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Capítulo 12 de 19
Ii. Introdução — parte 10 de 17
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 5
Este pomar é uma plantação de árvores frutíferas especiais para as pessoas recém-chegadas ao mundo espiritual. O dono destas árvores – apesar de que penso que ele prera o título de 'tutor' - é altamente qualicado na seleção do tipo certo de fruta para os recém-chegados. Uma vez que o tenha chamado, ele espera que você o chame novamente, tão frequentemente quanto queira. Se ele estiver afastado de casa no momento de sua visita, explica, você deve entrar e se servir, e as árvores frutíferas farão sua parte como antrião - e muito melhor, diz, que ele mesmo - e farão o que for necessário. A fruta sempre estará lá porque sempre é época, e sempre estará em condição ideal de consumo. A alma cordial que administra esta fazenda de frutas, se assim podemos chamá-la, está executando um grande serviço a todos daqui, e você pode imaginar que ele possui um grande conhecimento dos detalhes técnicos do trabalho dele. Na realidade, ele é uma instituição nestes reinos, e é bem conhecido não só pelos serviços que executa, mas por ele em si, pois não se pode achar um companheiro mais amável. É dono do pomar e da casa que há por perto. Ele próprio lhe falará que mantém o pomar na conança para todo deste reino, e em virtude dos serviços dele até aqui, desfruta o privilégio e o prazer de 'possui-lo' até vir o tempo em que passará para um estado mais elevado. E não há ninguém nestes reinos que disputaria com a sua aptidão pelos serviços que faz, nem o seu direito de chamar a terra, o pomar, e a sua habitação exclusiva de seus até o momento em que ainda deseje chamá-los de seus. Nós sentiremos muito por nós mesmos quando ele transferir as suas nobres atividades a um reino mais alto, ma caremos felizes por sua colheita pela qual obteve uma rica e bem ganha recompensa. Eu lhe falei de comida cando limitado à fruta, mas e a bebida? Nunca sentimos a necessidade de líquido de algum tipo? Nunca. Mas você tem que saber que há uma quantidade enorme de suco dentro da fruta, que seria suciente para mitigar qualquer sede de dimensões razoáveis! Porém, o mundo espiritual não é de desperdício, como já percebeu até agora. Há água em abundância nos rios, córregos e riachos, e cada gota dela não apenas serve para beber, mas, realmente, tem serventia como nenhuma água encontrada na terra. Brilha e cintila; é como cristal; é utuante; a pessoa pode deslizar por baixo de sua superfície e desfrutar seu cálido abraço como se fossem vívidos braços. Acalma, revigora, inspira. Produzirá os sons mais belos quando estiver nadando em sua superfície. As ondulações das marolas reetirão múltiplos matizes do arcoíris e emitirão os mais puros tons musicais. Vocês têm uma água assim na terra? Não consigo me lembrar de já ter visto qualquer coisa assim quando eu estava por lá. Não há nenhuma água parada por aqui; todas as gotas são perenemente água viva, como jóia – tal a pureza. Podemos nos banhar nela; podemos navegar em sua superfície em um dos muito belos barcos, ou podemos mergulhar sem perigo para nós mesmos, porque é de nossa natureza que nenhum dano possa nos acontecer. E agora, depois desta leve divagação, voltemos à nossa consideração dos jardins. Nossos jardins são bem parecidos com os jardins da terra, assim como nossas casas do mundo espiritual são com as de vocês. A primeira diferença que notará é a ausência de cercas, ou cercas vivas, ou muros, ou qualquer outro meio de indicar limites de nossa 'propriedade'. De forma que, quando olhar para fora das janelas de sua casa nestes reinos, toda a maravilhosa paisagem parecerá um parque gigantesco, graciosamente arborizado, com riachos e rios brilhando sob a luz do sol central, e reetindo inndos raios que parecem verdadeiros diamantes. Fora sua total beleza, nossos jardins têm um frescor e uma ordem eternos, o que seria impossível de se conseguir em qualquer jardim terrestre. O uso da palavra ordem não deve ser interpretado como uma ordem um tanto rígida que pode ser observada nos jardins públicos da terra. Bonitos como podem ser, há algo de uma regularidade fria neles; uma falta do senso de amizade; uma ordenação severa das ores no seu arranjo preciso. Eles são muito expostos à visão, e pode-se ter o sentimento de sermos expulsos. Até mesmo o mais simples de nossos jardins do mundo espiritual é imensamente superior ao jardim mais assiduamente preservado que pode ser achado na terra. As diferenças entre nossos jardins e os seus são numerosas, tão numerosas e grandes, na realidade, que o único ponto de semelhança real está no nome. Estou inclinado a pensar, apesar de que é só minha opinião pessoal, que é por causa da ausência de muros e cercas vivas sobre a qual há pouco me referi; realmente, a ausência de todas as marcas próprias de nossas 'fronteiras territoriais' é um dos fatores contribuintes principais à grande divergência entre nossos jardins e os seus. Nos jardins do mundo espiritual percebe-se logo o senso e a realidade da amplitude que abunda em todos lugares. É outro exemplo da liberdade