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Capítulo 10 de 19

Imortais — parte 5 de 11

Verdades Imortais · Osvaldo Polidoro

Por pequeno que seja, em evolução, é grandioso ver alguém que se redimiu de seus crimes e passou a respirar os ares puros do equilíbrio vibratório; sublime o sentimento de bem estar, ao pé de quem não sente remorsos, de quem não se mede pelo prisma dos agravos aninhados em seu âmago consciencional. Assim era o irmão Alexandre, o redimido de si mesmo, aquele que, procurando imitar o Cristo, deu a si o que pôde, em trabalhos redentores; aquele que recebendo adiantamentos de graça, em forma de oportunidades proveitosas, não perdeu tempo em pensamentos grandiosos, procurando antes ser um bom cidadão e fazendo valer seus dotes mediúnicos em benefício dos mais sofredores. Alexandre reencontrou o Reino do Céu, enxugando lágrimas, pensando feridas, consolando aflitos, ensinando a Doutrina libertadora de consciência. Passou de largo diante das presunções do mundo! Por isso, estando à sua frente, sentia a sua radiação amorosa, serena como se fosse um convite de Deus. As graças de uma alma são o incentivo justo para as outras almas. Ali estava a prova em Alexandre, que sendo pequeno em evolução era grande em paz e ventura, pelo fato de não ter peso na consciência, de estar livre de suas malezas. Colocado diante da parede negra e luzidia, começaram os operadores magnéticos o trabalho de análise refletida. E como Alexandre auxiliasse com as suas virtudes patentes, o brilho cresceu imediatamente, avultou-se e inundou o vasto salão, a ponto de causar pânico em mim e em outros, não acostumados a tanto esplendor, a tamanha glória. Sem se tornar visível, alguém falou, com voz forte e autorizada: — Alexandre, concentra o teu pensamento na Luz Divina! Aquilo que sempre foi o teu sonho na Terra, isso mesmo se apresenta agora, em sinal de recompensa, pelo muito que serviste a Jesus, servindo aos pequeninos do mundo! Concentra o teu pensamento e ora, porque o Mestre te envia Seus raios de Luz! O chefe da casa falou, alertando-nos: — Trata-se, meus irmãos, de uma grande manifestação da Luz Divina, que nos vem pela Autoridade de Jesus Cristo, o Modelo apresentado pelo Pai a Seus filhos da Terra. Procuremos manter a mente elevada, a fim de podermos dizer, aos demais irmãos desta região, que o Senhor nos visitou, através de Seus poderes celestiais, de Sua potentíssima ubiqüidade. Fizemos o possível, mentalizamos a figura humana de Jesus, assim como tínhamos conhecimento através dos quadros pintados na crosta, que eu me curvei e entrei a prantear de alegria, de uma alegria psíquica, tão profunda que jamais a palavra escrita ou falada poderiam dar a mais pálida expressão. Sem dúvida que foi intenso estado extático, promovido pela ação de agente ou agentes superiores mensageiros de Altas Esferas e Divinas Luzes. E foi, de tudo quanto vi até ao presente, o que guardo com mais respeito, o que recordo com mais reverência. Nas horas de necessidade, nos momentos de precisão, para fazer algum bem, estancar alguma lágrima, consolar algum irmão aflito, procuro aquele estado, procuro mergulhar naquela Divina Luz que então nos envolveu e dominou inteiramente. E como a Luz Divina é sempre onipresente, está sempre nos fundamentos de toda a Criação, tenho grandes provas de Sua atuação. Ao findar a maravilhosa função, estávamos intensamente sublimados, havendo lágrimas de indefinível contentamento em todas as faces. E Alexandre, o espírito grande errado e redimido através das vidas e das provas, murmurava palavras de gratidão, afirmando ao Céu que tais graças excediam de muito aos seus pequeninos feitos durante a vida carnal. — Quis o Bom Deus, - falou o chefe da casa, - que ele não tivesse a revivescência do passado criminoso; tudo quanto aconteceu, foi fazê-lo ver um pouco da Glória de Deus, da qual Jesus Cristo é o Seu Divino Expositor. — Por que teria ocorrido isso? — perguntei. O chefe da casa experimental encolheu os ombros e alvirtou: — Em tudo