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Capítulo 4 de 19

Ii. Introdução — parte 2 de 17

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 5

O homem, ele próprio, é o seu próprio juiz. Os seus pensamentos, as suas palavras e as suas ações, registrados na sua mente, são seu único juiz, e de acordo com a forma como a sua vida terrestre foi vivida, assim será o seu lugar nestes planos do mundo espiritual. Esta é outra lei natural, e como todas as leis do mundo espiritual, é perfeita em sua ação. Não requer nenhum intérprete, nenhum expositor. É auto-acionante e incorruptível; e, o que é muito importante, é imparcial e infalível. A antiga ideia de um Anjo Registrador, cuja função especial seria inscrever em um grande livro todas as nossas ações boas e todas nossas ações más, é bastante poética, mas completamente errada. Nós fazemos nosso próprio registro por nós mesmos, e esta é pelo menos uma ocasião em que falamos verdadeiramente! Não podemos esconder nossas ações ruins, mas também não podemos esconder nossas ações boas. Estou usando a palavra ações em um senso geral. O que realmente conta em nossas vidas terrestres é o motivo por trás de nossas ações. Nossos motivos podem ser dos mais elevados, mas a ação real pode ter uma manifestação externa pobre. E o contrário é igualmente verdade. Por exemplo, um homem pode dar grandes somas de dinheiro para alguma entidade caridosa com a intenção exclusiva de publicidade pessoal e auto-engrandecimento. Mesmo que o próprio presente possa fazer um grande bem a quem foi dado, o motivo por trás do presente não trará vantagem espiritual ao doador. Mas, se este mesmo doador presta um pequeno favor a outra pessoa em diculdades ou em circunstância semelhante, não sendo visto por terceiros, e com a intenção exclusiva de ajudar um semelhante angustiado, tal pequeno e furtivo favor traz uma recompensa rica a quem o faz. É o motivo, sempre, que conta. Os favores mais ricos são, frequentemente, os prestados sem uma fanfarra de trompetes. Muitos de nós aqui do mundo espiritual camos surpresos quando descobrimos que algum pequeno serviço que zemos -e imediatamente depois esquecemos- nos ajudou em nossa progressão espiritual numa extensão que dicilmente julgaríamos possível. Mas aqui nós vemos as coisas à sua própria luz, quer dizer, na sua verdadeira luz, porque são registradas dentro de nós mesmos na sua verdadeira luz. Veja você, não precisamos de ninguém para nos condenar. Ninguém poderia nos condenar mais exatamente, mais estritamente, mais verdadeiramente e ecientemente que nós mesmos. Quando chegamos ao mundo espiritual pela nossa dissolução, achamo-nos no ambiente preciso que providenciamos para nós mesmos. Este ambiente pode ser de escuridão ou de luz, ou pode ser de trevas escuras. Mas onde quer que possa ser, nós temos a nós mesmos para agradecer, ou culpar por isto. Mas, naturalmente você perguntará, tendo em mente certos ensinamentos religiosos ortodoxos sobre o assunto, esses que moram na sombra ou na escuridão estarão limitados a essas regiões para toda a eternidade? Não, não! Nunca seria para toda a eternidade. Eles permanecerão lá por tanto tempo quanto desejarem. Realmente, alguns deles viveram nos reinos tenebrosos para milhares de anos, mas milhares de anos não são nenhuma eternidade, embora às vezes possa parecer a alguns dos habitantes dessas regiões. Mas toda alma situada na escuridão é livre para encurtar sua estadia sempre que estiver pronta. A escolha é dela. Se os cidadãos das regiões mais escuras não mostrarem nenhuma aptidão para a progressão espiritual para assim se erguerem e saírem da escuridão, então permanecerão onde estão. Ninguém os força a carem lá. Eles mesmos escolhem fazerem assim. No momento em que aquele habitante infeliz mostra a mais ínma tendência de se erguer para fora das condições tristes desses reinos escuros, esta tal tendência se torna um desejo que os outros de mais alto podem ver, e toda ajuda será dada àquela alma, para que coloque os seus pés rme e fortemente no caminho da evolução. Tal caminho pode ser íngreme e difícil, mas nem tão íngreme nem tão difícil que alguém não possa ajudar a sobrepujar todos os obstáculos nele contidos. Isto é progresso espiritual no senso mais amplo da palavra. Está aberto a todos. Nós, neste reino bonito de luz, estamos todos trabalhando para nosso avanço espiritual. Não é restrito aos que vivem nas regiões escuras. As pessoas que habitam as esferas magnícas acima desta em que moro, estão caminhando adiante e para cima em sua marcha de progresso triunfante. Nunca cessa, e progresso espiritual é um direito inato de cada alma. Toda esta concepção crua de ser maldito para toda a eternidade surge de uma concepção totalmente errada sobre o Pai do Universo, uma concepção grotesca que achou seus partidários ao longo dos séculos, e isso, por