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Capítulo 10 de 19

Ii. Introdução — parte 8 de 17

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 5

eterno do qual falavam eloquentemente enquanto estavam na terra. Os seus congregados estão descansando eternamente também. Desta forma, cam bem contentes com seu modo limitado de vida. Chegaram onde estão pelo tipo de vida que tiveram enquanto na terra, e aqui caram, enquanto isso, um tipo de sonolência espiritual desce sobre neles. Vivem aquela vida 'piedosa' na qual pensaram tanto, e são gratos pela ajuda da igreja que os levou aonde estão. O clero é constituído de todos os graus e ordens eclesiásticas, de prelados instruídos até clérigos de paróquias simples. Nós fomos a vários serviços destas igrejas e escutamos os sermões. Foi uma experiência interessante. A religião ortodoxa na terra tem muito, mas muito a responder por isto. Forja muitas algemas espirituais que acorrentam as mentes de incontáveis almas na terra, de tal forma que, quando chegam aqui, nós, do mundo espiritual, temos que achar meios de arrancar fora os ferros que os algemam, libertando-os assim para aquela liberdade de espírito que é o modo natural, certo e próprio de morar nestes planos. Quando a terra se tornar verdadeira e completamente elucidada no conhecimento da vida no mundo espiritual, todas estas igrejas serão colocadas num uso diferente. Deixarão de ser repositórios de credos e dogmas e se tornarão verdadeiros templos do mundo espiritual. E nos verdadeiros templos do mundo espiritual algo muito diferente do que você chama 'reverência' comunal acontece. No centro da cidade, nestes reinos, há um grande templo, uma estrutura magníca. Forma o centro da cidade, do qual tudo irradia para todas as direções. É um edifício enorme, capaz de acolher milhares de nós sem qualquer medo de aglomerações ou outras condições desagradáveis. É cercado pelos mais belos jardins, e assim que alguém entra no recinto, sente o uxo de poder mais surpreendente, que não só emana da grande riqueza de ores, mas do próprio. Esta efusão de força nunca diminui. Veja, este é um templo de ação de graças, não de adoração como a terra a entende e professa ao praticá-la. Não nos congregamos aqui para oferecer os denominados 'sacrifícios'; nem executamos rituais e cerimoniais elaborados. Não executamos realmente nem este nem aquele, em tempo algum. Não nos aborrecem as longas e quase ininteligíveis leituras de escritores antigos, de uma data tão remota que não têm nenhuma aplicação aos nossos atuais propósitos e necessidades. Não recitamos extratos obscuros dos salmos que a maioria das pessoas não entende. Não cantamos hinos de cujos sentimentos estejamos completamente desanados ou deles descremos completamente. E, nalmente, não somos atados à recitação de longas e prolixas orações que respiram lisonja descarada em cada frase, e propõem as doutrinas teológicas mais abstrusas, onde falta totalmente um signicado. Não executamos nenhum destes exercícios inúteis. Ao invés disso, nós nos reunimos aqui em ocasiões especiais, não por causa de regras, não através de hábitos, não porque é um dever, não porque é a 'coisa certa para se fazer'; nós não nos encontramos aqui porque Deus 'manda' que haja uma adoração por ser direito Seu, não porque uma autoridade espúria proclama que temos que fazer assim - ou teremos que aguentar as consequências. Nós nos reunimos porque, nas ocasiões especiais que mencionei há pouco, seres dos mais ilustres, vindos dos reinos mais elevados, vêm nos visitar neste templo, seres que estão perto da 'Grande Fonte' de toda a vida e luz. Eles trazem consigo um pouco da fragrância transcendental desses estados mais elevados de existência, e permitem que nos aqueçamos no brilho do poder e iluminação que trazem. Tal poder e luz são em parte deles e em