[user_registration_my_account]
Capítulo 5 de 19
Iii. Milagres — parte 3 de 7
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 6
Esses nossos amigos e parentes que deixaram de viver neste planeta serão contados entre os 'mortos'. E assim por diante. Desta forma, perceba que o termo 'morto' pode signicar duas coisas. Pode recorrer a corpos, ou a sobras de corpos que cam sepultados em cemitérios nas várias fases de desintegração, e pode signicar almas, ou espíritos, ou as personalidades dessas mesmas pessoas que partiram. Tudo isso é extremamente confuso. Ao falar com você, usei termos precisos sempre que possível para evitar enganos, e o risco da prolixidade que aparece em frases como 'Durante minha vida terrestre', ou ' Quando morei na terra', ou, novamente, 'Quando eu era encarnado'. Nesta última frase estou falando em termos terrestres. Encarnado signica simplesmente 'vestiu carne', quer dizer, 'um corpo físico', se prefere desta forma. Pensando em mim, indubitavelmente poderia usar o termo com o signicado 'desencarnado', claro, já que não tenho um corpo físico. Em tal base, co convencido de que nos entendemos bem um ao outro. Mas, para ser estritamente preciso, o que é falar com verdade absoluta, posso reivindicar que sou inquestionavelmente encarnado, já que estou falando do ponto de vista do mundo espiritual. Além disso, o corpo é de ordem bastante física a nós. É sólido; é natural; é perfeito em seu funcionamento e na aparência geral; nunca ca doente; não sofre de fadiga, nem de fome e sede; é imperecível e está de posse de seus membros completos, e assim por diante. Esse é o corpo que me abriga, a quem você, meu amigo, como leitor, veio a conhecer por estes escritos. Não estou de jeito nenhum descarnado, mas bem encarnado — todos estamos, no mundo espiritual. As pessoas na terra podem me considerar 'morto', e é algo que repudio veementemente, porque estou muito vivo! Aplicando-se a seres humanos, não há ninguém morto, pois todos que estiveram vivos na terra ainda estão vivos morando no mundo espiritual. Nunca, nem por uma fração de segundo, pararam de fazer qualquer outra coisa que não fosse viver. Vamos tentar, pelo menos para nossos atuais propósitos, trazer uma certa ordem a esta confusão, de forma que, no momento ou quando viermos a falar sobre 'retornar um morto à vida', não nos precipitemos em diculdades verbais piores. Morte somente se aplica ao corpo físico. Quando uma pessoa morre, o seu corpo físico torna-se inanimado. Toda a vida foi retirada dele, e tem que ser disposto da forma que já é bastante familiar a você. A desintegração acontecerá, depressa ou lentamente, de acordo com circunstâncias e condições, até que eventualmente haja muito pouco da forma física original que uma vez andou sobre a terra. Não há nenhuma forma possível de restabelecer essas sobras ao seu estado original. Nenhum poder na terra ou do mundo espiritual pode fazer isso. É uma impossibilidade absoluta. A convicção de que no 'juízo nal' os corpos mortos se levantarão das suas tumbas é, claramente, uma estupidez. Um breve pensamento mostrará o absurdo disto. Em primeiro lugar, assume-se que todo ser humano é enterrado confortavelmente em um cemitério ou outro lugar apropriado, ignorando-se os corpos desses outros que, através de meios vários, foram aniquilados completamente ou totalmente consumidos. A Ortodoxia tratou o corpo físico puramente do ponto de vista material, sem fazer qualquer tentativa para descobrir como o corpo físico é animado e o que acontece em sua dissolução. Se o assunto tivesse tido uma atenção apropriada dedicada a ele, muita elucidação teria sido alcançada sobre o suposto milagre de 'trazer um morto à vida'. O corpo físico é animado, é mantido vivo, pela alma do homem — colocando-se da forma mais simples, a qual possui um corpo espiritual pelo qual funciona e vive. O corpo espiritual, com todos seus componentes, usa o corpo físico para se manifestar enquanto está em sua curta estada terrestre. Os dois são rmemente, mas não inseparavelmente, unidos por uma corda magnética, uma linha da vida, por assim dizer, ao longo da qual, como a corrente elétrica em um cabo, passa a força que provê vida ao corpo físico. Não provê naturalmente vida completa ao corpo físico. Toda pessoa encarnada tem que obedecer a certas leis pelas quais o corpo físico é alimentado e cuidado, e lhe é dado seu necessário combustível, como numa máquina locomotiva. Enquanto a corda magnética estiver presa ao corpo espiritual, o corpo físico reterá vida nele. Enquanto o corpo espiritual permanecer dentro do corpo físico, o corpo físico reterá uma consciência normal. Quando o sono comum colhe o corpo físico, é porque o corpo espiritual se retirou temporariamente. As necessidades do corpo físico incluem a necessidade de uma certa quantia de sono. Tem que ser recarregado; a