há Lei e Justiça. Devemos lembrar, portanto, que se é normal pagar até o último ceitil, também é normal nada dever, depois de haver feito o pagamento integral. Quero crer, ainda, que haverá sempre um pouco mais de graças, em valiosas ou mesmo gloriosas oportunidades, para aqueles pecadores que se arrependem profundamente e se propõem a resgatar as falhas, não à custa de sofrimento, mas através de rasgos de bondade. E Alexandre, como sabemos, entregou-se ao serviço do próximo, semeando benefício mediúnico a valer, pelos caminhos do mundo. Ao encerrar os trabalhos, entre outras poucas palavras proferidas, de agradecimento ao Pai e a Jesus Cristo, disse o chefe da casa: — Pai de Infinita Bondade e Justiça! Nosso Senhor Jesus Cristo! Bem sabemos de Vossa Presença em tudo quanto existe na Terra e nas suas esferas espirituais. E por tudo quanto temos obtido, mais as graças colhidas hoje, nós Vos rendemos as nossas graças, os nossos humílimos agradecimentos. Que as Vossas Divinas Luzes nos elevem em Conhecimento e Amor, a fim de que venhamos a ser, para com os nossos irmãos, os dignos distribuidores e fiéis servidores. Fomos dali, o servidor e eu, em busca de trabalho, de muito trabalho, de tudo quanto fosse possível fazer pelo próximo, compenetrados que estávamos de que o verdadeiro redentor é o trabalho fraterno, é o Amor transformado em obras de paz e de ternura. E por ser assim, saímos do departamento com o traslado na direção da crosta, a bem de alguém que gemia e clamava ao Céu. Chegados à residência riquíssima, onde idosa senhora se encontrava envolta em muitas e caríssimas roupagens, vimos também que dois vultos negros e chocantemente opacos a envolviam, e que o faziam em características vingativas de extrema condição. Um deles lhe oprimia o cérebro, apertando-lhe a cabeça com as duas mãos; o outro, parecendo menos cruel, estava sentado sobre o seu ventre. E a senhora, com isso, pensava ter atonia intestinal, com reflexos no sistema nervoso e as conseqüentes dores fortíssimas de cabeça. Como tivessemos hora marcada, para atender o médico espiritual, que falaria através de prestimosa confreira, ali aguardamos alguns minutos. E como de hábito, fomos trocando impressões. — De que sofre ela? — perguntei ao servidor, agora meu instrutor de primeiros passos no mundo espiritual. Sorriu, enviou-me olhar inteligente e respondeu: — Aparentemente ela sofre de males físicos, como de hábito; na verdade, entretanto, ela sofre de muitos pecados... Quando o pessoal chegar, faremos a necessária investigação, para que haja aproveitamento geral. E como me convidasse a observar a casa, fomos passar-lhe uma vista de olhos, coisa que muito me surpreendeu, pois ao lado de tamanhas riquezas e faturas do mundo material, havia extensas misérias de caráter espiritual. A casa estava toda lotada de gente sofredora, de vítimas recentes e remotas. — Quem é ela? — perguntei. — É alguém como nós fomos, capaz de se julgar um anjo, enquanto que ainda vive fazendo coisas infernais ao próximo. É riquíssima fazendeira, cujos formidáveis recursos têm lastro no trabalho escravo e, para mais, escravo e rigorosamente exigente. É grande na Terra, mas é bem pequena perante o Céu.Vamos dizer, é grande por fora e pequena por dentro. — E antes, quem era? — tornei a perguntar. — Pouco antes,—- respondeu-me, — era alguém que se prontificou, no mundo espiritual, a travar imenso programa revisor em seu Carma. Todavia, como acontece muitíssimo, ao se embutir na carne e suas conseqüentes contingências limitadoras, torceu os formosos propósitos anteriormente planejados. Anda a repetir velhas e truculentas práticas, anda a reincidir em graves faltas. — E que vamos fazer, bondoso instrutor? O instrutor respondeu-me: — Primeiro chamaram o médico da família, que nada conseguiu; à instância deste, procuraram famoso especialista, que tudo quanto pode fez, também nada conseguindo; e a seguir chamaram o padre, mandando rezar missa na casa, o que também de nada valeu. — Ainda bem, bondoso instrutor, que