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Capítulo 10 de 19

Vi. O Credo — parte 1 de 3

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 6

Há uma passagem nos Bíblia que diz: “Qual é o proveito se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? Mais adiante está escrito que também a fé, se não tiver obras, por si só está morta. (NT: Tiago, 2, 14 e 17) Surge naturalmente a questão: fé em quê ou em quem? Fé na existência de Deus, talvez? Ou fé em algum ramo particular de religião? Embora a Igreja enfatize que fé sem obras é uma situação perigosa para qualquer homem, contudo declaram sem hesitar que trabalhar sem fé é completamente fatal. Isso não só signica fé na existência de Deus, mas uma convicção em todas as doutrinas como relato de várias cláusulas dos credos. Nestes escritos, anteriormente já falei com você um pouco sobre o assunto da fé, mas aqui temos fé de outro tipo. A fé Cristã consiste em um corpo de crenças colocadas numa sucessão de cláusulas sob o título de credo. Um credo seria descrito como várias convicções mantidas por uma sociedade, às quais todos têm que se submeter se desejam se tornar e permanecer como membros daquela sociedade. No nosso caso presente, a sociedade é religiosa, isto é, a Igreja. Os credos da Igreja são reivindicados como sendo compilados da Bíblia, com referência particular a algumas das declarações ou ensinos de Jesus. Alguns dos credos são imensamente mais complexos que outros, mas todos contêm declarações que são impossíveis de serem explicados. Realmente, quando os teólogos tentam explicar em detalhes qualquer um dos credos, a explicação deles é apenas 'uma troca de ignorância por outra de outro tipo'. A Igreja inventou convicções bizarras, supostamente fundamentadas na Bíblia, e se precipitou em problemas insuperáveis em sua tentativa de esclarecê-los. Na maioria dos escritos ociais da Igreja, a maior pressão é colocada na fé, com ênfase adicional na fé. Sem ela, o homem ca praticamente condenado. A Ortodoxia negocia com a fé como se fosse um artigo. Fé é um passaporte ao céu. O que cada homem pensa por si sobre a fé, da forma como ela é classicada nos credos? Qual é a atitude dele em relação a eles? Isso é para que cada indivíduo diga por si. Muitos vão contestar dizendo que o homem tem que ter algo em que acreditar, em que colocar sua esperança e conança, tem que ter algo em que se 'agarrar'. Concordamos com isso profundamente, mas por que o homem não pode depositar sua esperança e conar em fatos, e agarrar-se à verdade? Isso seria bem mais signicativo que convicções mais sublimes. Quantos homens podem entender as cláusulas várias dos credos? Se eles forem verdadeiramente honestos consigo mesmos, admitirão que realmente não entendem nem uma parte deles, nem as explicações ociais os deixam mais sabedores. Ainda mais, são preparados para acreditar em algo que não podem compreender, cujo signicado poderia ser qualquer coisa no meio de tudo que sabem. Pelo menos um dos credos foi incorporado nos serviços gerais da Igreja, da qual forma parte importante. É recitado regularmente por muitas pessoas e por todas as partes do mundo. Em todos os sentidos é apenas serviço labial, o 'crente' entra em estado de sonolência espiritual. O livro de orações é somente meio de relembrá-los de certas palavras a serem ditas em uma certa ordem. Elas normalmente são tagareladas ou resmungadas. Quanto ao credo, não importa se termina apressado ou não, porque as palavras não signicam nada nas mentes da maioria, apesar de repetirem as palavras 'eu creio'. E a signicação espiritual dos credos, a avaliação das verdades espirituais colocadas neles? A Fé do tipo que estamos discutindo agora é completamente inecaz. Toda a fé do mundo, codicada em cem ou mais cláusulas, fazendo quaisquer reivindicações que seus compiladores possam achar justas que se façam, e recitada por milhões de pessoas sérias, sinceras, é impotente para fazer um cisco de diferença às verdades eternas do mundo espiritual, e não pode produzir uma fração de um grau de progresso espiritual ou avanço intelectual em qualquer pessoa. Não há nenhuma lei no mundo espiritual que pode ser alterada, qualicada ou modicada por qualquer fé que seja celebrada por qualquer pessoa na terra — nem no próprio mundo espiritual! A fé não pode alterar fatos. As pessoas acreditarão, ou assim declararão, que de acordo com os termos do credo conhecido como o credo dos Apóstolos, Jesus desceu novamente ao inferno e voltou no terceiro dia. Será que essa gente parou para pelo menos pensar no que crê? Eles acreditariam nessas duas declarações da mesma forma que acreditam que o sol amanhã aparecerá? Eles não têm nenhuma evidência de que Jesus desceu ao inferno, mas