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Capítulo 3 de 14
Os Grandes Iniciados — parte 3 de 14
Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 3
galhos esticados como harpas elevadas ao céu. Do cume con , templava o abismo, de declives verdes e escarpados, os bran cos cimos rígidos dos picos semelhantes a agulhas e, ao longe, sob uma ·bruma rosada, a planície do Irã. "Se a terra", dizia Zoroastro a si mesmo, "possui a força para elevar com tal ímpeto seus milhares de seios em direção ao infinito, por que eu não hei de ter o poder de sublevar me � povo com igual ímpeto?" E quando o esplendor do astro re1 � dourava a neve do alto dos montes, dissipando com um único raio, qual uma lança aguda, as brumas do abismo, Zoroastro acreditava em Ormuz. E rezava todas as manhãs a prece que Vahumano lhe ensinara: "Levanta, ó, rútilo sol! Ascende com teus cavalos impetuosos sobre o Hara-Berazaiti e ilumina o mundo!" Mas Ormuz não chegava. Os sonhos noturnos tornavam-se cada vez mais assombrosos. Assediavam-no os mais horríveis monstros e, por trás de seus movimentos inquietos, uma som bra aparecia vestida com véus negros, o rosto oculto por escuro manto, assim como seu corpo. Pennanecia imóvel e parecia contemplar o adormecido. Era o vulto de uma n1ulher? Não podia ser Arduizur. A figura branca que ia buscar água na fonte não teria aquele aspecto sinistro. Aparecia e desaparecia, em perpétua imobilidade, sempre coberta, fixando a obscura máscara do seu rosto sobre Zoroastro. Durante um mês chegava todas as noites encimando a agi tadà e demoníaca onda. Por fim, pareceu aproximar-se e infla mar-se. Por trás do escuro véu, cintilava em fugazes fulgores um corpo nacarado, de fosforescente formosura. Era uma ten tadora enviada po Arimã, uma daquelas larvas que induzem r os homens a lúbricos amores entre as tumbas marmóreas sob os ciprestes dos cemitérios? Não. A velada sombra exalava dema siada majestade e altivez. ., Uma noite, contudo, inclinou se sobre ele e, através do . véu negro, saiu-lhe da boca um sopro cálido que percorreu as veias do vidente como um rio de fogo. E Zoroastro despertou suado, cheio de angústia, em seu . leit de folha , sob a pele de búfalo. Não se percebia na noite ? � mais que o mvo do vento no abismo profundo, ao prender-se em rajadas e torvelinhos, do vento desesperado que respondia à voz áspera e selvagem da torrente.
Porém, pouco a pouco mês após mês, em suas visitas espa , çadas, aclarava-se o vulto feminino. De negra, tornou-se cinza; depois alvacenta, e parecia trazer consigo raios e flores, porque agora vinha sozinha. Conseguira expulsar os demônios do seti rosado nimbo. Um dia, mostrou-se quase transparente à luz de uma incer ta aurora e estendeu os bracos em direcão a Zoroastro, como em um gesto de inefável d;spedida. E .. assim permaneceu por muito tempo, silenciosa e velada. Logo, mudando a expresão, mostrou o sol nascente. Depois, voltou-se e diluiu-se em seu próprio fulgor, como que consumida e integrada em sua radiação. Zoroastro despertou e caminhou até o extremo da gruta que bordeava o abismo. Era pleno dia. O sol brilhava no alto do firmamento. Naquele instante, ainda sem distinguir os deta lhes mínimos das feições do Vulto, o eremita teve o pressenti mento irrecusável de que aquele fantasma era a alma de Ardui zur e de que não tornaria a vê-la neste mundo. Permaneceu imóvel durante longo tempo. Uma dor aguda o afligia e, de seus olhos, correu uma torrente silenciosa de lágrimas que o frio congelava entre os fios de sua barba. De pois, subiu ao alto da montanha. O sol de primavera derretia as estalactites de gelo pendentes dos galhos dos velhos cedros. A neve cristalizada cintilava nos topos da cordilheira. do Al bordj como se eles chorassem lágrimas de gelo. Os três dias e as três noites seguintes representa.ram para Zoroastro o mais profundo de sua desolação. Vivia a iv1orte, não a sua, mas a de todos os seres. Vivia n'Ela e Ela vivia nele. Já não esperava 1nais nada. Não mais invocava Ormuz e não encontrava descanso senão no enfraquecimento de todo o seu ser, caminhando para a inconsciência. Mas eis que, durante a terceira noite, no· mais profundo sono, ouviu uma voz imensa, semelhante ao retumbar do tro vão, e que terminava em melodioso murmúrio. Imediatamente precipitou-se sobre ele um turbilhão de luz, de tal forma que ele pensou ter a sua alma se lhe desprendido do corpo. Sentia que a cósmica potestade que o freqüentava desde a infân cia, que o havia como que acolhido em seu vale para trans portá-lo até o alto, que o Invisível e o Inominado iam mani festar-se em sua inteligência por meio da linguagem com a qual os deuses falavam aos omens. h
