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Capítulo 6 de 19
Imortais — parte 2 de 11 — parte 3 de 4
Verdades Imortais · Osvaldo Polidoro
Vamos convidar a que todos se lembrem de seus corações, onde a paz deve reinar à custa de boas obras, não de farsas executadas com aparências de unção e devotamento! Vamos ensinar como devem ser usados os respectivos cérebros, através de singelos comportamentos, e nunca segundo os caprichos exigidos pelos conceitos cegos daqueles que se acreditam senhores da alma, do bolso e da consciência de seus semelhantes menos cautos! Na alameda, cheia de sol e de vida, embora de todo com aparências da crosta, deixei de pensar tão gravemente em meus problemas íntimos; havia gente andando, falando, rindo, discutindo, etc. — Estás vendo, Gregório?— perguntou-me o servidor, com inteligência. Depois de meditar, respondi: — Tal e qual na crosta, com a diferença deste sentido de paz que lá não se percebe...
— Quero dizer-lhe, — observou ele, — que esta gente toda é culpada de muitos delitos; no entanto, como vê, parece despreocupada. É que aprenderam a lição mais encantadora, aquela que manda confiar em Deus e na vida eterna, no Amor e no Trabalho, nas vidas sucessivas e nas divinas oportunidades redentoras e evolutivas que a vida em si contém. — Gente de todos os credos? — perguntei. — Gente que não teve credo algum, gente que teve os mais bizarros modos em face da Verdade.
Todavia, Gregório, se os homens são diferentes em face da Verdade, a Verdade é sempre igual em face dos homens. Estando eternamente no seu Posto de Honra, e não tendo pressa, aguarda que se modifiquem os conceitos, as obras, as condições e situações... Mais depressa uns, menos ligeiro outros, todos os filhos do Pai a ela chegarão. Alguns aprendem a lição do bom senso, usando bem o Amor e a Ciência; outros portam-se como alunos malcriados, só produzindo alguma coisa à custa de sofrimento disciplinares. E o pior de tudo, lembre-se, é que aqueles que só andam sobre o guante do aguilhão, comumente vivem cantando a importância do sofrimento; tecem odes, cantam hinos de louvor à tortura, como se o prêmio das nobres conquistas fosse prolongado estágio nos abismos da subcrosta!
— É assim mesmo... A Verdade é, para cada um, assim como ele a possa conceber. — E cada um fica, para a Verdade, no exato lugar em que se colocou. Por isso mesmo, Gregório, muito erram aqueles que ficam nas portas e não entram no Templo da Verdade; porém, muito mais erram aqueles que, ficando nas portas do Templo da Verdade, não entram e não permitem a entrada aos que poderiam fazê-lo. E quanto a isto, tenha em mente, os donos de religiões são os maiores criminosos.
Armam-se de autoridade aparente, inventam posições supostamente aceitáveis, fabricam as suas pílulas e teorias engarrafadas e vendem-nas aos simplórios... Aguardei que completasse a frase; como ficasse a meditar, tendo oculto sorriso nos lábios, perguntei-lhe: — E daí, bondoso servidor? Desabriu em formidável gargalhada, coisa que mais tarde soube que lhe era do comum, para terminar o assunto de modo radical: — Depois, Gregório, a estupidez humana, pela boca dos que se julgam prudentes, mas que na realidade são os pusilânimes, os fracos de moral, proclama que as religiões são caminhos que conduzem a Deus!... E dizer que essa gente vive a pronunciar o nome de Jesus, Aquele que, para deixar a Excelsa Doutrina da Verdade, que se fundamenta na Lei, no Amor e na Revelação, que não dependem dos conchavos e dos engodos dos homens, teve que banhar a cruz com Seu sangue inocente! Não sei, vivendo por aqui, como lá é possível a tanta gente andar servindo a dois senhores, ou conseguindo, ao mesmo tempo, colher com o Cristo e contra o Cristo.
