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Capítulo 5 de 14
Os Grandes Iniciados — parte 5 de 14
Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 3
III - Juventude de ·Buda Entre as plataformas do Himalaia e o rio Rohini, prospe rava antigamente a raça dos Sakias.· Este nome significa os Poderosos. De vastas planícies pantanosas banhadas pelas correntez·as da montanha o trabalho do homem construíra uma comarca , florescente e rica, salpicada de bosques densos, de claros arro zais, de pradarias abundantes de pastos onde se nutriam esplên didos cavalos e opulento gado. Ali nasceu, no século VI antes de nossa era, um menino ao qual deram o nome de Sidarta. Seu pai, Sudodana, era um dos muitos reis do· país, soberanos em seu domínio como o são ainda oficialmente os rajás de hoje ein dia. O nome de Gautaw ma, que a tradição outorga ao fundador do budismo,· parece indicar uma família de cantores védicos do mesmo nome, seus ascendentes paternos. Ante o altar doméstico onde ardia o fogo de Agni, o me nino foi consagrado a Brama. Ele viria a se tornar também can , porém cantor de um gênero único. tor e encantador de almas Não louvaria a Aurora de seios rosados e brilhante diadema, nem o Deus solar de arco cintilante, nem o Amor que tem po1 flechas flores e cujo alento aturde como violento perfume. Ele entoaria uma melodia fúnebre, grandiosa e estranha, intentando envolver os deuses e os homens no estrelado sudário do seu Nirvana. grandes olhos fixos deste· menino Os , brilhantes sob uma extraordinariamente curva (assim a tradição testa sempre retra contemplavam o mundo com tou Buda), assombro. Havia neles abismos de tristeza e de evocação. Gautama passou sua infância no luxo e na ociosidade . Tudo lhe sorria no suntuoso jardim de seu pai: os bosquez i de roseiras, os lagos artifiéiais repletos de nhos lótus, as gaze os antílopes domesticados e as aves de las familiares, múltiplas plumagens, sacudindo-se à sombra das ramagens das asokas e das mangueiras. Mas nada conseguia dissipar a noite precoce que toldava o seu semblante, nada podia acalmar a inquietude
do seu coração. Era �daqueles que quase não falam porque pen ... ·· · · · sam muito. Duas coisas o diferenciavam do resto· dos homens, af as tando-o dos seus semelhantes como .que por um abismo profun o: de busca d ' um lado, a piedade sem limites; de outro, a · à_nsiosa do porquê das coisas. Uma pomba desgarrada por um gavião, um cão expirando por causa da mordida de uma ser pente, enchiam-no de horror. Os rugidos das feras aprisionadas nas jaulas das exposições lhe pareciam mais dolorosos, mais assustadores ainda que os estertores · de suas vítimas e produ ziam-lhe estremecimentos, não de terror, mas de compaixão. Como, depois de tais emoções, podia divertir-se nas festas reais, nas danças alegres, nas lutas de elefantes, nas cavalgadas de ho11J,ens e mulheres que passavam diante dos seus olhos ao . som de tambores e címbalos? Por que Brama . criou este mundo cheio de espantosas do res e de insensatos gozos? Que aspiravam, para onde iam todos aqueles seres? Que buscavam os bandos de cisnes viajantes, voando na primavera mais alto que as nuvens em busca das montanhas, para retornarem na estaç�o das chuvas ao Yamuna e ao Ganges? O que haveria por _trás das escuras moles do' Nepal e das enormes cúpulas nevadas do Himalaia cravadas no céu? Logo que, nas noites sufocantes do estio, o lânguido cantar de uma mulher brotava das sinuosas galerias do palácio, por que a solitária estrela a iluminava, rútila, sobre o vermelho horizonte da planície tórrida, ardente de febre e entorpecida de