O Senhor dos espíritos, o rei dos reis, Ormuz, o Verbo Solar, apareceu�Ihe sob a forma humana. Envolto em formo sura, poderoso e iluminado, fulgurava sobre o seu ígneo trono. Um .touro e um leão alado um ein cada flanco, sustentavam , o assento e uma águia monstruosa estendia suas asas . .debai,xo . d�· �àse do trono. Ao redor, resplandeciam, f armando. três semi- · círctilos, sete Querubins de asas · de ouro, sete Eloím de asas 11) azuis e. sete Arcanjos de asas purpurinas. ( De vez em quando um relâmpago partia de Ormuz, pene trando em seus três mundos de luz. Então, os Querubins, os Eloim e os Arcanjos reluziam como o próprio Ormuz em sua branca fulguração para voltar logo em segunda à sua cor pró pria. Inundados da glória de Ormuz, manifestavam a unidade _ de Deus; luzentes como o ouro, a púrpura e o azul, tornavam-se o seu prisma. E Zoroastro ouviu uma voz formidável, embora melodiosa e vasta como o universo, qtie dizia: -Eu sou Ahura-Mazda, o que te criou e escolheu. Agora escuta a minha voz, 6, Zaratustra, o melhor dos homens! Fa 12) larei contigo dia e noite e ditarei para ti a palavra da Vida. ( Então, ele teve uma ofuscante visão de Ormuz com o seu círculo trino de Arcanjos, Eloim e Querubins. O grupo se tor nou imenso, tomando toda a amplidão do abismo e ocultand0 os picos ponteagudos do Albordj, esmaecendo à medida que . se afastava para invadir todo o firmamento. Durante breves instantes, cintilaram as constelações através das asas dos Queru bins. Em seguida, tudo se diluiu na imensidão. Porém, o eco da voz de Ahura-Mazda ainda ressoava na montanha como um uivo distante· que, ao apagar-�e, parecia um escudo de bronze a vibrar. Zoroastro tombou de bruços. Quando despertou, achava-se de tal forma aniquilado que refugiou-se no mais escuro canto de sua gruta. Então, a águia que fazia ninho acima de sua cabeça saiu do abismo, onde · em vão procurara a sua presa, e pousou com segurança a poucos passos do solitário, como se a ave real de Ormuz por fim reconhecesse o seu profeta. (11) No Zend-Avesta chama-se aos Querubins de Ameshapen das, aos Eloim de Yzeds e aos Arcanjos de Ferueres. (12) significa, em língua zenda, "palavra da Vida" Zend-Avesta
Do dorso da águia pingavam gotas de chuva. Ela alisou com o bico as penas ásperas. Depois, ao reaparecer de trás de do dia, a águia estendeu as_ asas a secar uma nuvem o astro rei · e olhou fixamente o sol. · A partir daquele momento, Zoroastro ouviu a cada dia a· palavra de Ormuz. Falava-lhe ele noite e dia, como uma voz interior -por.meio , · · dos vivos pensamentos do seu de imagens ·ardentes,- expressão Deus. Mostrou-lhe Ormuz a criação do mundo e sua pr9pria origem, ou . seja, a manifestação da palavra· viva no univer·
so, ( ) as hierarquias ou potestades cósmicas, a necessária luta contra Arimã, inimigo do trabalho construtivo, espírito do mal e da destruição, e as maneiras de combatê-lo por meio de pre ces e do culto do fogo. - Ensinou-o a lutar contra os demônios através do pensa- . mento vigilante e contra os impuros .(os turânios) por intermé dio das armas consagradas. Instruiu-o no amor do homem pela terra e no amor da terra pelo homem que a cultiva, sua con tribuição no esplendor das colheitas, seu júbilo de ser lavrada atm1ia. e seus poderes secretos convertidos em bênçãos para a f do lavrador. ·conversa Todo o Zend-Avesta nada mais é que uma longa entre Ormuz e Zoroastro: "O que é mais agradável na terra?". Ahura-Mazda responde: "- Um homem puro pisando-a." "E em segundo lugar, o que de mais belo há na terra?" - "Um homem puro construindo uma morada provida de fogo, habi tada por mulher e filhos, com gado e rebanhos belos. Porque existe em tal morada abundância de retidão." (14) . E Zoroastro, pela voz de Ormuz, ouviu a resposta que a terra dá ao homem que a respeita e cultiva: "Homem, te sus tentarei sempre e estarei sempre contigo." E a terra o presenteia (13) "N religião de Zoroastro a -disse Silvestre S y de ac -, se evidencia que, com exceção do tempo, tudo foi criado: o témpo é 0 criador, porque não tem limites. Carece de dimensão e de principio· sempre foi e sempre será, eternamente. Apesar . dessas e xcelente�. prerro aiS que o tempo possui, gativ ninguém lhe havia concedid o 0 atributo de criad10r. Por quê? Porque nada criara. Depois gerou
fogo e a água. Quando os pôs em contato, veio Ormuz à existên cia E desde então foi empo senhor o t e criador, pela obra que acab� de criar". (14) Terceiro "fargard" do Vendidad-Sadé (l,;.17).