energia que foi consumida durante o trabalho do dia tem que ser substituída. Embora a quantia de sono requerida varie nos indivíduos, um pouco de sono, pouco que seja, é essencial. Esta retirada do corpo espiritual durante sono é um processo natural, comum a todo mundo, mas o que é mais necessário saber para nosso atual propósito: toda a experiência do sono, considerada como um processo, é bem próxima ao que na terra conhecem como 'morte'. Há uma diferença e, claro, dirão que é uma diferença vital! Literalmente é vital, no que concerne ao corpo físico. A diferença, então, entre sono e 'morte' é que no sono o corpo espiritual volta ao seu envoltório físico, e induz a um retorno, ou retorno parcial, da consciência física, mas na 'morte' o corpo espiritual renuncia ao corpo físico para sempre. A corda magnética é cortada, o espírito do indivíduo, a pessoa real, parte para seu autodesignado primeiro domicílio no mundo espiritual, enquanto o corpo físico assume todos os sinais inconfundíveis da ausência completa de animação, um dos quais é a decomposição. Nenhum poder, físico ou espiritual, pode revivicar o cadáver. Está morto, nal e completamente. O dono original do corpo não tem mais nenhum uso para ele. É apenas um artigo de vestuário refugado. Mas ele (ou ela) não está morto; está muito vivo. Pode estar dormindo em algum lugar nestes planos, por razões que lhe contei anteriormente. Mas não está 'descansando em paz', de acordo com o entendimento que vem do usual livro de orações para a frase. Está dormindo, e pode estar muito em paz, mas é um sono temporário de tratamento medicinal, quando isso se torna necessário. A paz que ele desfrutará quando despertar será a paz que as glórias da vida nova daqui gerarão dentro dele. Que noção inimaginável que é a que está na oração, 'dê-lhe descanso eterno, ó Deus'. Quão gratos todos camos por esta oração nunca ser respondida! Descanso eterno! Eu realmente poderia fazer um sermão dos mais eloquentes, baseado nessas duas palavras — se meus dias de sermões não tivessem terminado para sempre! Muitos clérigos expressaram a mim sentimentos semelhantes. Quanta riqueza de temas de sermões gloriosos é descoberta nas verdades do mundo espiritual. Mas o tempo para isso cessa desde que passamos a esses planos. Quantos ministros da Igreja desejaram poder pegar as orelhas das suas congregações anteriores uma vez mais, e lhes contar agora uma história bem diferente. Se todos pudessem fazê-lo, quantos deles teriam crédito? Viria contra eles o velho clamor de 'demônio'.
Tantos clérigos descobrem que, por suas preces e pregações, condenaram em suas congregações como sendo diabólicas as mesmas coisas que viram ser verdades eternas agora. Desta forma, efetivamente fecharam a porta nas suas próprias caras. Há exceções, claro. Com grande sorte, sou uma dessas exceções. Nem sonhava, antigamente, que poderia voltar ao plano terrestre para falar com esses que ainda se lembravam de mim. Quanto ao descanso eterno, conversaremos mais tarde sobre isso. Não é necessário que eu repita a narrativa das ocasiões em que Jesus 'trouxe um morto à vida'. Mas há algo para ser observado. Os próprios fatos têm economia de detalhes. É certo dizer que, se tais histórias acontecessem hoje, em outro contexto, elas nunca teriam aceitação por causa dessas poucas evidências. Elas são acreditadas somente baseadas no fato de que Jesus era Deus, e que as Escrituras em que estes fatos estão relatados são divinamente inspiradas. A palavra de Deus, na realidade. Em um dos exemplos, diz-se que Jesus trouxe à vida um cadáver que tinha sido posto no túmulo há quatro dias. Tão pouca esperança havia de que Jesus pudesse fazer qualquer coisa efetiva sobre o assunto quando chegou à cena, que um dos que choravam parece ter chamado a sua atenção a este fato ao mencionar especicamente que 'a esta hora' o corpo do falecido estaria em estado bem avançado de decomposição. O calor do clima seria indubitavelmente um fator contributivo a isto. Logo quando Jesus chegou para a ajuda fez a observação, de acordo com o Evangelho, de que a doença do homem 'não era mortal, mas para a glória de Deus, para que o Filho de Deus pudesse ser gloricado desta forma'. Como o texto explica, temos um exemplo do trabalho dos interpoladores. Jesus fez uma prognose simples sobre o caso em vista. Ele somente declarou que o homem não morrera da doença que o estava o acometendo no momento. Isso era tudo. Os teólogos lhe pedem que acredite que ao homem fora permitido adoecer de propósito, a m de que Jesus pudesse manifestar a sua autoridade e poder, e gloricar a Deus curando-o. Uma vez mais, lança-se Jesus a uma falsa posição. O que é innitamente pior, sugere que Deus fez as pessoas deliberadamente doentes, até mesmo permite-lhes que 'morram' — uma imputação ultrajante. Que Jesus pôde demonstrar a força dos seus