Voltar ao livro Verdades Imortais

Capítulo 13 de 19

Imortais — parte 8 de 11

Verdades Imortais · Osvaldo Polidoro

E o Cristo terrestre, como Divino Exemplo, deu provas disso tudo, pois a Doutrina que transmitiu aos homens, Seus irmãos, tem fundamento na Lei, no Amor e na Revelação. Quem vive em regime de idolatria, por mais bem intencionado que seja, nunca poderá atingir os píncaros da espiritualidade. Voltará ao plantel carnal, tantas quantas vezes sejam necessárias, até alijar de si os últimos resquícios de culto exterior, de adoração a Deus através da Matéria. Quem, pensando em ser mais e melhor do que o seu irmão, desprezá-lo, pretendendo com isso lavrar melhor contato com o Pai, nunca poderá atingir os altos planos de espiritualidade. Ele voltará à carne, para aprender na duríssima escola da vida, o quanto representa o AMAI-VOS UNS AOS OUTROS. Quem, julgando ser sábio, diga coisas contra a Revelação, jamais escalará os melhores postos da erraticidade. Ele voltará e trilhará os caminhos do mundo, vindo a necessitar da comunicabilidade dos espíritos; isto é, ele dará testemunho do batismo de Espírito, da água viva trazida pelo Cristo para toda a carne. Porque o batismo de Espírito veio na hora cíclico-histórica, para livrar a Humanidade dos caminhos da materialidade, do animalismo e da brutalidade, para onde a estavam conduzindo as clerezias idólatras, políticas e comercialistas. Além do mais, quem tiver mente de entender, que entenda — a evolução representa a infusão dos dois planos da vida planetária. É forçoso que a Revelação faça a sua parte, que é forçar aos poucos a convivência mútua entre o mundo astral, de onde a Humanidade encarnada procede, e o mundo temporal, de onde terá que sair um dia, para retornar a Ele. De Jesus Cristo para cá não cabem as clerezias, as idolatrias e os insultos à Revelação. Como, porém, no século quatro perverteram a Excelsa Doutrina, ou fizeram com que a porca lavada de novo se revolvesse no lodaçal, ou que tornasse o cão ao vômito, eis que sob o aguilhão de tremendas desgraças, terá a Humanidade que responder pelo tremendo delito. Do século dezenove em diante, depois dos trabalhos de sapa, foi eclodindo o novo Pentecostes, a maior eclosão mediúnica da História. E com os embargos que lhe começaram a criar, com a nova perseguição ao Divino Mestre, levantou a Humanidade contra si o rigor da Força Equilibradora do Universo. Coisas dolorosas vieram e ainda virão, porque a blasfêmia contra o batismo de Espírito não passará sem causar abalos terríveis e dores violentas. A segunda vinda do Messias é através das nuvens ou falanges espirituais. Ele disse legiões de anjos. Quanto ao modo de dizer, na Bíblia diz espírito santo e espírito imundo, enquanto que agora dizemos espíritos de luz ou espírito de treva e sofredor. Variam as palavras, mas a essência é totalmente igual. Ninguém poderá atingir o grau crístico, a menos que use do AMAI-VOS UNS AOS OUTROS de maneira racional; isto é, no âmbito da Lei, do Amor e da Revelação. Nisto importa haver discernimento, pois obrigam a que se façam as devidas classificações ou seleções, em virtude da lei das gradações hierárquicas ou de responsabilidade segundo a evolução. Que faça a criança as suas criancices, seja muito bem; mas é ridículo que o adulto, a título de fraternidade passe a imitá-la. Bem podeis observar que, em virtude de falsas concepções, muitos adultos se entregam ao ridículo de tais práticas. Normalmente, ou decentemente, cumpre ao adulto ensinar e guiar a criança para melhor; nunca porém, imitá-la em suas infantilidades. Ser simples é uma coisa, ser inconsciente é coisa muito diferente! Reconhecer a necessidade de tolerância, para com os atos infantis, isso é comum; o que porém fere a lei de responsabilidade hierárquica é o