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Capítulo 4 de 19

Imortais — parte 2 de 11 — parte 1 de 4

Verdades Imortais · Osvaldo Polidoro

Quando o servidor voltou, dias depois, vendo-me limpo e alegre, comentou: — Por fora bela viola, por dentro pão bolorento!... Eis como somos nós, Gregório, por enquanto, eu, você e muitos outros que habitam esta região. Todavia, o Bom Deus, através de Suas leis, oferece tempo de mora, estende os dias de ponderação, programação, trabalhos e vitórias ressarcitivas. Saibamos portanto, durante estas etapas de calmaria, de trégua bendita, aquilatar fatores e fazer os preparativos necessários aos novos lances realizadores do porvir, lances que serão inevitáveis e necessários, intransferíveis e obrigatórios. — Então, bondoso servidor, este lugar é um reduto de almas penadas?

Sorriu o primeiro sorriso largo que lhe vi no semblante, assinalando: — Almas penadas, porém creditadas pela Misericórdia do Senhor. Se os pecados fossem descarregados sobre nós, com o peso total, estaríamos ainda nos baixos tormentosos da subcrosta. Convém não esquecer que, embora não havendo esquecimento ou perdão das falhas, há contemplação e prolongamento por parte da Lei, quanto aos devidos resgates e obrigações progressivas. Por esta razão, ou por estes tempos de mora, é que muitos acreditam, na crosta e por aqui, no perdão absoluto das faltas cometidas. Isto porém não existe, saiba-se de uma vez por todas.

O que acontece normalmente, e normalmente no âmbito de circunstâncias judiciais vigentes na Criação, é que as lesões, as marcas de culpa ficam acobertadas, até que a oportunidade chegue, no Espaço, no Tempo e no curso das vidas, para que em forma de oportunidade, provas e expiações, a criatura se desfaça das manchas lavradas em si mesma. A regra da Lei, de modo geral, é esta — quem comete falta deve resgatá-la, ou compensando com o bemfazer ou penando na razão direta em que fez penar! Fora disso tudo são conversas e suposições fiadas. — Quer dizer então, bondoso servidor, que as minhas faltas, registradas por mim na minha estrutura moral, estão agora acobertadas? — Simplesmente, irmão Gregório.

Nossas culpas, que se acham em nós registradas em forma de manchas de variantes colorações, terão que ser um dia eliminadas de todo. A Lei não dispensa a Misericórdia e nem a Misericórdia dispensa a Lei; o que não existe, de modo real, é perdão. Quem ferir, assim mesmo será ferido, caso as circunstâncias de agravo não lhe permitam resgatar as faltas com as obras de benemerência. Em geral, saiba-se, quem erra com conhecimento de causa paga em forma de expiações e dores. Aqueles, porém, que erram espontaneamente, sem conhecimento de causa, terão outras prerrogativas ao dispor.

O que não ocorre, de modo algum, é o perdão, a eliminação de registro culposo, sem a contribuição do trabalho reparador. Silenciou, encarou-me com olhar indagador e murmurou: — Queres conhecer a questão de modo prático? — Quero... Mas, como farei semelhante coisa? Estou num vácuo completo, nada conheço desta plagas e de suas contingências.

— Não te importes, Gregório, que a Sabedoria Divina é mais profunda do que parece e as marcas estão em nós mais evidentes do que imaginamos. E se ninguém tivesse eliminado do seio da Humanidade o batismo de Espírito, a Graça da Revelação trazida por Jesus Cristo para toda a carne, aqui não estarias a dizer que vives num vácuo, sem nada entender destas plagas e de suas contingências inerentes; porque a mesma Revelação, no curso de quase dois mil anos, teria elevado imensamente o nível de cultura espiritual da Humanidade. Todavia, como fomos daqueles que tudo fizeram para liquidar com a comunicabilidade dos espíritos, nada nos custará sofrer com bastante resignação. Quanto ao que lhe propus, sobre o conhecimento prático da lei das registrações íntimas, fica dito que dentro em breve faremos a experiência. Por enquanto, freqüente a biblioteca da região, para ir conhecendo alguma coisa de nossa gente e de nossos deveres futuros.

