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Capítulo 17 de 23

Emmanuel — parte 15 de 21

Nos Domínios da Mediunidade · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz

Profundo entendimento brotava-lhe agora do espírito. A compreensão da irmã superara o desequilíbrio da mulher. E pensava: “que lhe adiantaria a revolta ou o desânimo, quando lhe competia a defesa do lar? fazendo justiça com as próprias mãos, não prejudicaria aqueles que lhe constituíam a riqueza do coração? Em qualquer parte, o escândalo é a ruína da felicidade... Não devia render graças a Deus por sentir-se na condição da esposa digna? Sim, decerto a pobre criatura que lhe perturbava o marido não havia acordado ainda para a responsabilidade e para o discernimento. Necessitava, pois, de compaixão e de amparo, ao invés de crítica e azedume...” Consolada e satisfeita, passou à medicação da genitora. Hilário, admirado, exaltou os méritos da oração, ao que Áulus enunciou: – Em todos os processos de nosso intercâmbio com os encarnados, desde a mediunidade torturada à mediunidade gloriosa, a prece é abençoada luz, assimilando correntes superiores de força mental que nos auxiliam no resgate ou na ascensão.

Indicando a dona da casa, agora em serviço no aposento, meu colega observou: – Vemos, então, em nossa amiga preciosa mediunidade a desenvolver-se... – Como acontece a milhões de pessoas – disse o orientador –, ela detém consigo recursos medianímicos apreciáveis, que podem ser inclinados para o bem ou para o mal, competindo-lhe a obrigação de construir dentro de si mesma a fortaleza de conhecimento e vigilância, na qual possa desfrutar, em pensamento, as companhias espirituais que mais lhe convenham à felicidade. – E pela prece busca solução para os enigmas que lhe flagelam a existência... Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 186

Áulus sorriu e ajuntou: – Encontramos aqui precioso ensinamento acerca da oração... Anésia, mobilizando-a, não conseguiu modificar os fatos em si, mas logrou modificar a si mesma. As dificuldades presentes não se alteraram. Jovino continua em perigo, a casa prossegue ameaçada em seus alicerces morais, a velhinha doente aproxima-se da morte, entretanto, nossa irmã recolheu expressivo coeficiente de energias para aceitar as provações que lhe cabem, vencendo-as com paciência e valor. E um espírito transformado, naturalmente transforma as situações. O Assistente, contudo, interrompeu-se e lembrou-nos o horário de volta. Por solicitação de Teonília, examinou a doente e concluiu que a desencarnação de Dona Elisa estava próxima. Externei o desejo de analisar-lhe o campo orgânico; todavia, o instrutor recordou-nos a hora avançada e prometeu voltar conosco, em tarefa de assistência à velhinha na noite próxima. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 187

Mediunidade no leito de morte Na noite seguinte, voltamos ao lar de Anésia, com o objetivo particular de socorrer-me a mãezinha doente. Dona Elisa piorara. Encontramo-la agitada, a desligar-se do corpo físico. O médico da família examinava-lhe o quadro orgânico, evidenciando preocupação e desalento. O estetoscópio dava-me a conhecer a posição difícil do coração exausto. Além disso, o elevado teor de uréia favorecia a intoxicação alarmante. Previa o fim próximo da resistência física, entretanto, o delírio da enferma desnorteava-o. Dona Elisa via-se presa de estranha perturbação mental. Superexcitada, aflita, declarava-se perseguida por um homem que se propunha abatê-la a tiros, clamava pelo filho desde muito na vida espiritual e dizia ver serpentes e aranhas ao pé do leito. A despeito do suor pastoso de quem se aproxima da morte e da extrema palidez que lhe desfigurava a máscara fisionômica, fazia supremo esforço para continuar falando em voz alta. O facultativo convidou a dona da casa a entendimento reservado e comunicou-lhe as péssimas impressões de que se via possuído.

A enferma deveria prosseguir com medicação de emergência, à face da crise, contudo, a noite ser-lhe-ia sacrificial. A uremia avançava célere, o coração era um barco desgovernado e, por isso, o colapso poderia surpreendê-la de momento para outro. Anésia acolheu a palavra do clínico, enxugando as lágrimas que teimavam em lhe saltar dos olhos. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 188

