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Capítulo 16 de 19

Imortais — parte 11 de 11

Verdades Imortais · Osvaldo Polidoro

Ao findar esta narrativa, resumida em virtude de ser uma das últimas que compõem o avultado número delas, recordo o apelo a bem do AMAI-VOS UNS AOS OUTROS, não porém com aquele caráter místico-superficial, todo passivo, com que as gentes da Terra vivem a repetir as palavras do Cristo, pensando que Evangelho é um livro cheio de capítulos e versículos. Quero recordar a necessidade de real, de prática fraternidade, aquela fraternidade que não trata de interesses subalternos do homemfísico, ou do homem-animal, ou do homem-aparência, que carece de saúde física , roupas, dinheiro e outros complementos circunstanciais à vida telúrica e social. Depois de tanto cursar aprendizados, depois de tanto vasculhar o homem na sua Origem, no seu Plano Evolutivo e na sua Finalidade; depois, enfim, de sondá-lo em suas movimentações em geral, muitas vezes perdido no burburinho de mil e uma incompreensões, de mil e uma ignorâncias de tudo quanto é necessário ao seu verdadeiro bem, eu rogaria a quem quisesse pensar com um pouco de noção evangélica, o favor de pensar em uma fraternidade essencial, deixando de parte essa fraternidade de coscorão, de frontispício. Muito mais do que o homem-físico, do que o homem-forma e do que o homemnúmero, quem deve ser amparado é o homem-espírito, é a centelha psíquica em sua marcha evolutiva, em seu divino programa de iluminação interna. É comum encontrar, no mundo, quem ao lado de um pedaço de pão coloque o pior dos conselhos, a palavra de menosprezo aos sagrados deveres de filho de Deus! É normal que, ofertando um trapo para cobrir o corpo, ofereçam também o pior dos conceitos, aquele que descobre, esfria e atrofia a gloriosa visão da celeste finalidade. Sondando a paisagem terrestre, onde perambulam metidos em carne bilhões de irmãos, defrontando as mais diversas modalidades de cursos e de aprendizados, e onde, infelizmente, o fracasso ronda e leva de vencida a milhões de criaturas menos prudentes, temos encontrado a quase nula, a quase nenhuma perseverança de uns pelos sagrados objetivos espirituais de outros. Temos visto que são encarados os corpos, as vestes, a pança e as necessidades transitórias; mas quase nada vimos, em matéria de previdência espiritual, de zelo pelo homem-espírito, de acatamento pelo agente imortal que deve completar sua tarefa emancipadora, sua iluminação íntima, pelo conhecimento da Verdade, de quem ele é parte e relação, e com a qual deve anelar em Pureza e Sabedoria. É ao ser espiritual que tudo se deve, em matéria de AMAI-VOS UNS AOS OUTROS, de verdadeira fraternidade. Caso contrário, como temos visto, de par com o pão do corpo e com as roupas da pele, ministram-se também a fome de espiritualidade e a frigidez da moralidade psíquica. E virão a ser, então, até mesmo aqueles que tiveram boas intenções, aqueles mesmos que sustentaram e cobriram os corpos, para logo mais embalarem o espírito aos rincões de ignorância e de trevas! Se bastassem as farturas do plano temporal, certamente os ricos do mundo teriam garantido o Reino de Luz no após morte. Como, porém, ninguém vai ao Reino de Luz exterior, sem ser pela força projetora do Reino de Luz interior, eis que a medida certa, justa e necessária, é conhecer e realizar a Verdade no íntimo. Infelizmente, aquilo mesmo que tem parecido religião, mais não tem sido que o programa corruptor. Com suas medidas piegas, idólatras, ritualistas; com os seus aparatos