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Capítulo 1 de 14
Os Grandes Iniciados — parte 1 de 14
Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 3
Iniciação à História Secreta das Reli- · giões Volume 3 Cristo brilha de longe, através de · · lndra, fulgura p�ra Zoroastro na auréo la de Ormuz, . clareia para Hermes no sol de Osíris, f�la a Moisés na sarça ardente e sulca como um branco me teoro nos rubros relâmpagos do Sinai, para encarnar-se, por fim, no mestre . Jesus, doçura humana e esplendor divi- · no. Ele se fez carne para oferecer-se a toda a humanidade como um sol de amor e de ressurreição. Com estas palavras �douard Schu ré sintetiza a caminhada percorrida nes ta obra máxima dos estudos esotéricos, com a visão de um iluminado que soube entender e interpretar a mensagem dos Grandes Iniciados, numa linguagem poé tica e de encantamento. Inicia este último volume com Zo roastro ou Zar�tustra, libertador dos povos árias, fundador da religião nacio nal persa, nascido, segundo p�quisas ·mais recentes, cerca de 2500 a.C., e que Schuré, concordando com o historiador giões modernas, e fundamentou as cren ças do antigo povo iraniano. Passa aos Mistérios da fndia, tra zendo o esplendor do príncipe Sidarta Gautama, também conhecido como Sa- .. guia-Muni, o Sábio dos Sakias, depois chamado Buda, que significa O Ilumi nado. Nascido de família nobre, da clas se dominante do norte da fndia, nos contrafortes do Himalaia, abandona es posa e filhos para internar-se na flo resta, em peregrinações e penitência para alcançar a percepção do signifi cado da vida, e ilumina-se debaixo da árvore Bo, ou Árvore da Sabedoria. O último livro, que conclui esta obra, é dedicado ao mais iluminado dos portadores do Verbo Solar, Jesus Cristo, já analisado por Schuré no livro VIII (volume 2). Revela-nos aqui os anos in termediários da vida de Jesus, dos 13 aos 33 anos, quando esteve entre os ma gos essênios, preparando-se · para sua missão. Na tradição esotérica Cristo é , uma entidade sobrehumana, um Deus no sentido mais amplo da palavra, a mais alta manifestação espiritual conhe cida pela humanidade. Descreve os graus de iniciação por que passou Jesus Cris to, segundo os rituais da iniciação egíp- . eia, quando realizada sua viagem cósmi ca enquanto permanecia no sepulcro, antes da ressurreição espiritual perante" os olhos dos seus apóstolos, que deve riam divulgar seu pensamento pelo mun do. Os EDITORES OS GRANDES INICIADOS ÉDOUARD SCHURÉ OS GRANDES INICIADOS - Esboço da História Secreta das Religiões - ZOROASTRO - BUDA - JESUS E OS ESSÊNIOS Volume 3 LIVRARIA EDITORA CÁTEDRA Rio de Janeiro
Tradução de LUIZ CARLOS MACHADO Capa: Luiz FALCÃO Direitos para a língua portuguesa reservados à LIVRARIA EDITORA CÁTEDRA LTDA. Rua Senador Dantas, 20 - salas 806/7 Tel.: 240-1980 - Rio de Janeiro, RJ - Brasil
lmpreso no Brasil Printed in Brazil SUMÁRIO . . . . . . . . . . XI Livro IX - ZOROASTRO . . . . . . . . . . . . . . 1 . . . . . . . . . . I - As etapas do Verbo Solar . . . . 4 II - Pérsia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 . . . . . . . . III - Juventude de Zoroastro . . . . . IV - A voz na montanha . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 . V - O grande combate . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 . . . VI - O anjo da vitória . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 Livro X - BUDA 29 I - A fndia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 II - A f ndia, no surgimento de Buda . . . . . . . . 34 III - Juventude de Buda . . . .. . . . .. . . . . . .. . 36 . IV - Isolamento e I1uminação . . . . . . . . . . . . . . 40 V - A tentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 VI - A doutrina e a comunidade budista . . . . 51 VII - A morte de Buda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 . . VIII - Conclusões . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 Livro XI - JESUS E OS ESSÊNIOS - A SECRETA DOUTRINAÇÃO DE JESUS . . . . . . . . . . . 65 I - O Cristo cósmico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 7 II - O Me-stre Jesus, suas origens e seu desenvolvimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 4 III - Permanência de Jesus com os Essênios - O batismo no Jordão e a encarnação de . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Cristo . . . . . . .
