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Capítulo 11 de 14

Os Grandes Iniciados — parte 11 de 14

Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 3

sem levantar-se, e, o escriba severamente João contemplou respondeu: o reco- ... e não entre vós de passar Ele acaba -Tolos! nhecestes! o Messias? esse essênio por acaso, dizes? Será, -O que o segues, então? Por que não enquanto eu que ele cresça 'E: preciso -Não é permitido. Não pregarei tarefa está terminada. pequeno. Minha me torno ... Ide à Galiléia! mais Um soldado de Herodes, uma espécie de Golias com sem­ blante de verdugo que respeitava o Batista e se comprazia ouvindo-o, murmurou, afastando-se com piedosa ternura: -Pobre homem! O seu Messias deixou-o doente! Porém o escriba de Jerusalém partiu, rindo às gargalhadas, gritando: Que imbecis sois vós! Ele enlouqueceu!. - . . Estarieis convencidos de que fiz calar o vosso profeta? • * * Assim foi a descida do Verbo Solar sobre o Mestre Jesus. Hora solene, capital momento da História. Misteriosamen­ te - e com que imenso amor! - as divinas potestades atua­ ram do alto durante milênios, para acolher o Cristo e lograr que brilhasse para a humanidade por intermédio de outros deuses. Vertiginosamente - e com que frenético desejo! - o oceano humano elevou-se de suas profundezas como um torve­ linho, valendo-se do povo judeu para formar em seu topo um corpo digno de receber o Messias. E por fim cumpriu-se o desejo dos anjos, o sonho dos magos, o clamor dos profetas. Juntaram-se ambas as espirais. O torvelinho do amor di­ vino uniu-se ao torvelinho da dor humana. Formou-se a grande onda. E durante três anos, o Verbo Solar percorrerá a terra por , meio de um corpo cheio de força e de graça para provar a todos os homens que Deus existe, que a imortalidade não é uma palavra vã e que os que amam crêem e esperam podem alcan­ , çar o céu através da morte e da Ressurreição.

pela antigos dos mistérios IV Renovação vinda de Cristo - Da tentação à transfiguração Tratemos de definir a constituição do ser sublime, de na­ tureza única, saído do batismo do Jordão. O filho de Maria, o Mestre Jesus, o Iniciado Essênio que cedeu a Cristo seu corpo físico, ofereceu-lhe ao mesmo tempo seus corpos etéreo e astral. Tríplice invólucro admiravelmente harmonizada e evoluída. Através dela, o Verbo Solar que falou astralmente a Zo­ roastro e em seu corpo etéreo a Moisés sob a forma de Eloim, falará aos homens por intermédio de um homem de carne e osso. Faltava isso para animá-los e convencê-los. Tal opacidade opunham à luz da alma e tal surdez à palavra do Espírito! Muitas vezes, sob diversas formas, manifestaram-se os Deuses aos homens, desde o período atlântico até os tempos heróicos da Judéia e da Grécia. Inspiraram os richis, ilumina­ ram os profetas, protegeram os heróis. Com o Cristo apareceu pela primeira vez um Deus por completo encarnado em corpo de homem. E este fenômeno sem par na História produziu-se no cêntrico instante da evolução humana, quer dizer, no ponto inferior de sua descida à matéria. Como se elevará do obscuro abismo às claras alturas do Espírito? É necessário, para isso, o formidável impulso de um Deus feito homem. Realizado o impulso, continuará a ação do Verbo sobre a humanidade por meio do seu eflúvio. Porém não será mais necessária a sua encarnação. Daí o maravilhoso organismo do ser que teve por nome Jesus Cristo. Por suas sensações, submerge na carne; por seus pensamentos, remonta aos Arquétipos. Em cada sopro seu res­ pira a Divindade. A totalidade de sua consciência é contínua nesta frase que tantas vezes acode a seus lábios: "Meu pai e eu somos um." Porém, ao mesmo tempo, acha-se unido aos sofrimentos da humanidade com invencível ternura, pelo imenso amo que o r fez aceitar livremente sua missão. ·

