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Capítulo 7 de 14

Os Grandes Iniciados — parte 7 de 14

Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 3

Chega de mortificações, pois basta renunciar a todos os praze­ res dos sentidos. O caminho do meio conduz ao conhecimento, à iluminação, ao Nirvana. O caminho oito vezes santo se cha­ ma: justa fé, resolução justa, justa palavra, justa ação, vida justa, justa aspiração, justo pensamento, justa meditação. Esta, ó, manjes!, é a verdade santa sobre a origem do sofrimento: a ânsia de existir de nascimento em nascimento, com seu prazer e desejo inerentes encontram aqui e ali sua voluptuosidade, a , sede de sensações, o afã de transformação, a avidez de poder. Eis aqui, ó, manjes!, a santa verdade sobre a eliminacão do sofrimento: supressão da ânsia por meio da destruição .. do de­ sejo, afastando-o, desligando-se dele, não lhe deixando mais nenhum espaço. Esta é, ó, manjes!, a santa verdade sobre a extinção da dor." Quando Sakia-Muni se viu de posse das quatro verdades essenciais, a saber: l .ª) o sofrimento; 2.ª a origem do sofri­ ) mento; 3.ª a eliminação do sofrimento; e 4.ª o caminho da ) ) eliminação, declarou que no mundo de Brama e de Mara, entre todos os seres, compreendidos brâmanes e ascetas, homens e deuses, havia alcançado a felicidade perfeita e a suprema dig­ nidade de Buda. Toda a obra do reformador hindu, toda sua pregação, o budismo todo em sua literatura sacra e profana, nada mais são que um perpétuo comentário, sob mil variações, do Sermão de Benarés. Esta doutrina tem uma característica exclusiva e rigorosa­ mente moral. É de uma imperiosa doçura e de uma bem-aven­ turada desesperança. Cultiva o fanatismo do repouso. Dir-se-ia que é uma conjuração pacifista para conduzir o mundo a seu fim. Nem metafísica, nem cosmogonia, nem súplica, nem culto. Nada além da meditação moral. Sua preocupação única con­ siste em pôr fim à dor e alcançar o Nirvana. Buda desliga-se de tudo e de todos. Desconfia dos deuses, porque estes infeli­ zes criaram o mundo. Desconfia da vida terrena, porque. é a matriz da reencarnação. Desconfia do além, porque apesar de tudo ainda impera a vida e, portanto, o sofrimento .. Desconfia da alma, porque é devorada por sua sede inextinguível de imor­ talidade. A outra vida é, a seus olhos, uma nova forma de sedu .. ção uma voluptuosidade espiritual. Ele sabe, por meio de seus , êxtases, que tal vida existe, mas não quer falar sobre ela. Seria por demais perigoso. Seus discípulos o assediam ·com· pergun-

