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Capítulo 15 de 19

Ii. Introdução — parte 13 de 17

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 5

desejarmos parar, e então paramos. Podemos seguir em outro trabalho de tipo diferente, ou podemos recorrer a alguma forma de diversão ou entretenimento, ou podemos recorrer ao nosso próprio passatempo particular. Quando terminamos, ou quando chegar o tempo que acharmos suciente, retomaremos nosso trabalho. Mais ainda, moramos em um estado de verão eterno; não temos nenhum verão longo ou longas noites de inverno se alternando. Você não tem meios possíveis para experimentar estes vários fatores na terra porque eles não existem nem poderiam existir lá. Você tem que apelar para a sua imaginação e então arriscar e tentar se imaginar nestas condições particulares que há pouco lhe esbocei. Aí então poderia ver que realmente não há nenhuma diferença entre a vida urbana e a vida rural no mundo espiritual. As cidades da terra são meras concentrações por motivos de conveniência comercial. Não havendo nenhum comércio no mundo espiritual, nós não temos nenhuma necessidade de tais concentrações. Mas o que se faz é colocar todos os grandes setores de aprendizado destes reinos particulares em uma só localidade. Não há nenhuma necessidade urgente para que eles devam ser dispostos assim, com a mesma facilidade poderiam ter sido distribuídos ao longo de uma área bem ampla destas regiões. Mas sentiu-se que vários edifícios magnícos, como são os de aprendizado, teriam uma aparência muito mais imponente do que se fossem organizados em uma planície, cada um a uma certa distância do outro. Não podemos pensar em nenhum arranjo melhor. E assim os edifícios foram erguidos muitas eternidades atrás. Eles ocupam uma imensa área, e cada um está construído em jardins e terrenos de beleza inigualável. Exatamente no centro deste grupo de edifícios há um templo de grandeza insuperável. Forma o centro da cidade, e dele irradiam todos os outros edifícios de qualquer natureza. Não temos nenhuma rua como você as conhece, porque não precisamos delas, mas temos ruas largas, espaçosas, cobertas da grama mais macia, na qual caminhamos. Não há nenhum tráfego de veículos por aqui, de forma que não há nenhuma necessidade de pavimentação especial em cada lateral da estrada como vocês têm, para a sua própria segurança. Às vezes estas calçadas largas são pavimentadas com algumas das criações maravilhosas em pedra destes reinos, mas mais frequentemente são cobertas com grama. Quando você vier ver a zona rural daqui, verá tudo sem cercas vivas, muros e outras marcas de limite, a paisagem inteira se torna uma expansão vasta de parques entremeada com rios e riachos e terra arborizada. Entre todas estas belezas estão as habitações dos moradores destas regiões do mundo espiritual, e em uma parte da zona rural lá está o que chamamos de cidade. Onde uma termina e a outra começa, seria difícil dizer. Não há nenhuma propriedade municipal ou cívica a ser considerada, nenhum limite paroquial a ser pensado, nenhum privilégio suburbano ou rural para intervir de qualquer forma. A cidade faz parte da zona rural; a zona rural faz parte da cidade. A vida de uma pessoa é a vida do outro, simplesmente por causa da continuidade de existência no mundo espiritual, e por causa do dia perpétuo e pelo clima de verão eterno. Não há nenhuma cidade quente e sufocante para se fazer uma visita, nem ar rural tão sufocante. Não há nenhuma grande atração comercial da cidade para puxar o povo para aquele centro. Por isso é que, de fato, o campo e a cidade são um só. Eu prometi, faz pouco tempo, que falaria com você sobre o assunto do pensamento. Agora, acho eu, seria uma oportunidade favorável para fazê-lo, deixando para outra hora outros assuntos da vida dos espíritos que forem merecedores de discussão. V. PERSONALIDADE ESPIRITUAL Quando o mundo espiritual é descrito como sendo um mundo de pensamentos, onde o pensamento é o grande poder criativo, e onde o pensamento é concreto e perceptível por todos os homens, a conclusão muito frequentemente é errada sobre o mundo espiritual ser um lugar insubstancial, e que nós, seus habitantes, somos pessoas sombrias e vagas, faltando-nos uma substância real, e respondendo para todos os efeitos pela designação muito terrestre de 'fantasmas'! Seguindo esta dedução errônea, a vida das pessoas no mundo espiritual deve ser inevitavelmente um tanto parecida com sonho ou ilusão. O encarnado pensa deste modo porque a ele o pensamento é algo que se faz de forma invisível e inaudível. Na terra o pensamento do pensador é secreto até que ele dê expressão verbal, ou outra qualquer, aos seus pensamentos. É habitual se dizer na terra: nossos pensamentos são nossos; podemos pensar o que gostarmos; pensamentos nunca podem prejudicar ninguém, e assim