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Capítulo 16 de 23
Emmanuel — parte 14 de 21
Nos Domínios da Mediunidade · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz
A companheira humilhada caiu em pranto silencioso sobre velha poltrona e começou a pensar, articulando frases sem palavras: – ”Negócios, negócios... Quanta mentira sobre mentira! Uma nova mulher, isso sim!... Mulher sem coração que não nos vê os problemas... Dívidas, trabalhos, canseiras! Nossa casa hipotecada, nossa velhinha a morrer!... Nossas filhas cedo arremessadas à luta pela própria subsistência!” Enquanto as reflexões dela se faziam audíveis para nós, irradiando-se na sala estreita, vimos de novo a mesma figura de mulher que surgira à frente de Jovino, aparecendo e reaparecendo ao redor da esposa triste, como que a fustigar-lhe o coração com invisíveis estiletes de angústia, porque Anésia acusava agora indefinível mal-estar. Não via com os olhos a estranha e indesejável visita, no entanto, assinalava-lhe a presença em forma de incoercível tribulação mental. De inesperado, passou da meditação pacífica a tempestuosos pensamentos. – Lembro-me dela, sim – refletia agora em franco desespero – , conheço-a! é uma boneca de perversidade... Há muito tempo vem sendo um veículo de perturbação para a nossa casa. Jovino está modificado... Abandona-nos, pouco a pouco.
Parece detestar até mesmo a oração... Ah! que horrível criatura uma adversária qual essa, que se imiscui em nossa existência à maneira da víbora traiçoeira! Se eu pudesse haveria de esmagá-la com os meus pés, mas hoje guardo uma fé religiosa, que me forra o coração contra a violência... Á medida, porém, que Anésia monologava intimamente em termos de revide, a imagem projetada de longe abeirava-se dela com maior intensidade, como que a corporificar-se no ambiente para infundir-lhe mais amplo mal-estar. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 174
A mulher que empolgava o espírito de Jovino ali surgia agora visivelmente materializada aos nossos olhos. E as duas, assumindo a posição de francas inimigas, passaram à contenda mental. Lembranças amargas, palavras duras, recíprocas acusações. A esposa atormentada passou a sentir desagradáveis sensações orgânicas. O sangue afluía-lhe com abundância à cabeça, impondo-lhe aflitiva tensão cerebral. Quanto mais se lhe dilatavam os pensamentos de revolta e amargura, mais se lhe avultava o desequilíbrio físico. Teonília afagou-a, carinhosa, e informou ao nosso orientador: – Há muitas semanas diariamente se repete o conflito. Temo pela saúde de nossa companheira. Áulus deu-se pressa em aplicar-lhe recursos magnéticos de alívio e, desde então, as manifestações estranhas diminuíram até completa cessação.
Efetivado o reajustamento relativo de Anésia e percebendonos a curiosidade, o Assistente esclareceu: – Jovino permanece atualmente sob imperiosa dominação telepática, a que se rendeu facilmente, e, considerando-se que marido e mulher respiram em regime de influência mútua, a atuação que o nosso amigo vem sofrendo envolve Anésia, atingindo-a de modo lastimável, porquanto a pobrezinha não tem sabido imunizar-se com os benefícios do perdão incondicional. Hilário, intrigado, perguntou: – Examinamos, porém, um fenômeno comum? – Intensamente generalizado. É a influenciação de almas encarnadas entre si que, às vezes, alcança o clima de perigosa obses- Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 175
são. Milhões de lares podem ser comparados a trincheiras de luta, em que pensamentos guerreiam pensamentos, assumindo as mais diversas formas de angústia e repulsão. – E poderíamos enquadrar o assunto nos domínios da mediunidade? – Perfeitamente, cabendo-nos acrescentar ainda que o fenômeno pertence à sintonia. Muitos processos de alienação mental guardam nele as origens. Muitas vezes, dentro do mesmo lar, da mesma família ou da mesma instituição, adversários ferrenhos do passado se reencontram. Chamados pela Esfera Superior ao reajuste, raramente conseguem superar a aversão de que se vêem possuídos, uns à frente dos outros, e alimentam com paixão, no imo de si mesmos, os raios tóxicos da antipatia que, concentrados, se transformam em venenos magnéticos, suscetíveis de provocar a enfermidade e a morte. Para isso, não será necessário que a perseguição recíproca se expresse em contendas visíveis. Bastam as vibrações silenciosas de crueldade e despeito, ódio e ciúme, violência e desespero, as quais, alimentadas, de parte a parte, constituem corrosivos destruidores.
