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Capítulo 12 de 19

Imortais — parte 7 de 11

Verdades Imortais · Osvaldo Polidoro

Soaram os clarins, que rodeavam o coreto; e o coro entoou belíssimo hino, fazendo estremecer nossos corações. Cessando o hino, subiu ao coreto um outro vulto, que também forçou a mudança da coloração ambiente; este infundiu brilho alvinitente, com ligeiros matizes dourados, revelando supremacia hierárquica bastante acentuada. E no regaço daquele silêncio absorvente, sua voz musical e potente ecoou, para dizer apenas:

“O problema da Sabedoria, não poderá ser equacionado pelo prisma da inconsciência; a libertação não virá dos exercícios agrilhoantes da mistificação, por mais que se os cultive com o máximo de boa-vontade; ninguém chegará a refletir a Verdade Total, sem que alije de si o coscorão dos cultos retrógrados, dos religiosismos supersticiosos, das práticas que têm, no curso das eras, arraigado o homem ao tropel dos fetichismos e das superstições, da sujeição do espírito diante das vestes fingidas, do pau e da pedra, dos rituais ao que é subalterno jamais se aproxima do que é sublime, e, como resultante, nunca se libertará dos grilhões inferiores. Se quereis ser espirituais, abandonai ao que é material e formal; embora a luta tenha que ser titânica, as recompensas cobrirão os esforços. Será possível, irmãos, pretender o Reino do Espírito enquanto se reverencia o mundo material, animal e propenso à mediocridade?”

Este não desceu, não foi visto sair para lado algum; este transformou-se em formidando e glorioso luzeiro, a ponto de nos obrigar a baixar os olhos e cair em fervorosa oração de agradecimento ao Pai, que por um Seu tão envolvido filho, nos oferecia a graça de tamanha bênção, a visita de Sua Glória. Quando a tremendíssima claridade findou, até o coreto havia sumido. E os nossos cicerones foram nos entregando em nossos respectivos lugares de habitação e trabalho. Foi, aquela, uma jornada gloriosa, um aviso do Céu a muitos candidatos a reencanação, nos primórdios do século vinte, com o fito de forçar grande surto mediúnico. Eram os grandes errados religiosos dos séculos anteriores, até mesmo de milênios idos, que volveriam ao plantel da carne, a fim de, trabalhando na Seara Consoladora, conseguir os indispensáveis deveres de reequilíbrio íntimo. Os truculentos inimigos, os sanguinários perseguidores da Lei, do Amor e da Revelação, voltariam ao mundo para se consertarem, trabalhando nas hostes da Lei, do Amor e da Revelação — do Espiritismo Cristão! Alguns ficaram no mundo espiritual, a fim de serem os mentores e guias daqueles que reencarnaram. Eu fui um deles. Agora, porém, que o meu tutelado está de malas prontas para cá, eu terei que arrumar a minha bagagem para substituí-lo. É da Vontade de Deus, e é muito grato fazê-lo, porque é indispensável e intransferível. Em Deus e na Sua Obra não existem milagres, e sim leis.

Todos os filhos de Deus aprendem à custa de leis. Nisto, irmãos, ponde todo o vosso penhor de atenção, porque a Deus, nas profundidades íntimas, ninguém vai a não ser através das leis regentes da Criação. É comum ouvir falar no Cristo como síntese da Verdade, como Divino Modelo, como Exemplo a ser imitado; bem pouca gente, todavia, lembra que Ele afirmou, em todos os tempos de Sua vida pública, de Seu messianato, a condição de cumpridor da Vontade do Pai, de simples e humilde transmissor de informes. Quantas vezes afirmou que transmitia a Doutrina do Pai, por realizar na Terra a Vontade d’Ele? Quantas vezes está dito que se recolhia para orar? E, lembrando que os livros canônicos apresentam apenas o resumo de oitenta e sete documentos escritos sobre a personalidade e a função missionária de Jesus, por aí podeis avaliar o quanto os Evangelhos representam apenas a síntese e com incorreções, algumas espontâneas e outras propositais. Realmente, Jesus não escreveu e nem deveria escrever, porque a Doutrina do Pai ficaria assente sobre a tríplice virtude, sobre os três fatores de fato inderrogáveis pelo homem — a Moral da Lei de Deus; a sublimidade do Amor que diviniza; e a fonte viva de advertência, ilustração e consolo, que é a Revelação ou batismo de Espírito. Essas três virtudes ou leis, ou esses três modos de alerta, graça e instrução forçam a saber que, sem ser através das leis, ninguém jamais irá ao encontro da VERDADE INTEGRAL, de Deus em Sua Essência. E como Deus é infinitamente íntimo, é impossível arranjar outros caminhos, para atingí-LO, que não sejam as leis e os seus fenômenos decorrentes. Todos os filhos, para chegarem ao topo da escala biológica, transitam pelas vias relativas, caminham pelos sendeiros da Natureza, experimentam todos efeitos dos ambientes relativos, todas as sensações oriundas de quantas contingências possam os meio-ambientes oferecer. O Cristo Cósmico, ou Grau Crístico, saibam, é o Divino-Extrato, é a Súmula de todas as leis contingentes, redimidas ou dirimidas pelo Trabalho. E Trabalho significa apenas elaboração ou fermentação íntima, aquilo que se dizia e se diz AUTOFAZIMENTO. Nisto repito, que importa considerar — cada qual será o seu redentor ou divinizador, porque de Deus vêm os valores em potencial e dos Cristos Planetários vem apenas a Mestria ou o Divino Exemplo. Quem desconfiar desta afirmativa, faça de duas uma ou as duas provas de uma só vez — consulte quanta gente há, nos abismos do mundo astral, clamando Senhor! Senhor! e não tendo quem a escute, porque iníquas foram as suas obras, mesmo tendo uma crença ou sectarismo. Ou, então, faça as suas asneiras, mesmo tendo o seu religiosismo, para logo mais experimentar o inferno interior, de modo todo prático, todo inconfundível e irretorquível! Tudo, nos grandes espíritos, representa a auto-superação. Tudo, nos Cristos Planetários, representa Administração Intelecto-Moral e veiculação de leis fundamentais. Devendo ministrar a Lei, pelos seus múltiplos escaninhos, os Cristos Planetários não são responsáveis pelas liberdades individuais de Seus tutelados. Em face da Lei Geral de Equilíbrio Universal, cada qual se define e responsabiliza-se totalmente. Quem respeita nos Cristos Planetários a função orientadora e modelar, faz honra aos mesmos! Quem atribui aos Cristos Planetários qualquer função redentora, pode pretender agradar, bajular, engodar; mas é certo que o fará inutilmente, porque nem a Deus e nem ao Cristo poderá alguém convencer com suas babuges e capciosidades! O Céu quer caridade e não sacrifício. A Lei de Deus, da qual Jesus foi o perfeito exemplificador, apela no sentido de atos decentes, de ação inteligente, pois que contém as três maiores advertências:

a) Não cometer idolatrias quaisquer! b) Ser decente na conduta social! c) Respeitar a Revelação!

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.