exteriores, simplesmente decorativos; com a falta absoluta de comprovação dos fatos, por isenção revelacionista, aquilo que se diz religião não vai além de pura tramitação formal, com acentuada radicação no rol dos movimentos políticos-econômicos do mundo. Nossa caravana de aprendizes, nestes últimos tempos, tem observado fatos tremendamente confrange-dores. É no seio dos movimentos religiosos onde a cegueira espiritual reina, domina e escraviza, pelo fato de haver muito Deus, muito Cristo, muita Verdade e muito Bem, porém tudo ou quase tudo pró-forma! Naqueles dias exclamou Jesus, que os donos das religiões se esforçavam para fazer um prosélito, a fim de o tornarem, logo mais, digno dos infernos, pela massa de hipocrisias que lhe faziam carrear, a pretexto de religião. Pois ocorre, meus irmãos que as coisas andam agora por caminhos tanto mais perigosos. A Humanidade está mergulhada nas aparências; vive duas facetas; mas, perante o Senhor, não podem prevalecer aparências. E temos visto, por isso mesmo, que grandes pompas e fartos rótulos acompanham os indivíduos até a morte, até o túmulo, quando muito. A seguir, as coisas mudam, as luzes do mundo se apagam... Poucos se erguem, de fato, acima das conjunturas da aparência; e aqueles que o fazem, certamente não são os que viveram, para glorificar a idolatria. Porque, em verdade, enquanto um espírito fizer da matéria instrumento intermediário de adoração a Deus, o Pai Divino, que é Espírito e Verdade, não conseguirá ser mais do que medíocre, mesmo que seja de paz. Onde vem, porém, o tempo em que os filhos adorarão o Pai como Espírito e Verdade, assim como Ele é e quer que todos o sejam? A resposta nô-la dá o Cristo, o Cristo Vida e o Cristo Exemplo, ensinando a cumprir, a executar as leis de Deus. Porque aquele Reino de Deus que está no imo de cada filho de Deus, para esplender de Luz, Glória e Poder, deve suplantar a todas as contradições, a todas as aparências, a todos os circunlóquios com que o mundo formal enreda, envolve, tranca e trucida as almas! As vidas sucessivas são em conseqüência das leis e dos meios evolutivos, de que o espírito não pode prescindir, para atingir a meta final; o nascimento impõe deveres conseqüentes que, mais cedo ou mais tarde, hão de se tornar intransferíveis e inadiáveis; e a Verdade interior, a Luz de Deus que fulge na centelha em potencial, desde os primórdios de sua manifestação, reclama e proclama a necessidade de crucificação de todas as formas! Não é, pois, a Verdade exterior a que liberta, a que glorifica o filho de Deus; é a Verdade interior, o Reino de Deus que cada qual traz no imo, em estado latente. Este Reino de Deus, esta Glória e esta Luz, jamais poderá esplender sem a crucificação do que seja formal! Por isso mesmo, termino lembrando alguma palavras de imenso, de integral sentido — CONHECIMENTO, AMOR, RENÚNCIA e TRABALHO! Os Grandes Mestres estão fora, inclusive o Cristo-Cósmico, o Divino Modelo; é no imo, porém, que está o Cristo-Redentor de cada filho de Deus! Quem não procurar o Cristo exterior, através do Cristo interior, nunca poderá vir a ser triunfante, jamais poderá atingir o grau de UNIDADE com o Pai. A Celeste Conexão é o trabalho da fermentação íntima, é o produto da edificação que surte das obras, do cumprimento dos deveres. Se eu me calasse, nesta hora final, ainda assim a Verdade clamaria, com todas as forças de sua integridade:

“Porém, estarão de fora os cães, os feiticeiros, os corruptores, os assassinos, os idólatras e todos quantos amam e praticam a mentira” — Apocalipse, cap. 22.”