Em matéria de escamoteações, creio que os terrícolas levantariam todos os campeonatos, se houvesse uma disputa entre os mundos! — Sem dúvida, bondoso servidor. Os que na Terra ouvem a Lei de Deus e põemna por obra, devem ser bem poucos! — Por isso mesmo, Gregório, quem habita as altas esferas são aqueles que seguem retos como o fio de uma espada, sem atender aos reclamos dos comodismos sociais, das injunções interesseiras. Pelo menos, já que Jesus viveu a função de Modelo a ser imitado, e não a de redentor de culpas alheias, não é difícil verificar que Ele não andou festejando as hipocrisias do mundo em detrimento da Verdade.
E que isso lhe custou a cruz, não temos dúvida. Portanto, a questão toda reside é na linha de conduta. — Entre Deus e Mamom, segundo a palavra de Jesus, os homens falam em Deus e praticam como Mamom. Poucos se lembram de que é preciso dar dignos frutos pelo exemplo, e muitos acreditam na lavagem dos pecados pelo sangue derramado por Jesus, como se Ele fosse um derrogador da Lei. Aquela palavra que diz — “Apartai-vos de mim, vós, que obrais a iniqüidade” — não faz eco na inteligência do maior número.
E para falar com sinceridade, começo a ter medo da vida carnal!... Começo a temer o mundo! — Quanto ao teu pavor pelo mundo, isso de nada adianta; o que adianta é dizer aos nossos irmãos, que leiam com atenção o último capítulo do Apocalipse. É o fecho de ouro de toda uma avalanche de advertências irrefutáveis e impassáveis. Não foi por acaso que ali foi colocado, como último lembrete aos que se dizem e se presumem cristãos.
Entretidos pela conversa, mal percebemos quando chegamos ao nosso destino, à residência do chefe de ser-viços socorristas daquela região. Como será fácil entender, pelo quanto já vos foi ensinado a este respeito, as esferas se subdividem em zonas, regiões e cidades, estando estas equipadas de todos os departamentos necessários, quer com referência aos serviços locais, quer a respeito das relações com as outras esferas e com a crosta. Outra realidade que convém não esquecer é esta — quanto mais se afastam as esferas ou Céus, tanto mais diminuem as organizações de trabalhos inferiores, assim aumen-tam outros setores, aqueles que dizem respeito aos trabalhos direcionais administrativos. Por exemplo, para que hospitais e casas de tratamento nas altas esferas? E para que aquelas organizações administrativas que abrangem esferas, zonas, regiões e cidades abaixo situadas, nas esferas inferiores?
Assim sendo, vamos resumir, cada Céu e suas subdivisões contêm aquilo, em organização, que lhe é necessário, de acordo com sua graduação e função. Naqueles dias iniciais, quando eu estava bem pior do que agora, porque ainda sou humilde servidor, cheio de graves faltas a resgatar, estive subordinado à região que mantinha e ainda mantém muitos departamentos de socorro imediato, verdadeiros nosocômios iguais aos da crosta. Além disso, para aqueles que pouco ou nada quiseram com as coisas da fé, existem escolas religiosas apropriadas. Na residência do chefe de serviços socorristas, chefe que obedecia a outros e de maior categoria em poderes individuais e funcionais, que estavam situados nas esferas, zonas e regiões acima, entramos em conversação animada. Os gráficos que nas paredes estavam alinhados, em sua sala de trabalhos, mostravam as dimensões que o seu departamento abrangia, o raio de ação, quer em relação à crosta, quer com referência às regiões astrais inferiores e, também, com respeito às articulações que mantinha com as organi-zações administrativas superiores.
Bem, como a crosta se sucede em desdobramentos, em crostas etéricas que aos poucos se vão tornando sublimadas e divinizadas, eis aí que os institutos de toda ordem vão se desdobrando também, numa perfeição formidável. E assim, como a cada um será dado segundo seus desenvolvimentos íntimos, eis aí que a demografia terrícola tem de tudo e conforme os mérito de cada um. E se parecer difícil a alguém compreender estas perfeitas distribuições de locais, condições, situações, funções e estados de estar, que se lembrem de meditar nas criaturas ditas vivas da crosta e de suas diferentes condições e situações em face da gama social, que de alto a baixo apresenta formidável matizado hierárquico. Estas realidades vão-se tornando necessárias, para o vosso conhecimento, porque a Terra marcha para a integração do conhecimento; isto é, a sua Humanidade, por desenvolvimento, de acordo com a evolução em geral do Planeta, terá que ir-se integrando na Terra-Cósmica, terá que ir deixando o tacanhismo da Terra-Crosta, que é o muito que até hoje tem admitido. Por isso mesmo, por que terá que se ir tornando homogênea com os planos ou Céus que a circundam, é de todo favorável que se vão habituando a tomar conhecimento destas realidades.