com seus bons aromas e seu hálito benéfico e o broto nascente do trigo verde e a colheita esplêndida. Ao contrário do pessimismo budista e da doutrina da não-· d A resistência, há no Zen - vesta (eco das íntimas revelações de Zoroastro) um otimismo sadio e uma combatividade enérgica. Ormuz condena a violência e a injustiça, porém impõe a cora gem como a primordial virtude do homem. No pensamento de Zoroastro se percebe a contínua pre �ença do mundo invisível, das hierarquias cósmicas, mas toda a atenção se concentra na atividade, na conquista da terra, na disciplina· da alma e na energia da vontade. O inspirado profeta do Albordj tinha o hábito de anotar suas revelações interiores sobre uma pele de cordeiro, com um estilete de madeira esquentado ao fogo, em forma de caracteres sacros que lhe havia ensinado Vahumano. Mais tarde, seus discípulos anotaram os pensamentos pos-: teriores como. prolongamento de seus escritos. Isto foi depohi do Zend-Avesta, escrito originalmente sobre peles de animais, como foi escrito o Alcorão dos árabes, e conservado em uma espécie de arca santa, de madeira de cedro, guardando a cos mogonia, as orações e as leis com as cerimônias do culto. 20· V -O grande combate Quando após dez anos de solidão e de meditação, Zo , roastro regressou à sua tribo natal, somente os parentes o reco nheceram. Uma chama bélica brotava do mistério de seus grandes olhos e uma soberana autoridade emanava de suas ·palavras .. Convocou a sua tribo e as tribos árias vizinhas a fim de incitá las às lutas contra os turânios. Simultaneamente, porém, anun- . ciou-lhes a sua revelação, o Zend-Avesta, o verbo vivo, a pala vra de Ormuz. Esta palavra converteu-se no centro animador de sua obra. Purificação, trabalho e luta foram as três disciplinas. Purificação do espírito e do corpo pela oração e pelo culto do fogo a quem chama "filho de Ormuz", que traz em si o sopro de Deus. Trabalho da terra com as ferramentas da lavoura e o cultivo das árvores sagradas, o cipreste, o cedro e a laranjeira; traba lho coroado de amor com a esposa, sacerdotiza do lar. Luta contra Arimã e os turânios inimigos. A vida dos árias, sob o comando de Zoroastro, foi deste modo uma interminável vigília armada, um combate incessante ritmado e mitigado pelas tarefas campestres e os gozos más culos do lar. Os hinos a Ormuz embelezavam o sacrifício do fogo. A primitiva cidade fundada por Zoroastro converteu-se em flores cente urbe e fortaleza. Semeava-se com o arco na mão e a fle cha na cintura. Trabalhava-se o campo de batalha e colhia-se durante os dias de paz. Avançava-se lentamente. Sobre cada terreno conquistado, Zoroastro fazia erigir a cerca de paliçada, gérmen de uma cida de futura, e, no centro, o altar de fogo sob um pórtico rodeado de ciprestes, aqui e ali vizinho a uma fonte. Instituíram-se os mobeds ou sacerdotes e os destores ou doutores da lei. Foi proibido, sob pena de morte, dar as filhas por esposas aos turânios e tomar as filhas daqueles por esposas. Zoroastro deu a seus guerreiros lavradores, por símbolo, os animais sagrados, seus companheiros e colaboradores: o cão
o cavalo diligente, o galo vigilante. "O que nos diz o canto fiel, mas os guardiães da prisioneira detiveram-no com o intento de O Gênesis expressa isso admiravelmente com a palavra Eloím, do galo? Levanta que já é dia. O que cedo madruga, entra no paraíso." Como todos os verdadeiros iniciados, Zoroastro não igno ... rava a lei da reencarnação, mas nunca falava sobre ela. Não era sua missão revelá-la. Esta idéia teria atrasado a raça ária em seu trabalho imediato através da agricultura e da cristali zação da família. Porém, ensinava a seus adeptos o princípio , do Karma ra em sua forma elementar, ou seja, que a vida futu é conseqüência do presente comportamento. Os impuros vão para o reino de Arimã. Os puros ascendem por um caminho luminoso construído por Ormuz, resplandecente como um dia mante, estreito como o fio de uma espada. No alto espera por , eles um anjo alado, belo como uma virgem de quinze anos, que lhes diz: "Sou obra tua, teu verdadeiro eu, tua própria alma