Aí tendes o resumo da Lei de Deus, que ordena jamais cometer idolatrias, que reclama a necessidade de boa conduta social e que proclama a necessidade de respeito à Revelação, pois teve nela o seu veículo. Embora seja trabalhoso para realizar, não é certo que é muito simples de ser conhecido e fartamente glorioso ao ser resolvido? Esta é a palavra de quem tem autorização para dá-la, por dois motivos — o primeiro, em virtude de ter sido convidado a fazê-lo; e o segundo, porque representa a realidade nua e crua, porque significa a voz da experiência dolorosa, acumulada no curso de milênios e milênios. Jesus, o Modelo Exterior, convidou a que se aprendesse com Ele, todo mansidão e humildade; quanto a mim, que fui grande inimigo do Seu ilustrativo e consolador batismo de Espírito, venho por esta Graça e por esta Verdade, ora repostas em seu devido lugar, proclamar a necessidade premente de realizações íntimas, pois que as outras, aquelas que o mundo pode e sabe galardoar, essas atiram as almas no vale das expiações! Aparentemente as almas trilham diferentes roteiros; superficialmente os espíritos caminham por vielas diversas, mas a plataforma é uma, porque uma é a Lei Fundamental que tudo rege e determina. Há que atender ao Plano Geral, para que haja harmonia individual. É erro palmar, acreditar em particularidades, quando se trata de responsabilidades fundamentais, de transgressões à Lei Geral de Equilíbrio. Quem assume a responsabilidade é o indivíduo, mas quem registra os indivíduos, as suas obras é a Lei Geral. Por isso é que Jesus disse muitas vezes, embora os Textos não assinalem, que TODOS OS HOMENS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI QUE REGE O UNIVERSO! Quereis o grande exemplo? Buscai-o no Cristo Cósmico, onde não existem conceitos individuais, onde não prevalecem medidas de ordem particular, senão que responsabilidades individuais perante a Lei Geral. Naqueles dias, por causa da corrupção que dominava Israel, o Profeta Ezequiel registrou o seu famoso capítulo dezoito, verdadeiro código de responsabilidades individuais. Ninguém deveria jamais esquecê-lo, porque ele jamais passará! Quem atingirá o Grau-Crístico, a Plenitude Vibratória, a Sintonia com o Pai, enquanto for adversário da Lei Geral? E o Cristo-Homem não fez referências repetidas ao fato de estar fazendo a Vontade do Pai e não a Sua Vontade? E por que, então, reconhecendo o Cristo-Homem não se decidem a focalizar em pensamentos e obras o Cristo-Cósmico? Acaso irá alguém se igualar a Jesus, em hierarquia, sem fazer o seu desenvolvimento íntimo, sem realizar a sintonia com o Cristo-Cósmico, que é o Grau de Plenitude Vibratória? Não sei até onde podereis, lendo, entender o que vos digo; sei, entretanto, que a trilha libertadora é a que vos aponto, porque vos aponto Jesus, o que foi apresentado como Cristo-Homem, como sendo o Modelo do Cristo-Cósmico. Sendo assim, entendei o fito dessa obra, que é salientar a seguinte realidade, que é falar ao Cristo em fermentação, ao Cristo que em nós clama por exposição, o CAMINHO, a VERDADE e a VIDA que, sendo VIRTUDE FUNDAMENTAL, nunca poderá vir à custa ou através de terceiros, porque os terceiros, os Grandes Mestres e o próprio Cristo-Homem, não poderão jamais ser responsáveis pelas liberdades individuais de qualquer irmão, de qualquer outro filho de Deus. Resumindo, fica dito: o Cristo-Homem, que é o Cristo-Exemplo, deu provas totais de que ao Cristo-Cósmico se vai pelas obras. Quem não seguir o Seu Exemplo, em obras de CONHECIMENTO, de Trabalho em base de AMOR e de CIÊNCIA, nunca atingirá o píncaro hierárquico, jamais se elevará ao Cristo-Cósmico, à plenitude Vibratória. Reconsiderem, portanto, seus pontos de vista e conceitos, aqueles que pretendem a salvação pela Graça, pelo sacrifício de terceiros. A Graça trazida pelo Modelo foi o Exemplo de trabalho íntimo, encimado com o tão esperado derrame de Espírito sobre toda a carne. Respondam a esta