"Continua a inflexível. tas a esse ele permanece respeito, mas coro, porém em alma vivendo da morte?", clamavam depois .. continua ca ele acaso?". O Mestre não responde. "Morre, por lado. Ao perguntar-lhe Ananda, o discípulo favorito, a razão do seu silêncio, respondeu-lhe Buda: "Seria danoso à moral res­ ponder em um ou em outro sentido.", e guardou segredo. Um monjc pensador, mais astuto do que os outros, aborda um dia o Mestre com um argumento incisivo e terrível: "ó, Bem-aventurado. - disse-lhe - Pretendes tu que a alma não seja mais que um composto de sensações vis e efêmeras. Se assim é, como o não-eu influi no eu que transmigra de encar­ nação em encarnação?" O Buda, certamente, deve ter achado embaraçosa a resposta precisa a tal argumento, digno de Platão ou de Sócrates, e contentou-se em dizer: "ó, monje, tu te en­ contras neste momento sob o domínio da concupiscência." Se desconfia Buda da alma e dos deuses, mais ainda des .. confia das mulheres. Nisto, como em todo o resto, é a antítese de Crisna, o apóstolo do Eterno-Feminino. Sabia Buda que o amor é o mais poderoso incentivo da vida e que a mulher en­ cerra, como frascos de filtros e de aromas, a quintessência de todas as seduções. Sabia que Brama não se decidiu a criar o mundo e os deuses antes de haver criado de si mesmo o Eterno­ Feminino, o véu policromo de Maia onde, cambiante, está a imagem de todos os seres. Não teme a mulher apenas como provocadora do delírio dos sentidos por meio de olhares ou sorrisos, mas também teme o seu arsenal de mentiras e astú­ cias, qual a disposição dos fios usada pela natureza para tecer a vida. "A essência da mulher - disse - se encontra inson­ davelmente oculta, como os movimentos do peixe na água." "Como nos conduzirmos ante uma mulher?", perguntou Aman­ da a seu mestre. "Evita sua presença." "E se não pudermos evitá-la?" "Não lhes fales." "E se não pudermos deixar de fa­ lar-lhe, Senhor, o que fazer?" "Então, defendei-vos!" Buda permitiu, sem dúvida à comunidade budista, depois , de muitas vacilações, a fundação de convento de mulheres, po .. rém não as admitiu em sua intimidade, afastando-as de sua presença. Não encontramos na história de Buda uma figura fe .. minina como Madalena ou Maria de Betânia. Acrescentemos, em honra e defesa das mulheres indianas, que as instituições de beneficência da Ordem budista foram, em grande parte, obra de mulheres.

Como se explica que uma doutrina desprovida dos gozos da terra e do céu, doutrina de moral implacável, quase exces­ siva por seu niilismo místico assim como por seu positivismo negativo, que suprimiu, por outro lado, as castas com a fé tra­ dicional da índia na autoridade dos Vedas, abolindo o culto bramânico com seus ritos suntuosos para .substituí-los por cen­ tenas de conventos e um exército de monjes mendicantes que percorriam a lndia, tigela na mão; como se explica o êxito-· prodigioso de uma tal religião? Explica-se pela precoce dege-· neração da índia, pelo abastardamento da raça ária, mesclada. de elementos inferiores e vencidos pela preguiça. Compreende-se pela tristeza de um povo envelhecido em meio à lassidão da tirania e da escravidão, ·sem perspectiva histórica nem unidade nacional, que perdeu a afeição pelo trabalho e que jamais pos­ suiu o sentimento da individualidade, salvo nos tempos védicos,

quando a raça dominava em sua pureza e em sua força. ( ) Dito isto, é preciso acrescentar que o instantâneo triunfo de Buda na 1ndia deveu-se, mais que à sua filosofia, à sua rigo­ rosa moral, a esse trabalho profundo sobre a vida interior que soube inculcar em seus discípulos. "Passo a passo, hora a hora ,. parcela por parcela, deveu o sábio purificar o ·seu eu como o ourives purifica o metal. O eu, ao qual a metaffsica budista nega realidade, converte-se aqui no principal agente. Encontrar o eu chega a ser o fim de toda a procura. Ter como único ami­ go o eu é a mais segura, a mais elevada amizade, já que o eu é , o protetor do eu. É preciso prendê-lo pelas rédeas como o cava­

leiro prende o seu nobre animal." ( ) Desta austera disciplina desprende..,se, afinal, um sentimento de liberdade que se expressa com o encanto de um Francisco de Assis: "Não devemos aspi­ rar mais do que aquilo que está em nós mesmos, como não necessita a ave de outro tesouro senão as asas que utiliza de acordo com a sua vontade." (6) Sabemos que o budismo não se sustentou na índia mais do que cerca de quatro séculos. Exceto na ilha de Ceilão, desapa­ receu, de certo modo, ante a recrudiescência do bramanismo. Sem per­ seguições, este soube vencê-lo. Absorvendo seus elementos vitais, re­ novou a si mesmo. � sabido, também, que se o budismo se propagou no Tibete, :na Mongólia e na China, deveu-se à adoção de bom número de elementos metafísicos e mitológicos proscritos por Buda e à profunda transformação de sua doutrina . (7) Sentenças morais budtstas resumidas por Olbenberg.

