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Capítulo 21 de 23
Emmanuel — parte 19 de 21
Nos Domínios da Mediunidade · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz
Aqueles homens e mulheres que se congregavam no recinto, com intenções tão estranhas, teriam coragem de pedir a companheiros encarnados os serviços que reclamavam dos Espíritos? Não estariam ultrajando a oração e a mediunidade para fugir aos problemas que lhes diziam respeito? Não dispunham, acaso, de veneráveis conhecimentos para mobilizar o cérebro, a língua, os olhos, os ouvidos, as mãos e os pés, no aprendizado enobrecedor? Que faziam da fé? seria justo que um trabalhador relegasse a outros a enxada que lhe cabia suportar e mover na gleba do mundo? Áulus registrou-me as reflexões amargas, porque, generoso, deu-se pressa em reconfortar-me: – Um estudo atual de mediunidade, mesmo rápido quanto o nosso, não seria completo se não perquiríssemos a região do psiquismo transviado, onde Espíritos preguiçosos, encarnados e desencarnados, respiram em regime de vampirização recíproca. Aliás, constituem produto natural da ignorância viciosa em todos os templos da Humanidade.
Abusam da oração tanto quanto menoscabam as possibilidades e oportunidades de trabalho digno, porquanto espreitam facilidades e vantagens efêmeras para se acomodarem com a indolência, em que se lhes cristalizam os caprichos infantis. – Mas, prosseguirão assim, indefinidamente? perguntei. – André, sua dúvida está fora de propósito. Você possui bastante experiência para saber que a dor é o grande ministro da Justiça Divina. Vivemos a nossa grande batalha de evolução. Quem foge ao trabalho sacrificial da frente, encontra a dor pela retaguarda. O Espírito pode confiar-se à inação, mobilizando delituosamente a vontade, contudo, lá vem um dia a tormenta, compelindo-o a agitar-se e a mover-se para entender os impositivos do progresso com mais segurança. Não adianta fugir da eter- Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 237
nidade, porque o tempo, benfeitor do trabalho, é também o verdugo da inércia. Hilário, que refletia, silencioso, junto de nós, inquiriu preocupado: – Por que se entregam nossos irmãos encarnados a semelhantes práticas de menor esforço? Há tantas lições de aprimoramento espiritual, há tantos apelos à dignificação da mediunidade, nas linhas doutrinárias do Espiritismo!... Por que o desequilíbrio? Áulus pensou alguns instantes e redargüiu: – Hilário, é imprescindível recordar que não nos achamos diante da Doutrina do Espiritismo. Presenciamos fenômenos mediúnicos, manobrados por mentes ociosas, afeiçoadas à exploração inferior por onde passam, dignas, por isso mesmo, de nossa piedade. E não ignoramos que fenômenos mediúnicos são peculiares a todos os santuários e a todas as criaturas. Quanto à preferência de nossos amigos pela convivência com os desencarnados ainda imensamente presos ao campo sensorial da vida física, incapazes ainda de mais ampla visão das realidades do Espírito, isso é compreensível na Terra.
É sempre mais fácil ao homem comum trabalhar com subalternos ou iguais, porque, servir ao lado de superiores exige boa-vontade, disciplina, correção de proceder e firme desejo de melhorar-se. Sabemos que a morte não é milagre. Cada qual desperta, depois do túmulo, na posição espiritual que procurou para si... Ora, o homem vulgar sente-se mais à solta junto das entidades que lhe lisonjeiam as paixões, estimulando-lhe os apetites, de vez que todos somos constrangidos a educar-nos, na vizinhança de companheiros evoluídos, que já aprenderam a sublimar os próprios impulsos, consagrando-se à lavoura incessante do bem. – Mas não será isso um abuso do homem encarnado? não será crime parasitar os desencarnados de condição inferior? – indagou Hilário. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 238
– Isso não padece dúvida – confirmou o instrutor. – E esse delito ficará impune? Áulus fixou leve expressão de bom humor e respondeu: – Não se preocupem demasiado. Quando o erro procede da ignorância bem-intencionada, a Lei prevê recursos indispensáveis ao esclarecimento justo no espaço e no tempo, porquanto a genuína caridade, sob qualquer título, é sempre venerável. Entretanto, se o abuso é deliberado, não faltará corrigenda. Vagueou o olhar sobre o diretor da assembléia e sobre os medianeiros que incorporavam os comunicantes e acrescentou: – Teotônio e Raimundo, tanto quanto alguns outros desencarnados da posição deles, e que aqui se aglomeram, realmente são mais vampirizados que vampirizadores. Fascinados pelas requisições de Quintino e dos médiuns que lhe prestigiam a obra infeliz, seguem-lhes os passos, como aprendizes no encalço dos mentores aos quais se devotam.