dirão que a probabilidade do sol subir amanhã é tão forte que pode ser considerado sob todos os aspectos como uma certeza absoluta. A mesma convicção poderia ser aplicada à descida de Jesus ao inferno? Opiniões teológicas dividem-se sobre qual é o destino de um homem que não tem nenhuma fé, usando a palavra em seu sentido religioso. Alguns dizem que sofrerá morte eterna. É difícil de saber exatamente o que é morte eterna. No que concerne à vida do homem, não há coisas como morte eterna. O corpo físico é a única parte de homem que pode sofrer morte. Só neste sentido o termo tem qualquer signicado. Uma vez que o corpo físico esteja morto, estará eternamente morto, pois nenhum poder na terra, ou nos reinos espirituais, pode trazer-lhe vida. Claro, a Igreja não interpreta as palavras assim. Se o zesse, teria o crédito por ter feito uma declaração profunda da verdade — grande raridade! Não, não é ao corpo físico que os teólogos estão se referindo, mas à alma do homem, a alma imortal. Assim, por um lado a alma é imortal, e, por outro lado, pode sofrer morte eterna! Os teólogos declaram que o homem é capaz de 'perder sua alma', como se fosse uma posse da qual o homem pudesse se privar por causa de mau comportamento, ou porque tivesse desobedecido uma das leis peculiares da Igreja, ou porque provou não merecê-la. A alma do homem não pode sofrer morte, eterna ou não, pois a alma do homem é imperecível. Pode-se perguntar, 'O que é a alma de um homem'? Nós não precisamos nos preocupar com denições teológicas — especulações seria uma palavra melhor —mas aqui usarei a palavra para signicar todas essas qualidades ou atributos que conjuntamente vão formar o que se vê manifestado na personalidade de um homem. A alma de um homem poderia ser descrita como a soma das suas experiências, indelevelmente registradas nas dobras de sua mente. Sua alma, meu amigo, é bem você, como você se conhece, com todos seus modos e predileções particulares, todas suas fantasias, seus gostos e repugnâncias, com todos seus pensamentos e convicções mais íntimas, suas virtudes.

Esse é o uso não-técnico que aqui faço da palavra alma, e o faço apenas pelos propósitos presentes. Vão surgir problemas ao se tentar explicar certas coisas pelas condições terrestres que existem dentro da gama de seu entendimento — e do meu próprio, pois se eu mesmo ainda não posso entender certas coisas, como poderia explicálas a você tendo esperança de que as compreenda? O corpo físico é a única parte do homem que é perecível. Todo o resto dele é imperecível. Por mais baixo que ele possa afundar espiritualmente, ainda assim não pode perecer. Ele pode permanecer nos seus baixios durante eternidades de tempo, contudo ainda vive. Não há nenhum poder, eclesiástico ou não, que possa tirar a vida de uma única pessoa que seja. Apesar das muitas leis horrorosas que a Igreja pôde introduzir, a violação de qualquer uma delas pode, nas mentes dos doutores da Igreja, trazer morte perpétua à alma, mas essas leis eclesiásticas não podem fazer uma só partícula de diferença. É verdade que alguns teólogos se referem à alma como sendo imortal, mas isso revela a confusão que existe por parte dos teólogos somente porque, faltando com a verdade, fazem especulações apressadas. A Igreja reivindicou certos direitos sobre alma: moldou leis, puramente por sua própria autoridade, pelas quais o estado espiritual, até mesmo a localidade espiritual, de uma pessoa depois da morte é predeterminada. 'Se você morrer em estado de pecado mortal', diz uma Igreja com extremo dogmatismo, 'perecerá no inferno para toda a eternidade'. Os trovões ponticais da Igreja — destes em particular — não fazem nenhuma diferença nos fatos da vida espiritual. Nós ainda continuaremos nossa tarefa de ajudar as pessoas que chegam aqui em tão grande número e tantos deles em estado de 'pecado' mortal. Eles não parecem nada piores por estarem nesta supostamente terrível condição! Se esta declaração em particular fosse diferente do lixo que é, as mais baixas regiões do mundo espiritual — claro que quero dizer das regiões trevosas — por agora estariam completamente lotadas de boa gente cujo único 'pecado' foi desobedecer alguma lei eclesiástica, insignicante ou regente. É uma pena que a Igreja se faz aparecer tão tola aos nossos olhos aqui. O que a falta de fé tem a ver com a luz da verdade espiritual? Apenas isto: nada. Fé do tipo teológico não tem nenhuma signicação em qualquer parte destes planos, do mais elevado e mais perfeito até o mais baixo e completamente imperfeito, dos reinos de pura luz até os reinos de pura escuridão. Os escritores no Novo Testamento colocam uma não comprovada e improvável ênfase na fé. Em sentido exato, não é falta desses