endosso à infantilidade em obras de imitação. Não façam confusão os homens, porque a Lei de Equilíbrio não a aceitará. Não batam palmas à involução, a pretexto de fraternidade. Assim como armar o braço do delinqüente não é obra de fraternidade, assim também não é fraternidade bater palmas a mediocridade, pelo fato de ser um irmão aquele que a pratica. Lembremos que o Divino Modelo, o mais manso e humilde, enfrentou insultos, perseguições e a cruz, para dar testemunho da Verdade; caso contrário, a pretexto da fraternidade teria concordado com o clero levita, com os vendilhões dos templos, com os hipócritas, com os túmulos caiados por fora e fedorentos por dentro... Não tomeis a Jesus como exemplo de ignorância e de pusilanimidade, se isso vos parece que fica bem, pela vossa falta de senso discernitivo, de melhor compreensão dos fatos e de um pouco mais de respeito pela vossa própria melhora. Os que ficam com o mundo, por certo não são os que defrontam as crucificações que o mundo prepara, para aqueles que com ele não se identificam. Na hora de martírio, o Justo estava pregado entre ladrões e muita gente fitava-O de baixo. As concepções variavam ao infinito, no seio da Humanidade ali representada; porém, a Lei estava ainda acima de concepções, e, por isso, a pedra desprezada ficou sendo a cabeça do formidando e glorioso edifício! Antes de concordar com o próximo, pelo simples fato de ser próximo, tomai cuidado. Porque é certo que mais é a Lei do Equilíbrio, que vos responsabiliza pelo comportamento. A Lei é acima de cogitações, enquanto que o próximo das coisas, não inverta os termos e não vos faça destrambelhar. Procurai melhorar o próximo, buscai consertá-lo com a Grande Lei de Harmonia; porém, fazei-o com muito discernimento, para que ele, servo das trevas, não mude o rumo das coisas, não inverta os termos e não vos faça destrambelhar. Grande errado que fui, cumpro função dizendo verdades tais, enquanto que aproveito o ensejo de afirmar o seguinte, de caráter pessoal — minha palavra, como advertência, prende-se aos traços espirituais ou problemas de fé. Porque falem em Deus, no Cristo, na Verdade e no Bem, não deis crédito aos homens; observai se de fato estão com a Lei, com o Amor e com a Revelação. Vede se trilham os caminhos do Amor e da Sabedoria. Consultai se objetivam a Pureza e o Conhecimento. Porque, realmente, muitas são as aparências e poucas são as evidências de respeito à Verdade. Como errado eu fui, digo que convém ter muito cuidado com o fermento dos clérigos e dos fariseus, de qualquer lugar e tempo. Tende cuidado com os rótulos, evitai as encenações, fugi das figuras de fachada! Atendei para isso — se Jesus tivesse grandes posses mundanas; se contasse com altas nobiliarquias humanas; se um grande exército imperialista e sanguinário estivesse em Sua defesa; se quisesse triunfar diante das misérias do mundo, por certo não teria ido para a cruz, pelos motivos que foi. Entretanto, vede bem, os pés de preferência descalços ou mal calçados; a túnica opalina e inconsútil dos Essênios ou Profetas Hebreus; e o fato de não ter onde reclinar a cabeça, não Lhe fizeram agravo perante Deus, não O menosprezaram diante do Pai. Desconhecido pelos homens; desrespeitado pelos donos de religiões; aviltado pelas autoridades temporais; e discutido pelos homens dos séculos consecutivos, ali estava, entretanto, o Excelso Espírito que sempre foi o Diretor Planetário! Onde, pois, houve muita saliência dos coscorões do mundo, tende cuidado de vos aproximar. Eu e muitos outros, que temos falado pela Série do Céu, dando testemunho do batismo de Espírito e advertindo contra os erros do mundo, fomos bastante rotulados, muito mais galardoados do que Jesus... Nós tivemos tudo quanto o mundo poderia dar, porque tínhamos as duas