essa gente procura sempre, não acha? Assentindo com breve movimento de cabeça, murmurou: — Pena é que procurem onde não podem encontrar... — Bem, agora bateram na porta certa; o Espiritismo dirá o que fazer, pelo menos. — Dirá o que fazer. Está muito bem pensado, dirá o que fazer. Todavia, Gregório, eles são livres para atender ou não. E como se trata de gente muito rica e muito conceituada socialmente, é quase certo que não vão gostar do receituário. A importância da Terra quase nunca sintoniza com a singeleza do Céu, bem sabes. Naquela hora chegaram os companheiros encarnados, todos desconhecidos para mim, enquanto que velhos conhecidos do instrutor. — Gregório, aí estão três encarnados devotados à obra ilustrativa e consoladora da Revelação. Os dois jovens são o casal de médiuns e o velhote é bondoso facultativo, há muito dado ao estudo dos fenômenos espíritas. Espíritas, fica entendido porque Jorge é um caráter que se define pela capacidade analítico-discernitiva, não apreciando as meias tintas. Ele sabe que Cristianismo é Lei, é Amor e é Revelação, reconhecendo no Espiritismo a reposição das coisas no lugar, conforme a profecia de Jesus Cristo. E, assim sendo, compreende que em matéria de Verdade há uma síntese a ser observada, uma linha mestra inelutável a ser fundamental-mente respeitada. O casal de médiuns é gente de melhor esfera, também; não são elementos de nossa região e sim de região bastante superior. Não foi o sofrimento que os convocou ao Espiritismo; foi o Céu quem se lhes dirigiu, re-velando-se pelos seus arautos, os espíritos de regiões felizes. De fato, os três estavam aureolados de suave claridade verde-rosa, com alguns matizes de ouro luzidio. E com eles apareceram dois elementos médicos, que se disseram os indicados para o trabalho em curso, além de uma senhora idosa, de aspecto singelo, porém equipada de formosa coroa de luz em torno da cabeça. Os médicos radiavam saber, pensamento concentrado e técnico; ela radiava sentimento elevado, amoroso envolvimento, um carinho que absorvia, que confundia a nossa pobreza vibratória. Quanto bem me fez, ter com ela trocado conversação! Depois de severa observação exterior, os médicos reclamaram a cooperação de todos, para a vasculha cármica; e foi então que rodeamos o leito, estendendo os braços e entrando a orar com todo o nosso poder mental. A senhora coroada tomou a dianteira, colocou as mãos sobre a cabeça da enferma e os negros e opacos vultos saíram desabalados. E começou, então, a se revelar o histórico da enferma, em quadros psicométricos. Foi além, desandou por algumas vidas, revelando um espírito cheio de altos e baixos, tendo os piores atos muita prevalecença sobre os melhores. Acima de tudo, a vida presente estava marcada por fortes vincos de orgulho e de sanha econômica; por dinheiro e por sua posição social tudo fez, inclusive causar a morte de pobres criaturas, que para ela eram simples negros e escravos, mas que para Deus eram filhos como todos os mais, votados à Sagrada Finalidade, que é a cristificação íntima. O casal de médiuns deu entrada e os dois médicos falaram aos presentes, que eram três familiares da enferma. E depois do receituário médico, disseram que um outro espírito falaria, concitando as outras práticas. E foi então que a senhora coroada falou pelo jovem, dizendo da tremenda e imediata necessidade filantrópica, de carência de amor ao próximo, principalmente do próximo sofredor, daquele próximo com feridas, lágrimas, tristezas, aflições, etc. — Ela vai sarar depressa? — perguntou um jovem muito interessado. E a senhora coroada respondeu, com suave modulação na voz: — Meu filho, todos os que nascem, um dia devem desencarnar, porque essa é a lei. O deveras importante, para nós e para vós, não é viver ou morrer, como costumais dizer; o que importa é estar bem espiritualmente, é estar com a saúde do espírito em dia, é refletir a luz do merecimento perante Deus. Os médicos fizeram o receituário corporal e eu vos apelo no sentido de terapêutica