Voltar ao livro Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 3

Capítulo 4 de 14

Os Grandes Iniciados — parte 4 de 14

Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 3

Evocou todos os acontecimentos de sua vida como em um único quadro. Reviveu· tudo como um manancial abundant , � desde sua origem até a foz. O claro riacho montês se havia convertido em um caudaloso leito onde um rio impetuoso, des� lizando sobre a areia, escumava-se de encontro às pedras. Junto às suas margens surgiram cidades e navios sulcaram­ lhe as águas. E eis que, aqui, sua majestosa corrente mergu­ lhava na imensidão do oceano! ... Cumprira a sua tarefa. Os árias estavam livres. Porém, não obstante, que futuro aguar­ dava a sua raça? A noite caía e fazia frio. O velho profeta tiritava junto ao fogo. Exclamou, então: "ó, divino Senhor Ormuz, eis-me aqui, perto do fim. Nada me resta. Sacrifiquei tudo pelo meu povo. Obedeci a tua voz. Para tornar-se Zoroastro, Ardjasp renun­ ciou à divina Arduizur ... E Zoroastro jamais tornou a vê-la! Esvaiu-se no espaço infinito e o Senhor Ormuz a devolveu ao seu profeta. Tudo sacrifiquei para que minha raça tivesse ho­ mens livres e esposas nobres. Nenhuma delas, porém possui , o esplendor de Arduizur, a chama áurea que emanava de seus olhos ... Permite-me conhecer, pelo menos, o futuro que aguar- " a os meus ... d E, murmurando estas palavras, Zoroastro percebeu o estrondo de um trovão distante seguido da vibração de mil escudos de bronze. O ruído aumentava, à medida que se aproxi­ mava, e tornou-se por fim terrível. Tremiam todas as monta­ nhas e a voz do Deus irado pareceu querer derreter a cordi­ lheira do Albordj. Zoroastro não pôde nem ao menos gritar. "Ahura-Mazda, Ahura-Mazda!" E o profeta, cheio de terror, foi deixando-se cair ao chão, sob o fluxo da retumbante voz provinda das altu­ ras. E logo Zoroastro contemplou o máximo esplendor de Ormuz, como o vira nos primeiros dias de sua revelação, em­ bora ele agora não trouxesse consigo sua coroa de f erueres e de ameshapendas. Somente os três animais sagrados, o touro, o leão e a águia, sustentavam o trono ígneo fulgurando aos pés , de Ormuz. E Zoroastro ouviu a voz do seu Deus percorrer os espaços, ecoando em seu coração: -Por que -dizia - anseias em saber o que só pertence ao teu Deus? Nenhum profeta conhece por inteiro os pensa­ mentos do Verbo. Não duvides nunca de Ahura-Mazda, ó,