IV - Renovação dos Mistérios antigos pela vinda de Cristo - Da tentação à Transfiguração
V - Renovação dos Mistérios - Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . GLOSSÁRIO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
BIBLIOGRAFIA DE ltDOUARD SOHURJ;: -HISTOIRE DU LIED ou CHANSON POPULAIRE EN ALLEMAGNE, 1.ª edição, 1868. Nova edição, precedidra de um estudo sobre o despertar da poesia popular na França, 1903 ·(Liv. iPerrin). -L' .ALSASE ET LES PRÉTENTIONS PRUSSIENNES, 1871 (Liv. Richard, Genebra). -LE DRAME MusrcAL: I. Richard Wagner, son reuvre et son idée. 1.ª edição, 1875 (Liv. Ftschbacher), 2.ª edição recomposta, 1885 (Liv. Perrin), 3.ª edição, 1895 (Liv. !Perrin), 6.ª edição, aumentada com os Souvenirs sur Richard Wagner (Liv. (Perrin), 1910 - II Histoire du Drame Musical, 1.ª edição, 1876 ('Liv. Fischbacher), 2.ª edição (1Liv. Perrin), 1885. -LES CHANTS DE LA MONTAGNE, poesias, 1877 (Liv. Fischbacher). -MELIDONA, romance, 1880 ·(Liv. Calmann-Lévy). -LA LÉGENDE DE L'ALSACE, poemas, 1884 (Liv. Charpentier). -LEs GRANDs INITIÉS, esquiisse de l'Histoire secrete des Religions, 1.ª edição, 1889 (Liv. Perrin). -LES GRANDES LÉGENDES DE FRANCE, 1.ª edição, 1891 (Liv. Perrin). -LA VIE MYSTIQUE, poemas, 1894 (Liv. Perrin). -L' ANGE ET LA SPHINGE, il'Omance, 1897 •(Liv. !Perrin). -SANCTUAIRES n'ORIENT: Egypte, Grêce, IPalestine, 1.ª edição, 1898 (Liv. (Perrin). -LE DouBLE, romance, 1899 (Liv. Perrin). ' -LE THÉATRE DE L'AME: 1.ª série: Les Enfants de Lucifer (drame antique) em cinco atos; La Sceur Gardienne (drame moderno), em quatro atos, 190ff (Liv. Perrin) . - 2.ª série: La Roussalka (repre sentada, por Lugné Poe, no teatro de l'<Euvre, em março de 1902) (Liv. Perrin). - L' Ange et la Sphinge (légende dramatique) (Liv. Perri:n) . -PRÉCURSÉURS _ET RÉVOLTÉS, v.ª edição, 1904 (Liv. (Perrin). -LE THÉATRE DÉ L'AME, 3.ª série: Léonard de Vinci, precedidto do Rêve Eleusinien a Taormina, drama em cinco atos, 1905 (Liv. Perrin).