psíquica, da iluminação íntima. E como podeis entender, o Amor é quem torna o espírito brilhante e feliz. O Amor vale o preço do Céu, o Amor não custa dinheiro! — Somos religiosos! — retrucou o jovem, surpreso. — Deus quer filhos conhecedores e amorosos, quer caridade e não sacrifício. A Verdade, meu filho, não é religiosa! Ponha isto em sua mente, para viver isto em todos os dias de sua vida, a fim de que um dia, ao deixar a carne, ainda que sendo menos grande por fora, venha a ser menos pequeno por dentro. E com breves palavras mais, tivemos finda a missão. Enquanto os encarnados tomavam chá com limão e comiam biscoitos, o instrutor e eu tomávamos conta das felizes companhias espirituais. Quanta alegria obtivemos naquele dia! Quando todos se foram, o instrutor disse que ficaria, porque devia completar a obra; estava encarregado de convidar alguém, dentre os pobres sofredores espalhados pela casa, a fim de que fosse, em breve, o baliza de outros. Uma vez em condições, ficaria encarregado de falar aos outros, convidando-os a melhorar os pensamentos, a fim de irem sendo recolhidos e encaminhados devidamente. Ficamos, portanto, e tivemos vantagem, porque alguns nos ouviram com atenção e desejos de renovação. Com o passar dos dias, aquele que fora recolhido, para ali fora designado, produzindo grande colheita, convencendo a muitos outros. E tudo estivera muito bem, porque a enferma modificara bastante seus pensares e sentires, dando entrada em severo regime de filantropia. A senhora coroada, por sua vez, de quando em quando ali aparecia, insuflando pensamentos elevados, fazendo sentir a importância do bem-fazer e da oração sincera. Naquele dia, ao sairmos da casa riquíssima, comentei junto do instrutor: — Nunca me disse, de ter essa luminosa mulher no rol das amizades. — Ela faz parte do corpo de inspiradores de região muito acima da nossa. Não é muito fácil encontrá-la em nossas órbitas de trabalho. — Que fazem os inspiradores? — Nos planos mais elevados todos os trabalhos se desdobram em partes específicas. A inspiração, então, obedece a diferentes matizes. Várias são as ciências, as artes, os campos do pensamento, etc. Ela pertence ao corpo de inspiradores amorosos, porque é mais Amor do que Ciência. Que te inspirou ela, em sua aproximação natural? — Um amor puro, um profundo sentimento de elevação, a ponto de me fazer estremecer. O seu contato é ternura, e sua influência é sublime como sentimento e os pensamentos que sugere são profundamente celestiais. — Assim de fato é, ela é um caráter amoroso; e a função que exerce está de pleno acordo com o seu tônus psíquico e a sua característica psicológica. E se quiser pensar um pouco mais, lembre-se de que tais espíritos, os mais adiantados em Amor, nem sempre são obrigados a se fazerem presentes, ou visíveis, para produzirem seus efeitos; eles podem operar de muito longe, porque o seu poder de ubiqüidade é deveras possante. Assim sendo, observe, quer seja para com os encarnados, quer seja para conosco, nas esferas e regiões inferiores, esses tais espíritos podem influir, inspirando e insuflando sentimentos nobres, fazendo sentir os mais elevados pendores, as mais santas emoções, de onde surtem os grandes propósitos de melhora, a capacidade de harmonia, de perdão e de renúncia. E, tudo isso, sem que tenhamos o menor pressentimento de tais presenças. — Isto quer dizer, então, que o Bom Deus está sempre a nos fornecer elementos de triunfo, de maneira indireta, através de Seus mais perfeitos filhos? — Justamente, irmão Gregório; o Bom Deus quer que haja fraternidade, trabalho cooperativo entre Seus filhos. Ninguém espere receber de Deus benefícios diretos, porque isso nunca acontecerá. As benesses do Senhor, queiramos ou não, virão sempre através de Seus filhos, pelas canaletas hierárquicas. Aqueles que se fazem orgulhosos, ou aqueles que, por falsas concepções religiosas, acreditam estar diretamente ligados a Deus, Dele recebendo tudo, sem ter obrigação para com os irmão maiores ou menores, esses militam