escuridão? Era p·ara dizer-lhe que também ela palpitava por causa de um amor impossível? Não se consumiria, talvez, na.: quele mundo distante, a mesma melodia no silêncio do espaço? Não reinaria ali também a mesma languidez, idêntico desejo de infinito? Uma ou outra ·vez, como que falando consigo próprio, o jovem Gautama dirigira tais perguntas a seus amigos, a seus preceptores e a seus pais. Os amigos respondiam-lhe, rindo: "Que nos importa?"; o preceptor brâmane dissera-lhe: "Os sá bios ascetas talvez o saibam."; os pais sussurravam: "Brama deseja que se ignore." Seguindo o costume, Gautama uniu-se em matrimônio e recebeu de sua esposa um filho chamado Raúla. Este aconteci.:
. mento não logrou dissipar-lhe as dúvidas nem modificar-lhe o curso dos pensamentos. Deveriam comover o jovem príncipe os laços com que a doce esposa e o inocente menino prendiam seu coração. Ma8 o que representavam as c·arícias de uma mulher e o sorriso de uma criança para esta alma torturada pelas dores do mundo? Não faziam senão intensificar a fatalidade que o sujeitava à dor universal e o seu desejo de Hberação divino mas int�nso. A -lenda juntou em um único episódio as· sensações que conduziram Gautama ao seu passo mais decisivo. Conta que,. durante um passeio, encontrou um ancião, um enfermo e um morto. O aspecto daquele corpo trôpego e decrépito, daquele infecto coberto de úlceras e daquele cadáver em decomposição, produziram sobre ele o efeito de um raio, revelando-lhe o fim inevitável de toda a vida e o mais negro abismo da miséria humana. E então resolveu renunciar à coroa e abandona para sem r pre seu palácio, sua família e seu filho, para consagrar-se à vida ascética. Esta tradição condensa em uma cena dramática e em três exemplos as experiências e reflexões de longos anos. Mas esses exemplos são comqventes ao manifestarem os móveis de toda uma existência, revelando um caráter. Um documento páli, que remonta a um século depois da morte de Buda e onde palpita ainda a tradição viva, atribui a Gautama, dirigindo-se a seus discípulos, as seguintes palavras� "Ao homem, o tempo todo, atacam o desgosto e o horror ante a velhice." Sabe que a velhice o espreita. Mas acrescenta: ''Ela, porém, não me alcançará. Pensando nisto, sinto que me inunda todo o ardor da juventude." De fato, em todas as · pregações de Buda, assim como em toda a literatura budista, a velhice, a doença e a morte surgem amiúde, como os inevitáveis males da humanidade. Contava Gautama 29 anos quando decidiu abandonar defi nitivamente o palácio do seu pai, rompendo todos os laços com a vida passada para ir buscar a -liberdade na solidão e a ver dade na meditação. Em frases simples e comoventes, a tradição relata sua silenciosa despedida da esposa e do filho. "Antes de partir, pensa no filho recém-nascido. 'Quero ver o meu meni no'. Encaminha-se aos aposentos da esposa e a encontra ador mecida sobre o leito florido, a mão pousada na cabecinha do
infante. Gautama pensa: 'Se afasto a mão da minha esposa para abraçar meu filho, a despertarei. Quando me tornar Buda vol tarei para ver meu filho.' Do lado de fora, esperava-o o seu cavalo Kantaka, e o filho do rei fugiu sem que ninguém o visse. Fugiu para longe de sua mulher e de seu filho, para encontrar a paz da alma e oferecê-la como presente ao mundo e aos deu ses. Atrás dele seguia, como uma sombra, Mara, o tentador, esperando o momento em que um pensamento de injustiça ou de desejo brotasse daquela alma que lutava pela salvação, um
pensamento que lhe desse poder sobre o odiado inimigo." ( ) (1) Resumo da lenda por Oldenberg,
IV - Isolamento e Iluminação '.
