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Capítulo 14 de 19

Imortais — parte 9 de 11

Verdades Imortais · Osvaldo Polidoro

Nas bases da ORIGEM, do PLANO EVOLUTIVO e da SAGRADA FINALIDADE estão as leis de Deus; importa que se cumpram todos os itens da tramitação evolutiva! Importa que os maiores, os mais capazes, façam tudo em benefício dos menos capazes, mas em ofertas exemplares, nunca em milagrismos misteriosos e fazedores de santos por favor! Conhecimentos, experiências, ensinos, renúncias, ofertas instrutivas de toda sorte e ordem! Pedir é natural dos filhos em face do Pai; mas o Pai, que é Onisciente, sabe de tudo e dispõe conforme sua Justiça Integral. Oferece consolo através de Seus Mensageiros, para que Seus filhos, maiores e menores consigam realizar o programa prétraçado, ou recuperando equilíbrio, ou deixando as lições do Amor. Cumpre aos filhos reconhecer as fronteiras existentes entre o direito e o dever, entre a obrigação de exemplificar e o consolo a merecer, consoante a capacidade de se oferecer como servidor fiel. Na hora o Pai envia consolo e, para mais tarde, reserva a coroa da vitória! E o filho consciente, quando é consciente, acata o consolo que vem pelo canal dos contatos interplanos, que a Revelação sintetiza, pondo a funcionar a sua fé construtiva, a sua fé certeza, a sua crença-trabalho. Já não é apenas alguém que se entrega ao remoinho da vida amorfa ou mecanizada, fincada no seio de um automatismo de que não tem conhecimento; agora, articulado como plano espiritual, de onde lhe vem de Deus a bênção do Consolador, através dos espíritos servidores, o filho investe na direção do trabalho e triunfa em virtude do seu devotamento. Ignorando ou recuando, tudo seriam fracassos e trevas! Disso poucos se lembram, enquanto são peregrinos pelo mundo, gente que se comprometeu antes de renascer. E é por isso que afirmamos, ser a morte uma funcionária indiferente, zelosa, fria de seus misteres, pouco se abalando ou nada, ao entregar bem poucos às esferas de paz e muitíssimos aos baixios trevosos!... Sem dúvida que há muita diferença entre divisar a realidade pelo vosso ou pelo nosso prisma; daí para cá prevalecem as muitas dúvidas, os mortificantes anseios que se desfazem, pelo fato de não terem os encarnados uma fonte de milagres ao dispor... Daqui para aí, no entanto, a visão é clara, profunda e objetiva a mais não querer. Quem, porém, vive desprezando a Graça da Revelação ostensiva, trazida para toda a carne, inclusive para os baixios do mundo espiritual? Se a cegueira clerical e idólatra vos mata pelo materialismo, pela animalidade e pelo brutalismo, onde tendes o senso de lógica, onde metestes o discernimento, para dizer que a Revelação, o batismo de Espírito é obra demoníaca?! Na hora cruciante, o Divino Mestre abraçou o consolo de um espírito enviado pelo Pai; enquanto isso, a grande maioria repete que a Revelação é coisa de Belzebu. Pela contradição e pela blasfêmia, quem responderá? Eu, como vos disse, trago comigo os estigmas da corrupção doutrinária; porque andei metido no quadro daqueles que engendraram, em nome de Deus, do Cristo, da Verdade e do Bem, uma religião que fosse fonte de obediência e de renda ao nosso torrão natal, assanhado nos seu ímpetos imperiais, em detrimento da Excelsa Doutrina. Todavia, séculos passados, em que faz a Humanidade a sua demonstração de melhor discernimento e propósitos de melhora? Quem se dispõe a extirpar, a desarraigar de si os grilhões da idolatria e dos manobrismos mórbido-sectários, a fim de se libertar da mediocridade e contribuir para a libertação da Humanidade? Não é certo que pretendeis unir as crenças em base de conchavos religiosistas, de práticas inversas à Lei, ao Amor e a Revelação? Não é certo que pretendeis realizar a unificação dos credos, em detrimento da vossa união com a Verdade que livra, ela que não tem coisa alguma com os conchavismos humanos, conchavismos que vos fazem bater palmas para todos quantos erros e absurdos sejam apregoados? Por que, enfim, virais as costas à inconfundível Excelsa Doutrina, que tem por alicerce a tríade inderrogável, para vos entregardes ao conúbio das manhas mundanas, que se abraçam na obra nefanda dos desvios clamorosos? Deu-se o Cristo ao trabalho horroroso de perfilhar os interesses do Sinédrio, de lastrear o jugo do clero levita, de endossar a hipocrisia dos farieus, ou de mancomunar com o Imperador de Roma? Para quem sabe de Doutrina, o que mais lhe deve importar, do que vivê-la diante do mundo, para servir de luzeiro das gentes? Se tendes a Moral da Lei; se possuís o Amor como supremo instrumento de vitória; e se sois os novos depositários do Consolador reposto no lugar, que mais vos cumpre, senão ficar no devido lugar, trabalhando pela eliminação dos erros e das falsas concepções religiosas? Afinal, sois ou não os obreiros Daquele Deus que é Espírito e Verdade, assim desejando que venham a ser os Seus filhos? Imaginais, acaso, que bater palmas à idolatria e aos desmandos religiosos em geral, constitua obra de verdadeira fraternidade? Julgais, que, trocando os deveres para com a Verdade que livra, em abono dos engodos sociais, estejais fazendo aquilo que vos recomendará perante a Lei de Equilíbrio? É, por acaso, de servidores dessa ordem que o Pai deseja, para os trabalhos de emancipação do mundo? Bem sei, irmãos, que a minha vontade seria fazer-vos melhor do que a mim mesmo, na consciência dos deveres, nos atos de filho de Deus; gostaria de ver-vos em destaque, na vanguarda dos luminares da Terra, dando exemplos de sublime espiritualidade, em lugar de vos surpreender em delito, curvados aos engodos do mundo, sujeitos à simulação, atrelados ao carrilhão dos fabricantes e vendedores de idolatrias. Sei que, de qualquer modo, ninguém atingirá os altos planos da espiritualidade, enquanto estiver ligado aos cultos religiosos inferiores, enquanto for crédulo aos fetiches, sob pretexto religioso ou para ser agradável a quem o seja, imitando-os.