em teorias errôneas. Quando chegar a hora de reconhecerem a realidade, terão que se curvar à evidência, evidência que força à irmandade, a mais operante fraternidade. — Graças a Deus que é assim! — exclamei — Graças a Deus! Isso quer dizer, de modo geral e absoluto, que as babuges, as adulações a Deus, foram inventadas por aqueles mesmos que se deram ao trabalho de trair as leis fundamentais da vida. Quando aprenderão as criaturas, que Deus não precisa de lambições quaisquer e deseja, apenas, que cada um conheça as Verdades Básicas e sejam capaz de amar a tudo quanto é bom e necessário, útil e fraterno? Abanando a cabeça, o instrutor comentou: — A Terra ainda está muito longe de seus melhores dias; sua Humanidade, pelos erros ensinados pelas religiões, acredita nas pagodeiras que compra aos mercadores dos templos ou da fé, mas não acredita nas obras de fraternidade e de real sabedoria. Infelizmente, os cérebros e os corações vivem para certas práticas maliciosas, idólatras e capciosas, enquanto se esquecem de viver para a vida pura e simples, amorosa e sublimada. Para resumir, o homem aprendeu tanto a mentir, em matéria religiosa, que se engana e não percebe, que se trai e não se dá conta. O essencial para ele não vale, porque o superficial, o engodo criminoso, lhe tirou da mente e da consciência o senso de equilíbrio, pelo quanto se entregou ao vício das mistificações. Por fora está cheio de aparências, por dentro está vazio, está arrasado! Sai do mundo carnal forrado de mil e uma recomendações religiosas e enterra-se nos abismos de treva e de dor; porque não tem méritos amorosos, porque é apenas um artificial, porque viveu para seus vícios formais e idólatras. O que temos encontrado, nós, os servidores, em nossos trabalhos de recolhimento? — De fato, bondoso instrutor, raríssimos são os que vêm da carne com alguns merecimentos de contado; a grande maioria, ou pertence ao número dos trevosos, ou nada conseguiu melhorar durante a romagem carnal. — Pobre Humanidade! — gemeu o instrutor, pesaroso — Procura fora o que só no íntimo pode encontrar! Inventa artifícios e com eles se ilude, vindo a pagar caro pelo desvio a que se entrega! Aqueles que se dizem mentores espirituais, são os lobos que se fingem de ovelhas, são os que, transformando a fé em meio de vida, a tudo corrompem, porque colocam a pança e o bolso no lugar do Reino de Deus! Ensinam e obrigam a adorar salamaleques e macaquismos, tidos como ofícios religiosos, enquanto que fazem esquecer os Mandamentos da Lei de Deus, que não concitam a ter esta e nem aquela religião, ordenando com severidade a que se combata a idolatria, a que se cultive a decência na conduta social e a que se respeite a Revelação como instrumento de advertência, consolo e ilustração! E até quando, meu Deus, isto irá assim? Até quando? Surgiu, naquela hora, a nossa frente, um vulto de escol, um irmão de melhor esfera. Muito alto, envolvido em roupagens orientais e de longos cabelos repartidos ao meio, como os nazireus usavam. Depois da saudação, disse ao que vinha: — Venho da parte de meus superiores, convidar para que me acompanhem, pois temos um conclave em preparo, em região que lhes poderá facilitar a presença. Não sei de que se trata, não tenho informe de assuntos a serem ventilados, mas acredito que será referente a trabalhos socorristas desenvolvidos pelos nossos departamentos. — O que quer que seja, meu senhor, será de render graças a Deus. — respondeu o instrutor, muito satisfeito. E partimos, envolvidos pela aura poderosa daquele alto emissário. Fomos parar em belíssima pradaria, florida e fragrante, estuante de vida, beleza e graças naturais, situada numa região pouco acima da nossa, para onde baixaram os altos espíritos ali presentes, com o fito de falar, de transmitir informes, pondo alerta a muitos milhares de seres, com relação ao que se passaria, a começar do século vinte, como prosseguimento à obra de restauração, em caráter de consolidação.

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