Enfim Buda foi, pela ternura de sua alma, o verdadeiro , criador da religião da piedade e o inspirador de uma nova poe­ sia que emana das parábolas a ele atribuídas e das posteriores lendas do budismo. Quão sugestiva e insinuante resulta, por exemplo, a metáfora sobre os diferentes graus evolutivos das almas! Compara a vida física, perturbada pelos ·sentidos, a um rio sobre cuja corrente anseiam elevar-se as almas para aspirar a luz do céu. "Como em um lago de lótus brancos e azuis, exis­ tem multidões de almas diferentes no interior e na superfície das águas, umas puras, outras impuras. Sábio é aquele que, elevando-se sobre o nível do elemento líquido, prodigaliza ao seu derredor a sabedoria, como o lótus aberto expande suas gotas de orvalho sobre as crisálidas que flutuam pelos rios."

VII - A morte de Buda -­ Com a idade de oitenta anos encontrava-se Buda em Belu va, pas-sando suas férias de verão, quando caiu doente e sentiu a morte próxima. Pensou então em seus discípulos: "Não convém - disse a si próprio - entrar no Nirvana sem antes falar aos que têm postos os seus olhos sobre mim. Devo vencer com minha força a enfermidade e ·segurar a vida." E a doença do Sublime desa­ pareceu. Sentou-se Buda na escuridão do aposento que lhe haviam destinado. Ananda, seu discípulo predileto, acudiu, manifestan­ do-lhe a sua dor e dizendo: "Sei que o Bem-aventurado não entrará no Nirvana sem comunicar o seu desejo à comunidade dos seus discípulos." "O que solicita a comunidade? - per­ guntou Buda - Eu preguei a doutrina. Não quero reinar sobre a comunidade, Ananda. Que a verdade seja a vossa tocha. Aquele que agora e depois da minha morte seja o seu próprio farol e seu único refúgio, aquele que não busque abrigo senão na verdade e que trilhe o reto caminho, este é meu discípulo." E Buda se levantou, reuniu os outros fiéis e empreendeu a marcha, desejando prosseguir ensinando, até o fim. Deteve-se por algum tempo em Vesala, porém, ao chegar a Kusinara, as forças abandonaram-no. Estenderam-no sobre um tapete, entre duas árvores gêmeas. E permaneceu recostado como um leão cansado. Não conseguindo suportar o espetáculo, Ananda, o discí­ pulo amado, entrou na casa e chorou. Buda, pressentindo a sua tristeza, mandou chamá-lo e lhe disse: "Não lamentes, Ananda. Eu já não te disse que é preci-so abandonar aquilo que ama­ mos? Como pode escapar à destruição quem nasceu e se acha sujeito ao efêmero? Porém, durante muito tempo, Ananda, hon­ raste o Perfeito, e em seu nome transbordaste de amor, de bondade, de júbilo, desprovido sempre de falsidade em pensa­ mentos, palavras e atos. Praticaste o bem, Ananda. Esforça-te agora e logo estarás livre do pecado."