escritores. É o trabalho em tempos posteriores de muita gente que introduziu tanta interpolação na Bíblia, que o texto original cou totalmente distorcido em algumas passagens, escandalosamente falso em outros. A Fé não faz a menor diferença quanto ao domicílio de um homem neste mundo espiritual, nem a falta dela. Muitos séculos atrás, certos povos orientais encaravam o sol como sendo a incorporação visível do Pai, representação d'Ele na terra. O sol banhou benevolentemente a terra com luz e calor, e permitiu-lhes cultivar comida com o que sustentar os seus corpos físicos. O sol os ajudou a manterem-se vivos na terra. Eles não adoraram o sol, como muitos acham que zeram, mas somente consideraram o sol simbolizando Deus. Foram, e ainda são, chamados de adoradores de sol, e são encarados como os pagãos e idólatras do pior tipo. Não tinham nenhuma fé, como os teólogos de agora usam a palavra, contudo quando chegaram a estes planos não estavam nem um pouco piores espiritualmente por causa disto. Uma Igreja arma que tudo o que é necessário para a 'salvação' está contido na Bíblia. Na realidade, de acordo com os ensinos da mesma Igreja, toda a vida de um homem no 'além' depende da 'salvação'. Mas essas pessoas antigas do oriente viveram na terra centenas de anos antes mesmo que a Bíblia fosse escrita ou que se ouvisse falar da salvação. Por que a salvação só seria necessária ao gênero humano na terra desde dois mil anos atrás? Por que não era necessária nas épocas anteriores àquele tempo? Depois veremos a resposta ridícula da Igreja a estas perguntas. A Ortodoxia fez um mistério monstruoso e fantástico sobre a parte espiritual da vida do homem na terra e depois da dissolução dele, no mundo espiritual. Impôs condições que não tinha nenhum direito de fazer. O antigo clamor foi ouvido, e ainda é ouvido por algumas regiões: não há nenhuma salvação fora da Igreja, mas isso envolveu muitas dúvidas, muitos problemas para os quais nenhuma solução pôde ser achada. Os homens usaram seus poderes de raciocínio e não puderam perceber nenhuma razão lógica pela qual não devesse haver salvação fora da Igreja. A religião Cristã deu a si própria o encargo do bem-estar espiritual dos homens, colocou uma multiplicidade de regras, inventou convicções inumeráveis, como se revela nos credos, e assim circunscreveu de tal forma a vida espiritual do homem na terra que as chances dele de parar no 'inferno' depois de sua morte cam sumamente remotas. Assim como com os extratos que z dos serviços de enterro, assim também tratarei dos credos, quer dizer, com extratos passim (NT: advérbio latino que signica, literalmente, "aqui e ali"; "por toda parte") . Dá na mesma a qual deles vou me referir - são todos igualmente inecazes. Eu lhe pediria apenas que se lembre que ser Cristão signica, no sentido exato, subscrever-se às condições as mais simples destes credos, e que a religião Cristã se considera possuidora dos direitos exclusivos na promoção e no cuidado do bem-estar espiritual do homem. A religião Cristã é vista pelos cristãos como padrão a todas as religiões, e que só por ela pode-se obter a salvação. O primeiro artigo ou cláusula dos credos abre com as palavras, 'Creio em Deus Pai todo-poderoso'. Aqui uma pergunta se apresenta imediatamente, 'O que acontece, no mundo espiritual, com um indivíduo que sente que, por uma razão ou outra, não pode acreditar na existência de Deus?' Há inúmeras pessoas boas que, quando lhes acontece algum tipo de desgraça, não conseguem acreditar que Deus permitiria que tais coisas terríveis acontecessem, porque Deus deveria ser um Deus de bem. Então, argumentam que não há nenhum Deus. Não poderia existir, dizem com efeito, ninguém 'lá em cima', sabendo que há tanta miséria apavorante 'aqui embaixo'. Só precisamos apontar a batalha horrível pela qual a terra passou para termos exemplos copiosos de tragédias pessoais. Se a crença deles no Pai esmorece gradualmente, ou seja, pensam eventualmente de forma diferente, não faz diferença individualmente àquelas pessoas se, quando chegarem aqui ao mundo espiritual, ainda trouxerem aquela descrença. Quem vai condená-los? Ninguém. O próprio Pai não o faria. Ele não condena ninguém, nem permite que qualquer outro o faça. Essa é uma declaração que já lhe z antes, mas não pode ser reiterada muito frequentemente. A Igreja tem um temeroso destino guardado para o ateu: o inferno para toda a eternidade. Não é no que um homem crê durante a sua vida terrena o que conta: são as suas ações e os seus motivos onde se baseia a grande avaliação. Se ele foi espiritualmente bem, e ainda assim não acredita em Deus, é o desempenho espiritual dele que conta — e sempre contará.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.