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Capítulo 14 de 19
Ii. Introdução — parte 12 de 17
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 5
Há muitas pessoas, nestes e outros reinos, tanto mais elevados quanto mais baixos, que ganharam a sua indubitada promoção a uma esfera mais elevada de vida espiritual, mas preferiram permanecer onde estavam por uma variedade de razões sucientemente boas. Por exemplo, alguns dos grandes professores nestes reinos foram chamados a viverem em um reino bem mais elevado, e de fato possuem casas nesses planos mais altos, mas escolheram permanecer onde estão e continuam com a sua atual forma de trabalho. Este ato de abnegação é um dos meios de se alcançar mais progressão adicional, entretanto duvida-se que um pensamento destes passa pela cabeça do indivíduo que escolheu adotar esta forma de agir. Quando eu disse professores, não quis dizer só professores de verdades espirituais e assim por diante, mas instrutores de todos os tipos nas várias artes e trabalhos destes reinos particulares. Há milhares das pessoas daqui que estão aprendendo alguma forma de trabalho que é novo a eles, detalhes disso eu já contei a você. Neste caso é o trabalho em si e a alegria que traz o servir aos seres da mesma categoria que incitam tais pessoas a adiarem o seu progresso nos planos espirituais. Porém, dia virá quando lhes obrigarão a recorrerem à sua esfera legítima já que, por permanecerem mais tempo em um reino mais baixo, poderia lhes causar um pouco de desconforto. Mas eles podem voltar sempre que desejam e fazem visitas prolongadas aos seus velhos amigos, e até mesmo retomam, por um período limitado, a sua ocupação anterior; desnecessário dizer, para extremo encanto dos seus colegas e alunos. Não são só professores que adiam a sua elevação permanente e cam onde estão, embora convocados a residirem em um reino mais elevado. É aberto a qualquer um, sem exceção, fazer o mesmo, sempre que as circunstâncias surgirem. Na realidade, as circunstâncias são muitas nos quais isto pode acontecer. Para dar exemplo, um caso: são duas pessoas mutuamente atraídas enquanto na terra, marido e esposa, vamos dizer. A esposa passa ao mundo espiritual e atinge uma certa esfera. Mais tarde, o marido por sua vez passa à vida espiritual, mas vai ocupar um reino abaixo daquele da sua esposa. Mas a atração mútua ainda existe, e assim a esposa leva a vida dela numa esfera mais baixa, só para estar com o marido dela e ajudar na progressão dele. Assim eles serão habilitados a avançarem juntos e permanecerem juntos durante todo o tempo, ou até que outras circunstâncias surjam, causando uma separação natural dos seus laços atuais presentes. Há muitas almas abnegadas aqui que zeram e têm feito mesma coisa. Eles são perfeitamente livres para fazerem a sua própria escolha neste assunto. Em geral, a maior felicidade que teriam num plano mais elevado recebe alguma medida de compensação ao carem reunidos com alguns amigos queridos ou com quem tinham relação de amor. Assim você vê, não há nenhuma separação triste, nenhuma dispersão de pequenas comunidades agradavelmente situadas por relacionamentos ou amizades por causa do procedimento natural de progressão espiritual. Nós não experimentamos a depressão quase que esmagadora que vocês passam na terra quando da partida de alguém a quem muito amam. Até mesmo porque se um amigo querido partiu para regiões mais elevadas, e nos sentíssemos entristecidos pelo evento, temos que lembrar que por aqui nós entramos em contato instantâneo com eles. Um pensamento enviado devolverá o ausente num átimo ao nosso lado, se isso fosse o único remédio para a nossa desolação. Mas isso seria num caso extremo, uma eventualidade altamente improvável, e raramente encontrada. Então, novamente, nós estamos extremamente em contato um com o outro por aqui, pelo pensamento, através de modos que explicarei depois a você. Como tive ocasião de comentar antes, o mundo espiritual não é um mundo estático. Sempre há movimentação, especialmente entre as pessoas. Caso contrário, como poderíamos eventualmente seguir aos planos mais elevados se não fosse assim? A tempo certo ou em certas comunidades pequenas de amigos ou almas familiares que estão ocupando juntos o mesmo domicílio e estão trabalhando em conjunto, tem que vir a inuência da lei universal de mudança que é um dos grandes elementos de vida espiritual. Mas estes re-agrupamentos, com a separação consequente de seus laços anteriores, não são tragédias terríveis. São o resultado natural da marcha da evolução. Nós temos que nos mover avante, conforme a vontade de progredir se mostra dentro de nós. Ninguém nos deteria, embora pudéssemos escolher car até que outras circunstâncias prevalecessem. Mas você pode estar seguro disto: todos estamos plenamente satisfeitos sob este esquema de coisas, sabemos que nenhum outro planejamento seria possível, e, o