Saiba que antes de ir para a carne, daqui saiu... Esta é a nossa região de merecimento... Os melhores planos de vida são aqueles que se encontram mais para longe das vibrações grosseiras da crosta. Entretanto, ainda estamos longe de tudo aquilo que é divinamente melhor. Isto é, estamos longe do Cristo interno...

Somos centelhas divinas em estado fosco, bastante apagadas, infeliz-mente. Porém, como irá saber, o Espaço, o Tempo e as vidas, com suas ofertas à base de oportunidades, estão ao nosso dispor, embora sob o peso e a medida... — Sob peso e sob medida? — Intervi, desejoso de saber de nossas possibilidades. — Repare que foi à carne para cooperar nos trabalhos restauradores, tendo ouvido falar na reposição do Consolador no seu devido lugar, e que todavia, nada se importou com o movimento...

— Todos os nossos Pastores diziam que eram coisas diabólicas, que nenhum luteranista devia se aproximar de tais causas. — O mesmo que fizeram a Jesus, não acha? Entretanto, andei observando: muitas vezes que folheava o Livro Sagrado, procurando explicações a respeito do batismo de Espírito, causava-lhe estranheza haver desaparecido da Terra o Consolador trazido pelo Cristo. E nada fez, bem sabe, preferindo ficar com a seita e com o comodismo tão vastamente abraçados. Por isso, deixou a carne farta, deixou a vida de regalos temporais, havendo mergulhado na treva expiatória.

Verdadeiramente Gregório, temos palmilhado estradas vergonhosas!... Por aqui, nesta região, todos somos grandes culpados, todos temos muito por fazer. — Como disse, bondoso servidor, estamos longe da Pureza e da Sabedoria... — Porque deixamos os caminhos do Amor e da Ciência, para fazermos contradições à Doutrina do Pai, que o Celeste emissário entregou à Humanidade. Sem Lei, sem Amor e sem Revelação, como poderá haver Cristianismo, Gregório?

— Ainda bem que outros fizeram a obra restauradora!... Gostaria de ir observar o que acontece por lá... O servidor observou-me, com acentuada gravidade: — A restauração está feita, mas falta aquilo que Jesus disse aos Apóstolos, como está escrito no primeiro capítulo do Livro dos Atos; falta atingir os extremos da Terra! Falta ilustrar e consolar a Humanidade inteira, transformando a Humanidade em coisa preciosa à Verdade a ao Bem! — Não se poderia forçar o avançamento da doutrina no seio da Humanidade?

O servidor sorriu e perguntou-me: — Com missionários que se entregam a fanatismos sectários e a regalos da mundo, Gregório? Que temos feitos nós dois?... Constrangido, balbuciei: — Temos feito a obra da contradição!... O servidor emendou: — A humanidade inteira faz a obra da contradição... Pouquíssimos se entregam ao bom procedimento, conscientes de que a Lei de Deus não pede exteriorismo algum, mas sim aversão à idolatria, estima pela decência de conduta social e respeito pela Revelação.

Poucos fazem questão de iluminar a intimidade e quase todos buscam aparecer através de aparências de culto. A fé sofisticada tomou conta das religiões e os homens não conseguem viver sem máscara! O cérebro e o coração estão a serviço da mais desbragada hipocrisia, porque os homens sabem que o mundo vê por fora e não por dentro! Por isso mesmo, levantam-se clerezias, templos de pedra e de pau, ornamentados de torres caríssimas, enfeitados de ouro e de púrpura, enquanto que nos cérebros e nos corações vicejam as pragas da ignorância, do vício idólatra e supersticioso, instrumentos da lama e dos baixios, tudo aquilo que em nome do Senhor envia as criaturas aos rincões trevosos e fedorentos do mundo espiritual! — Como dar jeito nisso, então, bondoso servidor?

