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Capítulo 3 de 19
Ii. Introdução — parte 1 de 17
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 5
Parece incrível que o corpo organizado em geral conhecido como 'a Igreja', ao falar repetidamente e familiarmente sobre o céu, confessa não saber nada sobre este estado futuro. (Um clérigo escreveu-me uma vez, dizendo que nove décimos de sua congregação nem acreditavam num futuro depois daqui). Por outro lado, uma Igreja em particular alega saber bastante sobre o inferno, sendo uma de suas características mais importantes: uma vez que uma pessoa tenha entrado nele, não haverá nenhuma saída de lá. A residência da pessoa ali será para toda a eternidade. A um padre desta Igreja foi perguntado uma vez se ele realmente acreditava no inferno. 'Oh, sim,' ele respondeu, 'mas não acredito que alguém vá para lá!' A Igreja fez do Além um lugar de mistério, e todo o tema sobre um estado futuro foi envolvido com um manto de religiosidade, até que as pessoas acabaram por encarar tudo isto com medo, com temor, com ceticismo, ridicularizando, com horror e com uma variedade de outras emoções, de acordo com seus vários temperamentos ou educações.
A morte pode chegar lenta ou rapidamente para uma pessoa, mas tem que chegar, inevitavelmente, cedo ou tarde. Não há como evitar isto. Tem sido assim desde que a vida começou. Não seria um alívio a muitas mentes, então, se soubessem algo, até mesmo só um pouquinho, sobre o seu possível ou provável estado depois que zessem a mudança desta vida para a próxima? Em outras palavras, que tipo de lugar é o próximo mundo? O único modo de se descobrir é perguntar para alguém que vive lá, e registrar o que é dito. E é precisamente o que foi feito neste atual volume, assim como nos dois que o precederam. É novamente necessário dizer que conheci o comunicador deste livro, Monsenhor Robert Hugh Benson, muitos anos atrás. Filho de Edward White Benson, Arcebispo anterior de Canterbury, estava então no ápice da fama, tanto como autor e como pastor. Ao contar outras de suas experiências no mundo espiritual aos que ainda estão na terra, ele terá atingido mais que o seu propósito, se conseguir expulsar das mentes das pessoas o medo da morte e do futuro no além. ANTHONY BORGIA III. O LIMIAR Quando começamos a ditar as experiências em comum, de Edwin, Ruth e minhas, sobre nossa vida no mundo espiritual, falaram-me que haveria alguns que fariam objeções ao que eu tinha a dizer em um caso particular ou outro. Realmente, isso era quase esperado que acontecesse entre as pessoas pensantes cuja visão eu deveria ser afortunado o bastante para captar. Os pensamentos de muitas pessoas da terra chegam a nós aqui, no mundo espiritual, como consequência da narração dessas experiências. Alguns há que pensaram e, realmente, emitiram a opinião aos seus amigos dizendo que as descrições que z sobre o mundo espiritual, ou ainda, da parte que me compete, são quase muito boas demais para serem verdade. Um estado ideal, eles diriam, que é muito maravilhoso para existir na realidade. O quadro que eu pintei, continuam, seria imaginário, e não poderia existir a não ser na imaginação. Agora, aquela atitude mental não cou limitada só à terra. Pessoas que chegaram recentemente expressam exatamente a mesma opinião em milhares de ocasiões. Eles simplesmente não conseguem perceber a existência concreta de todas as maravilhas e belezas que vêem ao seu redor. Pelo menos, não o conseguem no início. Quando percebem tudo isto, a sua alegria é imensa. Se é assim, se vendo estas coisas extasiantes traz uma descrença inicial e temporária, então não é surpreendente que em 'A Vida nos Mundos Invisíveis' e 'Mais Sobre a Vida nos Mundos Invisíveis', as meras descrições gerem uma descrença semelhante entre as pessoas da terra. Mas a validade de minhas descrições ainda permanece, mesmo que outros expressem qualquer opinião adversa ou discordante sobre elas. Eu não posso alterar a verdade. O que Edwin, Ruth e eu vimos, milhões de outras pessoas também viram e ainda estão vendo - e desfrutando. Não alteraríamos um fragmento minúsculo destas condições. Elas são nossa vida, e nos dão a maior satisfação e felicidade. Quando chegar a hora de qualquer um de nós partir para reinos mais elevados que o nosso estado de progresso espiritual, nem por um instante sentiremos pesar pelo período que passamos neste reino. Ele sempre será uma lembrança fragrante e feliz; e sempre será possível voltarmos a estes reinos assim que desejarmos. Há um número enorme de pessoas pela terra inteira que prefere deixar todo este assunto sobre 'o depois da vida' de lado. Estas pessoas consideram tudo isto um assunto insalubre, e tratam o próprio pensamento sobre a 'morte' como mórbido. Se tais pessoas fossem verdadeiramente honestas com elas mesmas, admitiriam que pensar assim só aumenta seu medo da 'morte' e do 'além', ao invés de diminuí-lo. Acreditam que, tirando completamente esta questão de suas mentes, tirarão também o medo que sentem – um instinto, como dizem, de auto-preservação. Outros que são mais afortunados e que não têm nenhum temor, dividirão o mundo invisível em dois departamentos principais, isto é, um lugar aonde os maus irão quando eles deixarem a terra, e um lugar onde os não-tão-maus-assim (categoria na qual, talvez, se encaixariam) irão, eventualmente. O habitante comum da terra não tem nenhuma noção de que tipo de lugar 'o próximo mundo' possa possivelmente ser, porque normalmente nem levam tal assunto muito em conta. Como essas mesmas pessoas lamentam a sua indiferença quando chegam aqui no mundo espiritual! 