E tereis, então, sem fazer muito caso da encarnação, que é transitória, a consciência plena de que tudo é parte integrante do vosso Planeta, a Casa Cósmica que vos pertence de direito e de deveres. Naquele gráfico geral, o chefe de serviços socorristas designou o local onde estávamos; era um diagrama planetário-geral, com o Planeta exposto em escala mínima. Dali fomos ver os demais gráficos, onde estavam expostos os locais, observando que a região ficava bem perto da crosta e que era das bem atrasadas. — Aqui estamos Gregório, — disse o chefe — porque não temos merecido mais do que isto. E como as leis vibratórias aproximam as criaturas do mesmo nível, é indispensável dizer que formamos uma cidadela de grandes devedores do passado.
Temos precisão disto que fazemos, porque uns vivem fazendo pelos outros, já que uns têm feito com que outros errassem. Sendo assim, lembre-se, esta é a nossa fortaleza e posto de trabalho redentor e evolutivo. Evolutivo em geral e redentor em particular. Para evoluir, desde de que se não cometam erros mais graves, cumpre que se realizem os devidos resgates. — Compreendo — comentei — que está escrito assim: — “Até o último ceitil”.
— Sim, — prosseguiu ele, — é muito fácil falar em Deus, no Cristo, na Verdade e no Bem; muito mais fácil ainda é viver criando formas de lambetismo, de bajulação, de engodos, de ladainhas piegas e simulacros mistificadores. Entretanto, Gregório, nem Cristo é redentor de canalhismos que tais, e nem Deus aceita atos desse jaez a título de respeito à Lei! É bom avisar aos que se acham no mundo, e aqui nas esferas inferiores, sobre a necessidade de cumprir a Lei, o documento integralmente sério, tanto que Jesus a ele se cingiu, a fim de triunfar. Porque, digam lá o que bem entenderem, quantos tenham suas feições sectárias, mas a Verdade é que a Lei de Deus não é sectária. Ela é simples e vigente ao infinito; ela ordena a não cometer idolatrias, ela proclama a decência na conduta entre irmãos e ela concita à Revelação, à eterna fonte instrutiva e consoladora, que se chamava de Palavra de Deus, pois a Palavra de Deus nunca foi as letras adulteráveis pelo homem.
Quem, portanto, trair-se para com a Lei, pouco importa que viva praticando atos que tenham parecença de religiosos; porque os fingimentos humanos, bem ou mal intencionados, não convencem a Lei e nem a Justiça. Nós, Gregório, jamais estaríamos aqui, se as falácias e os engodos, as malícias e os rituais fizessem a vez do cumprimento dos deveres. O servidor com gravidade comentou: — Depois de centenas de anos, gastos em malabarismos clericais e outras artimanhas, aqui estamos, aguardando dias de trabalho, expiações e provas; enquanto isso, aqueles que foram nossas vítimas, e os que pareciam nada perante Deus, pairam nas esferas superiores, são os nossos chefes e instrutores!... — Por que — perguntei — depois da Graça trazida por Cristo, que foi a Revelação tornada pública, como tendes me ensinado, vieram aqueles corruptores, que fomos nós mesmos, como também dizeis? Por que, afinal o Bom Deus não nos tolheu a criminosa conduta?
