Voltar ao livro Nos Domínios da Mediunidade

Capítulo 6 de 23

Emmanuel — parte 4 de 21

Nos Domínios da Mediunidade · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz

novo instrumento de sensação, vendo por seus olhos, ouvindo por seus ouvidos, muitas vezes falando por sua boca e vitalizando-se com os alimentos comuns por ela utilizados. Nessa simbiose vivem ambos, há quase cinco anos sucessivos, contudo, agora, a moça subnutrida e perturbada acusa desequilíbrios orgânicos de vulto. Por haver a doente solicitado nosso concurso assistencial, somos constrangidos a duplo socorro. Para que se cure das fobias que presentemente a assaltam como reflexos da mente dele, que se vê apavorado diante das realidades do espírito, é necessário o afastamento dos fluidos que a envolvem, assim como a coluna, abalada pelo abraço constringente da hera, reclama limpeza em favor do reajuste. Nesse ínterim, os condutores, obedecendo às determinações de Clementino, localizaram o sofredor ao lado de Dona Eugênia. O mentor da casa aproximou-se dela e aplicou-lhe forças magnéticas sobre o córtex cerebral, depois de arrojar vários feixes de raios luminosos sobre extensa região da glote.

Notamos que Eugênia-alma afastou-se do corpo, mantendo-se junto dele, a distância de alguns centímetros, enquanto que, amparado pelos amigos que o assistiam, o visitante sentava-se rente, inclinando-se sobre o equipamento mediúnico ao qual se justapunha, à maneira de alguém a debruçar-se numa janela. Ante o quadro, recordei as operações do mundo vegetal, em que uma planta se desenvolve à custa de outra, e compreendi que aquela associação poderia ser comparada a sutil processo de enxertia neuropsíquica. Suspiros de alívio desprenderam-se do tórax mediúnico que, por instantes, se mostrara algo agitado. Observei que leves fios brilhantes ligavam a fronte de Eugênia, desligada do veículo físico, ao cérebro da entidade comunicante. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 49

Porque eu lhe dirigisse um olhar de interrogação e estranheza, Áulus explicou, prestimoso: – É o fenômeno da psicofonia consciente ou trabalho dos médiuns falantes. Embora senhoreando as forças de Eugênia, o hóspede enfermo do nosso plano permanece controlado por ela, a quem se imana pela corrente nervosa, através da qual estará nossa irmã informada de todas as palavras que ele mentalize e pretenda dizer. Efetivamente apossa-se ele temporariamente do órgão vocal de nossa amiga, apropriando-se de seu mundo sensório, conseguindo enxergar, ouvir e raciocinar com algum equilíbrio, por intermédio das energias dela, mas Eugênia comanda, firme, as rédeas da própria vontade, agindo qual se fosse enfermeira concordando com os caprichos de um doente, no objetivo de auxiliálo. Esse capricho, porém, deve ser limitado, porque, consciente de todas as intenções do companheiro infortunado a quem empresta o seu carro físico, nossa amiga reserva-se o direito de corrigi-lo em qualquer inconveniência. Pela corrente nervosa, conhecer-lhe-á as palavras na formação, apreciando-as previamente, de vez que os impulsos mentais dele lhe percutem sobre o pensamento sarnento como verdadeiras marteladas.

Pode, assim, frustrar-lhe qualquer abuso, fiscalizando-lhe os propósitos e expressões, porque se trata de uma entidade que lhe é inferior, pela perturbação e pelo sofrimento em que se encontra, e a cujo nível não deve arremessar-se, se quiser ser-lhe útil, O Espírito em turvação é um alienado mental, requisitando auxilio. Nas sessões de caridade, qual a que presenciamos, o primeiro socorrista é o médium que o recebe, mas, se esse socorrista cai no padrão vibratório do necessitado que lhe roga serviço, há pouca esperança no amparo eficiente. O médium, pois, quando integrado nas responsabilidades que esposa, tem o dever de colaborar na preservação da ordem e da respeitabilidade na obra de assistência aos desencarnados, permitindolhes a livre manifestação apenas até o ponto em que essa manifes- Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 50

