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Capítulo 12 de 14

Os Grandes Iniciados — parte 12 de 14

Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 3

amor a claridade da fé. Seu contato com Cristo repercutirá em todas as suas existências futuras. Comprova-o a cura do paralítico. Trinta anos esteve ele esperando junto ao lago de Betesta sem conseguir curar-se. Disse-lhe Cristo simplesmente: "Levanta-te e anda!" E levan­ tou-se. Depois disse Cristo ao enfermo curado: "Vai e não peques mais." "Amor transformado em ação, eis aqui o dom de Cristo. Reconheceu-O Lucas como médico do corpo e da alma porque , também exerceu ele a medicina praticando a arte de curar por intermédio do Espírito. Por isso pôde compreender a terapêu· tica de Jesus. Através de Lucas aparecem os elevados ensina­ mentos do Budismo como que rejuvenescido por um manancial 1° de Juventude." ( ) Terceiro Grau da Iniciação: Iluminação A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO Admite-se geralmente, em nossos dias, a opinião de que Jesus trouxe unicamente o Reino de Deus para os simples, ofe­ recendo a todos um ensinamento único, acabando assim com todo o Mistério. Nossa época, que acreditou ingenuamente encontrar uma nova religião na democracia, tentou limitar o maior dos filhos de Deus a esse ideal mesquinho e grotesco, consistente no des­ moronamento dos eleitos, dos que sobrepujam a generalidade. O mais ilustre dos seus biógrafos não se acreditou no dever de dar a Jesus, não muito longe dos nossos dias, o mais absurdo dos epítetos, chamando-o "amável democrata"? Certamente teve Jesus por intento facilitar a verdadeira senda a todas as almas de boa vontade, porém sabia também que era necessário dosar a verdade segundo o grau das inteli­ gências. O bom senso por si s6 exclui a crença de que um espírito de tal profundidade desconhecesse a lei da hierarquia que rege o universo, a natureza e os homens. Os quatro Evan­ gelhos refutam a opinião de que a doutrina de Cristo carece de graus e de mistérios. (10 ) R odolfo Steiner, op. clt. 99· Perguntando os apóstolos a Jesus por que fala ao povo por meio de parábolas, responde ele: "Porque a vós é dado conhe­ cer os Mistérios do Reino dos Céus. Mas não a eles. Porque ao que já tudo careça, possua, mais será dado. Porém o que de será despojado do que lhe foi dado" (Mateus XIII, 10 e 11). ada por Significa isto seja, cristaliz que a verdade consciente, ou em centro meio do pensamen e converte-se to, não se destrói, que a verdade de atração enquanto para as novas verdades, sob a multiplici­ lutu nte e e desperdiça f a instintiva se esteriliza reservada dade sua doutrina secreta, de impressões. Cristo teve dos Céus". aos "Mistério do Reino apóstolos, à qual chamava · Há mais ainda, porém. Contempla de perto a hierarquia, acentua-se e escalona-se conforme os quatro graus da Iniciação clássica. Em primeiro lugar o povo, ao qual outorga o ensina­ mento moral sob a forma de analogias e parábolas. Seguem-se os setenta, que eceberam a interpretação daquelas. parábolas. r Depois, os doze apóstolos iniciados nos "Mistérios do Reino dos Céus". E, por fim, entre eles, os três eleitos - Pedro, Tia­ go e João -, iniciados nos mais profundos Mistérios do mesmo Cristo, os únicos que presenciaram a Transfiguração. E ainda é necessário acrescentar a tudo isso que, entre estes últimos, João era o único epopta verdadeiro, segundo os mistérios eleu­ sinos e pitagóricos, ou seja, um vidente com a compreensão do que vê. E, com efeito, o Evangelho de João revela, do princípio ao fim, a índole da mais elevada Iniciação. A Palavra criadora, "a Palavra que significou Deus no princípio e que é o próprio Deus" vibra ali, desde os primeiros versículos, como a harmo­ nia das esferas, eterna modeladora dos mundos. Porém, ao lado dessa metafísica de Pai, Filho e Espírito Santo que é uma espécie de leit motiv de todo o Evangelho, no , qual verificou-se precisamente a influência alexandrina no que concerne à forma a envolver as idéias, encontramos no Evan­ gelho de João uma familiaridade e um realismo emocionantes) incisivos e sugestivos detalhes que manifestam uma especial inti­ midade entre Mestre e discípulos. Percebe-se tal característica em todo o relato da Paixão e mais particularmente em todas · · as cenas de Betânia, das quais a mais importante é a ressurreição de Lázaro. Lázaro, que João designa simplesmente como irmão de Marta e de Maria de Betânia, é o mais singular e enigmático