Na hipótese de não se reajustarem no bem, tão logo se desencarnem o dirigente deste grupo e os instrumentos medianímicos que lhe copiam as atitudes, serão eles surpreendidos pelas entidades que escravizaram, a lhes reclamarem orientação e socorro, e, mui provavelmente, mais tarde, no grande porvir, quando responsáveis e vitimas estiverem reunidos no instituto da consangüinidade terrestre, na condição de pais e filhos, acertando contas e recompondo atitudes, alcançarão pleno equilíbrio nos débitos em que se emaranharam. Ante a nossa admiração silenciosa, o Assistente concluiu: – Cada serviço nobre recebe o salário que lhe diz respeito e cada aventura menos digna tem o preço que lhe corresponde. Logo após, Áulus concitou-nos a partir. O ambiente não encorajava maior estudo e já havíamos assimilado a lição que ali poderíamos receber. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 239
Efeitos físicos Vinte horas haviam soado no relógio terrestre, quando entramos em acanhado apartamento, no qual se realizariam trabalhos de materialização. Tanto Hilário quanto eu não desejávamos encerrar a semana de estudos sem observar algum serviço dessa natureza, em companhia do Assistente. De outra feita, acompanháramos experiência dessa ordem, as-
sinalando-a em registro de nossas impressões contudo, os ensinamentos de Áulus eram sempre expressivos, e valiosos pelos fundamentos morais de que se revestiam, e suspirei pelo instante de ouvi-lo discorrer sobre os fenômenos físicos que nos propúnhamos analisar. O recinto destinado aos trabalhos constituía-se de duas peças, uma sala de estar ligada a estreita câmara de dormir. O aposento íntimo, transformado em gabinete, albergava o médium, um homem ainda moço, e na sala espalhavam-se catorze pessoas, aparentemente bem-intencionadas, das quais se destacavam duas senhoras doentes, que representavam o motivo essencial da reunião, de vez que pretendiam recolher a assistência amiga dos Espíritos materializados. Indicando-as, falou o orientador, com grave entonação de voz: – Venho com vocês até aqui, considerando as finalidades do socorro aos enfermos, porque, embora sejam muitas as tentativas de materialização de forças do nosso plano, na Terra, com raras
1 “Missionários da Luz”. (Nota do Autor espiritual.) Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 240
exceções quase todas se desenvolvem sobre lastimáveis alicerces que primam por infelizes atitudes dos nossos irmãos encarnados. Só os doentes, por enquanto, no mundo, justificam a nosso ver o esforço dessa espécie, junto das raras experiências, essencialmente respeitáveis e dignas, realizadas pelo mundo científico, em beneficio da Humanidade. Quiséramos alongar o entendimento, no entanto, renteando conosco, diversos obreiros iam e vinham, dando a perceber o início dos trabalhos daquela noite. A higienização processava-se ativa. O serviço reclamava cuidado. Segundo apontamentos recolhidos por nós, em outras ocasiões, aqui surgiam aparelhos delicados para a emissão de raios curativos, acolá se efetuava a ionização do ambiente com efeitos bactericidas. Alguns encarnados, como habitualmente acontece, não tomavam a sério as responsabilidades do assunto e traziam consigo emanações tóxicas, oriundas do abuso de nicotina, carne e aperitivos, além das formas-pensamentos menos adequadas à tarefa que o grupo devia realizar. Atento ao estudo, Áulus recomendou-nos centralizar a atenção no gabinete do médium. Obedecemos. Ao redor, laboriosa atividade seguia adiante. Dezenas de entidades bem comandadas e evidenciando as melhores noções de disciplina, articulavam-se no esforço preparatório. O instrumento medianímico já havia recebido eficiente amparo no campo orgânico. A digestão e a circulação, tanto quanto o socorro às vísceras já eram problemas solucionados. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 241
Dispensar-nos-emos de maior rigor descritivo, porquanto, em
outras páginas, a materialização, de acordo com as nossas possibilidades de expressão, mereceu-nos meticuloso exame, no que respeita às substâncias, associações, recursos e movimentos do plano espiritual. Agora, interessava-nos a mediunidade em si. Intentávamos analisar-lhe o comportamento, em suas relações com o ambiente e as pessoas. E, para isso, a nosso parecer, nenhuma ocasião melhor que aquela, em que dispúnhamos da colaboração segura de um amigo competente e devotado qual o instrutor que nos acompanhava, solícito. Apagada a luz elétrica e pronunciada a oração de início, o agrupamento, como de praxe, passou a entoar hinos evangélicos, para equilibrar as vibrações do recinto. Colaboradores desencarnados extraíam forças de pessoas e coisas da sala, inclusive da Natureza em derredor, que casadas aos elementos de nossa esfera faziam da câmara mediúnica precioso e complicado laboratório.
Correspondendo à atuação magnética dos mentores responsáveis, desdobrou-se o médium, afastando-se do veículo físico, de modo tão perfeito que o ato em si mais se me afigurava a própria desencarnação, porque o corpo jazia no leito, como se fora um casulo de carne, largado e inerte. O veículo físico, assim prostrado, sob o domínio dos técnicos do nosso plano, começou a expelir o ectoplasma, qual pasta flexível, à maneira de uma geléia viscosa e semilíquida, através de todos os poros e, com mais abundância, pelos orifícios naturais, particularmente da boca, das narinas e dos ouvidos, com elevada percentagem a exteriorizar-se igualmente do tórax e das extremidades dos dedos. A substância, caracterizada por um cheiro espe-
2 “Missionários da Luz”. (Nota do Autor espiritual.) Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 242
cialíssimo, que não conseguimos descrever, escorria em movimentos reptilianos, acumulando-se na parte inferior do organismo medianímico, onde apresentava o aspecto de grande massa protoplásmica, viva e tremulante. Companheiros nossos prestavam carinhosa assistência ao médium separado da vestimenta física, como se ele fora um doente ou uma criança. À margem da ação, Áulus esclareceu prestimoso: – O ectoplasma está em si tão associado ao pensamento do médium, quanto as forças do filho em formação se encontram ligadas à mente maternal. Em razão disso, toda a cautela é indispensável na assistência ao medianeiro. Hilário que ouvia, reverente, indagou: – Tal cuidado decorre da possibilidade de inconveniente intervenção do médium nos trabalhos? – Exatamente. E Áulus prosseguiu: – Se pudéssemos contar com mais ampla educação do instrumento, decerto menos teríamos a temer, de vez que a própria individualidade do servidor colaboraria junto de nós, evitando-nos preocupações e contratempos prováveis.