·s��í�_�, : �c�����t�(, dos_ . ,{ r��t''�,1 t J�aú,��ijla, ��- >etjf�'� f �niq� ··y : _ .. _·, _ . � a o s_ � 1� am s c o l pe : c do . n � r er , n1) i 1\ l\ - é k1á nJ Sa . p ( , _ rn · . v o : on d ti lJl r e e 1 . ,' 1 J ' [ 1 I • \ • f : 1 ' l • ..,.;. 1 , 1 , t ) i " ; . 1 • 1 l \ ' ( \ 1 ' i ' ,-� \ _:. mao, · ttgela na cabeça: -' ·' um burel ·amarelo', raspada; em · nvolto e· pedindo esmola pelas casas. Dirigiu-se primeiro aos elevados brâmanes para que lhe indicassem o caminho da verdade. Porém, suas respostas com plicadas e abstratas sobre as origens do mundo e a doutrina da identidade com Deus não o satisfaziam. Seus mestres, detento res da antiga tradição dos richis, indicaram-lhe, todavia, certas práticas respiratórias e processos de meditação, necessários para o alcance da perfeita concentração interior. Mais tarde, utilizou se deles em seus exercícios espirituais. Depois, passou vários anos rodeado de cinco ascetas jai
nos ( )' que o levaram à sua escola de Uruvala, em Magada, às margens de um rio de belos remansos. Após submeter-se por muito tempo à sua disciplina implacável, pôde convencer-se de que ela não o conduziria ·ª nenhum dos seus desejados objeti vos. Um dia comunicou a eles a sua renúncia a tais mortifica ções inúteis e sua resolução de buscar a verdade por- si mesmo, valendo-se somente da meditação. A tais palavras, os ascetas fanáticos, irados, com seus corpos esqueléticos e seus rostos esquálidos, levantaram-se com de·sprezo e deixaram o companheiro sozinho junto ao rio. E ele gozou, sem dúvida, a embriaguez da solidão, em meio à natureza virgem, este refrescante manancial descrito na literatura budista: "Quando não vejo ninguém à minha frente ou por trás de mim, gozo na permanência de minha solidão entre os bosques. Para o monje solitário, ansioso de perfeição, a ·vida é jubilosa, ali. Só, sem companhei_ros, na selva amável, (2) Jainos (nome que significa "vencedores") era uma seita de fanáticos ascetas, existent�, l)O .. sul da :tndi� muito ànt.es da fun . . ' . dação do budismo, com o qtiai teih 'ir'ruiêfo analogia: ·. . . a i e i e � ? � · 41,WJl P9( �l��.1:w ;�1 ·Rr1:� t\ :•9:b..jf,� �� _G9_wu;1)dg)rH t�r �,,) �r, , dA ) ) 1 · d ? �. . 1 !?� �- q J' ,.':>:: · :� i I f L, .! JJi) dii·J.�l/ Hf:J., 1 : ·oht;,: :; i í'.)., li Í 'i,C): f I J [' \ ,'lf ·/) i l:;J tf · n9 t ee tad , � �J � i;�l;l}]?t; � � � , .,�}_:: '. p ·��-· . ! µ��.:_fW::}ll S}Íl�_, :P� f�P;l. _;:�fp. _ .9 , , � pe rn z ru d � _ a aç . � . , r o e õ ' �p �; .. , �P h l �) i � y �� _ , � A . �\lªS l rn�, qJ; , �� :· , ç��. m.i.1 � ; í · folhas murmurantes. Na margem do rio, ornada de flores, po1 . . grinalda' a .permáhecia . , je m:on O , tiiádti }i '. dos; fbósg'.ttés ·: )na '.coroa I ; ' se'ntadb prá�etosameitte;.,entregU�t(à 'súa' . \Iileditação. Não.:ha:via· .
. ,: ; . :- . '.: \,)· 1 .,\:'\ (, .U ;-,!:·: ...._ i:: '.r : 1 · i'.�:\, . á folic d e rn: ior- i àd pa a e e. 1 · · ·. ·: Um pasfür; : �triorád · pe ó:' éf; ··· e· .. grave:Jdo · en o l aspect ingêriuo · . l '. J asceta: de-'aüra:\ben'éfka> levavá-llie·1:oâos ,os';dias 'léite·e' ba'rià · · . na� . :uma ,gazelà,··atraíd� ;pôr:·süa •:dJçtira� ·a:t·�rcava�se:, dele até 1 . 1 · · corrier-lhe · tja: mão oi( · 1:ãos;: de }atroz ·: ' E efo ,quase '' se sentia g · · . ..... ; -i:.1, · . ,, :· ,· . :-,· ;· · -: :·,;_: .i,, .. .. : . ) . , :, : ·: ,',. ;.·_, feliz.- ' '1 • • ' • ' • • - .. t ' r • ' f f ' 1 (, •' , - ' _, 1 > , � , l • , I • • , • 1 ) ··� , Mas.' seus peíisánfontos · ' mergúlhavain-·artsiosam· en'te na espir�l '. hrf111ita: do mun'.âo· iütêtib:r. Durárite 6':diâ, meâitava esforça · ' · · diúnetite,. irttên:s�metúe;: s,obte·' si )nesrrid ·e· 's6bre os demais� ·so-· · bre·· a origem dq; n'.laf e·: sobre ·,o, supremo' Ôbjetivo .-da vida.- Tra- · · : tâvd. ·ae � expÜcar��e': ô f atcii' e'ii\�adeatilento' �dbs· destinos' hurrianos . · ' pck rneió· · d�· :rádocínibs-cêtra:dos; :agudos,'.· desapie�ados. Mas: · quaii't��- dúvrd�i qu"ánt'ós; 'Vazios. �, qtÚmtos' abismos insondáveis! ; ' . ' · .. • ( 1 • j / -� : • : i 1 ' ' � .. • . ' ' \ ' ' ' - , ,
: .. > ;' 'Qµ1�á1���- '.a'· nqite�, '_âo��\don�v�-:s.é '�"obrf _ o.:.-oêéano d,o sono; · �.t.e', ,ó' cürso·:ao:s seus perisà à deri�â; p·ara 'retôrriar,' ·diâ segui no _. . . · inentos. E' assim --OS' :seüs . sórifio's·. se· . tornâvàin êáda' ·vez l mais · · , ct{:véus: , · rpósto§ . upe , �,má ;_s�·rie de ga Erâ come> ' nfos:. franspaie � : . .