de todos os personagens evangélicos. Apenas João o menciona; os sinópticos o desconhecem. Aparece somente na cena da res­ surreição. Operado o milagre, desaparece como que por encan­ to. E, no entanto, integra o grupo mais chegado a Jesus, entre aqueles que 'o acompanham até a tumba. Tal fato sugere uma dupla e involuntária pergunta: quem é essa vaga individualidade de Lázaro que atravessa como um fantasma entre os demais personagens tão definida e vivamente delineados no relato evangélico? Qual o significado, por outro lado, de sua ressurreição? Segundo a conhecida tradição, Cristo não teve outra idéia, ao ressuscitar Lázaro, que demonstrar aos judeus que Ele era o Messias. Não obstante, tal feito reduziria Cristo ao nível de um taumaturgo vulgar. A crítica moderna, sempre disposta a negar rotundamente tudo o quanto a incomoda, lança a questão declarando que aquele milagre foi, como todos os demais, fruto da imaginação popular, o que equivale a dizer, segundo outros, que toda a história de Jesus não passa de uma lenda fabricada a desoras e que Cristo jamais existiu. Acrescente-se a isso que a idéia da ressurreição é o miolo do pensamento cristão e o fundamento do seu impulso. f: ne­ cessário justificar esta idéia segundo às leis universais, tratando "' de compreendê-la e interpretá-la. Suprimi-la pura e simples mente significaria despojar o cristianismo do seu brilho e de sua força. Sem alma imortal, faltar-lhe-ia o ponto de apoio. A tradição rosacruz nos proporciona, com respeito a este perturbador enigma, uma solução tão ousàdà quanto lumino­

sa. ( ) Porque simplesmente faz sair Lázaro de sua penumbra i revelando ao mesmo tempo o caráter esotérico, a verdade trans­ cendente de sua ressurreição. Para aqueles que rasgaram o véu das aparências, Lázaro é apenas João, o apóstolo. Se não o confessou, deve-se o fato a uma espécie de delicado pudor e à admirável modéstia que caracterizava os discípulos de Jesus. O desejo de não sobrepu­ jar seus próprios irmãos privou-o de revelar, através do seu próprio nome, o maior acontecimento de sua vida, aquele que o converteu em um Iniciado de primeira ordem. Isto justifica é1 (11) O Mistério Cristão e os antigos Mistérios, Veja-se de Ro­ Rodolfo Steiner.

de Lázaro com à qual se esconde, naquelas circunstân· máscara das, o apóstolo João. Diante disso, a sua ressurreição toma um caráter novo e se nos revela como a fase capital da antiga Iniciação corref>- pondente ao terceiro grau. · : · · . No Egito, depois de ver-se o Ipiciado subm�tido a prolon­ gadas provas, o hierofante mergulhava-o em letárgico sono, per­ manecen<lo ele durante três dias. deitado em um sarcófago, no interior do templo. Durante este período, o rígido corpo físico denotava toda!:! Rs nparências da morte, enquanto o corpo astral, liberado por completo, ex'pandia-se livremente no Cosmos. Desprendia-se do mesmo modo o corpo etéreo, sede ela memória e àa vida assim como do astral, ainda que sem abandoná-lo compktamcnte, pois isso implicaria na morte imediata. Ao despertar do estado cataléptico provocado pe:o hiero­ fante, o indivíduo que saía do sarcófago já não era o mesmo. Sua �lma viajara pelo outro mundo, em um elo da mágica ca­ deia_, "associando-se, segundo uma antiga inscrição, ao exército dos grandes Deuses". . Cristo, cuja missão consistiu em divulgar os Mistérios aos olhos do mundo, engrandecendo seus umbrais, quis que seu discípulo favorito transcendesse a suprema crise que leva ao direto conhecimento da Verdade. Tudo no texto evangélico conspira para predispô-lo ao acontecimento. Maria envia de Betânia um mensageiro a Jesus, que prega na Galiléia, e que lhe transmite: "Senhor, encontra-se enformo Aquele a quem tu amas." (Não designa a frase, claramente, o apóstolo João, o discípulo amadq qe Jesus,?) · aguard� · de atender ao chamado, Jesus ·Porém, em lugar dois dias, dizendo a seus discípulos: "Não leva essa enfermi­ dade à morte, mas à divina glória, para que o Filho de Deus ... Nosso amigo dorme, mas eu o despertarei.'' seja glorificado · Assim, sabia Jesus com antecipação o que ia fazer. E chega no momento exato para realizar o fenômeno previsto e· prepa­ rado. Quando em presença das irmãs desconsoladas e dos ju­ deus que vieram para diante da tumba aberta na rocha, retira­ se a pedra que ocultava o adormecido em letárgico sono, que acreditavam morto, exclama o Mestre: "Levanta-te, Lázaro!" E aquele que se ergue diante da multidão assombrada não é e, lendário Lázaro, pálido fantasmn que ostenta ainda a som-