A materialização de criaturas e objetos de nosso plano, para ser mais perfeita, exige mais segura desmaterialização do médium e dos companheiros encarnados que o assistem, porque, por mais nos consagremos aos trabalhos dessa ordem, estamos subordinados à cooperação dos amigos terrestres, assim como a água, por mais pura, permanece submetida às qualidades felizes ou infelizes do canal por onde se escoa. – Isso nos deixa entrever – acentuou meu colega – que o pensamento mediúnico pode influir nas formas materializadas, mes- Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 243
mo quando essas formas se encontrem sob rigoroso controle de amigos da nossa esfera... – Sim – confirmou o Assistente –, ainda quando o médium não consiga senhoreá-las de todo, pode perturbar-lhes a formação e a projeção, prejudicando-nos conseqüentemente o serviço. Dai, o impositivo da completa isenção de ânimo, por parte de quantos se devotam a semelhantes realizações. Hilário, não obstante satisfeito, continuou ponderando: – As faculdades de materialização, desse modo, não traduzem privilégio para os seus portadores... – De modo algum. E, depois de breve pausa: – O próprio verbo referente ao assunto, em sentido literal, não encoraja qualquer interpretação em desacordo com a verdade. Materializar significa corporificar. Ora, considerando-se que mediunidade não traduz sublimação e sim meio de serviço, e reconhecendo, ainda, que a morte não purifica, de imediato, aquele que se encontra impuro, como atribuir santidade a médiuns da Terra ou a comunicantes do Além pelo simples fato de modelarem formas passageiras, entre dois planos? – Então, essa força... Meu companheiro não terminou.
Áulus percebeu-lhe o pensamento e atalhou, asseverando: – Essa força materializante é como as outras manipuladas em nossas tarefas de intercâmbio. Independe do caráter e das qualidades morais daqueles que a possuem, constituindo emanações do mundo psicofísico, das quais o citoplasma é uma das fontes de origem. Em alguns raros indivíduos, encontramos semelhante energia com mais alta percentagem de exteriorização, contudo, sabemos que ela será de futuro mais abundante e mais facilmente Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 244
abordável, quando a coletividade humana atingir mais elevado grau de maturação. – Até lá, desse modo... – Até lá, utilizar-nos-emos dessas possibilidades como quem aproveita um fruto ainda verde, em circunstâncias especiais da vida, suportando, porém, o assédio de mil surpresas desagradáveis ao recolhê-lo, de vez que, em experiências como esta, submetemo-nos a certas interferências mediúnicas indesejáveis, tanto quanto a influências menos edificantes de companheiros encarnados, francamente inaptos para os serviços dessa espécie. Hilário que escutava, atencioso, a lição, ponderou ainda: – Imaginemos que o médium esteja possuído de interesses inferiores, seja em matéria de afetividade mal conduzida, de ambição desregrada ou de pontos de vista pessoais, nos diversos departamentos das paixões comuns... E, depois da alegação reticenciosa, indagou: – Nessa posição poderá influir nos fenômenos em estudo? – Sem dúvida alguma – elucidou Áulus, com naturalidade –, consciente ou inconscientemente. – E os amigos do grupo? se imbuídos de propósitos malsãos conseguem perturbar-nos? – Certamente! – E por que nos sujeitarmos a fatores incapazes, assim? Os olhos do Assistente brilharam, expressivos.
E, afagando o meu colega, Áulus falou, com sensatez: – Não diga “fatores incapazes”. Digamos “fatores insipientes”. Simbolizemos a necessidade como sede escaldante e a mediunidade imperfeita ou mal comandada como sendo a água menos limpa. A falta do liquido puro, não podemos hesitar. Utilizamo- Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 245
nos da água nas condições em que a encontramos. E, em seguida, que fazer? Teremos paciência com a fonte, decantando-lhe, pouco a pouco, a corrente poluída. A mediunidade sublimada, através de instrumentos dignos e conscientes no mandato que lhes corresponde, é algo de eterno e divino que a Humanidade está edificando. Isso não é obra de afogadilho. A improvisação não é alicerce para os santuários da sabedoria e do amor que desafiam o tempo. Meu colega e eu sorrimos, encantados com aquele monumento de compreensão e tolerância. Em derredor, grande massa de substância ectoplásmica leitosa-prateada, da qual se destacavam alguns fios escuros e cinzentos, amontoava-se, abundante. Técnicos de nosso plano manipulavam-na, com atenção. Áulus fixou a paisagem de trabalho ativo e explicou-nos: – Aí temos o material leve e plástico de que necessitamos para a materialização. Podemos dividi-lo em três elementos essenciais, em nossas rápidas noções de serviço, a saber – fluidos “A”, representando as forças superiores e sutis de nossa esfera, fluidos “B”, definindo os recursos do médium e dos companheiros que o assistem, e fluidos “C”, constituindo energias tomadas à Natureza terrestre.