poderes mediúnicos está absolutamente claro, mas ao demonstrá-los desta forma, estava prestando socorro aos seus irmãos da terra através da cura do doente. Não era trabalho dele continuar executando os alegados milagres como prova de sua 'autoridade' divina. Nenhum homem requer 'autoridade', divina ou outra, para fazer bem. Jesus não provou que ele era Deus pelo que fez, mas provou o que poderia ser feito com a ajuda de Deus, com a vivência correta, e cultivando os sentidos psíquicos e os dons. Jesus sentia-se sucientemente assegurado de que o homem não morrera, porque pelos seus sentidos mediúnicos percebeu a verdadeira situação do caso. A sua prognose psíquica provou ser completamente precisa. Embora detalhes médicos sejam desejados, está claro que o homem doente tinha caído em um estado de coma de profundidade suciente para justicar o veredicto de que estava 'morto'. Sendo a ciência médica primitiva naquela época, quem julgaria de outra forma? Não é surpreendente, então, lermos que, quando Jesus aproximou-se do homem, descobriu que presumiram sua 'morte' e, adequadamente, enterraram-no. Que Jesus cara transtornado por esta conclusão é natural, já que pelo enterro poderiam ter causado a transição do homem, colocando-o além de toda a ajuda material possível, considerando que poderia ter respondido ao tratamento de um mero caso de coma. Não levou muito tempo para Jesus perceber que não era tarde. Ele podia ver que a corda vital que une o corpo espiritual ao corpo físico ainda estava intacta. Jesus deu as ordens dele; fez o que era necessário, e o homem supostamente 'morto' foi devolvido aos seus parentes. A prognose psíquica de Jesus estava completamente justicada. O que se aplica neste caso em particular aplica-se igual e positivamente nos outros exemplos onde Jesus 'trouxe os mortos à vida'. Que as pessoas em questão enfaticamente não estavam 'mortas', no sentido de que os seus corpos não estavam completamente sem vida, simplesmente é uma questão de verdade espiritual. Se os corpos físicos dessa gente estivessem inanimados, Jesus não os poderia ter restabelecido à animação. Bem semelhantes a estes atos especícos de Jesus, são esses que vêm com a designação 'curando os doentes'. Novamente, claro, reivindicações da Ortodoxia dizem que Jesus pôde fazer isso porque era Deus. Ao longo do texto da Bíblia, grande ênfase é posta constantemente na 'fé', com relação ao muitos atos de cura. De Jesus, em uma ocasião, dizem que deve ter dito à pessoa doente, “Tua fé te curou”. Teólogos fazem naturalmente uso da maioria de tais expressões como estas. A fé, diriam, signica a convicção de que o Jesus era Deus. Sem esta convicção denida não teria havido nenhuma cura. Ou fé, outros declarariam, nos poderes de Jesus como um curador dos doentes. Em qualquer coisa que possa ser, a fé é essencial. Como essa palavra tão curta é usada por clérigos em geral! Acredite nisto ou naquilo, e será 'salvo'. A cura pela fé, como dizem, é praticada na terra por alguns clérigos até hoje em dia. Ajuntam os doentes nas suas igrejas e, pela 'imposição' das mãos, tentam alívio e conforto ao doente, e talvez curá-los completamente. Tais métodos são desaprovados em alguns locais, apesar do exemplo deixado pelo seu Mestre, mas o uso do termo 'a cura pela fé' ajuda a escapar da censura de um superior eclesiástico. A menos que o paciente tenha fé, dirão, eles não podem fazer nada. Curando o doente através da ação espiritual?—nunca! Eles nunca se associariam a tais coisas sujas, armam piamente com horror! Esta é puramente uma questão religiosa. Vale a pena olhar um tantinho mais de perto nesta questão de cura pela fé. Em primeiro lugar, a palavra 'fé' se presta a uma variedade de signicados e, por conseguinte, é aplicada em vários modos diferentes e em contextos diferentes. A Fé, diz o velho ditado, moverá montanhas. Aqui eu concluo corajosamente e enfaticamente armo que a fé não fará tal coisa. Muita coisa se espera da fé. Isso não é culpa da fé, mas de pessoas que abusam da palavra. Quanto à cura pela fé dos clérigos, a fé é usada para cobrir os seus sucessos e os seus fracassos. Se o paciente foi curado ou recebeu um benefício óbvio, a fé é a causa. Se nenhum sucesso foi alcançado, então a falta de fé é a razão. Em ambos os eventos da cura pela fé e tudo o que parecer com isso ca protegido completamente. Os resultados, pelo que parece, cam a cargo do paciente. O clérigo talvez reivindique pouca coisa a ele. Tua fé te curou. A Fé somente não poderia fazer tal coisa. Se for fazer sentido espiritual, aquela frase deveria ser 'Tua fé ajudou a te curar', o que é precisamente tudo o que a fé pode fazer. No máximo, fé — isto é, o tipo particular de fé que estamos agora discutindo — é um estado alegre, otimista de mente, uma atitude esperançosa.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.