bra do sepulcro, m�s um homem transfigµrado, de rosto radio­ so. :8 o apóstolo João. . . e os fulgores de Patmos ainda bri­ lham en1 seus olhos, porqu� contemplou a divina chama. Du­ .rante o sono, viveu no Eterno. E o pretenso �ttdário. tornou-se o manto de linho do Iniciado. Agora compreende o significado das palavras do Mestre: "Eu sou a ressurreição e a vida." O Verbo criador: "Levanta-te, Lázaro!" vibrou até à me­ dula de seus ossos e converteu-o em um ressuscitado do corpo e da alma. João compreende agora porque é o discípulo mais amado; porque só ele o compreende na verdade. Pedro continuará sendo o homem do povo, o crente impe­ tuoso e cândido que desmaiou nos últimos instantes. João será _o Iniciado e o vidente que acompanhará o Mestre aos pés da cruz, na escuridão da tumba e no esplendor do Pai. Quarto Grau Iniciático - Visão Suprema A TRANSFIGURAÇÃO Epifania ou Visão suprema significa, na Iniciação pitagó­ rica, a visão conjuntiva à qual deve seguir a espiritual contem­ plação. Na íntima compreensão e assimilação profunda das coisas em espírito contempladas, a vidência conduz a uma concepção sintética elo Cosmos. f: a coroação iniciática. A tal fase corres­ pondente, na educação dada por Cri-sto aos apóstolos, o fenô­ meno da Transfiguração. Recordemos as circunstâncias em que tem lugar tal acontecimento. aurora do idílio galileu. Tudo a primaveril ac, Empalidecia Seus mortais s, sombrio. inimigo ­ tornava-se fari de Cristo redor a sua volta a Jerusalém esperavam para e saduceus, seus à Ju�tiça. e entregá-lo prendê-lo as defecções produziam da Galiléia -se cidades · Nas fiéis da grande Sinagoga acus&ndo Jesus calúnias sob as em 1nassa e sacrilégio. de blasfêmia para a última viage preparando-se m, demora, Cristo, Sem um elevado pr ontó i de do alto de tristemente despedia-se ! � �1;1 lago bem-amado. Iv1ald1çao a e do seu queridas suas cidades l3etsaida!" Sombras de ira e a ti, a ti, Corazim; ti, Cafarnaum-; de Arcanjo Solar. mais sua auréola cada vez obscureciam

A notícia da morte de João Batista, decapitado por Hero­ des Antipas, fez Jesus compreender que sua hora se aproxi­ mava. Sabia do seu destino e não recuaria diante dele. Mas uma dúvida o perturbava. "Terão os meus discípulos compreen­ dido o meu Verbo e sua missão no mundo?" A maioria deles, impregnados do pensamento judeu, imaginavam o Messias como um dominador de povos por meio das armas. Não achavam-se, portanto, preparados o suficiente para compreender a tarefa que assumia o Cristo na história. Assim, Jesus quis preparar seus três eleitos. O relato de Mateus é, no que se refere a isso , especialmente significativo e de singular relevo. Seis dias depois, Jesus chamou Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os ao alto de uma montanha. E diante dele transfigurou-se. Resplandecia o seu rosto como o sol e brilhavam com luz. igual as suas vestes, enquanto apareciam Moisés e Elias, os quais permaneceram algum tempo em sua presença. Então Pe­ dro, tomando a palavra, disse a Jesus: "Senhor, será bom ficar aqui. Faremos, se quiseres, três tendas: uma para ti, outra para Moisés, e uma .última para Elias." Enquanto continuava falan­ do, uma · nuvem resplandecente os envolveu.· E subitamente uma voz saiu daquela nuvem, dizendo: "Eis ·aqui o meu Filho bem-amado em quem eu pus todo o meu afeto. Escutai-o!" Ao ouvir estas palavras, caíram os discípulos de bruços no chão, presos de grande pavor. Mas Jesus aproximou-se deles até tocá-los e disse: "Levan­ tai-vos. Afastai o medo de uma vez!" Então, er_gueram os olhos e viram apenas Jesus (Mateus, XVII, 1-8). Em seu quadro so­ bre a Transfiguração, Rafael interpretou maravilhosamente, com seu gênio angélico e platônico, o transcendente sentido daquela visão. Os três mundos, físico ou terreno, anímico ou d astral e ivino ou espiritual (que domina e compenetra os de-· mais com sua radição), classificados em três grupos, constituem as três subdivisões do quadro. Na parte inferior, na base da montanha, percebe-se os apóstolos não iniciados e a multidão que fala e discute entre si sobre os acontecimentos de um milagre. Esses não vêem Cristo. Entre a turba, apenas o possesso curado percebe a visão e lança um grito. Quanto aos demais, estes não tinham abertos ainda os olhos da alma.