Zoroastro!, o melhor dos homens. Porque em minha balança está o destino de todos os seres e também o teu. Queres conhe­ cer o futuro da tua raça? Observa, então, o que farão os povos da Ásia com os três animais que sustentam o meu trono. E a fulgurante visão de Ormuz desapareceu e Zoroastro sentiu-se transportado em espírito até as épocas futuras. Voan­ do através do espaço, viu a seus pés o desfilar tumultuoso das montanhas e a fuga procelosa das planícies, como se fora o rápido desfolhar das páginas de um livro. E distinguiu o Irã até o Mar Cáspio, a Pérsia junto ao Touro e ao Cáucaso, a Mesopotâmia próxima ao Golfo Pérsico. Viu primeiro uma tropa de turânios arrebatar de novo . a f orta­ leza de Baktra e profanar o templo de Ormuz. Em seguida, às margens do Tigre, viu levantar-se a orgulhosa Nínive, com inúmeras torres, templos e palácios. Um gigantesco touro alado com cabeça humana, símbolo do seu poderio, descansava sobre o arco da cidade. E Zoroastro observou que o touro transfor­ mava-se em búfalo selvagem e assolava as planícies, pisoteava os povos vizinhos, dentre os quais os puros árias, que fugiam em massa na direção do Norte. Viu, depois, uma outra cidade, bem maior, nas cercanias do Eufrates, elevar-se com sua muralha dupla e suas pirâmides, a imensa Babilônia. No interior de um dos templos, dormia, enroscada, uma colossal serpente. A águia de Ormuz, rompen­ do os ares, tentou atacá-la. Porém, a serpente, erguida, recha­ çou-a com seu sopro de fogo e se foi, vertendo veneno sobre os povos ao redor. Por fim Zoroastro viu o leão avançar vitorioso , à frente de um exército de persas e medas. Porém, subitamen­ te, o rei do deserto transformou-se em um tigre feroz que devo­ rava as pessoas, despedaçando os sacerdotes dentro dos templos consagrados ao sol, às margens do Nilo. Zoroastro despertou do seu sonho, lançando um grito de horror: "Se tal é o futuro que ameaça os árias, a raça dos puros e dos fortes - clamou o profeta -, então eu lutei em vão. Se assim vai acontecer, desembainharei minha espada, que até agora permaneceu limpa do sangue inimigo, para temperá-Ia com o sangue turânio. Apesar de velho, avançarei sozinho até o Irã para exterminar até o último filho de Zohak. Para evitar a destruição do meu povo me converterei em prisioneiro de Arimã ... como a nobre Arduizur."

Então, a voz de Ormuz se elevou, como um suave murmú­ rio, como o sopro da brisa entre os galhos dos grandes cedros, e disse: "Detém-te, meu filho! Acalma teus ímpetos, grande Zoroastro. Não deve a tua mão jamais empunhar a espada. Tua missão está cumprida. Sobe ao alto da montanha de onde se vê surgir o sol por trás das cristas do monte Berezaiti. Tu viste o futuro com olhos de homem; agora o contemplarás com os olhos dos Deuses. . . Ali brilha a justiça de Ormuz e te espera o Anjo da Vitória ... " - É a morte! - murmurou a voz de Arimã, vinda do abismo profundo e tenebroso. -É a ressurreição! - clamou a voz de Ormuz, vinda do céu. E de pronto Zoroastro percebeu uma espécie de arcada luminosa que, partindo dos seus pés, se elevava até o firma­ mento, aguda como o fio de uma espada, luzente como um dia· mante ... Arrebatada do corpo, como se fora conduzida por uma águia, subiu a sua alma ... No ponto mais alto, uma mulher soberba, revestida de luz, permanecia de pé sobre a ponte Tinegade, brilhante de majes­ tade e de sobre-humana graça. Como que dos alvos astros, bro­ taram-lhe as asas. E ela estendeu ao profeta uma taça de ouro de onde transbordava uma bebida espumante. Parecia a Zoroas­ tro que a conhecera eternamente e por isso não pôde dizer-lhe o nome. Como era refulgente o seu maravilhoso sorriso! -Quem és tu, ó, prodígio!? - ó, Mestre! Não me reconheces? Sou Arduizur ... Tua criação. Sou mais que tu mesmo. Sou tua alma divina. . . Por­ que me salvaste, me chamaste à vida! Quando, cega de horror e de cólera assas·sinei meu raptor, o caudilho turânio, quando , fui depois apunhalada por seus irmãos, errou a minha alma durante muito tempo por entre as trevas. Era eu a sombra que te visitava. Perseguia-te, em meio ao meu desconsolo, aos re­ morsos, aos meus desejos. . . Porém, tuas preces, tuas súplicas e tuas lágrimas me elevaram pouco a pouco do reino de Arimã. Sobre o incenso do teu amor, sobre o relampejar dos teus pen­ samentos, elevei-me e aproximei-me do esplendor de Ormuz. Vamos por fim beber na taça da vida imortal, na fonte do luz! E a bela Arduizur, transfigurada em Anjo da Vitória, se lançou nos braços de Zoroastro, como a esposa se lança nos