tação não colida com a harmonia necessária ao conjunto e com a dignidade imprescindível ao recinto. – Então – alegou Hilário –, nesses trabalhos, o médium nunca se mantém a longa distância do corpo... – Sim, sempre que o esforço se refira a entidades em desajuste, o medianeiro não deve ausentar-se demasiado. Com um demente em casa, o afastamento é perigoso, mas se nosso lar está custodiado por amigos cônscios de si, podemos excursionar até muito longe, porquanto o nosso domicílio demorar-se-á guardado com segurança. No concurso aos irmãos desequilibrados, nossa presença é imperativo dos mais lógicos. Fitou Eugênia preocupada e vigilante, ao pé do enfermo que começava a falar, e sentenciou: – Se preciso, nossa amiga poderá retomar o próprio corpo num átimo. Acham-se ambos num consórcio momentâneo, em que o comunicante é a ação, mas no qual a médium personifica a vontade. Em todos os campos de trabalho, é natural que o superior seja responsável pela direção do inferior. O visitante passou a destra pela face num gesto de alívio e bradou, transformado: – Vejo! Vejo!..

Mas por que encantamento me prendem aqui? que algemas me afivelam a este móvel pesado? E acentuando a expressão de assombro, prosseguia: – Qual o objetivo desta assembléia em silêncio de funeral? quem me trouxe? quem me trouxe?... Vimos que Eugênia, fora do veículo denso, escutava todas as palavras que lhe fluíam da boca, transitoriamente ocupada pelo peregrino das sombras, arquivando-as, de maneira automática, no centro da memória. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 51

– O sofredor – disse o Assistente, convicto –, ao contacto das forças nervosas da médium, revive os próprios sentidos e deslumbra-se. Queixa-se das cadeias que o prendem, cadeias essas que em cinqüenta por cem decorrem da contenção cautelosa de Eugênia. Porta-se, dessa forma, como um doente controlado, qual se faz imprescindível. – E se nossa irmã relaxasse a autoridade? – inquiriu Hilário, curioso. – Não estaria em condições de prestar-lhe benefícios concretos, porque então teria descido ao desvairamento do mendigo de luz que nos propomos auxiliar – esclareceu o nosso instrutor, com calma. E numa imagem feliz para ilustrar o assunto, ajuntou: – Um médium passivo, em tais circunstâncias, pode ser comparado à mesa de serviço cirúrgico, retendo o enfermo necessitado de concurso médico.

Se o móvel especializado não possuísse firmeza e humildade, qualquer intervenção seria de todo impossível. – Mas nossa amiga está enxergando, conscientemente, a entidade que se lhe associa ao vaso carnal, com tanta clareza quanto nós? – perguntei por minha vez, atento aos meus objetivos de aprendizado. – No caso de Eugênia, isso não acontece – elucidou Áulus, condescendente –, porque o esforço dela na preservação das próprias energias e o interesse na prestação de auxílio com todo o coeficiente de suas possibilidades não lhe permitem a necessária concentração mental para surpreender-lhe a forma exterior. Entretanto, reproduzem-se nela as aflições e os achaques do socorrido. Sente-lhe a dor e a excitação, registrando-lhe o sofrimento e o mal-estar. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 52

Ao passo que se dilatava a nossa conversação, o comunicante gritava, contundente: – Estaremos, porventura, num tribunal? por que uma recepção estranha quanto esta, quando sou o importunado que comparece? a mim, Libório dos Santos, ninguém ofende sem revide... Como se a consciência o torturasse, através de criações interiores que não nos era dado perceber, vociferava, frenético: – Quem me acusa de haver espoliado minha mãe, lançando-a ao desamparo? não sou culpado pelas provações dos outros... Não estarei, acaso, mais doente que ela?... Nessa altura, Hilário fixou o obsessor, compadecidamente, e indagou, respeitoso: – Não serão os seus padecimentos simples angústia moral? – Não tanto assim – aclarou Áulus –; as crises morais de qualquer teor se nos refletem até no veículo de manifestação. O beneficiário desta hora tem o cérebro perispirítico dilacerado e a flagelação que lhe invade o corpo fluídico é tão autêntica quanto a de um homem comum, supliciado por um tumor intracraniano.