que é muito importante do ponto de vista de nossos sentimentos sobre o assunto, estamos supremamente contentes com isto. Em minhas referências sobre a zona rural, mencionei rios. Como eles uem? Eles uem exatamente da mesma maneira que fazem os rios terrestres. Eles começam a sua vida num uxo pequeno, talvez como um pequeno riacho gotejando, e uem, à medida que vão cando mais fundos e mais largos, sem parar na sua passagem e, nalmente, desembocam no mar. Não há nada muito notável nisso, mas os rios são muito notáveis quando comparados com rios terrestres. Os rios do mundo espiritual nunca têm a correnteza rápida, aparência barrenta, nem parecem violentos. Nem se vêem edifícios tampando a visão de suas margens, nem embalagens de todas as formas, tamanhos e graus de abandono jogadas, ao lado de um convés sujo. Por mais pitorescos que os navios possam ser, não temos nenhuma necessidade deles aqui e, portanto, não existem. Temos barcos de todos os tipos, mas não da descrição que eu há pouco mencionei. E nós não temos prédios de fábricas desagradáveis que deterioram a paisagem beira-rio tão bonita. Ao invés disso, temos edifícios magnícos, construídos com materiais do mundo espiritual, como já sabem, repousando ao longo do rio, com diques espaçosos e magnícos jardins em marinas pelas quais o rio penetra com seu jeito plácido, lentamente, muito lentamente, e calmamente. Quando vi um dos rios do mundo espiritual, movia-se tão lentamente diante de meus olhos desacostumados que senti seguramente que não estava se movendo! Mas é possível ver o movimento e senti-lo. Você não pode jamais conceber como é glorioso planar ao longo de um rio desses, dentro de algum barco gracioso, atravessando as margens forradas de ores dos dois lados, ou por algum prado calmo onde as árvores reetem as suas formas bem feitas nas águas tranquilas; ou novamente, encostar ao lado de alguma escadaria larga de mármore bonito, ir à praia, subir a uma altura maior e ver a ta de cores cintilantes que o rio revela ao ser visto desta elevação; ou, ainda novamente, entrar em algum remanso isolado para nos encontrarmos no jardim de algum amigo. Nada pode possivelmente trazer a você o brilho da cor, sempre a cor que parece abundar em tal medida na região dos rios. Talvez seja pela correnteza reetir de volta tanta luz colorida das ores que se produz este efeito de a cor parecer preponderante. Tanto faz o que possa ser, todos nós sentimos o mesmo sobre isto, e por isso o povo, nos seus momentos de lazer, sempre tem uma enorme atração pelos rios.
A água é das mais puras, como sabe, mas sua característica mais notável, na opinião de tantos de nós aqui, é a habilidade que ela tem de mudar suas cores e nuances. Às vezes, vejo o rio que corre perto de minha casa parecer nada menos que uma tira de ouro fundido. Todas as cores diferentes que normalmente são reetidas de mil modos diferentes parecem ter desaparecido e no seu lugar haver ouro líquido. Em outras ocasiões vejo-o cintilando como se fosse de prata polida. Este fenômeno bastante incomum me confundiu consideravelmente em meus primeiros dias por aqui, mas logo meu amigo inestimável, Edwin, me instruiu neste assunto tão importante. A explicação foi bastante simples. Há pouco acontecera que algum visitante de reinos mais altos estava, ou tinha estado, no bairro, e reetia-se a inuência que ele trouxe consigo na superfície do espelho da água. Como a inuência foi absorvida pelos ambientes próximos, o rio retomou sua aparência habitual gradualmente. Eu só menciono este pequeno incidente para lhe mostrar como estes reinos do mundo espiritual estão sempre nos ofertando um pouco destas delícias ou outras, sem que se nos perguntem, - o que faz o prazer disto ainda mais precioso para nós. Semelhantes aos rios do mundo espiritual é, claro, são os mares. Eles só são como os mares da terra quando considerados como receptáculos de água, em nenhum outro aspecto mais. As águas dos rios daqui e os mares para os quais desembocam são do mesmo líquido; quer dizer, a água daqui é a que é conhecida na terra como água fresca. Até onde pude observar, não pude localizar a presença de nenhum sal no mar. Aparentemente não há muita diferença entre os rios e o oceano. Cada tem o mesmo brilho na cor, mas os rios, em virtude da razoável proximidade das suas margens com as grandes massas de ores e os edifícios elegantes que os adornam, terá mais cores para reetir nas suas superfícies, e assim parecerão ser mais coloridos. Mas não se deve presumir que ao mar falta uma dose de cor. Bem longe disto. A nenhuma água, onde quer que esteja aqui, falta cor. E o mar nunca está sem os sinais de Vida. Sempre há veleiros de um tipo ou outro para serem vistos, em plena navegação ou lançando âncora. Além disso, por mais distante que possa viajar uma pessoa, raramente estará longe da vista de uma encantadora e adorável ilha, na qual temos a liberdade