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Capítulo 5 de 19
Imortais — parte 2 de 11 — parte 2 de 4
Verdades Imortais · Osvaldo Polidoro
E depois de breve lapso, analisou com severo critério discernitivo: — Bem sabemos nós, Carlos, que a obra de Wicliff, Huss, Lutero e Giordano Bruno, foram as preliminares da restauração do Cristianismo do Cristo; foram a obra de sapa, a remoção dos maiores obstáculos, porque foram a brecha nos dogmas ferrenhos, despóticos e sanguinários de Roma. O luteranismo, encarado como Reforma é apenas absurdo, pois não contém a eclosão mediúnica do Pentecostes. Não participa do derrame de Espírito sobre a carne, que foi a Graça trazida por Jesus, de modo generalizado ou sem fronteiras de raça, cor ou credo. Quem pretende que Lutero tenha feito a Reforma, por certo erra gravemente, pois ele foi apenas um passo na via restauradora. Antes dele vieram Wicliff e Huss, os verdadeiros fundadores do protestantismo, sendo que depois dele deveriam vir aqueles que arrastaram consigo a nova grande eclosão do Pentecostes, a disseminação da Revelação sobre toda a carne.
Lutero é um dos esteios da reposição das coisas no lugar, mas está longe de ser a medida restauradora. Os fanáticos, que em torno dele se movimentam, são tanto contra o batismo de Espírito, quanto aqueles que em Roma, no quarto século, liquidaram com o Cristianismo do Cristo e implantaram aquilo que seria para Roma verdadeira fonte de renda e de obediência. Gregório foi um daqueles que se meteram no cipoal das conceituações precipitadas... Foi, infelizmente, como milhões o são ainda, arautos do Cristo de um modo e blasfemos do Cristo de outro modo. Escutando-o falar, intervi: — Bem, mas não estou atado eternamente ao carrilhão do erro; creio que serei capaz de fazer alguma coisa a bem da Verdade que livra.
Que há demais, afinal de contas, que eu faça parte dos trabalhos que disseminam pelo mundo a Doutrina que se estriba na Lei, no Amor e na Revelação? Concordo em que tenha falhado muitas vezes, mas quero concordar em que possa acertar mais vezes ainda, não é justo? O servidor abraçou-me, dizendo: — Embora ninguém seja redentor de segundos e terceiros, porque a cada um cumpre carregar a sua cruz e triunfar; embora ninguém possa fazer a evolução que a cada um cumpre; embora quem errar ou ferir tenha que pagar até o último ceitil, digo que a tua recuperação é medida que a todos nós impõe atenção e certas obrigações. Afinal de contas, Gregório, aqui somos, neste local, um aglomerado de elementos altamente culpados, em trabalho de ressarcimen-to. Assim como temos errado em credo, impondo corrupções em nome de Deus, do Cristo, da Verdade e do Amor, assim importa que façamos a reparação.
Temos de agir e estamos agindo, sob a tutela de elevados mentores, a bem da disseminação do Consolador entre as gentes. — Por que, bondoso mentor, especifica Deus, o Cristo, a Verdade e o Amor? Em Deus, para quem souber discernir, não está tudo resumido de modo total? O servidor sorriu, e, com significativo abano de cabeça, murmurou: — Em Deus não quer dizer em nome de Deus. Em Deus tudo é perfeição total, bem assim como em Cristo tudo é exemplo total.
Da mesma sorte, Gregório, na Verdade e no Amor, tudo está resumido. Porém, saibamos, em nome de Deus, do Cristo, da Verdade e do Amor, as próprias religiões têm cometido os piores, os mais hediondos crimes, por haverem inventado, à custa desses nomes, as piores mentiras, os mais repugnantes vícios idólatras. Depois de transformarem a fé em meio de vida, de tudo lançaram mão para fartar a pança, encher o bolso e cevar orgulhos e vaidades. Por isso mesmo, aprenda a discernir entre o que é Virtude e as tribofeiras que em nome dela os homens fabricam e impõem aos menos cautos. Não somos nós mesmos o grande exemplo a ser observado?