que todos conhecemos, sentimos e desfrutamos. A Liberdade, veja, manifestase de muitos modos por aqui, até mesmo no que poderia ser julgado como assunto comparativamente sem importância: nossos jardins. Pode parecer sem importância a vocês que ainda estão na terra, mas aqui, a nós, é vital. Todos nossos jardins, então, fundem-se um no outro, formando um todo irrestrito que constitui a grande zona rural destes reinos. A terra não é completamente plana, claro. Há colinas suaves e declives, vales encantadores com córregos e rios que os cruzam. Há caminhos que refrescam o seu curso agradável debaixo de árvores verdes de todos os tipos. E cada pedacinho de chão está coberto de plantas, de um tipo ou de outro. Não há terra estéril por aqui, nem terra negligenciada. Cada um de nós mantém nossos jardins vivos, no sentido pleno do termo, pelo afeto que dedicamos a eles. Não há a batalha constante com as ervas daninhas e os matinhos selvagens; nem estamos à mercê dos elementos, seja do vento ou da chuva - ou da falta de chuva; de friagens ou congelamentos; ou de forte calor. No calor perfeitamente suave destes reinos, toda forma de natureza espiritual tem sua chance para crescer, orescer em toda sua extensão, sem ter de se curvar pelas condições que a natureza da terra tem de suportar. Se for o caso, podemos dizer, então, que não temos dúvidas de que os jardins do mundo espiritual são um quadro perfeito da graça divina. Isso é assim, mas é um ponto negligenciado frequentemente, porque as pessoas são hábeis em pensar muito em termos da terra ao considerarem a vida no mundo espiritual. Há outra característica que marca a diferença entre nossos jardins e os seus, e que será de interesse desses meus amigos na terra que são apaixonados por jardinagem. Com vocês no mundo da terra, uma vez dado o solo necessário, não demora muito para produzir algum tipo de resultado, em virtude de possuírem algum conhecimento geral, talvez limitado, da prática de horticultura, e, de resto, conam às plantas o cuidado com elas mesmas, com ajuda ocasional de um amigo mais instruído. Mas um jardim do mundo espiritual demanda o conhecimento de um especialista para a sua criação, não para impedir que algo dê errado, mas produzir de fato um resultado. Sem saber exatamente como produzir ores ou outras espécies vivas, não devemos criar qualquer jardim. A maioria de nós aqui consultou os jardineiros especialistas uma vez ou outra, tanto na formação inicial de nossos jardins como depois, para fazer alterações e melhorias. Se nos faltam ideias no assunto, estes importantes funcionários nos proporcionarão logo algo do seu próprio conhecimento que irá nos agradar muito mais do que esperávamos.
Consultei de vez em quando estes bons sujeitos para meus próprios arranjos de jardinagem, e é surpreendente como eles têm a faculdade de saber o que a maioria deseja sem que a gente se expresse abertamente. Em todo caso, uma sugestão é tudo o que eles exigem para desenvolverem um sonho de jardim, do cantinho rústico mais minúsculo até os grandes canteiros de ores com as suas inúmeras nuances de cores que são encontrados nos entornos de todos edifícios públicos deste reino. Mais recentemente, um jovem esperto chamado Roger veio morar conosco e tornou-se um jardineiro especialista. Logo após a chegada dele aqui - e em sua transição ajudamos Ruth e eu - ele se sentiu muito atraído a este trabalho de horticultura e, desde então, se tornou altamente competente nesta arte. Por isso, agora os jardins de nosso pequeno domínio estão sob sua supervisão constante e não temos nenhuma necessidade de nos aventurar mais longe que nossa própria casa para resolvermos os assuntos de seus arranjos ou re-arranjos, já que temos esse perito para estas premissas. Roger executa por aqui todas as formas de experiências em disposição e arranjos orais, o que nos é de grande interesse. Nunca estamos bem certos sobre que forma nova nosso 'jardim' provavelmente terá a qualquer momento, e nossos numerosos amigos são frequentemente mimados, como nós somos, com muitas variadas e surpreendentes novidades! A grande maioria destes horticultores especialistas eram jardineiros ou amantes de jardinagem quando estavam na terra. Sendo livres – como todos somos por aqui – para escolher a sua ocupação quando vieram viver por aqui, é apenas natural que pusessem de novo o seu conhecimento previamente adquirido em algum uso, ou que devessem mesmo se ocupar naquilo que na terra era uma diversão, assim que o tempo e a oportunidade permitissem. É verdade que muito do seu conhecimento terrestre lhes seja de pouco uso ao serem paisagistas no mundo espiritual em qualquer aplicação prática, mas não leva muito tempo descartar o seu antigo conhecimento pelo novo, trocar os métodos terrestres pelos do mundo espiritual. Nem todos nossos peritos em jardinagem são jardineiros práticos. Alguns deles só são desenhistas de jardins, deixando a criação do jardim a outros. E outros só são os criadores de jardins, deixando o projeto a outros. E, novamente, há uma associação dos dois, projetando e criando. Os arquitetos paisagistas nunca perdem uma ideia, e você tem que saber