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Capítulo 8 de 19
Imortais — parte 3 de 11
Verdades Imortais · Osvaldo Polidoro
Meus primeiros trabalhos, em companhia do servidor, trabalhos que eu executava com devoção e anseios de aprendizados, foram cedendo ao crivo de uma análise ponderada, foram se enquadrando no plano das realidades simples, realidades que nunca deixaram de ser. Sendo a evolução apenas um processo, as condições e situações em que se enfronham os indivíduos, nada mais são do que normais, do que decorrentes da movimentação evolutiva. Se a doença exterior aparece, isso é porque a doença interior a determina. Os fenômenos teratológicos começam no âmago espiritual, refletem os desvios de ordem moral. A falta de luz interna é quem provoca e autoriza a treva exterior. Por mais que sejam postas em dúvida as decisões da Lei e da Justiça, o fato é que, vasculhando, e muitas vezes não é necessário vasculhar muito, no histórico individual vão aflorando as causas motivadoras, a vertente de trevas a fonte de variantes sofrimentos. O grau de treva ou de dor pode variar ao infinito, pode atender a matizes extraordinários em matéria expositiva; porém, tudo está subordinado ao crivo da Lei de Equilíbrio, tudo são de evidências de lesões lavradas no imo através de obras alguma vez executadas, no curso das vidas. Podem, no exterior, comparecer as análises, as sondagens minuciosas, os diagnósticos profundos; mas, no princípio, as lesões serão sempre de caráter íntimo, infinitamente psíquicas. Quem descura o essencial, há de ter alterações no formal. A treva de dentro é a senhora da escuridão de fora. A mancha íntima ordena que haja a chaga exterior. E, na crosta ou nesta plagas da vida, embora sejam muitos os institutos de cura e de reparações, tudo isso é exterior, tudo isso é terapêutica de panos quentes, nada disso faz a verdadeira cura. Porque a verdadeira cura está na iluminação interna, é o produto da higienização essencial, é a que decorre da purificação espiritual. O homem que fomos buscar no lugar trevoso era um doente de todos os males, era alguém que sofria de muitas lesões íntimas, estando no exterior de todo marcado pelas chagas e pelos indícios de alterações. A medicina, vossa ou nossa, diria palavras e citaria órgãos a mais não poder. Entretanto, colocado o homem na presença de cinco servidores do departamento de análise psíquica, pudemos ver que tudo eram males que brotavam das datas históricas e das ações criminosas por ele, o espírito, perpetradas com frieza crudelíssima. Colocaram-no contra uma parede negra e reluzente, deitado em maca também negra e reluzente. Apenas os lençois, untados com material químico-medicinal, com os quais o envolveram, eram brancos. E o pobre, todo chagas e dores, gemia angustiosamente. Quando os cinco servidores do departamento de análise psíquica, ficaram dele a uns quatro metros, de pé e com os braços a ele estirados. Parecia estar diante de cerimônia religiosa, pois a seriedade envolvia o processo todo, através do qual iríamos ver a história do irmão, a origem de suas trevas, chagas e gemidos. Depois de alguns segundos o homem deixou de gemer; e mais alguns segundos se passaram, para que fôssem aparecendo, contra a parede negra luzidia, umas fumacinhas tênues. Estas tomaram corpo e, dentro em pouco, da densa fumaça foram se expondo formas, paisagens, vistas, etc. Ali vimos o homem a se movimentar, traficando com escravos, comprando e vendendo, fazendo longas viagens, cometendo tétricas ações. Aquela época passou, aparecendo outra vida, em que o homem estava vestido de clérigo, movimentando-se entre templos e rituais religiosos, de permeio com algumas reuniões secretas, onde combinavam liquidar pessoas de prol social, como se fossem heréticas, afim de tomar conta de suas respectivas posses. E morreu apunhalado, por um outro clérigo, num porão escuro, para onde fora atraído, sob alegação de ali ter encontro com determinada senhora. Depois dessa época, vimo-lo numa terra cheia de neve, frígida, a se movimentar por entre nobres e clérigos, tramando contra certo movimento, que bem se viu ser o movimento hussista; como homem autorizado pelo Vaticano, trabalhou diplomaticamente, fazendo mudar a feição dos acontecimentos. O seu trabalho custou muito sangue, muitas mortes entre os primeiros trabalhadores da restauração do Cristianismo. A seguir, fomos vê-lo entre os espanhóis, toureando com maestria, sendo aplaudido por multidões frenéticas. Nada mais fez, do que matar animais e regalar outros tantos seres humanos menos felizes, amigos de terríveis práticas. E na vida anterior, que após foi vista, era um salteador de estradas, vivendo nas grutas libanesas; como chefe de bando, pilhava e matava sem a menor sombra de remorso. Quando cessou a prova, a parede voltou a ser negra e luzidia e o homem