dei, o credo então transfere sua atenção a Jesus. Declara as circunstâncias peculiares do nascimento dele, as quais são peculiares apenas pelas convicções Ortodoxas, mas na realidade não são nada estranhas, já que são, sob todos os aspectos, perfeitamente normais; então o credo continua no fato simples da morte dele e o enterro. Nisto os autores do credo seguiram a história da Bíblia. Mas no momento que Jesus sai da visão deles, como se diz, a especulação acontece em linhas teológicas típicas. Jesus, como declara o credo, desceu aos infernos; no terceiro dia ressuscitou dos mortos. A Igreja não só arma que Jesus desceu a essas regiões, mas professa dar a razão especíca pelo seu proceder. Assim que morreu, a alma dele desceu àquela parte de inferno chamado Limbo, diz a Igreja, onde as almas dos que morreram antes de Jesus estavam presas por não poderem subir ao reino do céu até que ele o abrisse a eles. Será que houve fantasia religiosa levada a níveis mais fúteis que este?! Confesso abertamente que quando vivi na terra, também acreditei nesta doutrina estúpida, mas não descobri a estupidez — ou a falsidade — dela até que cheguei nestes planos para viver. Entre as primeiras verdades que meu amigo Edwin me revelou, entre tantas palavras, estava a verdade compreensível que o mundo espiritual estava operando, funcionando e tocando suas múltiplas tarefas exatamente do mesmo modo como zera nos incontáveis milhares de anos antes do nascimento de Jesus na terra. Eu contei o que Edwin me falou entre tantas outras palavras. Isso somente fora um preâmbulo para minhas próprias peregrinações com ele e as observações que pude fazer durante elas, demonstrando a veracidade absoluta da sua declaração. Ela foi claramente exposta em toda extensão. Aqueles milhões de pessoas deveriam esperar por milhares de anos em condições e circunstâncias que, para dizer o menos, quase que não poderiam estar num grau minimamente tolerável, já que este Limbo mítico é reputado como sendo uma parte do inferno, que este número incontável de gente deveria ser compelido a esperar por uma 'abertura de cerimônia' ocial nas regiões melhores do céu. Isso revela às mentes sensatas as concepções realmente infantis da sabedoria divina da forma como elas foram entregues pelos primeiros clérigos e escravizadamente apoiados pelos seus seguidores pelas eras afora. Que propósito útil poderia servir um aprisionamento desses, desordenadamente demorado? Literalmente nenhum. A organização econômica do mundo espiritual, pois assim poderíamos designar toda esta imensa dispensação, não compreende o trivial. Não negocia em esforços despropositados, a esmo. Suas leis são leis naturais, e leis naturais não toleram o fantástico. As leis naturais do mundo espiritual são maiores que qualquer concepção humana ou leis dos homens. Nenhum propósito haveria, útil ou não, quando se detém deliberadamente incontáveis milhões de pessoas em regiões que não fossem agradáveis ao olhar. As leis do mundo espiritual não são leis insignicantes projetadas por mentes insignicantes. O que se supõe precisamente que Jesus tenha feito quando desceu ao inferno, e então 'abriu o céu' para todas estas pessoas? De que descrição, ou tipo, ou natureza, é o céu, já que requer 'abertura'? Onde o inferno termina e o céu começa? A Igreja certamente não pôde responder isso. A Igreja assumiria que há uma linha clara de demarcação entre esses dois lugares. Do portão do inferno entregue a sua alma, reza a Igreja pelos seus próprios mortos. Meramente uma menção poética, podem sugerir. Talvez, mas reetindo o que está nas mentes dos clérigos, não menos. Supõe-se que teria acontecido o quê, depois de acontecer esta imensa auência de humanidade? Há silêncio teológico neste ponto. O pio declararia indubitavelmente que estes milhões de pessoas vivas, que presumivelmente tinham cérebros dentro das suas cabeças, agora começariam a sua vida eterna cantando eternamente 'salmos, hinos e cânticos' espirituais, e se comportando de todas as formas que imaginariamente a Igreja acredita que nos comportamos aqui, ou como alguns dos semi-ortodoxos crêem, agindo como se diariamente fosse domingo, a vida sendo uma ininterrupta reunião para oração! Que mundo de diferença há entre as noções horripilantes da religião ortodoxa concernentes ao 'depois daqui', e a verdade sobre este mundo espiritual. Estão muito longe uma da outra. Por um lado têm-se as ideias triviais, insignicantes, esquisitas de toda a Igreja sobre nós e nossas regiões e, por outro, tem-se o fato de que