-LA PRÊTRESSE D'ISIS, légende de Pompéi, 1. edição, 1907 (Liv. Perrin). FEMMES INSPIRATRICES ET POÊTES ANNONCIATEURS, 1909 (Liv. Perrin). - -L' AME DES TEMPS NOUVEAUX, poemas, 1909 (Liv. Perrin). - L'EVOLUTION DIVINE: Du SPHINX AU cx,usT, 1912 (Liv. Perrin) · -Ensaio biográfico sobre Margarida Albana, in LE CORREGE, SA VIE Er soN OEUVRE, de Marguerite Albana (1881). -LE DRumEssE, precedido de um estudo sobre o Despertar dá alma céltica (1914) (Liv. Perrin). -L' ALSACE FRANÇAISE, Rêves et Combats, 1916 (Liv. I'errin). -LES PROPHETES DE LA RENAISSANCE, Dante, Léonard de Vinci, Raphael, Michel-Ange, le Correge, 1919 Liv. Perrin). -L' AME CELTIQUE ET LE GÉNIE DE LA FRANCE A TRAVERS LES AGES, 1921 (Liv. :Perrin) . - LEGENDES D'ORIENT ET n'OCCIDENT, 1922 ( Liv. Nilson). -LE RÊVE n'uNE vm, 1928 (Liv. Perrin). [Interessante autobiogra- ._fia]. -LES GRANDS lNITIÉS foram trac:i:izidos em italiano por Arnaldo Cervesato (Bari, f906); em inglês por Rothwell (Wellby, Londres). em alemão pela Sta. Maria de Sivers, com um prefácio do Dr. Rudolf Steiner (Altmann, Leipzig, 1907), em russo pela senhora Ana Kaminski; em holandês por Philophotos (Amsterdão, 1911) ; em português por Domingos Guimarães, 1.ª edição, 1903, Pôrto (Biblioteca de Educação Intelectual) ; 3.ª edição, 1936; uma edição revista por Rodrigues de Meréje. Cultura Moderna, S. Paulo, s/d., em três volumes. Parte dos capítulos que compõem algumas c:.a suas obras apareceram em várias revistas, sobretudo na Revue des Deux-Mondes, na L' Art et la Vie, na Revue Bleue. É Dos LES GRANDES !NITI S A Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro possui 2 exemplares da 1.ª edição francesa (1889), 1 exemplar da 6.ª edição francesa (1902) , 1 dito de uma edição francesa de 1907. A Biblioteca Cen tral de Educação (B. C. E. > • A Biblioteca C::.o Gabinete Portu guês de Leitura possui um exemplar (em 2 volumes) da 3.ª edição da tradução portuguesa de Domingos Guimarães. Aliás essa (sic) 3.ª edição (1936) é uma reprodução pura e simples da 1.ª (1903), tendo sido conservada até a ortografia. Livro IX ZOROASTRO 1 - As etapas do Verbo Solar A religião e a civilização brâmanes representam a primeira etapa da humanidade pós-atlântica e se resumem em uma pala vra: a conquista do mundo divino pelo conhecimento primor dial. As grandes civilizações que se seguiram - Pérsia, Caldéia, Egito, Grécia e Roma, o judeu-cristianismo, o mundo celto germânico, enfim, em plena evolução ainda e do qual fazemos parte - representam as diversas fases de avanço da raça bran ca. Em todas estas raças, religiões, civilizações e povos diver sos, se infiltra o elemento ária predominante e todas se unifi cam em um laço magnético, em uma idéia que instintivamente as anima e guia. Esta idéia é a conquista da terra pela adaptação do Divino revelado na vida. Tal adaptação não é possível sem a progres siva debilitação do instrumento através do qual se chega a des cobrir a divina morada, ou seja, a comunhão espontânea com as potestades cósmicas que chamamos deuses e a visão nos mundos astral e espiritual, que é o mundo interior do homem e do universo. Tais faculdades criadoras e reveladoras já se encontravam enfraquecidas na f ndia, na época em que a filosofia especula tiva substituiu a intuição primordial. Haveriam de obscurecer se e esfumar-se mais ainda entre as raças árias e semitas da Ásia Central e da Europa, à medida que se desenvolveram nas faculdades intrínsecas da raça ária, indispensáveis para a obten ção e o domínio do mundo exterior, a saber: rigorosa obser vação, critério e análise, de onde surgem o ·sentimento de liber dade e de independência individual. Sem embargo, as faculdades transcedentais da alma não se extinguem na humanidade. Perduram em uma seleção que as desenvolve e disciplina em segredo, sob o véu do mistério, pro tegid profanações e corrupções do exterior as das . Daí . a razão das iniciações. Entre este agrupamento auto-seletivo, pelas provas exigi das, perdura a inspiração divina, embora de maneira diferente.