Ergueu as mãos, como quem diz para esperar, comentando: — A Verdade não tem pressa e os abismos funcionam normalmente! No Tempo e no Espaço e através das vidas, o espírito defronta-se e trabalha intimamente, tentando tantas quantas vezes sejam necessárias! O Cosmo funciona, o seu mecanismo é perfeito e as criaturas não podem escapar do jugo das leis fundamentais. Tenha confiança no Bom Deus, mas não descuide de tuas obrigações individuais... Nunca haverá um Redentor de culpas e nem jamais aparecerá quem faça a evolução por terceiros!

A Lei é uma para todos, embora os homens possam adulterar os chamados Livros Sagrados... Sim, Jesus Cristo nunca Se disse primogênito, unigênito e nem tão pouco redentor... Mandou a cada um seguir o Seu exemplo e disse que muitos serão aqueles que clamarão Senhor! Senhor! sem serem atendidos! Quem foi enviado pelo Pai para servir de Modelo, de Ponto de Referência, andou curando toda sorte de doenças, andou pregando a Doutrina e vivendo-a, mas nunca pensou em dar passes de mágica e transformar espíritos errados e ronceiros em espíritos perfeitos!

A mistificação veio dos homens e não do Cristo! Ele nada prometeu em vão e ensinou o reto caminho, tendo deixado a Doutrina que ensina a Verdade, que consola e que ilustra, para que não se culpe a Deus de não ministrar os devidos recursos, de faltar com as Suas instruções. — Nesse caso — intervi — o Reino de Deus custa o preço dos esforços a realizar? — Não ensinou Jesus três Verdades Básicas? — tornou a responder.

— Quais? — perguntei, ávido de saber. O servidor enumerou. — Afirmou que o Reino do Céu está dentro de cada um de nós; salientou que o Reino do Céu não virá com mostras exteriores; e advertiu que da Lei nada passará, sem que tudo se cumpra, até o último ceitil. Quanto ao mais, como já ficou dito, a Palavra de Deus sempre foi a Revelação.

Primeiro o que é de Deus, depois o que é do homem. Os documentos escritos devem confirmar a Revelação, e nunca ficar a Revelação sujeita aos documentos escritos, que estão ao sabor das corrupções humanas. E para não duvidares, e teres certeza, lembra-te de que a função de Jesus seria tornar a Revelação de alcance geral, para toda a carne. Não mais alguns Cenáculos, bem poucos, localizados longe das cidades, onde alguns iniciados mantinham contato com os anjos ou espíritos; porém, a Graça da Revelação generalizada, posta ao alcance de todos filhos de Deus. E é isto que ora estamos tratando de estender pelo mundo, a fim de se cumprir a palavra de Jesus, de levar o derrame de espírito aos extremos da Terra.

— Muito bem! — exclamei satisfeito, movido de entusiasmo. O servidor sorriu observando: — Muito bem, sim senhor! Não é assim que os ensinos da Revelação confirmam a evolução de dentro para fora? Os elementos quem fornece é Deus, mas a elaboração cumpre a cada filho.

Porque de Deus, saibamos, tudo vem em potencial. A cada um segundo as suas obras é lei, não é afirmativa de caráter contemplativo ou místico. Quer dizer o que realmente vem a ser — quem não se desenvolve, quem não se desperta, não gozará do Reino do Céu. — Maravilhosa Justiça! — tornei a dizer, satisfeito.

— Maravilhosa e plena Justiça, diante da qual ninguém é especial! A centelha que se acha oculta no imo da criatura, assim como o diamante no seio da rocha, à custa de seus esforços terá que vir a brilhar, rompendo com os grilhões da matéria e do animalismo! Terá que lutar e vencer, porque a finalidade que lhe cumpre está jungida às leis de Deus, não poderá ser esquecida e nem desviada de todo e para sempre. Toda vez que triunfa, marca-se luminosamente. Toda vez que fracassa, que comete falta, marca-se gravemente.