somos um mundo superlativamente organizado, governado por leis naturais e contendo toda a sabedoria. Parecia haver um pouco de confusão nas mentes dos clérigos sobre o signicado exato de inferno. Um estudioso culto diz que inferno foi denido como um lugar de 'espíritos que se foram'. Isso é vago o bastante para dar grande prazer aos melhores círculos Ortodoxos. Mas ele faz objeção a esta denição porque inferno, quando usado em referência à condição daquele 'que se foi', não pode ser um lugar; pode ser só um estado. A ideia de lugar conota a ideia de matéria, e a ideia de espírito leva a sair de matéria. Localidade só pode aplicar a corpos. Espíritos, como tais, não podem ter nada a ver com localidade. O que se aplica a inferno também tem que se aplicar a céu. O argumento é verdadeiramente rico, pois simplesmente signica que o mundo espiritual não se situa em parte alguma, e nós, os 'espíritos', somos colocados semelhantemente. Não somos nada e não vivemos em nenhuma parte! Temos comprimento, amplitude e profundidade, mas, infelizmente para nós, não temos nenhuma magnitude! Deveremos ser sombras de algum tipo, mas pelo fato de que sombras às vezes têm um pouco de amplitude! Concordemos por um momento o argumento deste cavalheiro. Inferno só é um estado. Muito bem. No que se segue, meus amigos entenderão que nas mentes da maioria na terra, a palavra inferno signica as mais baixas regiões do mundo espiritual, é a antítese exata de céu. Inferno é tudo o que é horrível. No mundo espiritual nós não designamos especialmente as regiões escuras sob o título de inferno. Falando por experiência própria e pela dos antriões de outros, o inferno deve ser um estado que é reconhecido facilmente de longe, tendo muitas características bem distintivas que não são achadas em outra parte, mais ainda, um estado que é altamente malcheiroso e que pode ser percebido prontamente pelas narinas... bem rapidamente percebido. Eu escalei os locais rochosos dentro do 'inferno', vi a princípio as lagoas asquerosas com o seu fedor, examinei o lodo imundo e esverdeado na superfície das pedras, e observei de perto os cidadãos dessas regiões podres, muitos desses habitantes vestidos com sobras esfarrapadas.

Parti de maneira deliberada, acompanhado por amigos, para visitar estes reinos de trevas, e contei-lhes o que vimos lá. Fomos daqui para lá, de um lugar para outro, da luz para a escuridão. Fomos a pé como pedestres comuns. Deixamos todos os nossos ambientes bonitos para trás, as ores, a grama, as árvores, a água pura e cristalina, e muitos amigos encantadores. Conforme avançamos em nosso caminho, o local gradualmente deteriorou e a luz diminuiu até que chegamos razoavelmente no meio da escuridão e dos horrores. E aquele clérigo culto diria que o 'inferno' não é um lugar - nem céu, nem nada. O inferno dele é só um estado. Em outras palavras, uma condição criada pela mente, sem substância e sem localidade. Isso é precisamente o que não é. É um lugar criado pela mente, e isso é muito diferente, pois a mente, nestes planos, tanto de trevas como os de luz, pode e cria solidamente. As mentes dos infelizes nos reinos sem luz não têm nenhuma beleza, nem beleza espiritual nem beleza material. Eles só podem pensar em termos de bestialidade bruta, e o resultado — de acordo com a lei natural — são pedras duras, cobertas com lodo repugnante, buracos rochosos que contêm um líquido grosso e viscoso de cheiro repugnante. A mente maldosa, através de ações más, produzirá as paródias mais horrorosas e detestáveis da forma humana e suas características. Eu vi as mãos de um dos cidadãos destas regiões que se assemelhavam a nada menos que garras malévolas de alguma besta carnívora da terra, e cujos dentes eram verdadeiras presas. Isto tudo não era um 'estado'; eram reais e verdadeiros. Se não fossem reais, então nada na terra ou nestes reinos seria real. Não poderia haver nenhuma realidade. Tudo seria apenas um sonho; um pesadelo, emanações da mente. Vamos voltar à realidade e demolir aquela declaração tola do clérigo. Permita que lhe dê uma comparação simples. Você está lendo estas minhas palavras na página impressa, e palavras impressas em papel, quando o livro estiver fechado, são um fato real e sólido. Você poderia bater na mão de alguém com ele para chamar a sua atenção, e ele sentiria indubitavelmente. Vários destes livros empacotados juntos pesarão bastante, porque papel sempre pesa um pouco. Para ser breve, este livro é sólido e ocupa espaço. Você não o chamaria de 'estado'. Não; nem penso que