Despediu-se dele e colocou-se em oração, confiando-se à influência de Teonília, que lhe seguia os passos, qual se lhe fora abnegado nume protetor. Sem conseguir explicar a si mesma a serenidade balsâmica que lhe tomou gradativamente a alma, aquietou-se entre a fé e a paciência, na certeza de que não lhe faltaria o amparo do Plano Superior. Longe de perceber a ternura de que era objeto, por parte da devotada amiga, recebia-lhe os apelos confortadores em forma de sublimes pensamentos de esperança e de paz. Demorou-se na contemplação da anciã que pedia socorro em voz arrastadiça e fitou-lhe os olhos desmesuradamente abertos, sem expressão... Profunda piedade assenhoreou-lhe o carinho filial. Mãezinha – disse, afetuosa –, sente-se agora melhor? A interpelada tomou-lhe as mãos, como se fora uma criança medrosa, e sussurrou: – Minha filha, não estou melhor, porque o assassino me espreita... Não sei como escapar... estou igualmente cercada de aranhas enormes... que fazer para salvar-me?... E, em seguida, elevando o tom de voz, gritou com lamentosa inflexão: – Ai! as serpentes !... as serpentes!... Ameaçam-me da porta... Que será de mim?

Escondia o rosto nas mãos descarnadas e debalde tentava erguer o corpo, movimentando a cabeça trêmula. – Mãezinha, acalme-se! – rogava a filha comovida. – Confiemos na Providência. Jesus é o nosso Amigo Vigilante. Por que não esperar pela proteção dele? A senhora vai recuperar-se... Repare com atenção. Nosso quarto está em paz... Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 189

Asserenava-se a enferma de algum modo, com a desconfiança e o medo a se lhe estamparem nos olhos e, logo após, constrangendo Anésia a inclinar-se, segredava-lhe aos ouvidos: – Sinto que o nosso Olímpio está conosco... Meu filho desceu do Céu e veio buscar-me... Não tenho dúvida... é meu filho, sim... meu filho... A carinhosa enfermeira acreditou no que ouvia, compreendendo, porém, que a presença do irmão não seria de desejar e convidou a genitora ao serviço da prece. Não seria melhor que se unissem ambas em prece, pedindo o socorro celestial? E enquanto Anésia se fazia intérprete da assistência de Teonília, a esforçar-se por envolver a velhinha em fluidos calmantes, Áulus convidou-nos a reparar a comunhão entre o filho desencarnado e a pobre mãe a desencarnar.

Olímpio, o rapaz assassinado noutro tempo, jungia-se a ela, à maneira de planta parasitária asfixiando um arbusto raquítico. – Nossa amiga – explicou o Assistente –, em sua doce afetividade, supõe no filho um gênio guardião, quando a realidade é que o infeliz se deixou dominar, mesmo depois de perder o veículo carnal, pelo vício da embriaguez. Alcoólatra impenitente, caiu ante o revólver de um companheiro, tão desvairado quanto ele mesmo, numa noite de insânia. Desligado da carne e já intensamente minado pelo “delirium tremens”, não teve forças para mentalizar a recuperação que lhe é imprescindível e prosseguiu em companhia daqueles que lhe pudessem facultar o prolongamento dos excessos em que se compraz... Evocado, contudo, pela insistência materna, veio parar neste quarto, onde se encontra enleado pelas requisições da irmã Elisa.

Acontece, no entanto, que, em se libertando gradualmente do vaso físico, nossa irmã transfere o campo emotivo, do círculo da carne para a esfera do Espírito, passando compulsoriamente a sofrer ó influxo pernicioso da entidade que ela própria trouxe para junto de si, usando a Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 190

vontade e o pensamento. Na posição em que se colocam, são ambos, assim, por força das circunstâncias, duas mentes sintonizadas na mesma faixa de impressões, porque, enfraquecida qual se encontra, a enferma se submete facilmente ao domínio do rapaz, cujo pavor e cujo desequilíbrio se lhe transfundem na alma submissa e afetuosa. Analisando o fenômeno, perguntei se a associação sob nossa vista poderia ser comparada à incorporação mediúnica, qual a conhecemos. – Sem qualquer dúvida – confirmou o orientador. – Elisa, atraindo o filho, num estado de passividade profunda, que lhe sobrevém por motivo de natural desgaste nervoso e sem experiência que lhe outorgue discernimento e defesa, assimila-lhe, de modo espontâneo, as correntes mentais, retratando-lhe a desarmonia interior.

Estando a desencarnar-se, devagarinho, reflete-lhe as reminiscências do pretérito e as terríveis visões Intimas que lhe são agora familiares, de vez que, à distância das libações costumeiras, o infortunado amigo padece as alucinações comuns às vítimas do alcoolismo crônico. – Céus! – exclamou Hilário, compadecido como relegar uma velhinha doente a provação dessa ordem? não significará isso clamorosa injustiça? – Concordo em que é lamentável o quadro sob nosso exame – obtemperou o Assistente –, entretanto, ninguém trai as leis que nos regem a vida. Elisa, com a presença do filho, recebeu aquilo que procurou ardentemente. Certo, apresenta-se na configuração passageira de uma anciã penetrando a antecâmara da morte, todavia, na realidade, é um Espírito imperecível e responsável, manejando os valores mentais que se expressam e se conjugam, segundo princípios claros e definidos. Finda ligeira pausa, acentuou: Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 191