braços do esposo, enquanto aproximava de seus lábios a espu­ mante taça da eterna juventude. · de o areceu ao radiosa onda f g? P profeta, então, que uma o envolvia se Ardu1- por inteiro. , diluiu- E, no mesmo instante zur para fundir-se com seu salvador. Agora Arduizur pulsa no coração de Zoroastro. Olha atra­ vés dos olhos dele e ele olha através dos olhos dela. E ambos contemplam a glória de Ormuz. Futuramente serão apenas um. Zoroastro sabe que Arduizur pode afastar-se sem separar-se dele, ou diluir-se em sua essência sem deixar de ser ela mesma. De súbito, dirigindo seu olhar à terra, o profeta viu os árias avançando em longas caravanas, em tribos ou grupos. Arduizur, à frente, os guiava em direção ao Ocidente ... Ardui­ zur, convertida em Alma da raça branca! * * * Quando os três discípulos foram ao encontro do seu Mes­ tre, não o encontraram. Na gruta, não havia senão o seu cajado silvestre e o copo de ouro com o qual derramava no fogo o licor fermentado . Buscaram em vão por toda parte. No alto da montanha tampouco havia qualquer vestígio do profeta. A águia, sua companheira, voava solitária sobre o abismo. Quando, com seu forte bater de asas, roçava a entrada da ca­ verna, parecia buscar o irmão de sua solidão, o único homem que ousara, como ela, contemplar o sol de frente.

Livro X BUDA I - A lndia A lndia é, por excelência o país dos mistérios e das ocul­ , tas tradições, por ser o mais antigo e o de mais densa história do mundo. Em nenhuma parte a humanidade viveu tanto em plena natureza. Ali, enormes montanhas surgiram por trás de montanhas; espécies se transformaram sobre espécies e raças humanas deslizaram umas sobre as outras como o limo dos rios. O Djampudvipa, a terra encrespada de montanhas (assim Valmiki, o Homero hindu, chama a sua pátria), viu evoluírem seres vivos, desde os sáurios e as monstruosas serpentes da Le­ múria até os mais belos exemplares da raça ária, os heróis do Ramayana, de tez clara e olhos de lótus. A lndia viu toda a escala dos tipos humanos, desde os descendentes das raças primitivas, de condição quase animal, até os sábios solitários dos Himalaias e ó perfeito Buda, Sakia­ Muni. E de tudo o quanto pululou durante épocas inumeráveis sob o. sol dos trópicos, sobre o seu solo fecundo, a índia con­ servou algo. Monumentos grandiosos, animais raros, tipos de humanidades desaparecidas, lembranças de épocas imemoriais que pairam ainda no ar embalsamado e nas antigas orações. Dos tempos antediluvianos, guarda ela o elefante, majes­ toso e sábio, a jibóia feroz e os exércitos de macacos brinca­ lhões. Do período védico subsiste o culto aos elementos e aos antepassados. Apesar da invasão muçulmana e da conquista inglesa, a civilização brâmane · reina como perpétua senhora com seus milhões de divindades, suas vacas sagradas e seus faquires, seus templos encravados no coração dos montes e seus pagodes monstruosos, pirâmides de deuses superpostos erguidas nos bos­ ques e nas planícies. AH ninguém se assombra ao encontrar os mais violentos contrastes. O mais grosseiro fetichismo vive em paz com a mais refinada filosofia. Ao lado do misticismo e do pessimismo transcendentes, as religiões primitivas celebram ainda seus agitados rituais.