No alto. da montanha; Pedro, Tiago e 'João dormem pro­ fundamente. Não possuem ainda a capacidade para a vidência espiritual quando em estado de vigília. Cristo, que aparece levi­ tando sobre a terra entre fulgurantes nuvens e ladeado por Moisés e Elias, representa a aparição dos três eleitos. Contem­ plando e compreendendo esta visão, os três apóstolos iniciados têm ante si, nas três analogias, resumida toda a evolução di­ vina. Porque Moisés, o profeta do Sinai, o formidável conden­ sador do Génesis, representa a história da terra desde a origem do mundo. Simboliza todo o passado. Elias encarna Israel e todos os seus profetas, anunciadores do Messias, simbolizando o presente. Cristo é a encarnação radiosa e transparente do Verbo So­ lar, o Verbo criador que sustém nosso mundo desde as suas origens e que fala agora por meio de um homem, e simboliza 12) o futuro. ( A voz que ouvem os apóstolos é a universal palavra do Pai, do Espírito puro de onde emanam os Verbos, semelhante à música das esferas que percorre o mundo regulando seus rff­ nios, percebida apenas pelos clarividentes. Naquela hora única e solene, traduz-se em linguagem humana para os apóstolos. Assim, a visão do Tabor sintetiza em uma tela, com mag­ na simplicidade toda a evolução humana e divina. A Transf i­ , guração foi o começo' de uma nova modalidade do êxtase e da visão espiritual profunda. (12) No livro de Jesus tratou-se de definir o estado intimo da alma de Cristo no instante da Transfiguração.

V - Renovacão dos mistérios Paixão, morte e ressurreição de Cristo Risonhos e ensolarados foram os três anos do ministério de Jesus. A vida errante às margens <lo lago e através dos campos comparte-se com os mais importantes ensinamentos. A terapêu­ tica do corpo e da alma alterna-se com os exercícios da supe­ rior vidência. Às vezes, dir-se-ia que ascende vertiginosamente o Mestre para elevar os seus seguidores à sua própria espiritual altura. A medida que se eleva, a imensa maioria o abandona no caminho. Somente três o acompanham até o alto, onde tom­ bam prostrados como que sob os raios da revelação. Tal é a radiosa manifestaç&p, de formosura e força cres­ centes, de Cristo através do Mesfre Jesus. Logo, bruscamente, precipita-se o Deus desse glorioso píncaro até o abismo da igno­ mínia. Voluntariamente, ante os olhos dos mesmos discípulos, deixa-se prender pelos inimigos, entregandO··Se sem resistência aos piores ultrajes, ao suplício e à morte. Por que tão absoluta queda? Platão, este prodigioso e modesto iniciado que estabelece um laço de transição entre o gênio helênico e o cristianismo, disse certa vez que "crucifica-se a alma do mundo sobre a tra­ ma do universo em· todas as criaturas e espera a sua liberação". Raro conceito onde o autor do Titneo parece pressentir a mis­ são de Cristo em seu aspecto mais íntimo e transcendente. Por­ que essa frase contém ao mesmo tempo o enigma da evolução planetária e sua solução pelo Mistério da cruz. Depois do forte encadeamento da alma humana nos grilhões da matéria, falta apenas o sacrifício de um Deus para liberá-la e mostrar-lhe 0 caminho do Espírito. Dito de outra forma: para cumprir sua missão depois de haver iniciado os seus discípulos, devia Cristo atravessar uma iniciação pessoal. Devia o Deus descer até o mais profundo da dor e da morte para identificar-se com o coração e o sangue da humanidade, imprimindo à terra renovado impulso. O poderio espiritual acha-se em razão direta com os dons da alma. Eis porque dando-se à humanidade, penetrando em

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