de vagar à vontade, e desfrutar os locais especiais que todas estas ilhas possuem. Um das ilhas das quais eu lhe falei antes contém um verdadeiro paraíso dos pássaros, onde alguns dos espécimes mais bonitos são vistos em toda a sua glória de plumagem deslumbrante e bem de pertinho. Eles não são segregados nem limitados em gaiolas, claro, mas são livres para levarem suas vidas no seu elemento natural, o ar, ou para permanecerem no chão na certeza absoluta da sua segurança completa contra perigos. Por conseguinte, eles são amigos de qualquer um de nós que for visitar o seu domínio especial. Esta ilha em particular é outro nosso local prazeroso e favorito, e frequentemente vamos nos sentar na grama macia de lá, enquanto pássaros de todos os tipos de plumagem vívida e de todo tamanho vêm para juntar-se a nós, não pela comida, como imaginariam na terra, mas só para demonstrar a certeza que têm de que nenhum dano pode lhes acontecer, e expressar a sua amizade com todo o gênero humano destes reinos. Vamos sempre para lá, em visitas regulares, e já conhecemos um grande número dos pássaros, de vista e pelos nomes, pois alguém se dedica em lhes dar nomes! Claro que os pássaros não são limitados somente nesta ilha; na realidade os pássaros voam próximos, ao longo destes e outros reinos. Da mesma maneira que com vocês na terra, assim são eles aqui conosco 'fora e em todos os lugares'. Eu não visitei todos os mares do mundo espiritual, mas ainda há bastante tempo. Minhas visitas ao litoral foram principalmente àquele oceano que ca mais próximo a nosso trecho em particular destes reinos. Quando vista de uma elevação que seja bem mais alta que o nível do mar, a água apresenta uma expansão cintilante de cor. Não há nenhuma tempestade para agitar-lhe violentamente a superfície, ao mesmo tempo o mar não é sempre de uma suavidade vítrea. As mais suaves brisas brincarão ligeiramente nas águas, ondulando a superfície e formando pequenas ondulações que formam uma centena de matizes num pequeno espaço, de forma que estes raios de luz reetida são para todo o mundo como os ashes de cor que são vistos no mais puro dos diamantes. É uma experiência emocionante ver pela primeira vez este efeito brilhante que é natural a todas as águas no mundo espiritual. Logo quando vi tudo isto, mal pude acreditar em meus olhos de tão brilhante e inspirador que era o espetáculo. E ainda agora, embora tenha me tornado um residente acostumado a estes reinos até certo ponto, ainda co emocionado pela interação de cores sempre que estou avistando um rio, lago, ou mar. E isso aplica a todos nós daqui. A familiaridade não nos faz indiferentes. Haveria algo radicalmente errado conosco se zesse. Há muitos veleiros bonitos para serem vistos em todas as águas destas regiões, muitos deles são casas de residentes daqui. A propriedade de tais barcos, na realidade, é regulada pela mesma lei que se aplica a toda propriedade nos planos espirituais, a lei que é sine qua non para a posse de tudo: todas as nossas posses devem ser ganhas, antes que possamos tê-las. Até mesmo o menor dos botes, do tipo que seria conhecido como barquinho de rio na terra, muitas pessoas têm tal transporte e gastam seus momentos de lazer na água, da mesma maneira que se faz em terra, mas sem quaisquer das restrições ou perigos que são encontrados na terra. É perfeitamente seguro aqui uma criança pequena velejar completamente só. Qual seria a diferença, você poderia desejar perguntar, entre a vida rural e vida da cidade no mundo espiritual? Na forma em que foi formulada a pergunta há a impressão de que a vida no mundo espiritual consiste indubitavelmente de uma série de episódios que regularmente ocorrem periodicamente, ou funções, dividindo a vida em vários compartimentos, ou algo assim, apesar destes compartimentos poderem ser contíguos. Isso é como a vida é composta, mais ou menos, na terra. Por isso, para responder àquela pergunta tenho que fazer uma ou duas considerações a você. Sua vida na terra é dominada por pelo menos dois fatores que são inevitáveis. São a necessidade de descanso através do sono, e a necessidade de comida. Para manterem sua vida na terra, você tem que prover estas duas exigências. Como você sabe, no mundo espiritual não precisamos de descanso físico nem de comida. Sua vida é pontuada, então, por períodos que ocorrem periodicamente, dormir e comer. Uma certa parte de sua vida é gasta com a escuridão na terra, e embora você possa iluminar a escuridão com luz articial, a escuridão ainda estará em outro lugar. Nestes reinos, como sabe também, não temos escuridão, em hora nenhuma. Nossa vida, então, é de uma continuidade absoluta em luz natural perpétua. Não temos nenhum período em branco em nossa vida física, como vocês têm durante seu sono. Estamos sempre acordados. Continuamos com nosso trabalho até o tempo em que
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.