autoridades, a temporal e a religiosa. E, com todas aquelas importâncias, cavamos abismos, trevas, fedores e cruciantes agonias de espírito! Como estou falando de parceiros de infelizes jornadas, a companheiros de horas menos recomendáveis, falo com simplicidade e sem temores. Porque, com as luzes do Consolador, que normalmente é instrumento de advertência, ilustração e consolo, é fácil fazerdes um auto-estudo, consultando se tendes o coração ungido de Amor e o cérebro farto de Sabedoria. Se dessas virtudes libertadoras não tiverdes armazenadas, de nada vos adiantarão os rótulos e as nobiliarquias do mundo. Quando as luzes temporais forem abandonando os vossos olhos carnais, as trevas do mundo espiritual virão substituí-las. Deixareis os altos cômodos do orgulho, do egoísmo, das aparências mundanas, para baixardes aos abismos da subcrosta, ou para continuardes na densa atmosfera da crosta, caso as culpas não tenham sido lá muito agravantes. Da parte de quem orienta o imenso trabalho de Restauração e de Consolidação, transmito a palavra de ordem, convidando a tomar Jesus Cristo por Modelo a ser imitado. Exemplo do Caminho, da Verdade e da Vida, assim ordena que vos faça e divida a lembrança — como vida, honrai-vos para nisso honrardes ao Pai, a Divina Fonte; como Verdade, conhecei-A para servi-LA, conforme o Seu Divino Exemplo, mesmo que custando qualquer espécie de crucificação; e como Caminho, fazei tudo para segui-LO, a fim de que, mesmo sendo molestado até a morte, possais chegar ao fim da jornada exclamando aqueles palavras: “PAI, TUDO ESTÁ CUMPRIDO. EM TUAS MÃOS ENTREGO O MEU ESPÍRITO”. Considerai, entretanto, que não é grande o número dos que podem assim dizer, equipados de valores adquiridos, harmonizados com a Grande Lei da Harmonia. Pelo contrário, grande é o número dos que se projetam no rumo da vida de aquém-túmulo, sobrecarregados de inconsciência das Verdades Básicas, saturados de más obras, embutidos na rebeldia, inimigos de sua paz. É doloroso o espetáculo que a Humanidade terrícola apresenta, em matéria de reconhecimento de suas validades de filha de Deus; portanto não se porta nas obras, como chega a saber teoricamente. Ao que pretende que seja religião, quando muito cultiva pelo prisma da rotulagem, da aparência, das posturas físicas, produzindo de quando em quando umas manobras de joelho e de palavras automaticamente expressas. A crença em Deus é para encapar e acobertar com desculpas a preguiça de ser trabalhador fiel, produtor de bons serviços, cooperador de Obra Divina. Quando se encontra um crente, quase sempre se encontra alguém que faz das afirmações teóricas o motivo das isenções de ordem prática; proclamando que existe um Deus, isso basta para justificar a ignorância das leis e da obrigação dos atos de fraternidade que ficarão sem cumprimento. A Verdade não representa as leis, os meios de ação e de soerguimento, para si e para o seu próximo, pela grandeza simples do exemplo generoso; ela é aquilo de que ele tem alguma certeza da existência, todavia estando longe, sabe Deus em que paragens do Infinito, por isso mesmo é que fecha os olhos para o trabalho de solidariedade imediata. Não reconhece mais do que a sua pança, o seu bolso, o seu orgulho, a sua vaidade, os seus familiares imediatos. A chaga, a lepra, a cegueira, o pranto, a viuvez, o analfabetismo, tudo, enfim, que deveria servir de alerta, de advertência, de conselho, de realidade que a Divina Sabedoria espalha á frente de uns, enquanto fornece elementos de ressarcimento para outros, tudo isso, digo, não lhe constitui observação, não lhe fala do porvir inelutável, nada lhe importa como escola de aprendizados práticos e indispensáveis ao serviço de harmonização. A grande procissão humana, que deveria encarar a encarnação como bendita