Sua alma é uma chama viva que emana da perpétua c�m­ bustão do humano pelo divino. Com isto pode alguém capa­ citar-se do poderio irradiador de semelhante ser. Envolvia sua aura humana uma vasta auréola celeste que lhe permitia comunicar-se com todas as potestades espirituais. Seu pensamento não tropeça jamais nas escabrosas sendas do raciocínio, pois que brota com o fulgor do raio desta cêntrica verdade que o abarca inteiramente. Atraídas por esta força primordial, precipitam-se as almas até Ele e vibram e renascem sob os seus raios. O objeto de sua missão consiste em espiritualizar a terra e o homem, elevando­ os a um estágio superior de evolução. O meio será a uma só vez moral e intelectual. Moral, pela expansão amorosa deste sentimento de universal fraternidade que d'Ele emana como de um· manancial -'inesgotável. Intelectual e espiritual, pela porta que conduz a todas as almas ansiosas de verdade rumo aos Ministérios. _ As�im, n(? transcurso dos três anos que durou sua obra, inicia Cristo simultaneamente sua comunidade na doutrina mo­ ral e seus apóstolos nos antigos - Mistérios que Ele rejuvenesce e renova, perpetuando-os. Porém, ao contrário do que acontecera na Pérsia, no Egito, na Judéia e na Grécia, esta Iniciação, reservada em outros tem­ pos a uns poucos eleitos, propaga-se à luz do dia por meio de reuniões públicas, para que -a humanidade inteira dela parti­ cipe. · "A vida real de Jesus - diz Rodolfo Steiner - foi um acontecimento histórico do que antes ocorria dentro da Inicia­ ção. O que até então permanecera enterrado no mistério do tempo, com Ele percorreria a cena do mundo com incisivo realismo. A vida de Jesus é, pois, uma pública confirmação dos Mistérios." A TENTAÇÃO DE CRISTO Ainda que fosse Deus por essência, deveria Cristo atraves­ sar por si mesmo_ a primeira etapa da evolução antes de iniciar o seu ministério. é possível ao homem comum . adquirir a visão do _ Não - - senão preparando o eu 1!1-undo _astral s duplo inferior que a esconde· à sua perce_pção. A tradi9ão oculta chama-o Guardião -,