que projetar um jardim signica não só organizar a disposição de algum pequeno pedaço de chão, como os tantos que temos nas habitações na terra. No mundo espiritual pode ser alterada uma zona rural inteira e pode ser rearranjada até no mínimo detalhe, e os planos têm que ser feitos, com os quais os criadores atuais vão trabalhar. No mundo espiritual, planejar e criar um jardim envolvem certas considerações que não seriam atendidas na terra. Por exemplo, os tipos de ores e árvores, com atenção especial para a sua coloração, serão ordenados ou serão inuenciados em grande parte pelo tipo de moradia ou outro tipo de edifício em que cará, ou ainda se cará em solo particular. Você se lembra de como as pedras e tudo o mais nestes reinos são iridescentes, com bonitas nuances de cor. Então, as ores nos jardins são todas de acordo com as cores do canteiro do edifício mais próximo, falando-se em termos gerais, de forma que os dois formarão juntos uma combinação de harmonia perfeita. Cores, lembre-se, produzem som, e som produz cor, de forma que isto é essencial na consonância, e não dissonância, que deve alcançar o efeito resultante de todos os esforços horticultores nestes reinos. Algo não combinando, uma forma desagradável, isso não seria permitido. Então, eis pelo menos um ponto onde nossos métodos de jardinagem diferem dos seus. Novamente, não somos restringidos, como vocês são, pelas estações do ano. Nossas ores, arbustos e árvores sempre estão em or e com folhas. Temos combinações de ores em nossos jardins que normalmente seriam impossíveis na terra, pela passagem de tempo ou por causa da ordem da natureza na terra, que faz certas ores virem à maturidade, orescerem por um período breve, quando então enfraquecem e morrem. Vocês, que amam as ores e os jardins cultivados, não podem imaginar nossa alegria aqui nestes reinos, onde sempre temos nossas ores favoritas conosco em nossos jardins, nunca à mercê dos elementos ou das estações, nunca murchando com o tempo, mas se apresentando para o mundo em toda a sua beleza, em toda a sua simplicidade ou a sua grandeza, em toda a sua gama extensa de colorações, do matiz mais delicado ao mais vigoroso e impressionante das cores luminosas, e, por último, sempre exalando os seus perfumes delicados no doce ar puro, não só para nos deleitar na perfeição do seu aroma, mas para nos recarregar com força espiritual; podem imaginar nossa alegria diante de tudo isso? Isto tudo é muito bom, posso ouvi-lo dizer; mas nunca se cansa de toda essa perfeição? Com toda essa perfeição absoluta sobre você, como pode ter qualquer contraste, uma luz e sombra? Você precisa de algo que não seja seguramente assim tão perfeito - se posso expressar desta maneira - para exibir, enfatizar o que é perfeito. Certamente é um ponto que poderia preocupar algumas pessoas. Estas têm medo de que possa haver uma falha em algum lugar nestes detalhes da vida espiritual que estou lhe descrevendo; algum fato importante, alguma qualicação que eu tenha deixado passar, isso tenderia a mostrar que estes reinos realmente são, anal de contas, não tão perfeitos como se poderia imaginar. Ou, em outras palavras, lá deve haver algo, em algum lugar, que deveríamos desgostar, ou algo diante do que cerraríamos o cenho de desgosto. Bem, veja, os detalhes que estou lhe dando são tirados de minhas próprias experiências, experiências de primeira-mão. Dou-lhe os fatos como eu e milhões de outros os vêem nestes reinos; fatos que sabemos serem verdadeiros. Não há nenhuma disputa de cores entre as ores, por exemplo, da mesma maneira que não há que nenhuma disputa em milhares de outros fatos patentes para todos verem, observarem e perceberem a sua veracidade. Ou, novamente, deveríamos dizer, você acha que o que estou contando lhe parece bom demais para ser verdade. Perfeição, você diria, justamente, é inacessível na terra, mas isso não quer dizer que a perfeição não exista em outro lugar. Perfeição, objetarei, não admite nenhuma qualicação. Ou uma coisa está perfeita, ou não está perfeita. Não pode haver nenhum meio termo sobre isto. Uma coisa não pode estar mais perfeita ou menos perfeita que outra. Isso é a verdade, em seu senso mais estrito. Mas a perfeição pode ser, em grande parte, uma questão de experiência pessoal. Nós podemos imaginar que uma coisa está perfeita porque nunca experimentamos ou encontramos qualquer coisa melhor. Somos então levados a considerar esta coisa em particular como perfeita, e não faremos nenhum dano a nós mesmos, ou para qualquer outra pessoa, pensando assim. Estes reinos em que vivo, é, a todos nós que os habitam, um estado de perfeição tão amplo quanto permite nossa experiência atual considerar. A grande maioria de nós dicilmente pode contemplar um estado de maior beleza e felicidade, quer dizer, um estado de maior perfeição do que nesta esfera onde temos nossas casas e nossa vida. Amamos cada centímetro destes reinos, amamos cada momento de nossas vidas; somos supremamente felizes - não poderíamos ser mais felizes que isso; quer dizer, não achamos que poderíamos ser mais felizes assim. Mas quando
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.