o faria. Ocupa tão bem o espaço na realidade que você pode colocá-lo em sua estante. O livro é muito real, mas não é mais real que qualquer outro livro que nós temos nestes planos. Na verdade, é menos real, pois não tem nenhuma vida nele, enquanto nossos livros vivem em sua própria substância. Agora, eu tenho alguns livros em minha própria estante — de um deles não tenho orgulho, porque eu o escrevi e queria que não tivesse feito isso. Mas isso é a propósito. Esses volumes em minha estante são sólidos e permanentes; eles podem ser controlados, mudados e colocados em qualquer lugar que desejo. Você chamaria esses livros e as estantes onde estão de um 'estado'? A pergunta responde-se por si mesma. Geralmente, o fato é que os clérigos de qualquer denominação são obcecados pela noção de que nada no mundo espiritual tem solidez. Nós somos 'espíritos', cochicham ao outro, e por isso não pode haver nenhuma substância. O que eles realmente pensam e acreditam intimamente em suas mentes, só eles sabem. Seja lá o que possa ser, exteriormente eles não nos encararam, nem nós nem a terra em que habitamos, diferentemente de algo que seja essencialmente tênue e vaporoso. Mas o contrário é a verdade. Somos essencialmente sólidos e signicativos. Para nós, nosso próprio mundo e seus habitantes são relativamente mais materiais que o seu mundo da terra e seus habitantes são a você. Entre as vantagens superabundantes que temos sobre vocês está o fato de que somos imperecíveis, enquanto vocês não são. Em contraposição aos teólogos que acreditam que o inferno seja um estado e não um lugar, nós temos a escola oposta de pensamento que insiste em que não só o inferno é um lugar, mas um lugar ígneo. A estes reinos são despachadas todas as pessoas que ofenderam a Deus e 'morreram' naquela condição infeliz. As armadilhas são muitas, nas quais o mau pode cair. Até mesmo a infração a um dos 'mandamentos' da Igreja pode precipitar uma alma infeliz no inferno para toda a eternidade, porque a falta ofendeu Deus! Não há nenhum apelo. Justiça severa — do tipo teológico. Neste inferno existem chamas torturantes, queimando, mas nunca se consumindo. Esta forma suprema, primorosa de tortura foi inventada pelo Pai, assim é ensinado, e o fogo, como ensina um clérigo simples, inige as dores mais terríveis quando esse mesmo fogo for enriquecido com enxofre! Pobres companheiros de mente simples e sincera, cuja imaginação é tal que vê um Deus de amor e 'misericórdia' de um lado e, no outro, um Deus que condena os seres humanos inofensivos a queimarem por toda a eternidade. Para a descida de Jesus ao inferno que aconteceu em sua transição, há outra razão apresentada por outros grupos religiosos: É que Jesus foi ao inferno orar pela 'salvação' dos 'mortos'. Alguns armam que foi pregar lá o 'evangelho'. Toda essa concepção é uma revelação — outra entre tantas — de quão distante a Igreja está do contato com as verdades e das realidades espirituais. Pois se há uma coisa que não acontece nestes planos é um pensamento sequer de 'pregação'. Por pregação, claro, quero dizer a pregação do Evangelho, o evangelho cristão. Eu já tentei lhe mostrar que a religião Cristã não é o padrão espiritual destas terras. O mundo espiritual não é um mundo Cristão para o espírito. Não acontece nenhuma submissão a qualquer doutrina, dogmas ou credos, sejam eles Cristãos ou não. Reconhecem a verdade apenas, e a verdade é o padrão. A religião Cristã ainda tem muito a aprender. Se um dia vier a aprender, será altamente problemático. O Cristianismo organizado terá seus méritos, mas eles estão bem distantes por seus deméritos. As convicções das religiões Cristãs da terra, tomadas como um todo, incluindo uma ampla variedade de doutrinas irracionais, estão tão longe da verdade que não têm nenhuma aplicação à vida como ela é vivida no mundo espiritual. Desta forma, a última coisa que se ouve nestes reinos é 'pregar o evangelho'. Os habitantes das regiões escuras não são tratados desta maneira. De que serviria? O ministro que pensasse nestas linhas iria, talvez, parar em alguma pequena e agradável congregação do Dia de Sábado, em alguma localidade retirada e quieta onde tudo é paz, onde montaria o seu púlpito e ali babaria de tanto citar as escrituras, achando que assim eleva as mentes do seu rebanho, enquanto que, com certeza, as suas mentes, ou da maioria deles, mantêm-se completamente vazias durante todo esse proceder. Isso é 'pregar o evangelho', e ninguém discutiria o fato.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.