estava calmo, não mais gemia. seus olhos continuavam esbugalhados, congestionados, com manisfestas evidências de terror. — Conheceu-se? — perguntou-lhe o chefe da casa de provas psíquicas. Ele fez um sim, com a cabeça, sem pronunciar palavras. E o servidor, com quem eu andava, que recebera ordem de fazê-lo ver tudo quanto fosse necessário, falou-lhe: — Agora você ficará curado por fora... Dentro em breve estará com as feridas cicatrizadas e a mente livre... No curso das vidas, porém, terá que se defrontar com as obras do passado. Eu não sei que coisas serão programadas, quando tiver que voltar à encarnação, mas sei que terá de se entender com as suas obras, vindo a sofrer de males correspondentes aos feitos criminosos. Os médicos dirão o que souberem e puderem, alegarão estas e aquelas causas, acentuarão estes e aqueles reflexos; nas bases, no entanto, estarão as chagas da alma, os erros cometidos nas vidas pretéritas. Nesta região, lembre-se, estamos em família... Todos, aqui, vibramos em um mesmo grau, embora possam variar de pouco os acordes pessoais. Temos muito sangue a resgatar, muitas mortes a penar, grandes e dolorosos feitos a ressarcir. O chefe da casa introduziu: — Não espere pelas graças miraculosas, nem lavagem de pecados por sangue nenhum, e tão pouco pretenda que formalismos religiosos façam alguma coisa pelo Reino do Céu que lhe cumpre desabrochar no íntimo. Trate de se preparar para as nobres ações, para os bons tratos sociais. Os esforços fraternos é que iluminam as almas, é que as fazem brilhar. Lembre-se de que dos templos religiosos saíram os assassinos dos Profetas e de Jesus Cristo, enquanto que das ações piedosas saíram as glórias reais. Procure meditar sobre a Lei de Deus, comece pelo começo... E se quiser o Modelo, medite nas obras de Jesus Cristo, porque Modelo é, e quem não procurar imitá-LO, por certo não alcançará a libertação gradativa. Em resumo, irmão, tire com trabalhos bons, de si mesmo, as marcas negras que em si mesmo registrou, com os trabalhos hediondos que andou levando a termo. Pela primeira vez o homem falou, perguntando: — Devo pedir a Deus o que? A resposta do servidor foi justa: — Para si mesmo peça arrependimento e para Deus peça oportunidade de trabalho fraterno. Não peça mais e nem menos do que isso, porque nisso está contido o de que necessita e deve fazer. Lembrando que Deus é presente, assim como presente é a Divina Autoridade Administrativa de Jesus Cristo, em si mesmo poderá aquilatar de seus méritos e deméritos, desde que se recolha, concentre e proponha-se aos atos de redenção. O homem fez grande esforço, olhou ao redor e perguntou: — Isto é uma igreja? O servidor respondeu: — Todos, ou quase todos, aqui, fomos criminosos em nome de Deus, da Verdade, do Cristo, do Bem e da Justiça... Por isso, temos por objetivo conhecer e cultivar a Verdade, assim como possamos conhecê-la. A Verdade, para nós, não é religiosa, não se escraviza a conceitos e a preconceitos humanos. Demais, como deverá vir a conhecer, a Lei de Deus não manda ter esta ou aquela religião; ela ordena no sentido de não idolatrar, de ser decente na conduta social e de respeitar-se a Revelação. O mais tudo é produto de conchavismos e engodos inventados por homens. Lembre-se de que Jesus assim interpretou e deu exemplos de servidor da Soberana Vontade de Deus. Procure imitá-lo, se quiser ser cristão, se quiser vir a ser um espírito digno da Divina Paternidade. — Pensei que fossem adeptos de uma nova religião. — comentou o homem. Sorrindo amigavelmente, o servidor respondeu: — Nada disso, pois temos aprendido com a vida, as lições da eterna Verdade. O que é humano passa, porque é falho e transitório, enquanto que a Verdade permanece e aguarda a chegada dos espíritos que se vão tornando decentes. A Verdade está nos fundamentos de tudo e de todos, e a ela devemos ir pelos caminhos que são o AMOR e o CONHECIMENTO. Tende cuidado com as religiões, porque em nome da Verdade os seus proprietários cometem todos os crimes e se julgam justificados perante a Lei de Deus. E, como já viu, em si mesmo tem a prova de que a Verdade não é parceira das traficâncias e dos cambalachos humanos. — Um grande conselho! — exclamou o infeliz. O servidor emendou: Prefiro que seja o seu próprio conselheiro. Pergunte a si mesmo estas três perguntas, toda vez que tenha dúvidas a respeito de suas obrigações:
1) Estarei, de fato, combatendo em mim mesmo as tendências idólatras, sem o que jamais saberei amar a Deus em Espírito e Verdade? 2) Estarei, de fato, cumprindo com os meus deveres sociais, assim como a Lei ordena, a fim de merecer de Deus as bênçãos da Paz e do Progresso? 3) Estarei, de fato, honrando o ministério da Revelação, a Palavra de Deus, o instrumento de consolo, de advertência e de ilustração?
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.