oportunidade de serviços auto-iluminadores, como fonte natural de esplendorosos desenvolvimentos, uma vez imersa no seio da penumbra carnal, apenas atende aos imperativos dos mais imediatos interesses, dos instintos menos edificantes, quando não calha de se entregar totalmente aos atos que consolidam a rebeldia contra os Mandamentos da Lei. E ao deixar a veste grosseira, a ferramenta de tantos recursos triunfantes para quem sabe valorizá-la, o que acontece é tenebroso, porque ao fechar dos olhos carnais, muito mais ainda se fecham os olhos do espírito! Como tudo é por peso específico, porque a Justiça Divina não vem de fora, mas atua de dentro para fora, eis que temos o descuido transformado em treva, eis que vamos encontrar a oportunidade de edificação transmutada em oficina de pranto e ranger dos dentes! Tudo no homem-físico é flexível, facilita olhar para baixo, para cima, para os lados; tudo nele favorece a oportunidade das melhores e menos adiáveis obrigações libertadoras. Mas ele passa a não enxergar o trabalho, porque não pondera sobre as leis que lhe puseram no caminho os aleijões e os oprimidos de variada ordem. Os olhos não vêem, os ouvidos não ouvem, a inteligência distrai-se com os afagos enganosos do mundo e dos instintos grosseiros! Já não basta que seja incapaz de sacrificar suas fortunas, de posse e de saúde, em benefício dos miseráveis de fortuna e de benesses físicas; é que, cidadão devotado aos desregramentos, afeiçoado ao apostolado da negligência espiritual, o seu coração não sente e a sua mente não concebe a necessidade de perdoar e de renunciar. Espera do Cristo os favores do mistério e do milagre, esquecido de que estes nem para o Cristo existiram, pois o Modelo aplicou-SE à obra de socorro aos sofridos do mundo, findando Seus dias no topo da cruz, crivado ainda de insultos e de reptos blasfemos! Todavia, nem do imediato, em benefício próprio, consegue lembrar, tomando exemplo Naquele que de fato o é, do mínimo ao máximo; não procura prender a lição da realidade que o Céu apresenta e ensina através do Cristo-Trabalho. Não observa a presença de um anjo ou espírito, na hora cruciante, servindo de amparo ao Modelo em conhecimento e obras. A lição do Céu, que o historiógrafo sacro registro, essa passa desapercebida, não lhe fala ao cérebro farto de sortimentos mórbidos e nem ao coração preso de introversões condenáveis. Ali, onde Lucas alinhou as palavras que bem revelam a posição do trabalhador em face do mundo, tendo por instrumento de advertência, fortaleza e amparo a bênção do mundo espiritual, ali é que a negligência não deixa perceber a importância dos contatos com a esfera direcional, com a Suprema Autoridade. Jesus pediu a transferência do amarguroso cálice, não tendo sido aceita pelo Senhor, que sabia das necessidades da lição a permanecer entre os demais filhos do Seu Poder e Santos Desígnios; mas enviou aquele anjo ou espírito poderoso, que consolaria, na hora suprema, o maior dos Mensageiros da Sabedoria e do Amor.

“E apartou-se deles cerca de um tiro de pedra; e, pondo-se de joelhos, orava: Pai, se queres, passa de mim este cálice; porém não se faça a minha vontade, senão a tua. Então apareceu um anjo do céu, que o confortava”.

Tudo segundo leis, tudo através de leis! Ali estava o testemunho da Revelação, do contato entre os dois planos da Vida, a fonte viva de socorros vários, porém no âmbito das leis de Causa e Efeito, segundo as necessidades instrutivas e cármico-evolutivas, quer da Humanidade toda, quer de cada filho, em suas necessidades e obrigações.

Por que pediu o Divino Modelo a passagem da crucificação? Por que o Pai não O quis ouvir e atender nessa rogativa angustiante? Por que enviou-Lhe um anjo ou espírito consolador?

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.