parte dos reinos elevados mas, principalmente, da Grande Fonte de tudo. O visitante principal nestas ocasiões leva todas as nossas cordiais palavras de agradecimento por tudo o que nos é dado, por tudo aquilo que possuímos, e as transmite ao Doador. Um 'serviço' como esse é simples e modesto, e, acima de tudo, é curto. A maioria destas reuniões não dura mais que quinze minutos, ou algo assim, em seu tempo terrestre. Mas neste espaço limitado de tempo concentra-se um ato de beleza tão inspiradora que a cerimônia mais longa, mais elaborada e mais espetacular da terra jamais poderia alcançar em horas de esplendor pontical com pouco ou nenhum conteúdo. Nós podemos, estando presentes ou não, sentir o prazer vindo de lá, e não se pensa em nada pior que estar ausente. Às vezes, muitos de nós camos ausentes por um trabalho importante na hora destas visitas, mas desfrutamos o benefício deles em outra ocasião, e, enquanto isso, nossos pensamentos vão para o visitante. Mas acontece isto nestas ocasiões e com todas as coisas daqui. Uma vez que se experimente algumas das delícias destes reinos, não se deseja mais perdê-las, se pudermos. Temos outros templos, menores, distribuídos pelos reinos, onde acontecem, mas em menor escala, estas mesmas visitações que acontecem no grande templo central. Alguns dos templos menores são construídos precisamente como as igrejas com as quais você está familiarizado na terra. Esta é uma concepção ideal de igreja, como vocês as conhecem, dedicadas a seu verdadeiro propósito, e não somente um palco no qual acontece um cerimonial bastante inútil, que não tem nenhuma signicação espiritual e, certamente, nenhum efeito espiritual. Na terra, um ato de 'reverência' religiosa sugere, para a maioria, um ato de oferta para um Deus que constantemente exige isto como Seu direito. O Grande Pai do Universo deixa então de ser um Pai e se torna um ser onipotente, de temperamento incerto, e humor mais incerto. Humilhação, conciliação, reverência, adoração, e muitas outras emoções é o que as religiões ortodoxas contam como a atitude que você deve ter para o Grande Criador. E para coroar esta concepção totalmente difamatória do Pai do Universo, dizem-lhe que deve, aliás que é obrigado, a amá-Lo. A Ortodoxia, em uma forma ou outra, reivindicou um monopólio da 'vida no além', e então tudo aquilo que concerne a isto foi considerado em um senso estritamente religioso. O mundo espiritual se tornou um mundo de devoção, de santidade, com a retidão que esta última palavra é apreciada por alguns tipos de clérigos! Céu, diriam estes mesmos clérigos, é um lugar sagrado, um lugar santicado pela presença de anjos e santos, e onde um uxo contínuo de adoração ascende ao Grande Trono. E assim, na terra, você tem que fazer a Divina Adoração, é o dever de todo cidadão, de acordo com a persuasão religiosa, que preste sua devoção uma vez por semana, em algum lugar de adoração. A grande maioria faz isso sem a mais remota noção do que estão fazendo ou a razão por fazerem isto. Eles têm ideias das mais rudes relativamente ao Ser Supremo, tais ideias vêm de seus professores religiosos. Anal, quando eles passam para o mundo espiritual, trazem consigo todas as suas noções cruas. Mas como não há nenhuma lei que proíba pensar no que se gosta, eles continuam pensando nas mesmas velhas ideias. Talvez seria mais preciso dizer que nem pensam. Mas nós, que temos nossa liberdade espiritual, sabemos bem o que vale a palavra reverência. Nós não reverenciamos, como a terra entende este termo. Externamos nosso eterno agradecimento pela felicidade que é nossa, uma felicidade que é aumentada pelo pensamento e o conhecimento de que uma felicidade ainda maior está à frente de todos nós. Consumimo-nos no afeto mais profundo e mais verdadeiro pelo Grande Ser que prodigamente nos dá tantas coisas boas.