Demonstrando-se sumamente interessado no estudo, Hilário acentuou: – Se fôssemos nós os companheiros encarnados, com sede de maiores conhecimentos da vida espiritual, poderíamos submetê-lo a interrogatório minucioso? Estaria em posição de identificar-se perfeitamente? Áulus abanou levemente a cabeça e considerou: Nas condições em que se encontra, o cometimento não seria viável. Estamos abordando apenas um problema de caridade, que se reveste, porém, da mais elevada importância para a vida em si. Na hipótese de efetivarmos o tentame, conseguiríamos tãosomente infrutuosa inquirição, endereçada a um alienado mental, Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 53

que, por algum tempo, ainda se mostrará lesado em expressivos centros do raciocínio. Trazendo consigo a herança de uma existência desequilibrada e fortemente atraído para a mulher que o ama e de quem se fez desabrido perseguidor, a nada aspira, por agora, senão à vida parasitária, junto à irmã, de cujas energias se alimenta. Envolve-a em fluidos enfermiços e nela se apóia, assim como a trepadeira que se alastra e prolifera sobre um muro... Somando tudo isso ao choque oriundo da morte, não temos o direito de esperar dele uma experiência completa de identificação pessoal. Enquanto isso, Libório prosseguia, alucinado: – Quem poderá suportar esta situação? alguém me hipnotiza? quem me fiscaliza o pensamento? Valerá restituir-me a visão, manietando-me os braços? Fixando-o com simpatia fraterna, o Assistente informou-nos: – Queixa-se ele do controle a que é submetido pela vontade cuidadosa de Eugênia. Ruminando as indagações que nos esfervilhavam na alma, Hilário objetou: – Consciente a médium, qual se encontra, e ouvindo as frases do comunicante, que lhe utiliza a boca assim vigiado por ela, é possível que Dona Eugênia seja assaltada por grandes dúvidas...

Não poderá ser induzida a admitir que as palavras proferidas pertençam a ela mesma? Não sofrerá vacilações? – Isso é possível – concordou o Assistente –; no entanto, nossa irmã está habilitada a perceber que as comoções e as palavras desta hora não lhe dizem respeito. – Mas... e se a dúvida a invadisse? – insistiu meu colega. – Então – disse Áulus, cortês –, emitiria da própria mente positiva recusa, expulsando o comunicante e anulando preciosa Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 54

oportunidade de serviço. A dúvida, nesse caso, seria congelante faixa de forças negativas... Todavia, porque Raul Silva iniciara a conversação com o hóspede revoltado, o orientador amigo convidou-nos a melhor observar. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 55

Socorro espiritual Sob a influência de Clementino, que o envolvia inteiramente, Silva levantara-se e dirigia-se ao comunicante com bondade: – Meu amigo, tenhamos calma e roguemos o amparo divino! – Estou doente, desesperado... – Sim, todos somos enfermos, mas não nos cabe perder a confiança. Somos filhos de Nosso Pai Celestial que é sempre pródigo de amor. – É padre? – Não. Sou seu irmão. – Mentira. Nem o conheço... – Somos uma só família, à frente de Deus. O interlocutor conturbado riu-se irônico e acentuou: – Deve ser algum sacerdote fanatizado para conversar nestes termos!.. A paciência do doutrinador sensibilizava-nos. Não recebia Libório, qual se fora defrontado por um habitante das sombras, suscetível de acordar-lhe qualquer impulso de curiosidade menos digna. Ainda mesmo descontando o valioso concurso do mentor que o acompanhava, Raul emitia de si mesmo sincera compaixão de mistura com inequívoco interesse paternal. Acolhia o hóspede sem estranheza ou irritação, como se o fizesse a um familiar que regressasse demente ao santuário doméstico. Talvez por essa razão o obsessor a seu turno se revelava menos agastadiço. Tão logo passou a entender-se, de algum modo, Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 56