por diante... de forma que quando nós, do mundo espiritual, armamos que nosso mundo é um mundo de pensamento, o encarnado imediatamente se prende à ideia de seus próprios pensamentos e a sua natureza insubstancial, e logo após coloca o mundo espiritual na mesma categoria de coisas sutis. Falando-se de forma genérica, na terra o pensamento deve ter uma forma concreta de expressão para que seja efetivo. O arquiteto tem que pensar primeiro na catedral dele, ou tudo que precisa para organizar seus pensamentos, para depois pô-los no papel em ordem regular e com exatidão, antes que o construtor possa dar início na expressão externa e visível dos pensamentos originais dele. E assim é com um monte de outras coisas, do artigo mais simples ao instrumento mais complicado, ou um edifício enfeitado. O pensamento da terra tem de usar algum tipo de veículo antes de poder encontrar o mais leve tipo de expressão externa. Por isto, entre outros, o encarnado é propenso a considerar a terra como sendo um mundo certo e signicativo no qual se é possível existir. O mundo espiritual se torna totalmente o oposto. O encarnado não percebe a força e poder do pensamento ou então nunca pensariam da forma como mencionei. Todo pensamento que passa com força e propósito pela mente de um morador da terra é projetado da mente dele como um pensamento-forma. Para falar não-cienticamente, ca registrado, pelo menos durante um tempo, no éter circunvizinho. Depende, claro, do próprio pensamento, e do que consiste. Se for somente um desses pensamentos passageiros que todo mundo na terra tem em suas mentes, em momentos vários durante o dia, então tais pensamentos serão registrados da maneira que eu há pouco indiquei. Se o pensamento é dirigido para algum amigo que é agora residente no mundo espiritual, aquele pensamento, se for dirigido corretamente, com propósito e intenção, localizará aquele amigo inevitavelmente. Ele vai localizá-lo (ou localizá-la) da mesma maneira que é enviado, nada mais e nada menos, bom ou ruim, ou indiferente. O pensamento pode ser invisível à maioria dos moradores da terra, mas é muito visível ao povo espiritual. Pessoas que ainda estão em terra, e cujos poderes psíquicos foram desenvolvidos, são frequentemente capazes de ver estes pensamentos-forma. Tal habilidade provoca problemas que às vezes conduzem a enganos e erros.

O pensamento está em um plano diferente, um plano mais elevado de existência daquele órgão do corpo terrestre, o cérebro, pelo qual o pensamento funciona na terra. O pensamento está no mesmo plano de existência que a mente, e a mente verdadeiramente pertence ao mundo espiritual. Quando digo plano mais elevado, não quero dizer um plano espiritual mais elevado, mas um que não pode ser observado pelos órgãos físicos ordinários de percepção. No mundo espiritual, o pensamento tem ação direta e instantânea em tudo a que é dirigido, tanto a um ser humano quanto ao que na terra é chamado 'objeto' inanimado. (Eu não posso usar apropriadamente este termo com relação a objetos do mundo espiritual, porque todos os objetos, todas as coisas têm vida, certa e inconfundivelmente. Não há nenhum estado tido como inanimado no mundo espiritual.) Só quando se chega ao mundo espiritual é que se realmente conhece bem o que o pensamento pode fazer. E eu lhe asseguro, meu bom amigo, que alguns de nós cam mesmo horrorizados ao descobrir isso pela primeira vez! No mundo espiritual os pensamentos não são visíveis imediatamente à sua saída da mente de alguém. Eles não cam voando por aí, ao léu. Os pensamentos vagos dos quais lhe falei não passam das imediações. Pensamentos dirigidos a algum amigo no mundo espiritual localizarão aquele amigo, e não podem ser classicados como pensamentos vagos. Imagine você a confusão, quase um congestionamento, e o embaraço, se todos nossos pensamentos no mundo espiritual fossem visíveis. Mas por não serem imediatamente visíveis, não quer dizer que não sejam potentes, pois seguramente são muito potentes. Não, eles não são visíveis como você acha, mas infalivelmente alcançam seu destino onde quer que possa ser. Se dirigido a algum amigo na terra, em muitos casos o problema é se o amigo os perceberá; ou, percebendo, se saberá de onde vieram. Mas se nossos pensamentos são dirigidos a algum amigo no mundo espiritual, não haverá nenhuma dúvida ou incerteza. Como nós recebemos os pensamentos no mundo espiritual? Um dos primeiros e dos mais interessantes experimentos que a Ruth e eu zemos sob o olhar amigável de Edwin durante nossas primeiras explorações nestes reinos, foi ouvir o que Edwin falava de longe a nós. Sem recontar todos os detalhes, é suciente dizer que embora Edwin estivesse visível a nós, estava muito longe para ouvirmos sua voz, mesmo que tivesse usado tons acima do normal. Mas nós ambos distintamente ouvimos sua voz soando forte em