Para todos os efeitos, sofrerá ou gozará, assim como se prepare através de obras. Isso que somos, por exemplo, é aquilo que fizemos para ser; e aquilo que temos, em potencial, de luz e de glória para despertar, iremos tendo e gozando na razão direta da evolução feita. É no íntimo que trazemos o Grande Juiz, a Lei Regente do Senhor, que conduz a Criação a seus devidos fins, sem discutir e sem falhar, sem fazer alardes e sem pedir conselhos. — Se as religiões, ao invés de oferecer carnavais e cuidar da vaidade, da pança e do bolso de seus proprietários ou ministros, dissessem assim, lembrassem os Mandamentos da Lei, tudo iria bem melhor. As criaturas não se desviariam do reto caminho.

Confesso que começo a sentir repugnância por aquilo que se diz religião na Terra. — Como já lhe disse, Gregório, a Lei contém tudo: ordena a não cometer idolatrias, ordena a ser decente na conduta social e proclama o ministério da Revelação, pois veio por ela. O que não faz, de modo algum, é dizer para que se tenha este ou aquele credo, este ou aquele sectarismo. Ela cinge-se às leis regentes e ensina tudo certo. Por isso mesmo, quem for à Terra em nome do Senhor, terá que repetir com Jesus — da Lei nada passará, porque tudo se cumprirá!

— Realmente, bondoso servidor, ela concita ao essencial. Enquanto isso, foram surgindo na Terra as Organizações ditas religiosas, traficando com toda sorte de aparências de culto, ensinando a esquecer a Lei, que é fundamental e sem artimanhas enganosas. — Nós podemos falar de cátedra, Gregório, sobre tais criminosas corrupções. O nosso trabalho mais triste, no curso de nossa história, foi esse mesmo. Temos o que resgatar, estamos obrigados a determinados serviços ressarci-tivos, pois fomos daqueles que muito fizeram para converter o Cristianismo do Cristo em instrumento de explorações cavilosas.

Em Jesus Cristo, que foi apresentado ao mundo como Divino Modelo, ou para ser imitado, temos a lição viva das verdades salvadoras contidas na Lei. Tudo em Jesus, foi e continua sendo fundamental — a Moral, a Fraternidade e a Revelação. Que mais afinal de contas, é necessário, para que haja organização e paz nos quadros da evolução? — Sinto vontade de realizar alguma coisa útil... O servidor apanhou-me pela mão, convidando: — Venha comigo, que tenho de apresentá-lo a quem de direito.

Quanto ao que temos conversado, de caráter doutrinário, procure não esquecer. Fazemos, nestas regiões, muito de Doutrina em aparentes conversas sem menos importância. Aliás, é bom dizer, procure compreender que a vida comum encerra verdadeiros cursos de sabedoria, cursos que na Terra foram desprezados e esquecidos em virtude de artimanhas inventadas pelas organizações que passam por religiões. Verdadeiramente Gregório, os espertalhões colocaram a ficção no lugar da realidade, fizeram sofisma em torno de tudo e deram feição comercial aos despojos da honestidade. De tal modo escamotearam as verdades espirituais, que as criaturas, até mesmo as de melhores intenções, esqueceram os dotes do cérebro e do coração, de onde deveriam extrair as luzes e as glórias imperecíveis do espírito, para se entregarem totalmente aos astuciosos simulacros inventados por aqueles que, desviados do reto caminho da decência, nada mais viram na Excelsa Doutrina do que um excelente meio de vida e grande recurso para garantir a voracidade dos imperialismos temporais.

Eu e você, Gregório, temos muito que fazer... Vamos, que as culpas do passado estão a forçar as oportunidades do presente. Não percamos tempo agora, na hora de resgatar, assim como não o perdemos naqueles dias, quando aproveitamos todas as oportunidades para trair o maior dos filhos de Deus vindos à Terra. — Bem posso admitir, que meus sofrimentos do presente não surgem apenas das faltas decorrentes da última vida carnal... Da última encarnação, como dizem os orientais e como professam os espíritas, não é isto?