Em nome de quem fizemos tanto mal, a nós mesmos e a bilhões de irmãos, no curso dos séculos? Carlos comentou, pesaroso: — Se ninguém tivesse corrompido a Excelsa Doutrina; se tivesse tido curso a Doutrina que Paulo resumiu nos capítulos doze, treze e quatorze de sua I Ep. Aos Coríntios, em que grau de espiritualidade estaria hoje a Humanidade? O servidor emendou: — O Livro dos Atos, inteirinho, exemplifica a comunicabilidade dos espíritos, a vivência do derrame de Espíritos sobre a carne. Ele apresenta, ao vivo, tudo aquilo que Jesus disse e prometeu nos capítulos quatorze, quinze e dezessete do Evangelho segundo João.
Entrei com a minha opinião, já que o tema era simples, dizia respeito à comunicabilidade dos anjos, espíritos ou almas, coisa de que o Velho Testamento está abarrotado: — Uma vez que tudo gira em torno da comunicabilidade dos espíritos, podemos dizer que a bíblia inteira é espiritista. No próprio Cristianismo, além de Jesus ter passado Seu tempo messiânico a expelir maus espíritos; além de ter ido fazer sessão espírita em que compareceram Moisés e Elias, no alto do Tabor; além de tudo isso, não foi um espírito chamado Gabriel quem anunciou o nascimento de João Batista e de Jesus? Ora, se a questão toda gira em torno da Revelação, e a Revelação é a comunicação dos espíritos, creio que não temos dificuldades a vencer, de ordem doutrinária. Com a Lei de Deus todos concordam e quanto ao Amor é fora de dúvidas que todos o reconhecem, embora não o pratiquem, a suprema virtude a ser concebida humanamente. Que temos, afinal de contas, de mais difícil a ultrapassar, a fim de podermos trabalhar livremente a semear pelo mundo a Doutrina transmitida por Jesus?
Carlos levantou-se de onde estava, ficou de pé à minha frente, eis que me havia sentado, e observou: — Aqui tudo é fácil de ser compreendido e admitido, principalmente depois de atravessar algumas dezenas de anos nos abismos... Vá dizer isso aos fanáticos lá da crosta!... Cada qual tendo seu vício sectário, pensa até que pode ensinar Doutrina ao próprio Deus!... Se Jesus afirmou, diante do mundo, que muito mais tinha a dizer, coisa que seria feita através do Consolador, porque naqueles dias não conseguiriam aceitar; se Jesus assim advertiu, abrindo os olhos de todos para as verdades que a Revelação cumpriria ensinar; se o Cristo assim chamou a atenção dos crentes para as realidades instrutivas e consoladoras do Paráclito, nem por isso, um só fanático, viciado na interpretação errônea dos textos, deixará de se sentir autorizado a desmentir o Cristo um milhão de vezes por dia!... O servidor soltou forte gargalhada, anuindo: — Tome medida de si mesmo, irmão Gregório, como agiu lá no mundo?
Conseguiu alguém lhe convencer, de que o Espiritismo é apenas o retorno ao culto da Igreja Apostolar? Viu você, no Espiritismo, pelo menos os capítulos um, dois, sete, oito, dez, e dezenove dos Atos dos Apóstolos? Calei-me, porque de fato não fora mais do que fanático, tanto quanto hoje sei que milhões ainda o são. Depois de passar sessenta e tantos anos nas trevas, e de receber instruções tão ao vivo, no mundo espiritual, é fácil admitir o que seja a Doutrina de Deus, de quem fora Jesus o Celeste Transmissor. Todavia, para se aquilatar do ponto de vista da crosta, basta dizer que nem Jesus fez o milagre da aceitação por todos os homens da Palestina; daqueles homens que estavam a par do que haviam feito os Patriarcas, Moisés e os Profetas, tudo à custa da comunicabilidade dos anjos, espíritos ou almas.