Depois desta leve divagação, vamos voltar à nossa discussão sobre arquitetura. De todos os tipos de edifícios que podem ser vistos no mundo espiritual, e os que mais interessarão aos meus amigos na terra, os mais numerosos, sem dúvida, são as habitações de moradia, as casas 'particulares' e os chalés nos quais moramos. São de todos os tipos conhecidos de vocês na terra. Mas a aparência de nossas casas é muito diferente da aparência das casas terrestres. A diferença principal, claro, está nos materiais de construção, conforme mencionei a você no caso das igrejas daqui. Embora tenhamos casas construídas de tijolo ou de pedra, ou mistas como a moda de metade feita de madeira que é tão popular aqui, sua mente será inevitavelmente levada aos seus próprios tipos conhecidos de tais construções na terra. Mas tenha em mente o que lhe disse sobre a qualidade dos materiais com sua aparência externa particular e colorida, e verá onde está a grande diferença entre as suas casas e as nossas. Mas há outras e importantes distinções. Você tem que saber, então, que nunca camos sem espaço por aqui. Você nunca verá las e las de habitações, cada uma grudada ao seu vizinho em ambos os lados, cada construída precisamente no mesmo plano e projeto, e apresentando aos olhos um triste, imposto e nada criativo enleiramento de deprimente uniformidade. Nestes reinos, cada casa ca completamente destacada em seu próprio terreno ou jardim. Há espaço adequado para se mover livremente ao redor e sobre a casa, sem o sentimento constante de ser tolhido. Dos jardins que cercam as nossas casas falarei com você em um momento. No mundo espiritual não somos governados – ou tolhidos – por certas condições de primeira necessidade que devem ser consideradas ao se construir uma casa terrena. Primeiramente, do lado de fora de nossas casas não temos os horríveis canos condutores de água pluvial ou os da água que é usada nos propósitos domésticos; nem temos calhas no alto dos telhados. Não temos chuva por aqui – nem neve. Portanto, estes itens estarão ausentes em nossas casas, e elas cam bem mais bonitas por causa disso, como pode imaginar. Agora quanto ao aspecto de nossas casas. Não temos que pensar sobre para qual ponto cardeal nossa casa estará voltada. Entre vocês na terra, é o desejo da maioria que se obtenha a maior quantidade de luz solar e calor possível, por isso o desejo de que a casa esteja voltada para o sol, com os principais cômodos situados no lado ensolarado da casa. Mas aqui, o sol brilha perpetuamente, um grande sol central, e ele brilha com intensidade igual em todas as direções. Sua luz penetra com a mesma luminosidade constante em todos os quartos da casa, independentemente da posição deles. A frente da casa terá o mesmo brilho durante todos os momentos de sua existência – não posso dizer durante cada momento do dia, porque não temos dia, e portanto a frase no sentido terrestre torna-se sem sentido do nosso ponto de vista – a frente da casa sempre brilhará tanto quanto sua parte de trás. E falando da parte de trás da casa, aqui novamente posso mostrar uma diferença notável entre nossas casas e as suas. Falando-se estritamente, nossas casas não têm parte de trás como as suas. Entre vocês, a principal entrada está geralmente situada na frente, e os enfeites arquitetônicos são mais pronunciados na frente do que na parte traseira da casa. Em nossas habitações não fazemos tais distinções, principalmente porque a disposição interior de nossas casas omite certos detalhes que são supéruos na vida doméstica do mundo espiritual. Como sabem, não temos nenhuma necessidade de comida e bebida, de forma que não precisamos da indispensável cozinha terrestre. Então, o espaço que na terra é ocupado por esta necessidade culinária, é dedicado a outros propósitos nas casas do mundo espiritual. Não nos falta uso para ocuparmos tal parte da casa. Estou lhe dando esta descrição de nossas casas de uma forma um pouco detalhada. Embora muitos de vocês possam estar cientes do fato de que temos casas no mundo espiritual, mesmo assim muitas considerações importantes são passíveis de serem negligenciadas quanto a estas nossas casas. Tais detalhes podem parecer triviais a algumas mentes, até desmerecedoras de um leve pensamento; contudo, para outros, a importância do que estou lhe contando, e do que vou lhe falar, se apresentará em toda sua força. Estes detalhes ajudam a compor nossa vida no mundo espiritual porque são concernentes às nossas casas, e nossas casas são concernentes às nossas vidas, da mesma maneira que acontece com vocês. E este é o meu ponto. Vocês que estão na terra não sabem o que é viver, realmente viver. E nunca saberão até que cheguem aqui para sempre. De forma que só comparando alguns dos detalhes 'triviais' de nossos modos de viver é que vocês poderão ter uma ideia desta terra perfeita na qual eu moro. Somente dar uma ideia de nossa vida no mundo espiritual poderia ser até satisfatório, mas deixaria uma grande parte não dita. Muitos detalhes cariam perdidos, deixando assim a sua imaginação e a especulação proverem a informação perdida e necessária para se compor um quadro mais completo e mais inclusivo. Deixar de lado tais particularidades como as que estou expondo, só porque parecem triviais ou muito simples e desmerecedoras de consideração quando o 'céu' é posto em discussão, poderia favorecer uma concepção totalmente errada dos planos espirituais. Somos pessoas vivas que moramos em uma localidade bonita, num plano bem mais sólido que a terra. Amamos o campo e a cidade; amamos nossas casas e jardins; somos abençoados com amigos encantadores. Mas o campo e a cidade; as casas e os jardins, e, nalmente, nossos amigos têm mais substância do que pode ser constatado na terra, e esta substância é composta dos detalhes que estou descrevendo a você. Não é útil assumir uma atitude petulante - como fazem tantas pessoas da terra - ao dizerem, de fato, se o 'céu' é assim, então, não é melhor que o mundo no qual estamos vivendo agora. Ou, pelo menos, não é muito melhor, com suas casas e igrejas, e rios, e assim sucessivamente. Eu pediria a tais pessoas serem honestas com elas mesmas, serem verdadeiras e considerarem, se não gostam das coisas que lhes estou expondo, que formulem clara e distintamente em suas mentes do que gostariam. Em outras palavras, que especiquem exatamente, e em detalhes, só o que querem e o que esperam para seu modo e forma de vida depois que tenham 'morrido'. Pelo menos posso lhes dar esta sugestão: pela minha longa experiência, posso armar positivamente que, em particular, estas pessoas de quem estou falando se sentiriam completamente miseráveis no 'céu' formado pelas ideias deles sobre o que o 'céu' deveria ser. Muitos já me disseram que são profundamente gratos para acharem as coisas como são, e não como eles estupidamente pensaram que deveriam ser. Uma vez mais, temo, divaguei. Mas me deixaram claro que era necessário acentuar o fato de que o mundo espiritual é mais real, e seus habitantes mais vivos, que a terra e seus habitantes já puderam ser. Além disso, tenho que acentuar o fato de que o mundo e a vida que estou tentando lhes descrever não são imaginação impossível de pura Utopia. O mundo espiritual é um mundo real, povoado com reais indivíduos. A vida na terra é composta de muitos itens, e eles são familiares a você como parte da vida cotidiana. Assim é conosco, aqui. Agora pense só de quantos destes tais itens se constitui um só dia em sua vida terrestre. Comece com o

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