Os forasteiros que assistiram a festa primaveril de Siva, em Benarés, comprovaram isso. Não sem assombro, viram todo um povo composto de brâmanes e marajás, príncipes e mendi­ gos, sábios e faquires, mancebos seminus e mulheres de mara­ vilhosa formosura, crianças de porte grave e velhos cambalean­ tes, sair como uma maré humana dos palácios e dos tef!}plos · que rodeiam a margem esquerda do Ganges percorrendo um caminho de duas léguas. Contemplaram esta multidão, osten­ tando sedas suntuosas e sórdidos farrapos, descer as escada­ rias gigantescas para lavar seus pecados nas águas pútridas do rio sagrado e saudar com exclamações entusiastas, acampa- .· nhada de uma chuva de flores, a Aurora índica a Aurora de , semblante de rosa e coração de âmbar que precede o f ulgu­ rante sol. E perceberam a profunda emoção do culto védico, ainda vivo no coração da lndia; e a grande comoção religiosa dos primeiros dias da humanidade ária. Outros viajantes, impelidos por uma espécie de piedade atávica e pela sede das origens, penetraram até o manancial do Ganges. E provaram uma sensação ainda mais intensa e mais rara, já que ouviram os hinos sacros dos peregrinos ao raiar a alvorada, o rumor das águas fluídas, das neves eternas e os primeiros clarões matinais no céu límpido por 1sobre as montanhas himalaicas. De onde vem, pois, a este povo e a esta terra, seu caráter maravilhoso. e único? A que se deve que aqui o passado vene­ rável e distante domine ainda o presente, enquanto que em nossas cidades do Ocidente. o atual absorve o passado em sua febre de renovação, como se desejasse pulverizá-lo sob o ódio cego de suas máquinas? A resposta se encontra na missão divina da lndia. Esta missão consiste em perpetuar através dos anos e de divulgar entre outras nações as mais antigas tradições humanas e a ciên­ cia divina subjacente na alma. Tudo contribui para isso, a con­ figuração geológica, as virtudes que irradiam da raça inicia- . dora, a. elevação e a amplitude de sua inspiração primeira e também a diversidade das raças que fizeram deste solo um desordenado e prodigioso formigueiro humano. O mar e a montanha, que moldam a face do planeta uni­ , ram-se para fazer da lndia o país da contemplação e do sonho, rodeando-a com suas massas líquidas e rochosas.

Ao Sul, o Oceano 1ndico envolve suas �ostas quase sem­ pre inatingíveis. Ao Norte, ergue-se, barreira intransponível, a mais alta cordilheira do globo, "o Himavat, teto do mundo e trono dos deuses", que a separa do resto da Ásia e que pa­ rece querer uni-la ao céu. .Também os Himalaias emprestam à 1ndia o seu caráter único entre os países tropicais. Todas as estações, toda a flora e a fauna se escalonam em seus flancos, desde a palmeira gi· gante ao al;>eto alpino, desde o rajado tigre de Bengala à lanosa cabra de Cachemira. De suas cúpulas de gelo vertem-se, até as planícieis tostadas, três grandes rios: o Hindu, o Ganges e o Bramaputra. Por fim, pelas fendas de Pamir desceu a raça eleita dos conquistadores guiados por seus deuses. Vertente humana, -- não menos fecunda, que, mesclando se com as raças indígenas, viria a criar a civilização índica. Parece que o poeta Valm:iki resumiu o milagre ário nv princípio do seu Ramayana quando descreve o Ganges lançan­ do-se do alto dos céus sobre os Himalaias, por invocação dos mais poderosos ascetas. No começo, os Imortais se mostraram em todo o seu esplendor e à sua vida o céu se iluminou com deslumbrante claridade. Logo o rio desceu e a atmosfera se encheu de espuma como um lago prateado por uma multidão de cisnes. Depois de· saltar de ca·scata em cascata, de vale em vale, ganhou o Ganges a planície. Os deuses o precediam sobre seus carros cintilantes; os delfins e as ninfas celestes, as Apsa­ ras, dançaram sobre suas ondas. Homens e animais seguiram seu curso majestoso. Ganhou por fim o mar, porém nem mesmo o Oceano conseguiu detê-lo. O rio santo submergiu até o fundo dos infernos e as almas se purificaram em suas ondas para ascenderem até os Imortais. Soberba imagem da sabedoria primordial que, descendo das alturas celestes, mergulha até as entranhas da terra para arrebatar-lhes os segredos.