esculpida por ti meflmo." ( ) Era Zoroastro assaltado de vez em quando por uma tris teza profunda e invencível. A terrível melancolia dos profetas, angustiante resgate de seus êxtases. Sua missão era vasta como os horizontes do Irã, onde as montanhas galopavam por trás das montanhas, onde as planícies se escondiam por trás das pla ... nícies. Porém, quanto mais era atraído por Ahura-Mazda, mais se afastava a grandeza do profeta do coração dos homens, embora ainda convivesse e lutasse entre eles. Por vezes, durante entardeceres outonais, desfilavam dian te dele mulheres transportando feixes de colheitas. Algumas se ajoelhavam e ofereciam seus amarrados de trigo ao profeta sen tado sobre uma pedra, junto ao altar campestre. Ele estend:,� um braço em direção a algumas delas, murmurando frases, con templando-lhes fortes e os braços bronzeados pelo sol. as nucas (15) V ja-se no Zend-Avesta (tradução de Anquetil-D n, e uperro
heróico descobridor ra língua zenda e da primitiva religião persa) o relato de certa tentação de Zoroastro por Angra-Mayniú (Arimã) Beguido pelos meios de combatê-lo, valendo-se de preces e invoca� ções. Termina o capítulo com uma descrição do conceito de alma, entrevisto por Zoroastro em uma espécie de visão (Vendidad-Sadé,
19. "fargard").
Uma ou outra recordava-lhe Arduizur mas nenhuma pos , suía a brancura luminosa da Virgem que ia à fonte azul; ne nhuma possuía a majestade do seu porte; nenhuma possuía o semblante de filha de rei; nenhuma possuía o olhar de águia ferida, que penetrava como uma seta; nenhuma possuía a har monia de sua voz que emergia como uma onda de cristal. Ouvia-a, ainda, clamando: "Salva-me!" E ele não pudera salvá la. Aquele grito terrível havia estimulado o fogoso mancebo, transformado em Zoroastro graças ao sábio Vahumano. Por causa daquele grito tinha ele sublevado a sua tribo e desperta· do toda a raça dos árias para sua própria consciência, por meio de uma luta de vida e morte. Daquele grito de mulher angustiada nascera a sua obra. Porém, ela ... Arduizur, onde definhava, viva ou morta? Zoroastro, que tanto sabia, igno rava-o. Apesar de tantas preces, Ahura-Mazda não o havia revelado. Uma sombria nuvem de dor velava o seu segredo.
VI - O anjo da vitória Depois de quarenta anos de lutas tumultuosas e de inúme ras peripécias, Zohak, rei dos turânios, que não havia deixado de fustigar os vencedores, apareceu morto em sua fortaleza, assaltado pelos árias. Zoroastro proclamou Lorasp rei e instaurou o culto de Ormuz em Baktra logo depois de haver mandado es uartejar , � as duas serpentes e cobrir com blocos de pedra e areia a ca .. verna onde se celebrava o infame culto a Arimã. Cumprida assim a sua obra, voltou ao seu retiro para . que Ormuz lhe comunicasse o futuro de sua raça e ele pudesse transmitir logo a revelação aos seus. E ordenou a três de seus melhores discípulos que, transcorrido um mês, se reunissem no monte Albordj para receber suas últimas instruções. Queria Zoroastro terminar seus dias na montanha onde ouvira pela primeira vez a voz de Ormuz, pois sabia que ali seu Deus lhe comunicaria sua última mensagem. Porém, antes de abandonar este mundo, recomendou a seus fiéis, como con· clusão e resumo do Zend-Avesta: -Vós, que me escutais, não presteis jamais atenção a Arimã, a aparência das coisas e das trevas, mas considerai o fogo original, a Palavra, Ahura-Mazda e vivei nele. Aqueles que me ouvirem não se arrependerão quando chegar o final dos 16) tempos. ( Quando Zoroastro chegou à sua caverna, nos primeiros dias de primavera, caía ainda a neve sobre o Albordj e o vento forte açoitava os topos brancos e os cedros silvestres. Os pasto res que o conduziram acenderam o fogo e se foram. E o profeta, cansado e abatido por tantas jornadas, pôs-se a pensar, contemplando a dança das chamas transparentes e vermelhas sobre o archote resinoso. (16) Ahura-Mazda, halo solar, representa aqui a coroa de í esp ritos divinos, criadores do sol e que formam sua aura, vivificada por Ormuz. Esta auréola espiritual é, de certo modo, a alma vivente do astro-rei no pensamento mazdeísta.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.