– Muita vez, pedimos o que não conhecemos, recolhendo o que não desejamos. No fim, porém, há sempre lucro, porque o Senhor nos permite retirar, de cada situação e de cada problema, os preciosos valores da experiência. Áulus, contudo, não perdeu tempo em divagações. Conferenciou reservadamente com Teonília quanto ao serviço programado, em favor da enferma e, aceitando-nos a colaboração, desligou o rapaz, usando para isso avançados potenciais magnéticos. Tão logo se afastou o desventurado Olímpio, identificamos curioso fenômeno. Dona Elisa, que falava singularmente animada. entrou em absoluta prostração, qual se houvera sido manietada. Assinalando-nos a curiosidade, o orientador esclareceu: – A atuação do filho desencarnado alimentava-lhe a excitação mental a incidir sobre o campo nervoso. Agora, está confinada às energias que lhe são próprias. A doente, emitindo sons guturais, calara-se, de súbito. Debalde tentou Anésia arrancar-lhe uma palavra. Dona Elisa, embora vendo e ouvindo, não mais logrou articular uma frase. Buscou inutilmente mover os braços, ante a dor aguda que passou a registrar no peito, todavia, não teve forças para tanto.

Áulus deu-se pressa em administrar-lhe passes calmantes, contudo, não obteve grande resultado. – É a contração final das coronárias – exclamou, comovido. – Elisa não resistirá, O miocárdio não mais reage ao nosso influxo magnético. O processo anginoso alcançou o fim. Reparei que a agonizante estimaria conversar com a filha, no entanto, incoercível sofrimento constringia-lhe o tórax. A língua não mais lhe obedecia ao comando intimo. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 192

Teve a noção de que lhe cabia fazer a viagem do túmulo... Como se um relâmpago lhe rasgasse a noite mental, num desses raros minutos que valem séculos para a alma, reviu apressadamente o passado. Todas as cenas da infância, da mocidade e da madureza reapareceram de inesperado no templo da memória, como que a convidá-la a escrupuloso exame de consciência. A enferma não vacilou. Seus momentos na carne estavam contados. Incapaz de entender-se com a filha, desejou despedir-se de velha irmã que residia a longa distância. Vimo-la, num supremo esforço, concentrando os próprios pensamentos para satisfazer a essa derradeira aspiração... Anésia, por sua vez, sob a influência de Teonília, percebeu que a genitora atingira a estação terminal da existência terrestre e, enlaçando-a, carinhosamente, orava em pranto silencioso. A agonizante entendeu-a, mas apenas derramou comoventes lágrimas como resposta. Demorando na filha o olhar dorido e ansioso, Dona Elisa projetou-se, por fim, em nosso meio, mantendo-se, porém, ainda ligada ao veículo físico por um laço de prateada substância.

Enquanto se lhe inteiriçavam os membros, um só pensamento lhe predominava no espírito – dizer adeus à última irmã consangüínea que lhe restava na Terra. Envolvida na onda de forças, nascida de sua própria obstinação, afastou-se, ligeira, volitando automaticamente no rumo da cidade em que se lhe situava a parenta. Correspondendo à ordem de Áulus, passamos a segui-la de perto. Dezenas de quilômetros foram instantaneamente vencidos. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 193

Em plena noite alta, colocamo-nos ao lado dela, num aposento mal iluminado, em que venerável anciã dormia tranqüila. – Matilde! Matilde!... A recém-chegada tentou despertá-la, à pressa, mas em vão. Consciente de que não dispunha senão de rápidos instantes, vibrou algumas pancadas no leito da irmã, que acordou de chofre, entrando, de imediato, em sua esfera de influência. Dona Elisa passou a falar-lhe, atormentada. Dona Matilde, contudo, não lhe escutava as palavras pelos condutos auditivos do vaso carnal e sim pelo cérebro, através de ondas mentais, em forma de pensamentos a lhe remoinharem ao redor da cabeça. Reerguendo-se, inquieta, falou de si para consigo: – “Elisa morreu”. Indicando-nos as duas irmãs juntas, o Assistente explicou: – Temos aqui uni dos tipos habituais de comunicação nas ocorrências de morte. Pela persistência com que se repetem, os cientistas do mundo são constrangidos a examiná-los. Alguns atribuem esses fatos a transmissões de ondas telepáticas, ao passo que outros neles encontraram os chamados “fenômenos de monição”.