O chefe de serviços murmurou: — O atraso adveio do Carma criado com a morte dos missionários... O batismo de Espírito ficaria, tal qual como está exposto no Livro dos Atos, e tal qual como Paulo ensinava a todos os cristãos, se não tivessem derramado o sangue de tanta gente, inclusive o de Jesus. A treva que veio do quarto século em diante, com o fim do batismo de Espírito, foi em conseqüência dos crimes cometidos. Convém lembrar, para todos os efeitos, que todos os crimes custam pagas e na razão direta. O crime que a Humanidade praticou, de ordem gravíssima, porque as vítimas foram os missionários portadores da Graça e da Verdade para a carne, devia custar as trevas e as dores que de fato custou.
Ninguém se levantaria no mundo, para espezinhar o lugar santo por quarenta e dois meses, como diz o simbolismo do Apocalipse, em seu capítulo treze, se tal crime não fosse praticado. O lugar santo é a Excelsa Doutrina da Verdade, de quem o Cristo foi o Celeste Transmissor. Ela se resume na Lei, no Amor e na Revelação; e fora disso não há Cristianismo, por mais que haja religiões, formalismos, clerezias e paganismos em nome de Deus e do Cristo. O servidor anuiu: — Lavrada a liquidação da Excelsa Doutrina, o campo ficou franqueado para os desmandos em geral. Vazios de Revelação, encheram-se de idolatrias e de toda sorte de malabarismos pagãos.
Embora perpetrados em nome de Deus, do Cristo e dos maiores vultos do Cristianismo, tudo foram crimes e trevas. Eis porque estamos a mourejar por estas esferas de pouca luz, eis porque estamos servindo, com o pouco que temos ao alcance, nos trabalhos de restauração e de extensão, no mundo, das Verdades Revelacionistas. Estamos procurando desmanchar o mal feito, estamos em busca de reequilíbrio íntimo. Estava pesaroso e a exclamação saiu-me da boca sem querer: — Jesus que se compadeça de nossa miséria! O chefe de serviços observou: — Não pensemos, porém, em lavagem de pecados pelo sangue do Cristo e nem na salvação pela graça; tudo quanto nos será dado, estamos avisados, é em base de oportunidades de trabalho ressarcitivo.
Já fomos convidados a dizer, a todos quantos aqui de novo aportam, para que se integrem nas palavras do capítulo final do Apocalipse, porque ele contém a síntese das Verdades fundamentais. E que ao Consolador cumprirá, no curso dos milênios, apresentar as minúcias da Verdade Integral, o Conhecimento por partes da Realidade Total, que se constitui do Criador e da Criação — do Imanifesto e do Manifesto. Porque o Espírito de profecia, sendo a Graça de Deus derramada sobre toda a carne, é o testemunho de Jesus e é o instrutor da Humanidade. Vários elementos ali estavam, aguardando a palavra do chefe, para alguns casos de imediata solução; ele pediu licença e foi atendê-los, ouvindo a exposição e fazendo questão de que fossem imediatamente atendidos, todos aqueles casos que encerravam sofrimentos de irmãos. E por aqueles sete ou oito casos, condizentes com a situação de irmãos que se achavam em trânsito pelos caminhos trevosos, percebi o quanto a Lei e a Justiça estão ligados aos mínimos feitos dos filhos de Deus.
Terminadas aquelas providências, volveu o chefe, tendo-lhe eu perguntado: — Tudo, pelo que se vê, está subordinado à Lei. Como fez ela para acionar as suas agências de execução? Olhou-me bem e respondeu:: — A Lei escrita ou intelectual, Gregório, diz respeito à Lei de Equilíbrio, que é íntima e vigente de maneira total. Quem transgride a Lei de Deus, por certo registra em si a marca transgressiva, a lesão, carregando consigo o seu fardo cármico, embora conheça ou deixe de conhecer, goste ou deixe de gostar. Diremos como de fato o é, que a criatura registra em si, pelas obras, manchas negras, opacas, róseas ou alvinitentes, etc.
Ora, quem poderá desmanchar as negras e opacas, sem ser o seu próprio autor? E se ele assim se manchou, tornando-se afim com as trevas e as dores, como fará para resgatar e se elevar? Não está dito que pagará até o último ceitil? Não ficou avisado que a ferida de ferro também com ferro será resgatada? E se houvesse algum redentor, ou algum sangue a lavar crimes e pecados, como seria a Lei igual para todos: Aproveitei o ensejo e perguntei-lhe: — Por que o senhor mandou atender com presteza a esses casos?