Mesmo agora, que transmito estas palavras, quando o Espiritismo comemora o seu primeiro centenário de Codificação, quem poderia falar na boa-vontade dos homens, para com ele, que se estriba exclusivamente na Lei, no Amor e na Revelação? Não padece dúvidas de que a libertação do espírito vem da Verdade conhecida e vivida; vivida, fica bem entendido! Porém os homens, na crosta, enxergam a Verdade, pelo prisma da mentira que lhes agrada e endossa os piores vícios concepcionais. Em matéria de Verdade, cumpre dizer, os homens podem antes dar em obcecados e fanáticos de suas próprias concepções, do que em verdadeiros conhecedores e cultivadores de suas virtudes libertadoras. Por isso mesmo, foi com prazer que ouvi Carlos dizer: — Perante a Verdade, não esqueçamos, alguns se portam como Maria de Magdala, enquanto que outros carecem de choque violento, assim como Paulo de Tarso.
Ela, pecadora e simples, vazia de galardões do mundo, viu em Jesus um reflexo de Deus, cheio de Verdade e de Amor! Ele, fariseu e armado das prerrogativas do Sinédrio, viu apenas um nazireu pobre, um arruaceiro dotado de mágicos poderes, assim como tantos os havia entre os Essênios. Para ela bastou o halo sublime que envolvia o Celeste Ungido; para ele foi necessária a intervenção do sofrimento! Senti, ouvindo aquilo, pena de mim mesmo. Um grande constrangimento avassalou-me a alma, sentindo indômita vontade de chorar, o que o fiz, pois não houve como reprimir o pranto.
— Que lhe passa? — perguntou-me o servidor, atencioso em extremo. — Vergonha e pena de mim mesmo... — E por que agora, que está muito melhor? Expliquei: — Comparei-me a Maria de Magdala...
Ela com seu espírito simples, capaz de assimilar a ternura de Jesus, com Jesus triunfou, antes de haver Ele derramado o Seu sangue inocente; e eu, fanático das palavras evangélicas, acreditei-me sempre discípulo fiel, garantido perante Deus!... Quem será, realmente, perante Deus, o primeiro ou o último?!... Carlos adiantou: — Na minha opinião, o Amor e a Ciência completam o espírito. Como, porém, o Amor é mais operante e importante, creio que os primeiros serão sempre aqueles que tenham mais cheios de Amor o coração e menos fartos de presunção o cérebro. A diferença, penso eu, entre Maria de Magdala e Paulo de Tarso, deve ter sido essa.
Ela viu Amor nos olhos de Jesus, enquanto que Paulo andou encarando as palavras e os atos de Jesus, pelo prisma das simulações clérigo-farisaicas. Aqueles que, no mundo, vivem de evangelho em punho, encarando a Verdade pelo prisma dos vícios, das corrupções interpretativas, estão ainda a imitar Paulo de Tarso. E aqueles que se julgam vazios de importâncias mundanas, simples pecadores diante de Deus, esses curvam-se perante Jesus e Sua função missionária; isto é, procuram aprender com Jesus, não tendo a presunção de que podem ensiná-LO. — Se não isso, — entrecortou o servidor, — pois ratificar o Cristo é coisa que assusta aos espíritos supersticiosos, e os idólatras das formas e das letras o são intensamente, pelo menos é certo que tudo fazem em matéria de malabarismos, a fim de darem às afirmativas textuárias, interpretações capciosas, absurdas e de todo vazias de senso real. A prova temo-la, como podemos observar, na ocorrência de Paulo, que ao deparar com o Cristo redivivo na Estrada de Damasco, ali encontrou a maneira de abandonar a conversa fiada, os rituais e os conchavos de homens, para enveredar nos domínios das virtudes espirituais, das faculdades psíquicas, do cultivo simples e puro da Revelação ilustrativa e consoladora.