'Por que,' lamentam eles, 'não nos contaram sobre isto antes que viéssemos para cá?' Agora, tudo isso surge do fato de uma pessoa comum não saber como ele é composto. Sabem que tem um corpo físico, claro. Não há muitos que se esquecem disto facilmente. Mas deixar a terra no ato comum de 'morrer' é um processo perfeitamente natural e normal, o qual tem acontecido continuamente, sem interrupção, por milhares de milhares de anos terrestres. O homem apontará orgulhosamente para as muitas realizações que estes séculos passados viram acontecer. Ele lhe contará sobre as descobertas feitas por ele que abalaram o mundo, e o fará lembrar das incontáveis invenções visando uma maior felicidade e o bem-estar do homem na terra. Ele lhe falará, através de comparações com os seus antepassados dos tempos medievais, sobre o quão 'civilizado' ele se tornou. Ele lhe falará que tem conhecimento exato disto ou daquilo, e que muitos anos e grandes somas de dinheiro foram gastos para se adquirir tal conhecimento. Mas, ocialmente, o homem tem negligenciado o estudo mais importante de todos - o estudo dele mesmo, e, consequência disto, o estudo do seu último destino quando, depois do muito, muito breve lapso de vida na terra, chega a hora de deixá-la através da 'morte' para viajar em direção a ... aonde? Compreende-se em geral que o homem é composto de corpo, alma, e espírito. Com o corpo físico estão familiarizados, razoavelmente, mas e com a alma e o espírito? Destes dois, o homem conhece pouco, realmente. O que o homem não percebe é que ele é um espírito, em primeiro lugar, último, e para sempre. O corpo físico é somente um veículo para o seu corpo espiritual na sua viagem pela vida terrestre. A mente pertence ao corpo espiritual. Toda experiência humana, todo pensamento, palavra, e ação que vão compor a soma da experiência humana terrestre são infalível e indelevelmente registrados no que é chamado de mente subconsciente pelo agir do cérebro físico, e quando chegar o tempo do homem deixar a terra, ele descarta o corpo físico para sempre, deixa-o para trás na terra e passa para os reinos do mundo espiritual. O corpo espiritual que ele achará é a contraparte do corpo terrestre que há pouco deixou para trás. Verá então que, quando estava
encarnado, o que chamava de mente subconsciente agora assumiu seu lugar legítimo no seu novo esquema de existência. E não demora muito para começar a mostrar seus particulares atributos a seu dono. Por sua principal habilidade de gravação indelével e infalível, a mente se revela numa crônica completa e perfeita da vida de seu dono na terra. Entretanto, as revelações que auxiliam as pessoas recentemente chegadas ao mundo espiritual podem assustar bastante. É habitual, entre certas mentes da terra, considerarem o mundo espiritual e seus habitantes como vago e sombrio, extremamente insubstancial e especulativo. Estas mesmas mentes consideram os moradores dos planos espirituais como uma espécie de seres sub-humanos que são imensuravelmente piores que eles simplesmente porque estão 'mortos'. Estar na terra é normal, são e saudável, e innitamente preferível. Ser 'morto' é triste – mas, claro, inevitável – bastante não-saudável e, acima de qualquer coisa, normal. Tem-se muita pena dos 'mortos' por não estarem vivos na terra. Esta linha de pensamento tende a dar uma importância indevida para a vida terrestre e ao corpo físico do homem. É como se somente estando no limiar da 'morte' o homem mostra dentro dele uma certa natureza espiritual, quando, na verdade, a natureza espiritual esteve sempre presente nele, desde o momento de seu primeiro esforço para a primeira respiração na terra... O processo inteiro de partir da terra - morrendo - é perfeitamente natural. É somente uma lei natural agindo. Mas, por milhares de anos, o homem em geral viveu em completa ignorância da verdade sobre o 'morrer' e sobre o 'além'. E nisto, como em tantos casos, a ignorância, ou a falta de conhecimento, signica medo. É o medo do futuro a partir da 'morte' que cercou o ato da transição com tantas solenidades tristes e mórbidas, e enfeites depressivos. A tristeza é natural nos corações humanos pela partida dos familiares e na sua saída da visão física, mas a tristeza é agravada e aumentada pela falta de conhecimento do que aconteceu precisamente. A religião ortodoxa é bastante