conseguinte, pôs medo nos corações do gênero humano. É, na realidade, uma convicção articial, sem o mais leve fundamento. E não leva muito tempo para um recém-chegado ao mundo espiritual descobrir que a ideia inteira de danação eterna é uma ideia totalmente impossível. E agora, eis algo que Edwin, Ruth e eu descobrimos cedo, em nossos trabalhos em comum. Quando se fala aos recém-chegados, os quais obviamente nunca poderiam ser qualicados para o castigo eterno, que tal coisa não existe, nunca existiu, ou jamais existirá, eles exibem uma sensação imensamente forte de alívio. Eles normalmente explicam que este sentimento de alívio não é, como diriam, por eles mesmos, mas em parte por todos os outros menos afortunado que eles, e em outra parte pelas possibilidades de longo alcance e os prospectos que esta ausência de castigo eterno sugere às suas mentes. Eles logo vêem que o todo o mundo espiritual se descortina diante deles com direitos iguais a eles e aos que eram seus reis na carne, e que o Deus de quem que eles sempre tiveram bastante medo quando estavam na terra é um Pai de benevolência ilimitada e ilimitável; e , além disso um Deus que nunca poderia respirar vingança sobre qualquer um dos lhos d'Ele. Só isto, por si, é uma brilhante descoberta que presta grande serviço ao recém-chegado aos planos espirituais, já que imediatamente abre sua mente à verdade. Um momento atrás eu lhe falei que quem acaba de passar para o mundo espiritual vai para o seu lugar autodesignado, mas você ouve falar de indivíduos que são recém-chegados e que cam vagando à toa, aparentemente perdidos, e que não parecem saber o que lhes aconteceu. Pode acontecer que eles não saibam que passaram para cá? O estado de esclarecimento espiritual da terra é tal que, em muitos casos, essa gente ca completamente desavisada de que 'morreram'. Isso simplesmente signica que não pararam de viver; há uma continuidade irrompível de vida para eles, como realmente há para todos nós. Esta situação frequentemente acontece entre pessoas que fazem a passagem ao mundo espiritual de repente e, talvez, sem conhecimento. A sua falta de conhecimento sobre as condições que existem no mundo espiritual produz este estado de atordoamento, e se também acrescentarmos àquela ignorância o fato de que, durante a sua vida terrestre, não deram nenhuma atenção a uma

vida futura no mundo espiritual, então a situação deles se torna duplamente infeliz. Mas há no mundo espiritual uma vasta organização com todos seus imensos recursos, e não se deve pensar que estas almas atordoadas são largadas para se virarem por si mesmas. São logo levadas pela mão por residentes nos planos espirituais há bastante tempo - como vocês contam o tempo – e que dedicam as suas vidas a tal trabalho. Edwin, Ruth e eu estamos comprometidos durante anos neste mesmo trabalho, de forma que posso falar por experiência particular. Nossa tarefa é frequentemente difícil porque quase nunca é fácil a alma compreender o que lhe aconteceu. A capacidade mental do indivíduo pode fazer com que relute em aceitar a verdade. Por outro lado, esses que são mentalmente alerta vêem logo a sua exata situação. Se só o conhecimento das leis e das condições da vida espiritual fosse difundido universalmente, pelo mundo afora, que rica diferença faria a cada alma que viesse residir nestes planos. Alguém já viajou tão mal equipado como estas pessoas comuns que fazem esta viagem para os planos espirituais? É uma viagem que todos têm que fazer, e quantos até mesmo se aborrecem ao pensar nisto durante sua vida terrestre? Esta viagem é inevitável, não falha, mas tantos milhares das pessoas cam bem contentes em tirar das suas mentes qualquer pensamento sobre isto até que chega a hora de fazê-la. Muitos não têm nem chance de pensar nisto até a última hora, tão súbita é a sua transição. Quantas pessoas que estão na terra seriam tolas o bastante para empreender uma viagem com os seus olhos vendados, não sabendo para quão distante estão viajando, ou com quais, ou para quais condições de vida? Mesmo assim, há muitos dispostos a embarcarem na primeira grande viagem de suas vidas na ignorância absoluta de todos estes fatores. Nós, no mundo espiritual, constantemente vemos estas almas chegando confusas, e fazemos nosso melhor por elas. Não temos nenhuma necessidade de repreendê-los, já que eles são os primeiros a culparem a si mesmos. E, geralmente, eles o fazem em bons termos! Penso que se fosse perguntado qual seria o estado mental mais comum no qual a maioria das pessoas chega ao mundo espiritual, eu estaria disposto a responder, com uma experiência bastante extensa, que eles chegam em estado de confusão e com completa ignorância do fato de terem saído do mundo terrestre. Falando por mim mesmo, fui mais afortunado que a grande maioria, porque eu soube o que estava acontecendo pelos meus poucos