tenhas este "Talvez Buda disse: Pouco antes de expirar, não tere­ Mestre, o seu o, perdeu pensament Ananda: a palavra e a Ordem Doutrina assim. A mos mais Mestre. Não penseis uver par· eu ho quando que vos o vosso mestre ensinei serão tido." Suas últimas palavras foram: "Coragem, meus discípulo . � Tudo o quanto sobrevenha, será perecível. Lutai sem esmoreci­ mento!" A noite avançava. Mas eis que o corpo e a face do Subli· me resplandeciam como se houvessem ,se tornado transparentes. Este reflexo misterioso perdurou até que ele exalasse o último suspiro. Em seguida, extinguiu-se bruscamente. E no mesmo instante, da copa das árvores gêmeas, desprendeu-se uma chuva de flores que caiu sobre Buda. Acabava de entrar no Nirvana. Chegaram então as mulheres de J usinara, que tinham fica· do sempre afastadas do Mestre, e suplicaram para ver o Bem·· aventurado. Ananda concedeu o favor, apesar dos protestos dos demais. Ajoelharam-se elas junto ao cadáver e, inclinadas e SO· luçantes, inundaram de ardentes lágrimas a face gelada do Mes­ tre que em vida as afastara de sua presença. Estes detalhes comoventes, esta auréola discreta que a tra­ dição faz pairar sobre a morte de Buda evidenciam, talvez me­ lhor ainda que suas últimas conversas, o que se passava no íntimo de sua consciência e na de seus discípulos. Como uma grande onda do Invisível, o maravilhoso invadiu o vazio do Nirvana. Assim, as forças cósmicas, relegadas ou combatidas por Sakia-Muni como perigosas, por ver nelas as sedutoras do fatal Desejo, aquelas forças que havia com zelo proscrito de sua comunidade e de sua doutrina, flores de Esperança, Clarão Ce­ leste, Eterno-Feminino, tecelãs infatigáveis da vida terrena e da vida divina, estiveram presentes em sua hora derradeira. Sutis, cativantes, irresistíveis, chegaram, tocando e reco­ lhendo a alma do formidável asceta para dizer-lhe que não as suprimiria nem as venceria.

VIII - Conclusões Não é difícil fazer a crítica do budismo sob o ponto de vista filosófico. Religião sem Deus, moral sem metafísica, não estende ponte alguma entre o finito e o infinito, entre o tempo e a eternidade, entre o homem e o universo. Encontrar esta ponte é o supremo anseio do homem, a razão de ser da religião e da filosofia. Buda faz emergir o mundo de um desejo de vida cego e nocivo. Como explicar então a harmonia do Cosmos e a inex­ tinguível sede de perfeição inata no espírito? Eis aqui a con­ tradição metafísica. Buda reconhece que de dia em dia, de ano em ano, de encarnação em encarnação, pela vitória sobre suas paixões, tra­ balha o Eu humano o seu aperfeiçoamento. Porém não lhe outorga nenhuma realidade transcendente, nenhum valor imor­ tal. Como explicar então todo esse trabalho? Eis aqui a con­ tradição psicológica. Buda, por fim, dá como ideal e único fim ao homem e à humanidade o Nirvana, conceito puramente negativo, o ces­ sar do mal pelo cessar da consciência. Este status mortalis no vazio da negação equivale, por acaso, à enormidade do esfor­ ço? Eis aqui a contradição moral. Estas três contradições, que emanam uma das outras, en­ caixando-se rigorosamente, indicam com suficiência a fraqueza do budismo como sistema cósmico. Não é menos certo que o budismo exerceu profunda in­ fluência sobre o Ocidente. Quando a religião e a filosofia atra­ vessam uma profunda crise como na época alexandrina, durante o Renascimento e na atualidade, ouve-se na Europa como que um eco distante e oculto do pensamento budista. De onde pro­ vém esta força? De sua doutrina moral e de suas conclusões? De forma alguma. Provém do fato de ter sido Buda o primeiro a divulgar à luz do dia a doutrina que os brâmanes somente pronunciavam a meia voz, no proibido secreto de seus templos. Esta doutrina é o verdadeiro mistério da lndia, o arcano de

sua sabedoria. Refiro-me à doutrina da pluralidade das existências e ao mistério da reencarnação. Em um livro antiqüíssimo, durante uma reunião, disse um br m morte â ane a após a seu colega: "Para onde vai o homem ? Eu te direi, Yainavalkia, - respondeu o outro - mas somente nós devemos sabê-lo. Não digas uma palavra aos outros sobre