de e ir desaparecendo Em vez dispers . ar-se por todo o universo condensar-se e no Infinito como tende a , entre os indianos, de Verbo So �oncen chamamos trar-se em um único ponto que lar. O Verbo Solar é o Logos, a divina Palavra que anima nosso mundo planetário. Ao glorificar o sol, os primitivos richis. e os poetas védicos não adoravam exclusivamente o sol físico, mas pressentiam por trás dele o Espírito. animador do astro-rei. Nosso sistema solar e a terra seu crisol mais denso, onde , o Espírito e a Matéria alcançam sua tensão máxima gerando a mais ardente vida, foram criados pela hierarquia das potesta des cósmicas sob a inspiração de Deus, infinito e insondável. O Gênesis expressa isso admiravelmente com a palavra Eloim,
que significa Deus dos Deuses. ( ) Sem dúvida, desde a origem, desde o período saturniano da vida planetária, o pensamento divino, o Logos que preside especialmente nosso sistema solar, tende a condensar-se e a manifestar-se por meio de um organismo soberano que será, de certo modo, seu verbo e sua pira candente. Este Deus, este Espírito, é o rei dos Gênios solares, superior aos Arcanjos, às Dominações, aos Tronos e aos Serafins, ao mesmo tempo inspi rador e flor sublime de sua criação comum, abrigados por eles e com eles crescendo para superá-los, destinado a converter-se na Palavra humana do Criador, como a luz dos astros em sua universal palavra. Assim é o Verbo Solar, o Cristo cósmico, centro e eixo da evolução terrestre. Este Gênio sublime, este Verbo Solar, que não devemos confundir com o sol físico (porque é a quintessência espiritual deste astro), não pode revelar-se subitamente e de uma única vez à débil humanidade. Apenas pode aproximar-se dos ho mens por etapas sucessivas. E quando tal ocorre, é necessário reter os reflexos e os raios espargidos, a fim de tornar suportá vel a claridade ofuscante. As raças primitivas, as antigas religiões, começaram a pres senti-lo através de diversos deuses, como brilha o sol por trás das nuvens ou a figura humana se deixa adivinhar por trá-s de véus cada vez mais tênues. Cristo brilha de longe, através (1) Veja-se a Biblie hébraique restituée, por Fabre d'Olivet, Science secrete, de Rodolfo Steiner, · e L'évolution planetaire et Z'ori gine de l'homme, do Autor.
de Indra, fulgura para Zoroastro na auréola de Ormuz, clareia para Hermes no sol de Osíris, fala a Moisés na sarça ardente, e sulca como um branco meteoro nos rubros relâmpagos do Sinai, para encarnar-se, por fim, no mestre Jesus, doçura huma na e esplendor divino. Ele se fez carne para oferecer-se a toda a humanidade como um sol de amor e de ressurreição. Assim, paulatinamente, o reflexo se converte em raio, o raio em estrela e a estrela em_ sol fulgurante. A estrela dos reis magos que, da Ásia Central, transporta seus raios ao Egito para pousar sobre o berço de Belém, ilumina três lugares mara vilhosos na sombria algazarra dos povos precipitados uns sobre os outros durante cinco mil anos, entre o Mar Cáspio, o Golfo Pérsico e o Mediterrâneo. Estes três pontos assinalam a revelação de Zoroastro no primitivo Irã: o encontro dos magos da Babilônia com a impo nente figura do profeta Daniel, a visão sublime e terrorífica do sol de Osíris nas criptas do Egito, anunciando o fim das monarquias absolutas do Oriente, e a extensão dos Mistérios antigos predizendo o advento do Cristo. Estes três acontecimentos caracterizam três etapas do Ver bo Solar e, simultaneamente, três passos gigantescos para a conquista do mundo. Porque permitem entrever, por um lado, a descida gradual do Cristo Cósmico sobre a humanidade, e, por outro, a obra de três potentes civilizações: a persa, a cal déia e a egípcia, em que continua o impulso ária rumo ao Oci dente.
II - Pérsia Passemos da 1ndia à Ásia Central e contemplemos o país do ponto de vista de um pássaro a voar. Ao longe, estendem-se a nossos pés o Pamir e o Indo Krusch, "Sobrecéu do mundo" e nó górdio do continente. Pi cos brancos e planícies cinzentas. Ao norte e ao leste daquela amálgama montanhosa, o Irã e a Pérsia formam um alto pata mar. Linhas austeras enquadram prolongadas extensões de so berba e selvagem grandiosidade. Terreno acidentado, verdes oásis, áridos desertos que circundam os mais elevados cumes do mundo. Um dos modernos viajantes que melhor viu a Pérsia e sentiu-lhe o palpitar da alma, o Conde de Gobineau, assim des creve esta região altiva: "A Natureza dispôs a Ásia Central como uma imensa escadaria em cuja cúspide parece ter colo cado o máximo de sua inspiração, superando as demais regiões do globo e ali criando o antigo berço de nossa raça. Entre o Mediterrâneo, o Golfo Pérsico e o Mar Negro o , solo se eleva aqui e ali. Enormes maciços em fileira, o Touro, os montes Gordianos, as cordilheiras do Laristão elevam e sus tentam as províncias. O Cáucaso, o Elburz, as montanhas de Chiraz e de Ispahan se juntam à colossal escadaria, elevando-a ainda mais. Esta plataforma imensa, ostentando em planícies suas extensões majestosas pelos costados dos montes Soleyman e Indo-Krusch, finaliza, por um lado, no Turquestão, e, por outro, às margens do índico, fronteira de um mundo não me nos extenso. A principal característica desta natureza, a evocação que predominantemente sugere, é o sentimento da imensidão e do
mistério." ( ) Porém ao mesmo tempo, nela são tão abundantes os con- , trastes que trazem à mente a idéia da luta e da resistência. Passadas as violentas tormentas primaveris, de maio a setem- (2) Gobineau: Trois ans en Asie.