Daquela hora em diante, Paulo avançou pelo caminho fértil da divisa essênia, que assim dizia — “Tudo pelo interior, nada pelo exterior; tudo pelo espírito, nada pela forma.” Carlos concordou: — A Madalena estava à margem das injunções presunçosas e degradantes do orgulho e da vaidade que os exclusivismos sectários engendraram. Ela, gente do povo e pecadora reconhecida, não se julgou capaz de ser juiz do Celeste Ungido; e por isso, diante da luz da Verdade e do Amor, portou-se com simplicidade e adoção. Quem tem feito muitos homens errarem, enveredarem mesmo pelos caminhos da corrupção, é a presunção que verte do orgulho sectário. Se o bom senso manda que o santo desconfie de sua santidade e o sábio faça o mesmo para com a sua sabedoria, certo é que os idealistas da Terra pouco ou nada sabem fazer a esse tal respeito. O vício que criam, e ao qual se entregam ardorosamente, fá-los apenas fanáticos, tange-os no rumo dos dogmas absurdos e das manias criminosas.
E como sabemos, toda e qualquer modalidade idólatra pode viciar tremendamente, chegando aos extremos da atrofia moral, que é a pior de todas, porque é aquela que elimina na criatura a capacidade discernitiva e a força de vontade com que vencer, com que sujeitar as próprias fraquezas e falhas. Aos fanáticos, nada se deve pedir! — Justamente! — anuiu o servidor — Temos a prova no fato de Jesus, defrontando o Sinédrio por três vezes, e a Pilatos nas horas finais, e a Herodes uma vez, jamais ter pretendido convencê-los da Verdade de que era detentor e da Graça de que era portador. Os fanáticos, religiosos ou políticos, mui raramente conseguem ver além da barreiras que seus exclusivismos lhes permitem.
São cegos e se qualificam clarividentes, vivem nas regiões ensombradas do pensamento e da ação, ao mesmo tempo que se julgam luminares da Humanidade. Nos mundos inferiores, nas sociedades atrasadas, deve-se encarar com muito cuidado aos que se acreditam plenos de certeza e de valores, principalmente quando são dos piores, daqueles que não admitem confrontações, que não conseguem respeitar pelo menos os fanatismos alheios... Houve riso geral, tendo dito Carlos: — Por experiência própria, todo cuidado é pouco quando se lida com gente que só aceita um Livro, uma Ciência, uma Arte, uma Religião, uma Filosofia, etc. Os indivíduos monocêntricos, reclamam muita atenção, pois quase todos, em sua tremenda maioria, são desvairados que se presumem messiânicos. Achei que devia comentar e fi-lo: — Atrás de um grande errado ou corruptor, formam-se caudais de errados e corrompidos.
Quem andou metendo, nas letras ditas Sagradas, as alterações que fazem enveredar aos piores desvios concepcionais? Se disse alguém, em primeiro lugar, que Jesus foi primogênito de Deus, ou unigênito, ou redentor das culpas alheias, muito naturalmente isso tornou uma torrente de outros tantos fanáticos e errados. Em um mundo onde o analfabetismo é quase a medida geral, toda aquela corrupção que é imposta pela força dos maiorais das sociedades, transforma-se em virtude acatada e até mesmo adorada. Além dessas insinuações destituídas de Verdade, muitas outras foram incrustadas nos textos ditos sagrados, fazendo as gentes cursar caminhos de erro e culpa. O servidor olhou-me com espanto, exclamando: — Olhe quem fala!...
Um daqueles que no século quatro tudo fez para garantir a corrupção do Caminho do Senhor, engendrando a instituição que combateria a ferro e a fogo a todos quantos teimassem em continuar nas práticas mediúnicas, ou no batismo de Espírito, vem agora tomando ares de vítima inocente!... Diante de meu silêncio enigmático, Carlos prosseguiu: — Sim, Gregório, você foi um dos inventores e propulsores da corrupção do Cristianismo. Você muito fez para deitar por terra a Doutrina que se estribava na Lei, no Amor e na Revelação, que então, ou que até então se dizia o Caminho do Senhor. E para defender a novel religião, que traria ao Império Romano dinheiro e obediência, procurou formar uma instituição policial, que mais tarde um pouco se chamou de Tribunal de Inquisição, vindo mais tarde ainda a se intitular de Santo Ofício. Em resumo, Gregório, ao ser no quarto século eliminado o Cristianismo do Cristo, para ser implantado um credo interessante ao Império, em nome de Deus e do Cristo, foi você quem prevaleceu em muito, por ser então pessoa de grande acatamento e poder junto de Constantino, o homem que venceu Maxêncio.
