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Capítulo 24 de 24

Precognição e Premonição — parte 10 de 10

Guerras e Profecias · Ernesto Bozzano

circunstância de fato esta última a qual subentendia necessariamente a existência de um "cérebro etérico" imanente ao "cérebro orgânico". Ora, essa outra revelação da psicobiologia resultava uma aquisição experimental muito eloquente no que tange a questão aqui considerada. Por isso foi eficaz de eliminar de uma vez as perplexidades que sempre impediram os fisiologistas de admitir a existência de um espírito sobrevivente à morte do corpo, perplexidades que se resumiam em uma circunstância factual indubitável: a da existência de um paralelismo psicofísico nos fenômenos do pensamento, que inevitavelmente levaram a inferir a extinção do espírito com a dissolução do órgão pensante.

Nenhuma dúvida, repito, que nos limites de seus conhecimentos especializados, os fisiologistas e os histologistas estavam certos em concluir neste sentido, e isso resulta logicamente inevitável, que neste sentido, o escrevente também havia concluído no período filosófico de suas próprias investigações sobre nesse mistério, o mistério do Ser; mas não seria mais assim se os eminentes oponentes em questão, à maneira do escrevente, se decidissem estender os processos de análise comparativa à fenomenologia sobrenatural investigada pela metapsíquica; caso em que, por sua vez, deveriam reconhecer a existência indubitável de um "cérebro etérico" imanente ao "cérebro orgânico", com as consequências teóricas que dele derivam, as quais podem ser resumidas observando que a partir do mesmo deve-se inferir que o "cérebro orgânico" é apenas um dispositivo receptor das "vibrações físicas" específicas que chegam a ele do mundo externo por meio dos sentidos, e as transforma - em um segundo tempo - em "vibrações psíquicas", de modo à torna-las perceptíveis ao espírito imanente no "cérebro etérico".

Dito isso, segue-se que com a ajuda da nova concepção do Ser (concepção não mais parcial, mas totalitária), a qual emerge radiante em base à investigação das manifestações paranormais, se explicaria muito melhor por qual motivo um indivíduo perde temporariamente a razão sob a influência de uma bebida alcoólica, e não mais raciocina como deveria se o cérebro orgânico funciona em desordem, como na demência. Em outras palavras, ficaria claro que se o aparelho que transforma as vibrações físicas em vibrações psíquicas reage desordenadamente, o "cérebro etérico", sede do espírito, não será mais capaz de receber percepções exteriores corretas, muito menos de agir à periferia com pensamentos e atos apropriados, os quais continuarão a ser transmitidos, mas

o aparelho transformador irá deturpá-los e irá distorcê-los em representações desconexas. Concluo informando que a existência de um "corpo etérico" no organismo humano, e consequentemente de um "cérebro etérico" imanente ao "cérebro orgânico", é demonstrada com base em fatos, de forma incontestável, pelas manifestações sobrenaturais inerentes às funções do corpo etérico, o qual podendo se externalizar temporariamente do organismo corporal, tanto espontaneamente quanto no sono fisiológico, no êxtase, no desmaio e no coma, seja experimentalmente no sono sonambúlico e no sono mediúnico; ele se presta a ser investigado cientificamente. Uma vez que não é possível demonstrar tudo o que foi exposto em uma síntese conclusiva, sugiro aos leitores que desejam se aprofundar nesse tema tão importante, a minha monografia intitulada: Dei fenomini di Bilocazione. (Dos Fenômeno de Bilocação). (1). (1). Este livro foi publicado em poucas cópias pela Editora Dante da Città della Pieve (Perugia). A edição é de 1934; p. 132. Será por nós reimpresso, com algumas modificações que o Mestre nos recomendou, em algum momento, nesta série. [G.

D. B.] Prosseguindo, esta monografia traz também um novo contingente de fatos em demonstração do que foi discutido em profundidade no capítulo final da monografia anterior, a respeito do tema concernente à existência de um Fatalismo colocado para reger os assuntos humanos individuais e coletivos. Tema formidável e perturbador que, no entanto, em base aos processos de análise comparativa, foi possível penetrar o suficiente para circunscrevê-la nos devidos limites. E desta vez foi alcançado com base em fatos, não através da formulação de postulados metafísicos impotentes, como os que por trinta séculos vão se acumulado nos pesados sistemas metafísicos dos grandes pensadores, sem concluir nada.

Desta vez, porém, com a ajuda da Metapsíquica, que se encontra em condição de demonstrar experimentalmente que se existem categorias de manifestações premonitórias que comprovam de forma indiscutível a existência de um fatalismo sobre os eventos humanos individuais e coletivos, ao contrário, existem outras categorias de manifestações deste tipo em que existem elementos de variabilidade oriundos da iniciativa individual, os quais estão indicando que nos assuntos dos indivíduos e dos povos, existem outros acontecimentos inexoravelmente pré-ordenados por um poder extrínseco imperscrutável. Também existem outros eventos os quais provam a existência de uma relativa liberdade de escolha em assuntos individuais e

coletivos; relativa sim, mas suficiente do ponto de vista filosófico da ascensão espiritual humana, e ainda mais porque resultaria em uma relação matemática com o grau de evolução espiritual alcançado por cada indivíduo. Observo a esse respeito que essas conclusões, baseadas nos dados experimentais da análise comparada, fornecem confirmação válida à brilhante concepção metafísica do Professor William James, segundo a qual existiriam para cada individualidade humana “múltiplas possibilidades de vida", às quais poderão ou não se realizar seja por conta da vontade, seja contra a vontade do próprio indivíduo. No primeiro caso demonstrando a existência no indivíduo de uma "relativa liberdade de escolha"; no segundo, a existência de uma "fatalidade relativa"; de maneira que o segundo fator resultaria complementar do primeiro, e ambos seriam indispensáveis a modelar uma alma, assim como no mundo dos viventes o Mal resulta complementar do Bem, e ambos são indispensáveis à evolução das espécies; ou como o pólo negativo é complementar ao polo positivo em todas as aplicações elétricas, e ambos são indispensáveis para a criação de energia.

Em outras palavras: Fatalidade e Liberdade seriam os dois fatores contrastantes sobre os quais cada existência humana depende; assim como o progresso humano depende do contraste social de interesses e das ideias. E assim como, no domínio da física, a transformação da energia elétrica em luz radiante depende do contraste de duas correntes: positiva e negativa. Essa é a lei imperscrutável que governa todo o universo, do átomo ao astro, da bactéria ao homem. (1) (1) As considerações apresentadas, que resultam numa síntese muito limitada do que emerge da exposição dos fatos e das considerações sugeridas pelos fatos contidos na monografia sobre "Fenômenos Premonitórios" (*), convida todos aqueles dentre os leitores que desejam avaliar sua eficiência real no sentido considerado, desejar ler e ponderar os dois últimos capítulos da monografia em questão. (*) Luzes no Futuro (Fenômenos Premonitórios) dois volumes de um total de 500 páginas. Casa Ed. Europa, Verona, 1947. [G. D. B.]

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.