Já estou admitindo, bondoso servidor, princípios doutrinários que julgava ilusórios. — Andando pela formosa alameda, que se ostentava como prolongamento das alamedas da crosta, paramos defronte a uma árvore imensa, como eu jamais imaginara existir, situada num parque paralelo. Primeiro o servidor falou da árvore, dizendo ser ela oferta de um antigo governador da região; estimada por todos os habitantes com o máximo carinho. Depois, retornando ao assunto, observou-me: — Não são princípios doutrinários, irmão Gregório. Lembre-se que a imortalidade, a responsabilidade, a evolução, a comunicação, a reencarnação e a pluralidade dos mundos habitados são verdades inerentes à Criação e aos espíritos.

São leis, digamos, e nenhuma conceituação humana poderia jamais aliená-las. Quero e faço empenho que você queira, nunca mais voltar atrás, nunca mais descurar das verdades fundamentais, para andar dando atenção às simulações inventadas por homens destituídos de conhecimento e mais ainda de escrúpulos. — Depois de termos andado bom trato de chão, penetramos por belo jardim, dando entrada em um castelo, estilo inglês, plantado a cavaleiro de boa elevação. Ali dentro, sentado a uma secretária, estava um homem de aspecto pacífico, entregue ao abandono de si mesmo, de olhos fechados e parecendo dormir. Seus cabelos, de todo alvos, davam-lhe aspecto venerável.

Sua expressão, como logo se percebeu, denotava o homem polido e bem falante, porém atrelado ao carrilhão de pesarosas faltas do pretérito. Ele era mais sujeito do que manso, menos pacífico do que pecador penitente. A tristeza vazava de sua personalidade, assim como nas enchentes os rios transbordam e invadem as terras circunvizinhas. — Carlos! — bradou o servidor, fazendo-o retornar ao mundo local.

Carlos levantou-se, esfregou os olhos cansados e indagou-nos: — Em que terei a graça de poder servi-los? O servidor falou-lhe: — Este é Gregório, nosso comparsa em gênero, grau e número. Trouxe-o a fim de que, em muitas oportunidades, tenha com quem trocar idéias e ir-se identificando com a nossa região, sociedade, costumes e atribuições em geral. — Vem da carne agora? — perguntou Carlos, com viveza evidente.

— Vem das trevas e das dores, onde perambulou pelo espaço de sessenta e poucos anos, em virtude das falhas do passado e dos fracassos do presente. Gregório foi dos nossos, em várias ocasiões, tendo semeado pelos caminhos do mundo fartas trevas e pródigas tormentas. Como tal, irmão Carlos, importa que se vá tornando consciente das verdadeiras realidades. Ele que vá deixando para trás as supostas vantagens que as falsas crenças lhe andaram metendo na cachola... Carlos interrompeu-o, indagando: — Como é isto?

Ele pensava comprar o Reino do Céu com dinheiro?!... O servidor explicou-lhe: — O dinheiro fez a sua parte na soma dos prejuízos, não há dúvida... Mas as piores coisas quem fez foi a má conceituação religiosa... — Outra vítima dos conchavos humanos?— intercalou Carlos. — Sim, uma das vítimas de seus próprios atos nefandos...

Quem trabalhou para corromper o Cristianismo do Cristo, implantando o Cristianismo dos interesses dolosos do mundo, veio mais tarde a ser vítima de suas mazelas. Foi alguém que se filiou a uma das seitas protestantes, onde as leis de imortalidade, de evolução, de reencarnação e de responsabilidade, principalmente essas, sofrem toda sorte de lesões, de atrofias e de negação. Acreditou nas convenções humanas, que lhe falaram da salvação pela graça e deu de ombros para os melhores deveres de conhecimento e de obras. Ao demais, foi ao mundo carnal para servir de partícula restauradora, cooperando no grande movimento de que temos perfeito conhecimento, nada porém tendo feito, por dar crédito àqueles mesmos conceitos que enviaram Jesus ao pelourinho do sacrifício. Tendo dinheiro à farta e um credo que sabia chamar de infernal ao renovo do batismo de Espírito, teve tudo em mãos para acumular mais algumas faltas graves, enquanto que nada fez para dirimir alguns débitos do pretérito calamitoso.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.