do 1Umbral- �- �imboliza-o a lenda sob a fo_rma .do Dragão . 1$ .... uma astral condensação ' de todas as precedentes encarnaçoes sob uin ·aspecto· impressionante e terrorífico. Não se pode dis_� sipar esse fantasma que obstrui o passo do mundo senão extir­ _pando da alma os últimos vestígios das paixões mesquinhas. Cristo, o puro Gênio solar, não possuía um duplo inferior nem se achava sujeito ao Karma. Limpo de qualquer mácula, não se havia jamais separado de Deus. Porém a humanidade em cujo seio penetrara Cristo possuía o seu Guardião do Um­ : bral, ou· seja,· a potestade cósmica que havia impulsionado sua evolução anterior, precipitando-a no circuito da matéria e graças à qual havia conquistado a consciência individual. E a potestade que� no presente esconde da maioria dos , homens o mundo do Espírito. A Bíblia chama-9 Satã, que cor­ responde ao Arimã · persa. Arimã é a sombra de Lúcifer, sua projeção e sua contraparte inferior nos baixos mundos, o Dai­ mão, que perdeu ·sua divina consciência, convertido em gênio das trevas, enquanto Lúcifer, apesar de sua queda, continua sendo potendalmente o porta-luz, modernizando�se algum dia. Eis aqui porque tinha Cri.sto que vencer Arimã na aurçi magnética da terra. antes de dar _início à sua missão. Isto jus­ tifica o seu jejum de quarenta dias e as três provas compiladas em três imagens no Evangelho segundo Mateus. O príncipe deste mundo submete Cristo sucessivamente · à tentação dos sentidos (por meio da f orne), à do medo (mos­ trando-lhe o abismo onde pretende precipitá-lo), à do poder absoluto (oferecendo-lhe todos os reinos da terra). E por três vezes resiste Cristo em nome da palavra da Verdade que lhe fala e ressoa em seu. interior como a harmonia dos céus. Com esta inquebrantável resistência vence Arimã, que re·­ trocede com suas inúmeras legiões ante o Gênio Solar. Uma brecha abriu-se no tenebroso manto que cobre a ter­ ra. Abriu-se de novo o portal da alma humana. Cristo·já pode entrar. * * * · Na educação que Cristo dá à sua comunidade encontra: mos outra vez as quatro etapas da antiga Iniciação, formuladas por Pitágoras da seguinte forma: l.ª -. P�ep�ração· ou instr"u� 93, a ou p1 an. / ·r E 2.ª - Purificação xa.vapoit; 3! -:- � ção · o.axei11; 1mp e s1iit se Visão ou - Suprema e 4.ª umnação reXELwmt; il i C> €1TlliC(XVta. Os dois primeiros graus dessa Iniciação destinavam- e ao � _ povo, ou seja, à totaiidade, e administravam-se JU tas e simul­ � taneamente. Os dois últimos reservavam-se aos apostoles e par­ ticularmente a três deles administrando-se-lhes gradualmente, , até o fim de suas vidas. Tal renovação dos antigos Mistérios representa, em um aspecto, uma vulgarização e uma continuação, e, por outra par­ te, predispunham e capacitavam para a vidência sintética por meio àe uma mais elevada espiritualidade. Primeiro Grau - Preparação O SERMÃO DA MONTANHA E O REINO DE DEUS Tem início o trabalho de Cristo com o idílio da Galiléia e o anúncio do "Reino de Deus". Esta pregação mostra-nos seu ensinamento popular e sig­ nifica ao mesmo tempo preparação para os mais sublimes Mis­ térios que gradualmente revelara aos apóstolos, ou seja, aos seus mais chegados discípulos. Corresponde à preparação mo­ ral nos antigos Mistérios. Porém não nos encontramos ainda nos templos nem nas criptas. A iniciação galiléia tem por cenário o lago de Genc­ zaret, de claras águas, de muitos peixes. Os jardins e pequenos bosques de suas margens, suas montanhas azuis de matizes violáceos, cujos vastos frisos cercam o lago como copa de ouro, todo este paraíso perfumado por plantas silvestres forma tre­ mendo contraste com a infernal paisagem do Mar Morto. Este quad�o, com a multidão inocente e cândida que o habita, era necessário ao início da missão do Messias. O Deus encarnado no corpo de Jesus de Nazaré sustenta um divino projeto elaborado durante séculos em linhas extensas como raios solares. Agora que é homem cativo da terra, do mundo das apa, rências e das trevas, precisa buscar a aplicação daquele pro- (7) Leia-se Pitágoras.

jeto, passo a passo, degrau a degrau, sobre o seu caminho cheio edras. de p Achava-se bem preparado para tal. Lia nas consciências, atraía os corações. Com um olhar penetrava nas almas, lendo em seus destinos. Quando diz ao pescador Pedro, enquanto este preparava seus apetrechos de pesca na praia: "Segue-ine e eu te tornarei um pescador de homens", Pedro se levanta e segue-o. Quando surge, no crepúsculo, com seu branco manto de essênio, a peculiar auréola circundando-o, Tiago e João pergun­ tam-lhe: "Quem és?", Ele responde simplesmente: "Vinde ao n1eu reino." E eles vão. Já o segue um cortejo de pescadores, de andarilhos, de mulheres jovens e velhas, através de povoados, campos e sina­ gogas. E ei-lo aqui, pregando na montanha, à sombra de uma grande figueira. O · que diz? "Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados os aflitos, pois serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão saciados. Bem-aventurados os pu­ ros de coração, pois verão Deus." Estas verdades, impregnadas da voz intensa e do olhar do Mestre, não se dirigem à razão, mas ao sentimento puro. Pene­ tram nas almas como celestial orvalho sustentando mundos. Contêm todo o mistério da vida espiritual e a lei das compen­ sações que enlaça as vidas. Os que recebem estas verdades não medem seu alcance, a não ser que penetrem em seu sentido com o coração, bebendo­ as como licor que embriaga. E quando o Mestre acrescenta: "O Reino dos Céus encontra-se dentro de vós mesmos", uma flor de júbilo abre-se no coração das mulheres, como uma rosa prodigaliza o seu perfume ao impulso do vento. A palavra de fraternidade por cujo intermédio costuma-se definir o ensinamento moral de Cristo é insuficiente para ex­ pressar a sua essência. Uma de suas características é o entusiasmo que provoca e a fé que exige. "Com o Cristo, algo insólito penetra no humano eu, algo que lhe permite perceber, até o mais fundo de sua alma, este mundo espiritual não percebido até então a não ser por intermédio dos corpos etéreo e astral. "Antes, tanto na clarividência espontânea como nos l\1is­ érios, havia sempre parte de inconsciência. O Decálogo de t