pergunta: “Não é certo que, desempenhando a Revelação a sua função de advertência, ilustração e consolo, aponta ao Cristo-Homem como Exemplo, para que se atinja o Cristo- Cósmico, o Grau de Plenitude Psíquica?” Eis aí, pois, que vos revelamos a Lei a seguir e o Modelo a ser igualado; se houver engano da parte de alguém, tal engano jamais modificará a Lei Geral do Equilíbrio, a Força que representa a Vontade do Pai. Não havendo o que mudar na Lei, que se modifique aquele filho de Deus que se torne consciente. Porque, se o não fizer por bem, à custa de saber usar a INTELIGÊNCIA e o AMOR, terá que fazê-lo por mal, enfrentando a EXPIAÇÃO e a DOR. Nossa palavra é simples, porque é a palavra do exemplo vivido. A Sabedoria Divina, que pelo Cristo Planetário convoca obreiros, o faz a par das necessidades prementes; isto é, escolhe aqueles que falam de cátedra, para que a lição seja direta e normal, simples e referta de carinhoso apelo à VERDADE e o BEM. Desde a eclosão mediúnica renovada e renovadora do século dezenove, coroando o trabalho de missionários da VERDADE, tais como Wicliff, Huss, Joana D’Arc, Lutero, Giordano Bruno, Kardec e outros, vive a Revelação a clamar a nova ordem do Cristo Planetário, a fim de que Seus tutelados venham a merecer a Terra do porvir; e para tanto conseguir, já não é falando Daquele que foi apresentado pelo Pai como sendo o CAMINHO, a VERDADE e a VIDA. É, sim, cada qual fazendo esforço, empregando-se a fundo nas obras dignificantes, para desenvolver em si o CAMINHO, a VERDADE e a VIDA. Já não quer Jesus, portanto, que andeis com o Seu nome na boca, em caráter de adoração exterior e de reverências na maior parte das vezes erradas e mentirosas; quer Ele, agora, que sejais bons imitadores do Evangelho da Verdade, de quem Se diz Ter sido o fiel e humilde transmissor. Não é fácil de entender? E se, acaso, não vos convier entender, podereis por ventura derrogar as leis regentes, as forças deterministas que regem os mundos e os seus habitantes? É do vosso alcance que cessem os movimentos cósmicos, as movimentações telúricas, as convulsões cíclicas, a marcha progressiva do espírito? Se assim reconheceis, que a Vontade de Deus paira acima de cogitações humanas, e que se cumpre através de leis observáveis e não observáveis pela vossa razão e capacidade de concepção, fazei o possível para CONHECER e HARMONIZAR, a fim de que possais continuar habitando a Terra do porvir, até que venha a ser ela aquela Jerusalém sem portas, de que trata o Apocalipse. Em verdade, amigos e irmãos, tudo é questão de concordar ou não com a Lei Geral de Equilíbrio, da qual os Dez Mandamentos são, como já vos foi dito, o reflexo intelectual, a evidência mental, a síntese moral. Que temos apresentado como chave doutrinária, nesta hora em que os trabalhos de RESTAURAÇÃO se transmudam em trabalhos de CONSOLIDAÇÃO e extensão por toda a Humanidade? Não apelamos para que façais uso prático da Lei que dignifica, do Amor que diviniza e da Revelação que adverte, ilustra e consola? Não estamos, com isto, vos apresentando o Cristo-Integral, que tendes nos fundamentos de vós mesmos, ao qual deveis desenvolvimento, a fim de vos igualardes ao Cristo-Modelo, e, daí, por sintonia, realizardes a UNIÃO COM O PAI? Aqui ficam as minhas palavras de aviso — Estais aguardando uma Lei de Deus mais perfeita, como síntese Moral? Estais esperando um Modelo Divino mais real, manso e humilde do que Jesus? Porventura quereis um Evangelho mais íntegro e regenerador, do que foi a Doutrina vivida por Jesus? Ou estais empenhados numa Codificação mais perfeita, do que aquela em que se alicerça a reposição de Excelsa Doutrina em seu devido lugar? Sendo assim que vos damos informes, cumprindo apenas a obrigação de servos da Revelação, aqui vos deixamos nossas despedidas, inclusive a lembrança de que vos estais se tornando cada vez mais CONHECEDORES e RESPONSÁVEIS.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.