Os fluidos “A” podem ser os mais puros e os fluidos “C” podem ser os mais dóceis; no entanto, os fluidos “B”, nascidos da atuação dos companheiros encarnados e, muito notadamente, do médium, são capazes de estragar-nos os mais nobres projetos. Nos círculos, aliás raríssimos, em que os elementos “A” encontram segura colaboração das energias “B”, a materialização de ordem elevada assume os mais altos característicos, raiando pela sublimidade dos fenômenos; contudo, onde predominam os elementos “B”, nosso concurso é consideravelmente reduzido, porquanto nossas maiores possibilidades passam a ser canalizadas na dependência das forças inferiores do nosso plano, que, afinadas aos potenciais dos irmãos encarnados, podem senhorear-lhes os recur- Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 246
sos, invadindo-lhes o campo de ação e inclinando-lhes as experiências psíquicas no rumo de lastimáveis desastres. As elucidações não poderiam ser mais claras. Dispúnhamo-nos a prosseguir no entendimento, todavia, Garcez, um dos técnicos espirituais do serviço, veio até nós, invocando o auxilio magnético de Áulus. O campo fluídico na sala se fizera demasiado espesso. Os pequenos jactos de força ectoplásmica, arremessados até lá, em caráter experimental, tornavam ao gabinete, revelando forte teor de toxinas de variada classificação. As catorze pessoas assembleadas no recinto eram catorze caprichos diferentes. Não havia ali ninguém com bastante compreensão do esforço que se reclamava do mundo espiritual e cada companheiro, ao invés de ajudar o instrumento mediúnico, pesava sobre ele com inauditas exigências. Em razão disso, o médium não contava com suficiente tranqüilidade.
Figurava-se-nos um animal raro, acicatado por múltiplos aguilhões, tais os pensamentos descabidos de que se via objeto. – Não atingiremos, então, a materialização de ordem superior... – falou o Assistente, algo preocupado. – De modo algum – informou Garcez com desapontamento. – Teremos tão-só o médium desdobrado, incorporando a nossa enfermeira para socorro às irmãs doentes. Nada mais. Não dispomos do concurso preciso. Áulus atendeu à solicitação que lhe era dirigida e auxiliou magneticamente a transferência de certo coeficiente de energias do vaso físico ao corpo perispiritual que se mostrou vivamente reanimado. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 247
O veículo de matéria densa, no leito, desceu à mais funda prostração, mas o médium, em seu perispírito, evidenciava maior vitalidade e maior lucidez. Amigos espirituais envolveram-no em extenso roupão ectoplásmico e a enfermeira uniu-se a ele, comandando-lhe os movimentos. O médium, não obstante ausente do corpo carnal, achava-se controlado pela benfeitora, à maneira de um médium psicofônico, diferenciado apenas pela roupagem singular, estruturada com apetrechos ectoplásmicos imprescindíveis à permanência dele no recinto, onde explodiam pensamentos perturbados e inquietantes. Vendo-o caminhar, inseguro, abraçado~ pela enfermeira que o movimentava para o serviço assistencial, Hilário, ciciante, falou para o nosso orientador: – O médium está consciente durante o fenômeno? – Fora do corpo sim, mas, possivelmente, não guardará qualquer lembrança, logo regresse ao campo físico. Meu colega ainda aventurou: – Vemo-lo avançar com indumentos materializados e sob a orientação da enfermeira amiga. Entretanto, caso alimente, nessas condições, qualquer desejo menos digno, pode interferir no trabalho, prejudicando-o? – Perfeitamente – disse Áulus –, ele está sob controle, mas controle não significa anulação. Qualquer impulso infeliz do nosso companheiro correrá por conta do serviço.
Daí, a inconveniência das atividades dessa espécie, sem alto objetivo moral. O medianeiro das curas, enlaçado pela entidade generosa, alcançou o estreito aposento, exibindo a roupagem delicada, semelhante a uma túnica de luar, emitindo prateada luz. No entanto, à Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 248
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.