com o dirigente da casa, observamos que Eugênia se revigorava no esforço assistencial que lhe competia. – Não sou um ministro religioso – continuava Raul, imperturbável –, mas desejo me aceite como seu amigo. – Que irrisão! não existem amigos quando a miséria está conosco... Dos companheiros que conheci, todos me abandonaram. Resta-me apenas Sara! Sara, que não deixarei... Fixou a expressão de quem se detinha na lembrança da pessoa a quem se referira e acrescentou com recalcada indignação: Ignoro por que me entravam agora os passos. É inútil. Aliás, não sei a razão pela qual me contenho. Um homem provocado, qual me vejo, decerto deveria esbofeteá-los a todos... Afinal, que fazem aqui estes cavalheiros silenciosos e estas mulheres mudas? que pretendem de mim? – Estamos em prece por sua paz – falou Silva, com inflexão de bondade e carinho. – Grande novidade! que há de. comum entre nós? Devo-lhes algo? – Pelo contrário – exclamou o interlocutor, convicto –, nós somos quem lhe deve atenção e assistência.

Estamos numa instituição de serviço fraterno e é fora de dúvida que, num hospital, a ninguém será lícito inquirir da luta particular daqueles que lhe batem à porta, porque, antes de tudo, é dever da medicina e da enfermagem a prestação de socorro às feridas que sangram. Ante o argumento enunciado com sinceridade e simpleza, o renitente sofredor pareceu apaziguar-se ainda mais. Jactos de energia mental, partidos de Silva, alcançavam-no agora em cheio, no tórax, como a lhe buscarem o coração. Libério tentou falar, contudo, à maneira de um viajante que já não pode resistir à aridez do deserto, comoveu-se diante da ternu- Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 57

ra daquele inesperado acolhimento, a surgir-lhe por abençoada fonte de água fresca. Surpreendido, notou que a palavra lhe falecia embargada na garganta. Sob o sábio comando de Clementino, falou o doutrinador com afetividade ardente: – Libério, meu irmão! Essas três palavras foram pronunciadas com tamanha inflexão de generosidade fraternal que o hóspede não pôde sopitar o pranto que lhe subia do âmago. Raul avançou para ele, impondo-lhe as mãos, das quais jorrava luminoso fluxo magnético, e convidou: – Vamos orar! Findo um minuto de silêncio, a voz do diretor da casa, sob a inspiração de Clementino, suplicou enternecidamente:

– “Divino Mestre, lança compassivo olhar sobre a nossa família aqui reunida... “Viajores de muitas romagens, repousamos neste instante sob a árvore bendita da prece e te imploramos amparo! “Todos somos endividados para contigo, todos nos achamos empenhados à tua bondade infinita, à maneira de servos insolventes para com o senhor. “Mas, rogando-te por nós todos, pedimos particularmente agora pelo companheiro que, decerto, encaminhas ao nosso coração, qual se fora uma ovelha que torna ao aprisco ou um irmão consangüíneo que volta ao Lar.. “Mestre, dá-nos a alegria de recebê-lo de braços abertos. “Sela-nos os lábios para que lhe não perguntemos de onde vem e descerra-nos a alma para a ventura de tê-lo conosco em paz. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 58

“Inspira-nos a palavra a fim de que a imprudência não se imiscua em nossa língua, aprofundando as chagas interiores do irmão, e ajuda-nos a sustentar o respeito que lhe devemos... “Senhor, estamos certos de que o acaso não te preside às determinações! “Teu amor, que nos reserva invariavelmente o melhor, cada dia, aproxima-nos uns dos outros para o trabalho justo. “Nossas almas são fios da vida em tuas mãos! “Ajusta-os para que obtenhamos do Alto o favor de servir contigo! “Nosso Libório é mais um irmão que chega de longe, de recuados horizontes do passado... “Ó Senhor, auxilia-nos para que ele não nos encontre proferindo o teu nome em vão!...”