Finda ligeira pausa, o Assistente continuou: – O pensamento exterioriza-se e projeta-se, formando imagens e sugestões que arremessa sobre os objetivos que se propõe atingir. Quando benigno e edificante, ajusta-se às Leis que nos regem, criando harmonia e felicidade, todavia, quando desequilibrado e deprimente, estabelece aflição e ruína. A química mental vive na base de todas as transformações, porque realmente evoluímos em profunda comunhão telepática com todos aqueles encarnados ou desencarnados que se afinam conosco. – E como solucionar o problema da antipatia contra nós? – indagou meu companheiro com interesse. Áulus sorriu e respondeu: Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 176
– A melhor maneira de extinguir o fogo é recusar-lhe combustível. A fraternidade operante será sempre o remédio eficaz, ante as perturbações dessa natureza. Por isso mesmo, o Cristo aconselhava-nos o amor aos adversários, o auxílio aos que nos perseguem e a oração pelos que nos caluniam, como atitudes indispensáveis à garantia de nossa paz e de nossa vitória. Nesse instante, porém, Anésia consultara o relógio e reerguera-se. Vinte horas. Era o momento preciso de suas preces junto da mãezinha doente, e acompanhamo-la, atenciosos, a fim de igualmente orarmos. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 177
Mediunidade e oração Em estreito aposento, uma senhora, aparentando setenta anos de idade, acusava aflitiva dispnéia. A pequena Márcia, agitando um leque improvisado, propiciava-lhe ar fresco. Ao lado da enferma, porém, uma entidade de aspecto desagradável exibia estranha máscara de perturbação e sofrimento, imantando-se a ela e agravando-lhe os tormentos físicos. Tratava-se de um homem desencarnado, demonstrando no olhar a alienação mental evidente. Enquanto Anésia se acomodava, junto à doente, com inexcedível ternura, procurando esquecer-se de si mesma para ajudá-la, Áulus informou, prestimoso: – Temos aqui nossa irmã Elisa, em avançado processo liberatório... Vive as últimas horas no corpo carnal... – E este homem de triste apresentação que lhe guarda a cabeceira? – perguntou Hilário, indicando a entidade que não nos via. – Este é um infortunado filho de nossa veneranda amiga, há muitos anos distanciado da experiência física. Teve a infelicidade de chafurdar no vicio da embriaguez e foi assassinado numa noite de extravagância. A genitora, porém, dele se recorda, como a um herói, e, a evocá-lo incessantemente, retém o infeliz ao pé do próprio leito. – Ora essa! Por quê? O Assistente modificou o tom de voz e recomendou-nos serenidade. Analisaríamos o caso em momento oportuno. O problema de Anésia pedia colaboração imediata. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 178
Realmente, a pobre senhora, de fisionomia fatigada, acariciava a enferma com palavras de amor, mas Dona Elisa parecia aloucada, distante... Anésia desfez-se em lágrimas. – Por que chorar, mãezinha? Vovó não está pior... A voz meiga de Márcia ressoou no quarto, modulada com inefável carinho. A menina, que nem de longe poderia perceber a tortura materna, enlaçou a genitora convidando-a à oração. Dona Anésia desejou a presença das filhas mais velhas, contudo, Marcina e Marta alegaram que o natalício de uma companheira de trabalho lhes impunha a necessidade de sair por alguns minutos. A dona da casa sentou-se rente à enferma e, acompanhada pela atenção da filhinha, pronunciou sentida prece. A medida que orava, funda modificação se lhe Imprimia ao mundo interior. Os dardos de tristeza, que lhe dilaceravam a alma, desapareceram ante os raios de branda luz a se lhe exteriorizarem do coração. Desde esse instante, qual se houvera acendido uma lâmpada em plena obscuridade, vários desencarnados sofredores penetraram o quarto, abeirando-se dela, à maneira de doentes, solicitando medicação.
Nenhum deles nos assinalava a presença e, diante da nossa curiosidade silenciosa, Áulus aclarou: – São companheiros que trazem ainda a mente em teor vibratório idêntico ao da existência na carne. Na fase em que estagiam, mais depressa se ajustam com o auxílio dos encarnados, em cuja faixa de impressões ainda respiram. Quantos se encontram em semelhante estado, dentro do raio de ação das preces de nossa amiga, recebem o toque de espiritualidade que emana do serviço Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 179
dessa natureza e, quando sensíveis ao bem ou sedentos de renovação interior, dão-se pressa em responder ao apelo de elevação que os visita, aderindo à oração, de cujo sublime poder recolhem esclarecimento e consolo, amparo e benefício. – Quanto valor num insignificante ato de fé! O Assistente afagou a fronte inquieta de Hilário e concordou: – Sim o homem terrestre criou enormes complicações ao seu caminho, contudo, a morte constrange-o a regressar aos alicerces da simplicidade para a regeneração da própria vida. A essa altura, Anésia abriu precioso livro de meditações evangélicas, acreditando agir ao acaso, mas o tema, em verdade, foi escolhido por Teonília, que lhe vigiava, bondosa, os movimentos. Com surpresa, a dona da casa notou que o texto se reportava à necessidade do trabalho e do perdão. Dócil, correspondendo à influenciação da mentora espiritual, a esposa de Jovino começou a falar sabiamente sobre os impositivos do serviço e da tolerância construtiva, em favor da edificação justa do bem.