Isso tudo, porém, reduz-se na Doutrina do Espiritismo à verdade simples e pura da comunhão direta entre as almas imortais. – Todas as pessoas, desde que o desejem – perguntou meu colega –, podem efetuar semelhantes despedidas, quando partem da Terra? – Sim, Hilário, você diz bem quando afirma “desde que o desejem”, porque semelhantes comunicações, no instante da morte, somente se realizam por aqueles que concentram a própria força mental num propósito dessa espécie. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 194

Todavia, não dispúnhamos de tempo para maiores conversações. Dona Elisa, após liberar-se do anseio que lhe inquietava o campo Intimo, qual se o corpo distante lhe reclamasse a presença, à feição do que ocorre num caso de desdobramento vulgar, voltou, de imediato, a casa. Seguindo-a de perto, notamo-la menos aflita, embora fatigada. No aposento familiar, quis reaver o veículo físico, satisfazendo aos velhos hábitos, como se a realidade lhe constituísse tãosomente estranho pesadelo, contudo, abatida e atormentada, flutuou sobre o leito, ligada aos despojos pelo tênue fio a que nos referimos. A recém-desencarnada, de alma opressa, resistia à fome de repouso que lhe castigava o pensamento, indecisa e agoniada, sem saber definir se estava viva dentro da morte ou se estava morta dentro da vida. Outros amigos espirituais penetraram a câmara. Áulus consultou o horário e acrescentou: – Voltemos. Nada mais nos cabe fazer.

Hilário fixou o laço prateado entre o corpo hirto e a nossa amiga recém-liberta e indagou: – Não poderemos colaborar no desfazimento desse cordão incômodo? – Não – explicou o orientador –, esse elo tem a sua função específica no reequilíbrio da alma. Morte e nascimento são operações da vida eterna que demandam trabalho e paciência. Além disso, há companheiros especializados no serviço da libertação última. A eles compete o toque final. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 195

E, acompanhando o instrutor, retiramo-nos do lar de Anésia, onde havíamos recolhido preciosas lições. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 196

Emersão do passado Em companhia do Assistente, tornamos à segunda reunião semanal do grupo presidido pelo irmão Raul Silva, a cuja organização nosso orientador não regateava simpatia e confiança. O conjunto de trabalhadores não se alterara na constituição que lhe era característica. A pequena fila dos obsessos, todavia, apresentava modificações. Duas senhoras, seguidas pelos respectivos esposos, e um cavalheiro de fisionomia fatigada integravam a equipe dos que receberiam assistência. Os médiuns da casa desempenharam caridosa tarefa, emprestando as suas possibilidades para a melhoria de várias entidades transviadas na sombra e no sofrimento, com a colaboração eficiente de Dona Celina à frente do serviço. Solucionados diversos problemas alusivos ao programa da noite, eis que uma das senhoras enfermas cai em pranto convulsivo, exclamando: – Quem me socorre? quem me socorre?... E comprimindo o peito com as mãos, acrescentava em tom comovedor: – Covarde! por que apunhalar, assim, uma indefesa mulher? serei totalmente culpada? meu sangue condenará seu nome infeliz... Raul, com a serenidade habitual, abeirou-se dela e consoloua, com carinho: Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 197

– Minha irmã, o perdão é o remédio que nos recompõe a alma doente... Não admita que o desespero lhe subjugue as energias !... Guardar ofensas é conservar a sombra. Esqueçamos o mal para que a luz do bem nos felicite o caminho... – Olvidar? nunca... O senhor sabe o que vem a ser uma lâmina enterrada em sua carne? sabe o que seja a calamidade de um homem que nos suga a existência para arremessar-nos à miséria, comprazendo-se, depois disso, em derramar-nos o próprio sangue? – Sim, sim, ninguém lhe contraria o direito à justiça, segundo as suas afirmações, entretanto, não será mais aconselhável aguardar o pronunciamento da Bondade Divina? Quem de nós estará sem mácula? – Esperar, esperar? há quanto tempo não faço outra coisa! Em vão procuro reaver a alegria... Por mais me dedique ao trabalho de romper com o pretérito, vivo a carregar a sombra de minhas recordações, como quem traz no próprio peito o sepulcro dos sonhos mortos... Tudo por causa dele... Tudo pelo malvado que me arruinou o destino...

E a pobre criatura prorrompeu em soluços, enquanto um homem desencarnado, não longe, fitava-a com inexprimível desalento. Perplexos, Hilário e eu lançamos um olhar indagador ao Assistente, que nos percebeu a estranheza, porquanto a enferma, sem a presença da mulher invisível que parecia personificar, prosseguia em aflitiva posição de sofrimento. – Não vejo a entidade de quem a nossa irmã se faz intérprete – alegou Hilário, curioso. – Sim – disse por minha vez –; observo em nossa vizinhança um triste companheiro desencarnado, mas se ele estivesse telepaticamente ligado à nossa amiga, decerto a mensagem definiria a Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 198

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.