· e d�s '.re : mundo por) a s�re dys�_ rra ' y�lay�úri . ' m . , , fluída�· qµe . ,ô , . . s ze · . , ; .,.- , L.• , '- • ... , - .,. 1 . mun ,,, d , . , "d·". tras e o .. . . :. _,. · , ,., �� 1,·,; .,· '(,, . , , • .,, • .J • .; J ! .I , I > 1 - • , \ • "l � t J '; ' •• : vi�,;projeta :-se � . No com ço, _ �_ �':1 1.Pr�pri� ,vi9a, 1gver amen- � � 1 . a u _ ce �o he e , mes�o si p�pofs, -, _ s�. � ssiva 11s suce � �op: 1 _eín. imfige te :- a�xõ�s;_ . p c,om ,ou�ras,.. C(?mo/num. xi �te, e re a . ,dife . �parência � · u�na _ r . �as e te e ve �u�g1pun. (?� r t�n1:1 , . . �, : p9 c;I � . tros � . , �' . _ - tência passa�a. , . stranhos e .e nigmáticos, que parecia �idos, sconhe m s de semblante . ,' , 1, r 1 .. ,., • ,11 .. . ... , 1 .• , . . .,, , ,. • .. , .... 1 chamá-lo .. . , , . ,., : :1 1 : :_, ·•· ,· , (') •• ,·: l, ,; .. soi;ihq!, , do _ n. __ dé:l JI1:1s�o, Y pe ava in9 � 9auta re ·, ado it_ ó,' ilím r . , , .
contém as cr que s se ' mundo fonte tas És - do má', és tú "ó topo � ? · · poderes ignotos mistur , am teia· n'à qual os fios ·da rso'- ve ·6 re tu s que os sere armam todos f · e' o todas as coisas · vívido m ce que te e m retomava - . E suas ditaçõ s rso e unive sen1, . vasto ? , e st . de quadro · daquele : caos as correntes _ __ , uniforme. si · unir entre guir conse ,- · _ . ão qµe!Sakia Muni praticou. durante. sete a tradiç · 1, Conta · . interior -antes concentração _ alcança · de de, r\ rcfoios exe 1 seus anos por fim sob a forma de \lma Atingiu-a , , sérje , . _ sua iluminação. de êxtases durante o sono. '8 preciso seguir de perto os fenô menos psíquicos interligados pela lenda durante essas quatro noites extáticas, já que de seu caráter peculiar e de sua inter pretação surgiu a doutrina de Buda e de todo o budismo. Durante a primeira noite, penetrou Sakia-Muni naquilo que a lndia chama Kama-Loka (morada dos desejos). É o Amenti egípcio, o Hades grego, o Purgatório cristão. É a esfera cha mada mundo astral pelo ocultismo do Ocidente ou estado psí quico definido com estas palavras: esfera da permeabilidade, caos sombrio e nebuloso. No princípio, assaltavam-no todas as e espécies de animais, serpentes e bestas ferozs. Sua alma lúcida compreendeu que aquilo eram as suas próprias paixões de vi das anteriores, exteriorizadas e vitalizadas ainda no fundo de sua alma. Sob o escudo de sua vontade, iam-se dissipando à medida que ele avançava sobre elas. Então, apareceu-lhe sua esposa, a quem amara e abandonara. Viu-a, os seios desnudos, olhos cheios de lágrimas, de desesperos e de desejos, estender o filho em sua direção. Seria a alma da esposa, ainda viva, mas que, desta forma, o chamava durante o sono? Cheio de piedade, palpitante de amor, atirou-se para ela. Porém, naquele momento, desvaneceu-se a imagem, prorrompendo· em um dila cerante lamento ao qual respondeu o grito surdo de sua pró pria alma. Então, envolveram-no em rajadas infinitas, em ban dadas desgarradas pelo vento, as almas dos mortos afogados ainda nas paixões terrenas. Estas sombras perseguiam suas pre sas, arrojavam-se umas sobre as outras sem conseguirem unir-se, rolando ofegantes em um