O visitante chorava. Via-se, porém, com clareza, que não eram as palavras a força que o convencia, mas sim o sentimento irradiante com que eram estruturadas. Raul Silva, sob a destra radiosa de Clementino, afigurava-senos aureolado de intensa luz. – Ó Deus, que se passa comigo?... – conseguiu gritar Libório em lágrimas. O irmão Clementino fez breve sinal a um dos assessores de nosso plano, que apressadamente acorreu, trazendo interessante peça que me pareceu uma tela de gaze tenuíssima, com dispositivos especiais, medindo por inteiro um metro quadrado, aproximadamente. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 59

O mentor espiritual da reunião manobrou pequena chave num dos ângulos do aparelho e o tecido suave se cobriu de leve massa fluídica, branquicenta e vibrátil. Em seguida, postou-se novamente ao pé de Silva, que, controlado por ele, disse ao comunicante: – Lembre-se, meu amigo, lembre-se! Faça um apelo à memória! Veja à frente os quadros que se desenrolarão aos nossos olhos!... De imediato, como se tivesse a atenção compulsoriamente atraída para a tela, o visitante fixou-a e, desde esse momento, vimos com assombro que o retângulo sensibilizado exibia variadas cenas de que o próprio Libório era o principal protagonista. Recebendo-as mentalmente, Raul Silva passou a descrevê-las: – Observe, meu amigo! É noite. Ouve-se um burburinho de algazarra a distância... Sua mãe velhinha chama-o à cabeceira e pede-lhe assistência... Está exausta... Você é o filho que lhe resta... Derradeira esperança de flagelada vida. Único arrimo... A pobre sente-se morrer. A dispnéia martiriza-a... E o distúrbio cardíaco pressagiando o fim do corpo... Tem medo. Declara-se receosa da solidão, de vez que é sábado carnavalesco e os vizinhos se ausentaram na direção dos centros festivos.

Parece uma criança atemorizada... Contempla-o, ansiosa, e roga-lhe que fique... Você responde que sairá tão-somente por alguns minutos... o bastante para trazer-lhe a medicação necessária... Em seguida, avança, rápido, para uma gaveta situada em aposento próximo e apropria-se do único dinheiro de que a enferma dispõe, algumas centenas de cruzeiros, com que você se julga habilitado a desfrutar as falsas alegrias do seu clube... Amigos espirituais de seu lar abeiram-se de você, implorando socorro em favor da doente, quase moribunda, mas você se mostra impermeável a qualquer pensamento de compaixão... Dirige algumas palavras apressadas à enferma e sai para a rua. Em plena via pública, imanta-se aos Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 60

indesejáveis companheiros desencarnados com os quais se afina... entidades turbulentas, hipnotizadas pelo vício, com as quais você se arrasta ao prazer... Por três dias e quatro noites consecutivos, entrega-se à loucura, com esquecimento de todas as obrigações... Somente na madrugada de quarta-feira você volta estafado e semiinconsciente... A velhinha, socorrida por braços anônimos, não o reconhece mais... Aguarda, resignadamente, a morte, enquanto você se encaminha para um quarto dos fundos, na expectativa de conseguir um banho que o auxilie a refazer-se... Abre o gás e senta-se por alguns minutos, experimentando a cabeça entontecida... O corpo exige descanso, depois da louca folia... A fadiga surge, insopitável... Desapercebe-se de si mesmo e dorme semiembriagado, perdendo a existência, porque as emanações tóxicas lhe cadaverizam o cor..... Na manhã clara de sol, um rabecão levao ao necrotério, como simples suicida... Nessa altura, o interlocutor, como se voltasse de um pesadelo, bradou desesperado: – Oh! esta é a verdade! a verdade!.., onde está minha casa?

Sara, Sara, quero minha mãe, minha mãe!... – Acalme-se! – recomendou Raul, compadecido – nunca nos faltará o socorro divino! seu lar, meu amigo, cerrou-se com os seus olhos de carne e sua genitora, de outras esferas, lhe estende os braços amorosos e santificantes. O comunicante, vencido, caiu em lágrimas. Tão grande lhe surgiu a crise emotiva que o mentor espiritual do grupo se apressou a desligá-lo do equipamento mediúnico, entregando-o aos vigilantes para que fosse convenientemente abrigado em organização próxima. Libório, em fundo processo de transformação, afastou-se, tornando Eugênia à posição normal. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 61

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.