O ideal seria viver para isto:

a — Para com Deus, que é Espírito e Verdade, que é infinitamente íntimo a toda a Criação, manter a ligação mais intensa, de cérebro e de coração, empregando assim todo o poder intelectual e emotivo a bem da intenção religiosa. Porque, afinal, fora disso o que ocorre é idolatria, é superstição, é fetiche, é paganismo e é comercialismo dos vendilhões dos templos. E ao penetrar o espírito na esfera da alta intuição, ou da sintonia íntima, tanto mais se afasta de todo e qualquer ato de simulação, a pretexto de adoração; b — Para com a matéria em geral, observar o uso mais honesto, considerando que só os espíritos infantis e medíocres diante dela se curvam, creditando-a como se fosse autoridade espiritual ou mais do que o espírito; c — Para com o próximo, observar respeito, fraternidade e tolerância, perdão e renúncia, porém dentro das normas da Lei, do Amor e da Revelação. Não esquecer jamais, que estando contra os princípios básicos da Excelsa Doutrina, será impossível fazer prevalecer o conceito de fraternidade perante a Justiça Divina. Lembrar que Jesus, marchando em linha reta na direção da cruz, para exemplificar a Verdade diante dos irmãos terrestres, deu a verdadeira prova de fraternidade; d — Para com a palavra de Deus, que sempre foi a Revelação, e não as letras; suscetíveis de erros e de adulterações, manter o máximo zelo, reconhecendo que a mensageiria espiritual é segundo o merecimento dos filhos de Deus. Quem observa a Lei Moral e cultiva o Amor e a Sabedoria como instrumento de Pureza e de Autoridade, por certo obterá da Revelação as bênçãos da ilustração e do consolo conforme a promessa do Pai, que o Seu Ungido se encarregou de cumprir.

Essas as linhas gerais, a ordem que executada entregará o bom filho no seio da Harmonia, através da qual o Bom Pai com ele fará unidade; esse o Caminho do Senhor que, seguido, transformará o filho em reflexo, em filtro da Luz, da Glória e do Supremo Poder.

Estas minhas observações prendem-se ao fato de estar acompanhando, nestes últimos anos, uma caravana assistencial cuja função se desenvolve de preferência no Brasil, para onde o Senhor Planetário mandou serem baldeadas as forças máximas de instrução evangélica, de ordem afetiva, de Espiritismo social. Ora, tendo vindo para estas plagas os missionários da informação e do trabalho de caráter social, também nós tivemos o nosso deslocamento. E como a ordem do Cristo se transformou num vasto organismo de trabalho, com milhares de postos de recepção nas vizinhanças da crosta, postos que se articulam com os Centro e Grupos onde a Revelação é cultivada em termos de Lei e de Amor, eis que temos, na retorta dos trabalhos, encontrado farta messe de provas favoráveis e desfavoráveis; de elementos fiéis ao mandato recebido e de gente onde o senso do dever deixou de habitar, trilhando assim o desfiladeiro das sombras e dos negros dias porvindouros. O espírito que reencarna arrasta consigo o dever de obedecer à Lei como programa universal de conduta; e no âmbito da Lei Moral, o compromisso de funcionar conforme o programa pré-determinado, cujos itens a consciência lhe ditará em todas as horas da vida. Aquele, portanto, que se fizer surdo aos clamores da consciência, tudo porá a perder. Trairá o seu direito, porque em obras traiu o seu dever! Jonas foi por nós encontrado, em plena função ressarcitiva; por fora era um homem simples, operário cumpridor de seus deveres, médium de bons dotes e cidadão ponderoso, incapaz de agravar a felicidade alheia. Por dentro era um velho e empedernido sanguinário, lacaio de fanatismos religiosos, um dos braços fortes da Santa Cruzada. Fora terrível chefe, impiedoso adversário , pelo que deixou o mundo em trevosas condições, porque a Lei de Deus não reconheceu fanatismos, como sendo demonstrações de virtudes espirituais. Mourejando nas lides espíritas, como passista e curador, Jonas distribuía palavras de advertência, ilustração e consolo, cumprindo assim a função de servo do batismo de Espírito; ele estendia, sem saber ao certo como, o Evangelho até aos extremos da Terra, na parte que lhe tocava:

“Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e me sereis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da Terra”.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.