E se quiser a prova, nós te faremos tê-la porque os registros estão nos indivíduos e é muito simples e fácil obtê-los. Tive que sorrir amargamente, confrontando o homem com os fatos, as aparências com as realidades. Vir do mundo em estado de trevas, depois de andar toda a vida carnal de Evangelho em punho! Acreditar-me lavado pelo sangue de Jesus, para depois reconhecer-me um dos maiores traidores do mesmo Jesus! Acreditar na salvação pela fé ou pela graça, vindo a me encontrar frente a frente com as mais tristes e incriminantes obras!
Teimar no mundo que só se poderia ter uma vida carnal, quando vim a me encontrar diante das vidas sucessivas e fartas de crimes a serem resgatados! Julgar de maneira degradante os mortos, quando eu estava vivo e cheio de responsabilidades de trabalho! Considerar diabólica a comunicação dos espíritos, quando foi essa a Graça, e não outra qualquer, a que Jesus entregou a toda a carne, para servir de escola, de ilustração e de instrumento consolador! — Quantas contradições! Quantos erros nas religiões!
— exclamei, cheio de constrangimento, curvado ao peso de terríveis remorsos. O servidor comentou, com boa dose de piedade e bastante convicção: — A Lei não é sectária; a Justiça não é parcial; o Cristo advertiu que a libertação vem da Verdade executada; o Amor, como supremo instrumento de vitória, não é exclusivista; e o derrame de Espírito sobre a carne, nada tem a ver com os conchavismos de grupos ou de instituições religiosas inventadas por homens. Logo, irmão Gregório, é melhor ser amigo da Verdade do que ser proprietário de muitas convicções sectárias. E como me visse triste, muito triste, aconselhou-me: — Gregório, vamos andando... Quem fere, assim será ferido, mas com a vantagem de resgatar as faltas e de prosseguir no sendeiro da Pureza e da Sabedoria.
É nisto que devemos confiar, porque outra alternativa não existe. Vamos enfrentar a eternidade, conscientes de que temos Deus por Pai, o Cristo externo como Modelo, o Cristo interno por Objetivo, a Verdade por Estrada, o Amor por instrumento de Vitória e a Revelação como fonte de Ilustração e de Consolo. Com ou sem letras ditas sagradas, este Evangelho é o Evangelho do Cristo que se faz presente através das legiões consoladoras, que se aprestam para falar aos homens de todas as latitudes do Planeta. E nós, Gregório, temos alcançado a dádiva de merecer um posto de trabalho em tão grande obra de saneamento da Humanidade terrícola. Vamos, pois, que ao Reino de Deus, que é interior a todos os filhos, só se poderá ir à custa de obras redentoras e evolutivas.
— A existência do espírito parece um sonho trágico! — Brami dolorido. — Poderás dizer isso quando estiveres nas alturas gloriosas da vida superior? — Não sei... Bondoso servidor, estou dolorido por dentro e por fora!...
— Poderia modificar as leis fundamentais do Universo, Gregório? — Tenho certeza que não... — Então, Gregório, vamos dizer aos homens, nossos irmãos, que ora gravitam sobre a Terra, e nas regiões inferiores do mundo espiritual, que a Verdade de Deus não é aquela que no mundo as religiões têm imposto às criaturas; vamos falar a linguagem da vida simples, sem idolatrias, nem de formas e nem de letras, assim como Jesus deu o Seu Divino Exemplo, entre o povo chagoso e lacrimoso, triste e sedento de luz, cego e coxo, surdo e mudo, faminto de todos os manjares. Vamos prosseguir com a obra de Jesus, vamos tirar de cima das gentes o jugo de fomes e de mentiras que os donos dos povos e das religiões lhes impuseram! Vamos dizer aos nossos irmãos que a libertação está no conhecimento das leis aplicadas, e que jamais poderá vir de fora ou por meio de simulações comerciáveis!
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