A voz dela, fluente e suave, transmitia, sem que ela mesma percebesse, o pensamento de Teonília que, com isso, buscava socorrer-lhe o coração atormentado. Numa pausa mais longa, Márcia reparou com inteligência: – Continue, mãezinha! Continue... Tenho a idéia de que nos achamos à frente de enorme multidão... E sem refletir que estava pregando, acima de tudo, para si mesma, Anésia adiantou: – Sim, minha filha, estamos sozinhas porque a vovó, fatigada, não nos ouve. Isso, porém, é só na aparência. Muitos irmãos Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 180
desencarnados, decerto, permanecem aqui conosco e acompanham nosso culto de oração. E prosseguiu nos comentários que, efetivamente, acendiam novo ânimo nas almas presentes, ávidas de luz, tanto quanto sequiosas de paz e refazimento. Terminada a tarefa, Márcia despediu-se da mãezinha com um beijo. O serviço escolar da manhã exigia o repouso mais cedo. Depois de afetuosas recomendações à menina, viu-se Anésia a sós com a genitora semi-inconsciente. Acariciou-lhe o rosto pergaminhado e pálido, acomodou-lhe a cabeça suarenta nos travesseiros e estirou-se ao lado dela, como que procurando pensar, pensar.. Áulus fez significativo gesto a Teonília e exclamou: – Este é o momento exato. Cuidadosamente, começaram ambos a aplicar-lhe passes sobre a cabeça, concentrando energia magnética ao longo das células corticais. Anésia viu-se presa de branda hipnose, que ela própria atribuía ao cansaço e não relutou. Em breves instantes, deixava o corpo denso na prostração do sono, vindo ao nosso encontro em desdobramento quase natural. Não parecia, contudo, tão consciente em nosso plano quanto seria de desejar. Centralizada no afeto ao marido, Jovino constituía-lhe obcecante preocupação. Reconheceu Teonília e Áulus por benfeitores e lançou-nos significativo olhar de simpatia, no entanto, mostrava-se atordoada, ....... Queria ver o esposo, ouvir o esposo... O Assistente deliberou satisfazê-la. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 181
Amparada pelos braços da admirável amiga, tomou a direção que lhe pareceu acertada, como quem possuía, de antemão, todos os dados necessários à localização do marido. Áulus conosco explicou que as almas, quando associadas entre si, vivem ligadas uma às outras pela imanação magnética, superando obstáculos e distâncias. Em vasto salão de um clube noturno, surpreendemos Jovino e a mulher que se fizera nossa conhecida nos fenômenos telepáticos, integrando um grupo alegre, em atitudes de profunda intimidade afetiva. Rodeando o conjunto, diversas entidades, estranhas para nós, formavam vicioso círculo de vampiros que não nos registraram a presença. O anedotário menos edificante prendia as atenções. Ao defrontar o companheiro na posição em que se achava, Anésia desferiu doloroso grito e caiu em pranto. Seguida por nós, recuou ferida de aflição e assombro e tão logo nos vimos na via pública. bafejados pelo ar leve da noite, o Assistente abraçou-a, paternal. Notando-a mais senhora de si, embora o sofrimento lhe transfigurasse o rosto, falou-lhe com extremado carinho: – Minha irmã, recomponha-se.
Você orou, pedindo assistência espiritual, e aqui estamos, trazendo-lhe solidariedade. Reanime-se! Não perca a esperança!. – Esperança? – clamou a pobre criatura em lágrimas. – Fui traída, miseravelmente traída... E o entendimento, entre os dois, prosseguiu comovente e expressivo. – Traída por quem? Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 182
– Por meu esposo, que falhou aos compromissos do casamento. – Mas você admite, porventura, que o casamento seja uma simples excursão no jardim da carne? supôs que o matrimônio terrestre fosse apenas a música da ilusão a eternizar-se no tempo? Minha amiga, o lar é uma escola em que as almas se reaproximam para o serviço da sua própria regeneração, com vistas ao aprimoramento que nos cabe apresentar de futuro. Você ignora que no educandário há professores e alunos? desconhece que os melhores devem ajudar aos menos bons? A interlocutora, chamada a brios, sustou a lamentação. Ainda assim, após fitar o nosso orientador com entranhada confiança, alegou, triste: – Mas Jovino... Áulus, porém, cortou-lhe a frase, acrescentando: – Esquece-se de que seu esposo precisa muito mais agora de seu entendimento e carinho?