li - A f ndia, no surgimento de Buda Durante milhares de anos, a civilização brâmane desen­ volveu seu esplendor, mantendo seu equilíbrio através de guer­ ras internas, de rivalidades dinásticas e das inovações dos cul­ tos populares. Provinha-lhes tal equilíbrio da sabedoria védica, cujo poderio ainda perdura. Não obstante, seis ou sete séculos antes da nossa era ini­ ciou-se o declive. Apesar da sólida unidade religiosa que domi­ nava a pluralidade de suas seitas, a fndia, dividida em incontá­ veis reinos, predisposta para as invasões estrangeiras das quais . Alexandre Magno daria três séculos mais tarde, a marca defi­ , nitiva, enfraquecia e decaía. Entregue às lutas internas e às in­ trigas de harém, afeminados seus reis pela poligamia, deslizava sua vida entre o luxo e a indolência, enquanto o povo se abas­ tardava pela expansão das raças inferiores. Diante dos templos de Siva, os faquires fanáticos, caricaturas dos verdadeiros asce­ tas, entregavam-se a odiosas mortificações sob o pretexto de alcançarem a santidade. As sagradas virgens, as devasis, que sempre figuraram nos templos de Brama e de Vishnu, opu­ nham-se agora as sacerdotizas de Kali. Com olhares mais arden­ tes do que tochas inflamadas, olhos onde brilhava a sede inex­ tingüível de volúpia e de morte, atraíam os fiéis fascinados aos seus templos tenebrosos. Os párias se entregavam também aos prazeres mais vis, a fim de esquecerem suas dores e o jugo da escravidão. Do fundo desta sociedade subiam lamentos mes­ clados aos gritos de alegria selvagem com os miasmas do vício e o alento de paixões destruidoras, ameaçando suas virtudes se­ culares e suas conquistas espirituais. Estas permaneciam, todavia, guardadas pelos brâmanes. Pois que, acima deste mundo, persistia com eles a tradição, a imemorial sabedoria, que se reduzia cada vez mais. Perdera sua espontaneidade primitiva, a ampla visão aberta tanto sobre o Cosmos como sobre o mundo exterior. Limitada a fórmulas a:bstratas, ossificava-se no ritualismo e no pedantismo escolás­ tico, não lhe restando do seu passado mais que a prodigiosa ciência. E até mesmo esta principiava a declinar.

Venturosos os povos que, na embriaguez do ato, bebem da água do Letes e esquecem sua odisséia através do mundo! Acre­ ditam-se nascidos ontem, posto que renascem em um dia, de um sorvo de vida e de esperança. Os brâmanes curvavam-se ao domínio do passado humano. Séculos, milênios, kalpas ou períodos do mundo pesavam sobre suas costas como as massas gigantescas do Gaorisankar e tor­ navam frouxos os seus velhos cedros braços, como galhos de inclinados ao. peso da neve. Assim como os árias da índia perderam pouco a pouco o espírito de conquista e de aventura, perdiam os brâmanes a fé no futuro humano. Fechados no círculo himalaico, separados dos outros povos, deixaram pulular sob eles as massas corrom­ pidas e se afundaram em suas investigações teóricas. Nos Upanichades há elevados pensamentos de admiráveis profundidades, mas percebe-se neles o desalento, o desdém,. a · indiferença. À força de buscarem a união com Atma, o Espí­ rito puro, os brâmanes esqueceram, em sua egoísta contempla­ ção, o mundo e os homens. Naquele momento, ·surgiu entre os brâmanes o primeiro homem que ousou combatê-los resolutamente. Mas, circunstân­ cia curiosa!, combatendo-os, ele deveria, por fim, impelir seu secreto pensamento e fixar seu ideal ético na forma inolvidável da renúncia perfeita. Sua doutrina se nos aparece como a exa­ cerbação e o negativo reverso do bramanismo. f: a derradeira centelha do gênio hindu no oceano do infinito, centelha de umil valentia e de uma temeridade louca que finaliza por arruinar­ se. Porém desta ruína veremos ressurgir duas grandes idéias, como aves migradoras sobreviventes de um desastre. Idéias fe­ cundas, idéias-mães que levaram a quintessência da antiga sabe­ doria ao Ocidente, que a transformaram conforme sua missão e seu gênio.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.