abismo sem fundo. Via os criminosos, torturados pelo suplício que lhes haviam infligido, sofrerem-no outra vez, indefinidamente, até que o horror do crime come tido matasse a vontade culpada, até que as lágrimas do assas sino lavassem o sangue da vítima. Essa lúgubre região era ver dadeiramente um inferno agitando-se na fogueira de um desejo impossível de sufocar nas trevas angustiosas do vácuo gelado. Sakia-Muni acreditou reconhecer o príncipe daquele reino. que os poetas descrevem sob a figura de Kama, Era o deus dos Desejos. Apenas, em lugar de usar traje de púrpura, coroa de flores e de possuir o olhar de júbilo por trás de um sem blante severo, envolvia-o um sudário, ia coberto de cinzas e brandia um crânio vazio. Kama se converteu em Mara, em deus da Mo rte.
. Quando. Sakia-Muni despertou depois da primeira noite de sua iniciação, um suor gelado salpicava todo o seu corpo. A mansa gazela, sua querida companheira, havia fugido. Temera por acaso as sombras com as quais se familiarizara o dono? Teria farejado o deus da Morte? Gautama permaneceu imóvel sob a árvore da meditação, de cem mil folhas sussurrantes. O embotamento impedia-o e d se mover. O pastor solícito reanimou-o, oferecendo-lhe leite espumante em uma casca de coco. Durante a segunda noite, penetrou o ermitão no mundo das almas venturosas. Apte seus olhos fechados desfilaram países flutuantes, ilhas aéreas. Jardins encantados onde as árvores e as flores, as aves, o céu e o ar perfumado, as estrelas e as nuvens, transparentes como véus, pareciam acariciar a alma e modular com habilidade a linguagem do amor, condensando em significativa forma a expressão de humanos pensamentos ou de divinos símbolos. Viu as almas, agrupadas ou em pares, caminharem absor tas umas nas outras ou reclinadas aos pés de um mestre. E a felicidade que irradiava de seus olhares, de suas atitudes, de suas palavras, parecia emanar de um elevado mundo flutuante sobre suas cabeças, ao qual dirigiam de vez em quando os bra ços estendidos, unindo-os a todos em celestial harmonia. Mas, de repente, Gautama viu alguns daqueles semblantes empalidecerem comovidos. Então, apercebeu-se que cada uma daquelas almas se achava unida ao mundo inferior por um fio tênue. Esta rede de filamentos descia até o fundo através de uma nuvem púrpura que a sustentava no abismo. A medida que a nuvem vermelha descia, ia-se desvanecendo, e o paraíso aéreo ton1ava-se cada vez mais imperceptível. E Gautama compreendeu o sentido de sua visão. Aqueles indestrutíveis, restos de paixões vínculos hum eram a laços sutis is desejos que ligavam aquelas almas inextingüíve feli nas de , cedo ou tarde, a novas encarn forçando-as, ações. zes à terra, em perspectiva por trás do ai!, reencont adeuses, ro Quantos afastamentos naqueles labirintos novos de do quantos r celeste, esperavam, talvez, no fim, a aos que separaçã ação o e de prov .. eterna! . seguinte despertou Sakia-Muni da a manhã segun- Quando viajantes voavam no céu nublado. E cisnes foi mais da noite, os daquela visão paradisíaca despertar do que do ele triste para
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.