bro, o tempo se mantém seco e a atmosfera é de uma transpa rência maravilhosa. Os contornos das montanhas e os menores detalhes da paisagem delineam-se com uma pureza límpida que não altera o frescor de suas irisadas cores vivas. O verão é leve e cálido. O inverno, cruel e terrível. A laranjeira e a romãzeira crescem à beira dos vales férteis. As palmeiras dão sombras às fontes onde bebem as gazelas, en quanto a neve se acumula nos flancos das montanhas cobertas de carvalhos e de cedros, morada de ursos e de abutres. O ven to norte varre suas estepes, levantando torvelinhos de poeira. Assim era a terra de adoção dos árias primitivos, de cujo solo avaro não brota a água, a não ser quando o fere a picare ta, nem dá frutos, a não ser sob os dentes do arado e pelo canal irrigador; onde a vida é um perpétuo combate travado contra a natureza. Assim era a pátria de Zoroastro.
III - Juventude de Zoroastro Uns afirmam haver ele nascido em Bactriana, outros, na bíblica Ragés, não longe do atual Teerã. Cedo também . a Gobineau a descrição desses lugares gran-' d iosoà: · "Ao· Norte, estende-se uma fileira de montanhas cujos topos cintilantes de neve, se erguem a majestosa altitude. l! , o Elburz, enorme coroa que une o Indo-Krusch aos montes da Georgia, o Cáucaso índico ao Cáucaso de Prometeu. Dominan do esta cordilheira, como um gigante, eleva-se no ar a cúpula imensa e ponteaguda do Demavend; branco do cume ao sopé ... "Não se observam ali detalhes que limitem a mente. Ape nas um horizonte de matizes maravilhosos, um céu que não há linguagem, nem palheta, nada enfim capaz de descrever seu fulgor e transparência; uma planície que, em graduadas ondu lações, alcança em ascensão as bases do Elburz, fundindo-se e confundindo-se com suas grandezas. "De quando em quando, formam-se nuvens de poeira que se levantam e sobem em direção ao céu, parecendo alcançá-lo . com seu vértice vertiginoso, e se movimentam ao léu até preci pitarem-se outra vez sobre a terra. :a impossível esquecer tal espetáculo f" Quando nasceu o primeiro Zoroastro, 4 ou 5 mil anos
antes da nossa era ( ), tribus nômades, saídas da mais pura (3) lPlinio atribui a ZoroMtro uma antiguidade de 1000 anos anterior a Moisés. Hermtpo, que traduziu seus livros para o grego, remonta sua existência a 4000 anos antes clta guerra de Tróia. Eudó xio, a 6000 anos antes da morte de !Platão. A ciência moderna, depois dos minuciosos estudos de Eugenio Burnouf, de Spiegel, de James Darmesteter e de Harlez, declarou ser impossível fixar a época em que viveu o grande profeta iraniano, autor do Zend-Avesta, porém fiupõe ter sid!J, provavelmente, por volta do ano 2500 antes à� Cristo. A data indicada por Pllnio corresponde quase à época aproxi madamente -admitida pelos modernos orientais. Mas Hermipo, que se ocupa especialmente deste assunto, devia possuir, referentes à Pér sia, documentos e informações hoje desaparecidos. A data de 5000 anos antes de Cristo nada tem de improvável, àta.da a pré-histórica antiguidade da raça ária.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.