Moisés, por exemplo, apenas fala ao corpo astral e apresenta-se sob a forma de Lei, não de Vida. A Vida do Amor somente entra na humanidade através de Cristo. Também Buda trouxe ·ao mundo a doutrina do Amor e da Piedade. Mas sua missão consistia em inculcá-la por meio do raciocínio. "Cristo é o Amor em pessoa e traz consigo o Amor. "Sua simples presença o atualiza potentemente, irresisti­ velmente, como radiante sol. "Existe uma diferença entre a compreensão de um pensa­ mento e a força que nos inunda como uma torrente de vida. Cristo trouxe ao mundo a Substância do Amor e não apenas a Sabedoria do Amor, dando-se, vertendo-se por inteiro na huma- ª nidade." ( ) Daí provém a índole de fé que reclama Cristo d� seus seguidores. A fé; no sentido do Novo Testamento, como tão amiúde pretendem os chamados ortodoxos, não significa uma adesão e uma submissão cega da inteligência a dogmas abstra­ tos e imutáveis, mas uma convicção da alma e uma plenitude de amor capazes de transbordar de uma alma para verter-se em outra. É uma perfeição que se comunica. Cristo disse: "Não basta que deis àqueles que vos podem devolver. Os andarilhos fazem o mesmo. Oferecei àqueles que não vos podem retribuir." °"O amor de Cristo é um amor transbordante e submergen­