conhecimentos em assuntos psíquicos. Até mesmo um parco conhecimento é de muita ajuda em tais casos, e eu quei alegre por ele nesta hora. Os parentes e amigos que passaram antes de nós podem ajudar em tais casos extremos, e eles frequentemente o fazem. Mas tem que existir antes um pouco de interesse mútuo, mesmo se não alcançarem o estado de relação afetuosa. Afeto é a grande força de união no mundo espiritual. Sem isto, uma grande distância se interpõe entre as pessoas. Se você nunca enviou um pensamento enquanto está na terra a esses que passaram no mundo espiritual antes de você, ou não demonstrou alguma forma de interesse amistoso por seus familiares e amigos 'mortos', não haverá muito incentivo ou encorajamento para que tais parentes e amigos exibam qualquer afeto ao seu lado. Interesse mútuo, afeto, ou consideração provêem a ligação viva e ativa entre indivíduos. Sem eles, abre-se uma grande distância, e todos os grupos serão separados e vagarão para outros interesses e anexos. As circunstâncias nas quais uma pessoa pode passar ao mundo espiritual variam tão enormemente nos casos individuais que chega perto do impossível descrever todas elas a você. Levaria muitos volumes para fazer isso. Então, só posso lhe falar em termos gerais. Estas circunstâncias não só variam do ponto de vista pessoal, mas o próprio modo de vida na terra ajudará a diversicar as transições. Nos tempos antigos, grandes pestes enviaram milhares de almas para os planos espirituais, a maioria em condições infelizes. Nos tempos modernos, as pessoas nem têm necessidade de apontar as guerras devastadoras que lançaram pessoas para vagar no mundo espiritual com chocante rapidez. Em muitos casos, esta dissolução súbita é um grande choque ao corpo espiritual que sofre com isto. Mas, aqui novamente, o mundo espiritual compareceu a todas as contingências. Casas de repouso existem por aqui, especialmente para o tratamento das pessoas que sofreram uma transição súbita. O choque que é contínuo não é exatamente igual ao que seria o caso de um choque ao corpo físico apenas, entretanto é quase igual, para a sua compreensão. Mas os resultados podem ser completamente diferentes. Nas casas de repouso do mundo espiritual uma cura é certamente alcançada, sem qualquer possibilidade de dúvida; e, com a recuperação plena, a vítima do choque não ca pior por causa da experiência. A memória de tudo permanece, entretanto só vagamente, sem qualquer ocorrência periódica de reações desagradáveis na mente. E não ca nenhum medo implantado na mente, como seria o caso no corpo físico. Muitas pessoas passaram ao mundo espiritual de uma forma que a terra chamaria de terrível - e terrível pode ser aos olhos dos terrestres – contudo, quando eles vieram me falar sobre a sua transição rápida, a sua 'morte' súbita, eles contaram com o coração franco o episódio inteiro, e frequentemente estão prontos para brincar sobre o assunto. Realmente, ouvi amigos observarem que entraram no mundo espiritual de uma maneira muito indigna! E isto, acho eu, demonstra precisamente a diferença no modo pelo qual a 'morte' é considerada por nós aqui do mundo espiritual e por vocês ainda na terra. Aqui nós vemos as coisas na sua própria perspectiva, mas a ignorância torce muito as coisas na terra. A 'morte' do corpo físico é uma tragédia para o mundo terreno. Para o mundo espiritual é a ação de uma lei natural desacompanhada de qualquer solenidade triste. Enquanto o corpo físico está sendo destinado para seu domicílio nal terrestre, acompanhado por todas as decorações cerimoniais e as roupagens pretas e escuras dos ministros e pranteadores, o corpo espiritual - que contém a real e perpétua substância da personalidade - entrou para seu próprio domicílio no mundo espiritual. Nestes reinos, recebemos nossos amigos com grande alegria. Outro amigo veio se unir a nós. Não usamos preto, não recitamos longas orações sombrias nem executamos cerimônias fúnebres. Nem temos um comitê de recepção de 'anjos', como muitas pessoas se dispõem a imaginar que seja, ou deveria ser, o caso. Nós apenas nos comportamos de uma maneira humana racional normal, como se esperaria de seres humanos racionais normais. Não somos recebidos ponticialmente entre os 'eleitos'. Não nos tornamos livres cidadãos destes reinos porque fomos 'salvos' por acreditarmos em algum estranho e obscuro credo teológico. Não estamos aqui porque fomos 'redimidos' pelos ofícios de outrem. Nós estamos somente aqui porque ganhamos, por nossas vidas na terra ou por nosso progresso no mundo espiritual, o direito de sermos chamados de cidadãos destes reinos. Estamos aqui porque ninguém pode nos tirar daqui e nos pôr fora! Uma vez que temos o direito de estar aqui, ninguém solapa este direito, ninguém pode disputálo, ninguém disputaria até mesmo se pudesse.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.