responsável por este estado de sentimentos. O pranteado vai para uma terra desconhecida onde, presumivelmente, um Deus onipotente reina supremo, pronto para emitir julgamentos sobre todos os que entram naquele mundo. Então, convenhamos, a ortodoxia exige, com efeito, que façamos tudo aquilo que podemos para aplacar este Grande Juiz, para que Ele cuide misericordiosamente de nosso irmão que se foi. Tal situação, exige-se ainda, precisa de um comportamento mais sério o tempo todo, um comportamento mais solene. E como a alma que se foi vê todos estes suplementos da 'morte'? Às vezes com desgosto, às vezes com assombro pela estupidez deles; às vezes, e especialmente entre os de bastante senso de humor, com indisfarçável hilaridade! E sobre toda aquela parafernália da 'morte'? Ajudou a alma que se foi em qualquer coisa? Não, nada. Artigos como vestuário preto, cortinados estirados, solenidade sombria, vozes cochichando e semblantes de tristeza exagerada são totalmente inúteis para ajudar a alma em seu caminho. Realmente, em muitos casos, o resultado contrário é o que pode acontecer. Mas disso eu falarei depois com você. Para o momento, desejo mostrar-lhe que 'morrer' é o cumprimento de uma lei simples e natural; que é saudável e normal se considerar o assunto e discuti-lo, e descobrir tudo o que for possível sobre ele. Seguramente, o maior estímulo para a investigação deveria vir ao pensarmos que todas as almas nascidas na terra deverão, em algum momento ou outro, enfrentar a morte de seus corpos físicos. Comecemos, então, a esboçar brevemente a operação de morte física. O corpo espiritual coincide exatamente com o corpo físico, e durante as horas em que estamos acordados os dois são inseparáveis. Quando vem o sono, acontece que o corpo espiritual se retira do corpo físico, mas um é preso ao outro por um cordão magnético. Chamo isto de cordão magnético por falta de um nome melhor. É uma verdadeira linha da vida. Sua elasticidade é enorme, já que o corpo espiritual pode viajar ao longo da terra durante as horas em que dorme, ou por todo o mundo espiritual, sujeito a condições especiais e limitações. Por maior que seja a distância entre o corpo físico dormente e o corpo espiritual temporariamente libertado, o cordão magnético pode atravessar a distância facilmente, e perfeitamente, sem qualquer diminuição de sua parte ativa que é sustentar a vida no corpo terrestre. A linha da vida, conforme aumenta seu comprimento, ca extremamente na, aparentando um o de cabelo. O tempo que o cordão magnético car unido ao corpo terrestre será o tempo em que a vida terrestre permanecerá no corpo físico. Mas no momento em que a dissolução acontece, a linha da vida é cortada, o espírito é libertado para viver em seu próprio elemento, enquanto o corpo físico se deteriorará da maneira que é perfeitamente familiar aos da terra. A morte do corpo físico, então, simplesmente é o corte do cordão magnético, e no que concerne ao corpo físico, é bem parecido com o sono comum. Então este processo direto não parece nada de muito terrível, se raciocinarmos um pouquinho sobre isto. Eu já lhe havia falado sobre minha própria passagem para o mundo espiritual. Foi fácil e confortável, e eu certamente não percebi qualquer angústia quando chegou o momento da separação do cordão magnética de meu corpo físico. Até onde percebi, não houve nenhum choque ou luta, nenhuma circunstância desagradável de qualquer tipo. Desde a minha chegada aos planos espirituais, conversei com muitos amigos sobre este assunto, e nenhum deles percebeu qualquer incidente interno ou externo ao se partirem seus cordões magnéticos, separando-os de seus corpos físicos. A este respeito, o processo real de dissolução é indolor. Qualquer sofrimento que haja para a pessoa cuja transição é iminente, é puramente físico. Quero dizer, acontece pela causa da morte física: da doença, por exemplo, ou acidente; isso é o que pode trazer dor e não a própria morte realmente. Se os doutores podem aliviar a dor, e não há nenhuma razão para que, em todos os casos, não devam fazê-lo, então o processo inteiro de dissolução será completamente indolor. Por que o corte do cordão magnético deveria ser uma operação dolorosa? Se fosse, seguramente sugeriria que houve alguma falha no esquema divino das coisas. Mas não há nenhuma falha, e a 'morte' é indolor. E agora, o que acontece logo em seguida? Apenas isto: a pessoa que há pouco passou para os planos espirituais vai para seu próprio e auto-designado lugar. Desde o início, tudo pareceria sugerir que eu negligenciei aquilo que é conhecido como 'julgamento', onde todo homem será julgado de acordo com os seus méritos e será recompensado ou condenado - recebido no céu, ou enviado ao inferno. Não, eu não negligenciei isto porque não há essa coisa de ser julgado em hora nenhuma, nem pelo Pai do Universo nem por qualquer outra alma que more no mundo espiritual. Não há nenhum Dia do Julgamento.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.