isso." E falaram da reencarnação. ( ) Esta passagem prova que em certa época foi considerada esta doutrina como esotérica entre os br manes. Tiveram para â , isso excelentes razões. Se não é verdade que se tenha ido mais além nos laboratórios secretos da natureza e no processo da evolução universal, não é menos verdade que o vulgo poderia fazer mau uso dela. Para expressar a singular fascinação, o encanto insinuante . e temível que exerceu esse mistério sobre as almas ardentes e sonhadoras, permiti-me recorrer a uma velha lenda índica. Conta a lenda que, em remotíssimos tempos, uma Apsa­ ra, ninfa celeste, quis seduzir um asceta que permanecera insen­ . sível a todas as tentações do céu e da terra, recorrendo a um engenhoso estratagema. Morava o asceta em uma inextricável mata virgem e ater­ . rorizante, às margens de um lago coberto de toda espécie de plantas aquáticas. Quando as aparições ,celestes ou infernais pairavam sobre o espelho de suas ondas para seduzir o eremita, este baixa os olhos e contemplava sua figura refletida no lago sombrio. As imagens invertidas e deformadas das ninfas ou dos demônios tentadores bastavam para acalmar-lhe os sentidos e restabelecer a harmonia em seu espírito conturbado. Porque aquilo lhe de­ monstrava as conseqüências de sua queda na matéria imunda. A astuta Apsara planejou, então esconder-es em uma flor , para seduzir o anacoreta. Do fundo do lago fez emergir um lótus maravilhoso. Um lótus diferente de todos os outros. O lótus, como se sabe, esconde seu cálice sob à água durante a noite e não aparece até ser beijado pelo sol. Aquele lótus, ao · contrário, permanecia invisível durante o dia, mas, ao chegar a noite, quando a suave luz da lua desliz�va entre a espessa folhagem das árvores até o lago imóvel, via-se agitar sua super­ . f seio brotava um gigantesco lótus de mil ície e do seu escuro (8) "Upanichade oos cem atalhos", citado por Oldenberg.

folhas, de deslumbrante brancura, grande como um buquê de rosas. Então, do seu cálice de ouro, vibrante sob o raio infla­ mado da lua, emergiu a divina Apsara, a ninfa celeste, de corpo nacarado e luminoso. Cobria-lhe a cabeça um véu estrelado arrebatado do céu de Indra. E o asceta, que resistira a todas as Apsaras vindas diretamente do céu cedeu aos encantos da­ , quela que, nascida da flor da água, parecia surgida do inferno e ser ao mesmo tempo filha da terra e do céu. Do mesmo modo que a ninfa celeste sai do aberto lótus, na doutrina da reencarnação sai a alma da natureza de mil fo­ lhas como a última e mais perfeita expressão do divino pensa­ mento. Dizem os brâmanes a seus discípulos: Assim como o uni­ verso é o produto do pensamento divino que está sempre a organizá-lo e a vivificá-lo, também o corpo humano é o pro­ duto da alma que o envolve através da evolução planetária e dele se serve como instrumento de trabalho e de progresso. As espécies animais não possuem senão uma alma cole­ tiva, mas o homem é dono de uma alma individual, uma cons­ ciência, um eu, um destino exclusivo, garantia de sua perma­ nência. Após a morte, liberada a alma de sua efêmera crisálida, vive uma nova vida, mais vasta no esplendor espiritual. Retor· na, de certo modo, à sua própria pátria e contempla o mundo do lado da luz e dos deuses, depois de haver atuado em sua fase humana e sombria. Mas ainda não está bastante adiantada para permanecer naquele estado que todas as religiões chamam de céu. Trans­ corrido um período de tempo proporcional a seu esforço na terra, sente a alma a necessidade de uma nova experiência para avançar um passo além. E volta à reencarnação em condições determinadas pela vida precedente. Tal é a lei do Karma ou de encadeamento causal das vi­ das, ,sanção e conseqüência da liberdade justiça e lógica do , prazer e da desdita, razão da desigualdade de condições, orga­ nização dos destinos individuais, ritmo da alma que anseia re­ tornar à sua divina origem através do infinito. É a concepçfü., orgânica da imortalidade em harmonia com as leis do Cosmos. Surge Buda, alma de profunda sensibilidàde, forjada pelo tormento das causas últimas. Ao nascer, parecia já oprimido pelo peso de inúmeras existências e sedento de paz suprema.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.