nossos ouvidos. No princípio, venhamos, não pudemos acreditar em nossos ouvidos, e camos bastante inclinados a considerar tudo como algum truque que Edwin fazia para diversão e alegria de todos. Mas ele repetiu a mensagem dele a nós – estava apenas nos chamando para que nos reuníssemos a ele - e era tão inconfundível que obedecemos ao pedido. Como um prelúdio antes de ouvirmos a voz de Edwin, percebêramos um ash luminoso que apareceu diante dos olhos. De jeito nenhum ele encobria a visão ou assustava; na realidade, o ash era bem bonito. E isso descreve, breve e precisamente, o que acontece a todos nós quando um pensamento passa de um a outro. O pensamento em trânsito é invisível, chega instantaneamente a seu destino; quando se manifesta diante de nós como um ash agradável, mas chamativo, clarão, podemos ouvir a voz de nosso comunicador falando como se fosse bem perto da orelha. Eu digo como se fosse porque aqui não estou tentando dar uma explicação cientíca de como tudo acontece, mas estou me limitando somente ao que acontece. A voz sempre soa como estando perto da orelha, e a maioria das pessoas aqui diz que a mesma coisa acontece com eles. Pode ser alguma forma de percepção íntima da voz, apesar de que para mim sempre soa longe também, como a verdadeira voz do emissor viajando pelo ar, e que a recebemos num aparato natural de nossas mentes. Confesso que não mergulhei no assunto com a profundidade que algumas pessoas, talvez, pensarão que eu deveria ter feito, só com a nalidade de provê-los com uma longa, precisa e profunda explicação cientíca de todo o processo. Mas acho que a maioria de meus bons amigos vai preferir esta descrição bastante franca, aberta e nãocientíca do que acontece por aqui o tempo todo, como um assunto claro, a uma discussão que os conduza ao pântano das inquirições cientícas do qual todos temos diculdade de nos desembaraçar! Não tenho conhecimentos cientícos, e sempre senti que, enquanto investigamos profundamente as causas em explicações detalhadas, perdemos todas as belezas daquilo que examinamos. Há por aqui muita coisa que consideramos concedidas, por assim dizer; nós as recebemos como se apresentam, sem procurarmos explicações teóricas sobre elas. E acontece o mesmo com vocês que ainda estão na terra. Por exemplo, suponha que eu lhe pergunte (supondo, também, que eu já não soubesse) como você consegue se mover com suas duas pernas, no ato comum de caminhar. Penso que você vai achar preferível me falar brevemente só o que faz com suas pernas e descrever como cansadas elas podem car depois de uma atividade prolongada, a me dar uma descrição erudita sobre os vários músculos da perna, seus nomes, a sua forma e a classicação segundo o tamanho, o modo exato de agirem, a sua função particular, e assim por diante. Enquanto isso, no tempo em que as pernas estivessem sendo descritas deste jeito, o amigo que se apóia sobre estas duas pernas estaria atravessando algum país encantador cuja descrição seria bem mais divertida! E assim é com inúmeros outros assuntos - daqui do meu mundo e sobre seu mundo também. Apesar da ciência ter seu lugar importante em ambos mundos, nem por isso ponderamos todos os minutos de nossas vidas sobre o funcionamento interno das inndas atividades dos homens e as coisas das quais são constituídas as vidas em qualquer um destes mundos. A Ciência tem que ter a sua própria posição, mas a vida seria bastante chata e triste, e certamente bastante complicada, se parássemos para investigar todos os vários modos de ação de tantas ações comuns. Temos que aceitar as coisas como são. Esta é sua atitude na terra; esta é a nossa atitude em geral aqui no mundo espiritual. O meu propósito principal é lhe dar tantos detalhes quanto possível ou praticável sobre nossa vida no mundo espiritual. Declarar um fato tão claramente quanto possível, só prover explicações onde for necessário para uma compreensão inteligente sobre meu tema, e deixar a outros o sondar mais profundo sobre as causas, isto deve ser meu alvo. Quando um pensamento vindo da terra é dirigido a nós, toma a mesma forma de um ash diante dos olhos. Não há nenhuma diferença no processo real. Não importa de onde o pensamento foi dirigido, se do seu mundo terreno ou de uma intercomunicação no mundo espiritual. O processo é universal, e não há nenhuma variação nele. Quando lhe falei, momentos atrás, sobre as formas de pensamento que vocês criam no éter que os cerca na terra ao emitirem seus pensamentos vagos de suas mentes, não pense que isso também aplica a nós do mundo espiritual. Se acontecesse isso, o mundo espiritual seria um lugar estranho, e as pessoas pareceriam ainda mais estranhas, porque pareceriam estar continuamente envolvidas num tipo de neblina de formas de pensamento ou em algo mais signicativo.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.