Sorriu e com bondade informou-me: — São casos de que tenho conhecimento, porque recebi há tempo ofício de esfera superior, do seu departamento que nos administra. Um caso como o seu, por exemplo, tivemos dele conhecimento muito anterior, estando na espreita desde muitos dias, para atendê-lo na hora justa em que o grau de equilíbrio determinasse. É o que ocorre sempre, pois as agências de socorro operam consoante a Lei de Equilíbrio, da qual a Lei de Deus, os Dez Mandamentos, são apenas o reflexo intelectual. Observe bem, Gregório, que a Lei escrita manda não errar, enquanto que a Lei de Equilíbrio, que é íntima, registra as ações no próprio indivíduo. A Lei escrita poderá ser negada, cuspida, insultada, etc.
Mas, digame, quem fará isso com a Lei de Equilíbrio, que é íntima e acima de cogitações humanas? Você conseguiu, durante os dias de treva e de dor, discutir com a Lei e a Justiça? — Sendo assim,— comentei, — as religiões terão que se emendar de tremendas lesões doutrinárias... Confiam nas convenções humanas e desrespeitam as leis fundamentais. O chefe observou: — Jesus não desceu de Sua Esfera Divina, para recomendar religiões, e sim para falar a linguagem da Verdade ao mesmo tempo que entregar a Graça da Revelação para toda a carne, como estava prometido através dos Profetas.
Quem faz o espírito livre, é conhecer e viver a Verdade. As religiões, Gregório, foram inventadas por nós mesmos, os homens, com o fito de fazer política e mercâncias repugnantes. Temos que dizer isso aos nossos irmãos da crosta, pela canaleta que é o Consolador reposto no lugar — o Espiritismo. — Realmente, — pontilhou o servidor, — depois dos Grandes Reveladores da Verdade, apareceram os fazedores de engodos, os criadores de clerezias, aqueles que não viram na fé senão um bom meio de vida e outras explorações. Como tal, jamais foram amigos da Revelação, sempre perseguiram os cultivadores da mediunidade.
É que no fundo, sempre souberam ser a Revelação a Palavra de Deus, o instrumento de advertência, ilustração e consolo. Assim é que apareceram as religiões, esses amontoados de asneiras que em nome de Deus, do Cristo, da Verdade e do Bem, fazem tudo quanto é sórdido, pois desviam as criaturas do Caminho da Libertação. Tudo isso sempre aconteceu, antes e depois do Cristo; isto é, em todos os tempos a Humanidade encontrou nos pretensos ministros de Deus, ou coisa que o valha, aqueles que, ficando nas portas, como disse Jesus, nem entram e nem deixam entrar aqueles que poderiam fazê-lo. Ou, então, segundo as palavras do mesmo Jesus, fazem questão de fazer um prosélito, para o lançarem na vida da perdição, pelos tremendos erros que o induziram praticar. Pelo menos repelindo a Revelação, entregam as criaturas aos cultos idólatras e supersticiosos, de onde logo mais surtem as negações, o materialismo e as brutalidades.
O que devia ser caminho de espiritualidade, pelo conhecimento das leis e sua vivência, torna-se fábrica de animalismos brutais. Mais um mensageiro chegou, querendo falar com o chefe. — Fala, meu rapaz, ordenou-lhe o chefe, acolhedor. — Trouxe o homem indicado; está muito mal, está alucinado... — Xisto?
— Sim, chefe, ele está no posto de socorro número três. O chefe convidou para o acompanharmos e, depois de dizer aos seus que iria e pouco se demoraria, fez-nos volitar até onde se achava o infeliz irmão. E este era um homem jovem, vestido de trapos e todo sujo, revelando no semblante as marcas de demência. Falava sem cessar, não conseguia estar parado e cuspia para todos os lados. Seus olhos, fora das órbitas, vermelhos e lacrimejantes, causavam terror e pena.
— Precisamos!... Precisamos!... O Cristo virá!... Todos devem olhar!... Ele virá nas nuvens!...
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.