Nem sempre a mulher poderá ver no companheiro o homem amado com ternura, mas sim um filho espiritual necessitado de compreensão e sacrifício para soerguerse, como também nem sempre o homem conseguirá contemplar na esposa a flor de seus primeiros sonhos, mas sim uma filha do coração, a requisitar-lhe tolerância e bondade, a fim de que se transfira da sombra para a luz. Anésia, o amor não é tão-somente a ventura rósea e doce do sexo perfeitamente atendido. É uma luz que brilha mais alto, inspirando a coragem da renúncia e do perdão incondicionais, em favor do ser e dos seres que nós amamos. Jovino é uma planta que o Senhor lhe confiou às mãos de jardineira. É compreensível que a planta seja assaltada pelos parasitas ou pelos vermes da morte, todavia, nada há a recear se a jardineira está vigilante... Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 183
Nesse ponto das belas palavras do instrutor, a mãezinha de Márcia voltou-se para ele, à maneira de uma doente agarrando-se ao médico, e rogou em voz súplice: – Sim, sim... Reconheço... Entretanto, não me deixe sozinha... Sinto-me atribulada. Que fazer da mulher que o domina? Nela vejo a perturbação e o fel de nossa casa... Assemelha-se a um Espírito diabólico, fascinando-o e destruindo-o... – Não se refira a ela assim, com palavras amargas! É também nossa irmã, vitimada por lastimáveis enganos!... – Mas como aceitá-la? Percebo-lhe a influência maligna... Parece uma serpente invisível, trazendo consigo pavorosos monstros para junto de nós... Nosso templo doméstico, por isso, transformou-se num inferno em que não mais nos entendemos... Tudo agora é fracasso, desarmonia e insegurança... Que fazer de semelhante criatura? – Compadeçamo-nos dela! Terrível ser-lhe-á o despertamento. – Compaixão? – E que outra melhor represália senão essa? – Não seria mais justo situá-la na reparação dos próprios erros? não seria mais certo relegá-la ao lugar escuro que merece? Áulus, porém, tomou-lhe a destra inquieta e esclareceu: – Abstenhamo-nos de julgar.
Consoante a lição do Mestre que hoje abraçamos, o amor deve ser nossa única atitude para com os adversários. A vingança, Anésia, é a alma da magia negra. Mal por mal significa o eclipse absoluto da razão. E, sob o império da sombra, que poderemos aguardar senão a cegueira e a morte? Por mais aflitiva lhe seja a lembrança dessa mulher, recorde-a em suas preces e em suas meditações, por irmã necessitada de nossa assistência fraterna. Ainda não readquirimos nossa memória integral Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 184
do passado e nem sabemos o que nos ocorrerá no futuro... Quem terá sido ela no pretérito? alguém que ajudamos ou ferimos? Quem será para nós no porvir? Nossa mãe ou nossa filha? Não condene! O ódio é como o incêndio que tudo consome, mas o amor sabe como apagar o fogo e reconstruir. Segundo a Lei, o bem neutraliza o mal, que se transforma, por fim, em servidor do próprio bem. Ainda que tudo pareça conspirar contra a sua felicidade, ame e ajude sempre, porque o tempo se incumbirá de expulsar as trevas que nos visitam, à medida que se nos aumente o mérito moral. Anésia, assemelhando-se a uma criança resignada, pousou no benfeitor os olhos límpidos, como a prometer-lhe obediência, e Áulus, afagando-a, recomendou: – Volte ao lar e use a humildade e o perdão, o trabalho e a prece, a bondade e o silêncio, na defesa de sua segurança. A mãezinha enferma e as filhinhas reclamam-lhe amor puro, tanto quanto o nosso Jovino, que voltará, mais experiente, ao refúgio de seu coração.
Anésia ergueu a cabeça para o firmamento constelado de luz, pronunciando uma oração de louvor e, em seguida, tornou a casa. Vimo-la despertar no corpo carnal, de alma renovada, quase feliz... Enxugou as lágrimas que lhe banhavam o rosto e tentou ansiosamente recordar, ponto a ponto, a entrevista que tivera conosco. Em verdade, não conseguiu alinhar senão fragmentárias reminiscências, mas reconheceu-se reconfortada, sem revolta e sem amargura, como se mãos intangíveis lhe houvessem lavado a mente, conferindo-lhe uma compreensão mais clara da vida. Recordou Jovino e a mulher que o hipnotizava, compadecidamente, como pessoas a lhe exigirem tolerância e piedade. Francisco C. Xavier - Nos Domínios da Mediunidade - pelo Espírito André Luiz 185
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.