te." ( ) Assim é a pregação deste "Reino Celestial" que reside na vida interior e que constantemente compara o Divino Mestre a µm grão de mostarda. Atirado à terra, transformar-se-á em ereta planta que, por sua vez, produzirá milhares de sementes. Este reino celeste, subjacente em nós, contém, em germe, todos os demais. Isto basta aos simples, aos quais Jesus dirá: "Bem-aventurados os que não viram e acreditaram." A vida interior contém em si a felicidade e a força. Mas no pensamento Cristo não é mais que a ante-sala de um reino maior, de infinitas esferas: o reino do seu Pai o mundo divino ctija senda quer abrir de novo a todos os ho�ens e oferecer a ·esplendorosa visão a seus eleitos. (8) Rodolfo Steiner, er Conf ênc ias de Basiléa sobre o Ev gelho an .de Lucas. , (9) Rodolfo Steiner, op, cit. f)6 Esperando, a enorme comunidade que rodeia o Mestr� aumenta e viaja com Ele, acompanhando-o de uma margem a outra do lago, sob os laranjais da planície e as amendoeiras dos atalhos, entre os trigos maduros e· os brancos lírios de violácea corola que salpicam as pastagens das montanhas. Prega o Mestre o Reino de Deus à multidão em cima de um bar�o amarrado junto ao porto, nas diminutas sinagogas ou sob os grandes sicômoros do caminho. A multidão já o chama de Messias, ainda sem compreen­ der o alcance de tal nome e ignorando até onde os conduzirá.· Mas Ele está ali e isto lhes basta. Apenas as mulheres pressentem talvez a sua natureza sobre-humana e, adorando-o com um amor cheio de ímpetos e confusões, cobrem-lhe o caminho com flores. Ele próprio des­ frutava em silêncio, à maneira de um Deus, dessa terrena pri­ mavera do seu Reino. Humaniza-se sua divindade e se enternece frente a todas aquelas almas palpitantes que esperam d'Ele a ·salvação, en­ quanto vai penetrando em seus confusos destinos, adivinhando­ lhes o porvir. Sentia o júbilo dessa floração das almas como ó discreto esposo das bodas de Canaã jubilava-se da esposa silente e perfumada em meio a seu séquito de padrinhos. Segundo os Evangelhos, um dramático episódio projeta sua sombra nas ondas solares que encarpelam-se sobre essa prima­ vera galiléia. É o primeiro assalto das forças hostis que atuam contra Cristo desde o invisível? certo dia atravessavam o lago, desencadeou-se Quando tão freqüentes no mar de Tibería­ das terríveis borrascas uma a oscilante nave? Acor, na popa. Afundaria des. Dormia Jesus braços estendidos, acalmou as va· que, com os daram o Mestre com vento agora propício, atingia a embarcação, gas, enquanto porto. o· hospitaleiro nos relata Mateus. Quem se menos, como assim, pelo É à sua veracidade? oporá c m as potes a­ em direta comunicação Solar, Arcanjo � � o to pr Jerestre, pode mm bem_ fera te a atmos que governam � des i: . _ _ ,, no orvelmho e Eolo. circul , magico � como � ta sua vontade, ,,a r e cnar por um instante, escuro ceu em azul o Pode transformar com o coração de da tempestade olho o a tormenta, durante um Deus. Realidade ou símbolo? Em ambos os casos, verdade subli­ me. Dormia Cristo no barco de pesca em meio às ondas enfu­ recidas. Que soberba imagem de paz de alma consciente d ua � : divina pátria no centro dos rugentes elementos e das paixoe� desencadeadas! Segundo Grau da Iniciação: Purificação CURAS MILAGROSAS - A TERAP:ÊUTICA CRISTÃ Em todos os Mistérios antigos sucedia à preparação moral e intelectual uma purificação da alma encaminhada a desen­ volver novos órgãos que a capacitavam, por conseguinte, para ver o divino mundo. Era em essência uma purificação dos corpos astral e eté­ reo. Com o Cristo, repetimos, desceu a Divindade, atravessan­ do os planos etéreo e astral até chegar ao físico. Portanto, sua influência exercia-se ainda sobre o corpo físico de seus fiéis, através dos outros, transformando desta maneira todo o seu ser desde o mais profundo até o mais elevado. Seu influxo, , atravessando as três esferas de vida, ferverá no sangue de suas veias alcançando o ápice àa alma. Porque Cristo é a um só tempo médico do corpo e da alma. Daí essa nova terapêutica de imediatos efeitos, deslum­ brantes e transcendentes. Magnífico exemplo jamais igualado, sobre cujas pegadas andaram os crentes do Espírito. O esotérico conceito do milagre não se fundamenta em um truncamento ou em uma tergiversação das leis da natureza, mas em uma acumulação de forças dispersas no Universo sobre um ponto dado e em uma aceleração do processo vital dos seres. Antes que Cristo os realizasse, milagres análogos já se haviam operado nos santuários da Ásia, Egito e Grécia, no de Esculápio em Epidauro, entre outros, como atestam inscrições múltiplas. embargo, os milagres de Cristo caracterizam-se por Sem s ua intesidade e moral transcedência. Paralíticos, leprosos, ende­ moninhados ou cegos, sentem os enfermos, uma vez curados, transformada a alma. Restabelece-se o equilíbrio das forças en1 seu corpo pelo fluído do Mestre, mas simultaneamente foi-lhes outorgado por sua divina beleza o raio da esperança e por seu

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